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Os
deputados da bancada federal do PCdoB que, na reforma da
Previdência, optaram por um voto dissidente desrespeitaram o
principal fundamento da estruturação do Partido ao deixar de
cumprir uma decisão coletiva e, assim, romper com o princípio do
centralismo democrático.
Há um conjunto de
questões enfeixado sob esta forma de entender a organização
partidária, definida por Lênin no início do século XX, e cujo
mecanismo pode ser sintetizado nas palavras debater, decidir,
aplicar.
Debater: o embate de opiniões é livre, amplo e envolve de forma
organizada todas as instâncias partidárias. Decidir: a mais alta
dessas instâncias é o Congresso do Partido, que define a
política, o programa, os objetivos táticos e estratégicos,
delibera e aprova as linhas de ação, e elege a direção que terá
a responsabilidade de fazer com que essas decisões sejam
aplicadas. As decisões são adotadas por consenso ou pela maioria
dos votos, pelo Congresso ou, no intervalo entre um e outro,
pelo Comitê Central ou por seus organismos de direção, como a
Comissão Política, o Secretariado; se julgar necessário, o
Comitê Central convoca uma conferência do Partido (como ocorreu
com a convocação da 9ª Conferência, em 2003). Aplicar:
Percorrida toda a linha de elaboração e aprovação, a decisão
tomada é de todos e sua aplicação torna-se obrigatória para
todos os membros do Partido.
Lênin usou a expressão “centralismo democrático” pela primeira
vez em 1905, em uma resolução sobre a organização do Partido que
refletia o difícil contexto vivido então, resultado da divisão –
e da convivência, em seu interior – de duas correntes, os
bolcheviques e os mencheviques. A compreensão daquele princípio
desenvolveu-se desde então e o próprio Lênin, na luta contra as
correntes reformistas e revisionistas, antes e depois da vitória
de 1917, teve papel importante nesse desenvolvimento. Sua
atuação mostrou a necessidade do centralismo democrático não só
no período da clandestinidade, mas também durante a luta
revolucionária e, depois, na direção do Estado soviético.
Posteriormente, houve uma hipertrofia do centralismo democrático
e em sua compreensão muitas vezes estreita, com conseqüências
sérias para a construção do socialismo como uma experiência
democrática plena. O PCdoB soube, ao longo do tempo, aprimorar o
caráter democrático desse princípio.
Além daqueles traços já citados, que definem seu funcionamento,
o método leninista de organização partidária parte de princípios
democráticos muito sólidos e profundos: o Partido tem um centro
único; o individual se subordina ao coletivo; na ação, a minoria
se submete à maioria; os órgãos inferiores se submetem aos
superiores, e o conjunto das organizações partidárias ao Comitê
Central. O centralismo democrático não é, assim, uma
característica ideológica ou doutrinária, atemporal ou
ahistórica, mas sim a viga principal da estrutura dos partidos
de tipo leninista, e relativizar sua vigência e validade coloca
em xeque a própria natureza do Partido, sua necessidade
histórica e sua capacidade de cumprir as grandes e generosas
tarefas que cabem à vanguarda consciente do proletariado. |