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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 231

outubro/2003

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CAPA

EDITORIAL
Em defesa da unidade PCdoB conclui processo disciplinar
Um princípio que não pode ser rompido
 

NACIONAL

Campeão de crescimento... e de problemas
Por que a reforma tributária é boa para o Brasil
Dividindo receitas
As reformas do mundo do trabalho
Redução da jornada e geração de emprego
Meio século em defesa da economia brasileira
 

PCdoB

Comitês municipais:
elo decisivo
Comunismo em ritmo de frevo
Festa pernambucana
Agenda nacional do PCdoB
Cartas
 

MOVIMENTO

A luta por uma tarifa mais justa
Nova política para quilombos
 

INTERNACIONAL

Paz, seu nome é justiça social
Polarização Norte-Sul ressurge na cena mundial
Visão e conhecimento
Marco nas relações do Brasil com Cuba
Os EUA e a nova ordem mundial
Viagem a um país que constrói o socialismo
O Vietnã ainda é um país pobre
Eles derrotaram a França e os EUA
 

ESPECIAL

A memória impossível de Gabriel Garcia Marquez
Questão de soberania
Wladimir, da democracia corintiana agora é comunista

 

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EDITORIAL

Esta edição eletrônica de A Classe Operária não inclui o Encarte Especial que circula com a Edição Impressa
Em defesa da unidade PCdoB conclui processo disciplinar

 

Mais de 60 dirigentes manifestaram sua opinião do Comitê Central













N
uma reunião histórica, o Comitê Central do Partido Comunista do Brasil encerrou, nos dias 27 e 28 de setembro, o Processo Disciplinar referente ao voto dissidente dos parlamentares federais Sérgio Miranda, Jandira Feghali e Alice Portugal na votação da reforma da Previdência. A importância da reunião vem de sua coesão e do conteúdo firme e equilibrado de suas resoluções em defesa da unidade e da política do Partido.

Entre outras sanções estipuladas pela Resolução, Sérgio Miranda e Jandira Feghali foram destituídos do CC pelo prazo de 8 meses e Alice Portugal recebeu uma censura pública. Estas medidas disciplinares, conforme explica o documento do CC, têm um sentido educativo e visam a contribuir para que os três parlamentares “se reencontrem com a unidade e a política partidárias”.

A reunião foi aberta pelo presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, que apresentou a peça de instrução e as penalidades propostas; em seguida, os parlamentares fizeram suas defesas. Juntamente com o debate que se seguiu, foram consumidas 12 horas do dia 27, sábado; 60 pessoas ocuparam a tribuna para manifestar sua opinião.

Os três parlamentares tiveram amplo direito de defesa e o exerceram tanto na fase de instrução do processo quanto diretamente nesta reunião decisória. Cumpriu-se rigorasamente o rito do Estatuto para questões desta natureza, cujo objetivo é a adoção de medidas judiciosas “que resguardem tanto o seu respeito e aplicação quanto os direitos que ele assegura aos militantes”.

Não foram as idéias daqueles camaradas que estavam em julgamento. Elas foram – e são – expressas de forma livre no debate em curso no Partido. Divergência compreensível na situação nova e complexa que o Partido vive hoje, participando do governo e simultaneamente dirigindo parcela cada vez mais importante do movimento social.

O que estava em julgamento foi o voto dissidente, foi a quebra da regra de ouro da organização partidária, o centralismo democrático. E o resultado da votação, na manhã do domingo, dia 28, registrou com vigor essa compreensão do principal coletivo dirigente do Partido – entre os 51 membros do Comitê Central, 49 votaram a favor da proposta da Comissão Política Nacional, e a unanimidade só foi quebrada pelo voto de abstenção dos dois dirigentes que estavam sendo julgados, Sérgio Miranda e Jandira Feghali. Não houve um único voto contrário, demonstrando a firme unidade do Partido e de seus dirigentes em torno do princípio básico de sua estruturação, o centralismo democrático e da linha política aprovada na 9ª Conferência Nacional do PCdoB. 

Um princípio que não pode ser rompido

Os deputados da bancada federal do PCdoB que, na reforma da Previdência, optaram por um voto dissidente desrespeitaram o principal fundamento da estruturação do Partido ao deixar de cumprir uma decisão coletiva e, assim, romper com o princípio do centralismo democrático.

Há um conjunto de questões enfeixado sob esta forma de entender a organização partidária, definida por Lênin no início do século XX, e cujo mecanismo pode ser sintetizado nas palavras debater, decidir, aplicar.

Debater: o embate de opiniões é livre, amplo e envolve de forma organizada todas as instâncias partidárias. Decidir: a mais alta dessas instâncias é o Congresso do Partido, que define a política, o programa, os objetivos táticos e estratégicos, delibera e aprova as linhas de ação, e elege a direção que terá a responsabilidade de fazer com que essas decisões sejam aplicadas. As decisões são adotadas por consenso ou pela maioria dos votos, pelo Congresso ou, no intervalo entre um e outro, pelo Comitê Central ou por seus organismos de direção, como a Comissão Política, o Secretariado; se julgar necessário, o Comitê Central convoca uma conferência do Partido (como ocorreu com a convocação da 9ª Conferência, em 2003). Aplicar: Percorrida toda a linha de elaboração e aprovação, a decisão tomada é de todos e sua aplicação torna-se obrigatória para todos os membros do Partido.

Lênin usou a expressão “centralismo democrático” pela primeira vez em 1905, em uma resolução sobre a organização do Partido que refletia o difícil contexto vivido então, resultado da divisão – e da convivência, em seu interior – de duas correntes, os bolcheviques e os mencheviques. A compreensão daquele princípio desenvolveu-se desde então e o próprio Lênin, na luta contra as correntes reformistas e revisionistas, antes e depois da vitória de 1917, teve papel importante nesse desenvolvimento. Sua atuação mostrou a necessidade do centralismo democrático não só no período da clandestinidade, mas também durante a luta revolucionária e, depois, na direção do Estado soviético.

Posteriormente, houve uma hipertrofia do centralismo democrático e em sua compreensão muitas vezes estreita, com conseqüências sérias para a construção do socialismo como uma experiência democrática plena. O PCdoB soube, ao longo do tempo, aprimorar o caráter democrático desse princípio.

Além daqueles traços já citados, que definem seu funcionamento, o método leninista de organização partidária parte de princípios democráticos muito sólidos e profundos: o Partido tem um centro único; o individual se subordina ao coletivo; na ação, a minoria se submete à maioria; os órgãos inferiores se submetem aos superiores, e o conjunto das organizações partidárias ao Comitê Central. O centralismo democrático não é, assim, uma característica ideológica ou doutrinária, atemporal ou ahistórica, mas sim a viga principal da estrutura dos partidos de tipo leninista, e relativizar sua vigência e validade coloca em xeque a própria natureza do Partido, sua necessidade histórica e sua capacidade de cumprir as grandes e generosas tarefas que cabem à vanguarda consciente do proletariado.

VERMELHO.ORG.BR