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PCdoB
Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 229

agosto/2003

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CAPA

EDITORIAL
Novas filiações
fortalecem o PCdoB
A galinha e a águia
 

NACIONAL

Lula e José Dirceu durante almoço na casa do deputado Aldo Rebelo
Em Busca de um Teatro Popular, Nordestino, Brasileiro e Universal
O renascimento de uma indústria estratégica
Desastre!
 

PCdoB

Página do PCdoB na internet no seu melhor momento
Presidente do PCdoB/
Boa Vista morre em acidente
Resoluções dos comitês estaduais
A Classe Operária continua a publicação das notas do PCdoB em defesa do centralismo democrático.
Conferência da Mantiqueira: comunistas enfrentam a ditadura e reorganizam o Partido
Unidade popular para disputar rumos do governo
Negado habeas-corpus a líderes do MST
Calendário Conferências
Cartas
 

MOVIMENTO

"Por um mundo de igualdade" Mulheres não querem ser discriminadas como trabalhadoras e cidadãs
 

INTERNACIONAL

O Brasil agüenta mais um acordo como este?
ONU agredida
Sérgio Vieira de Mello morreu. Mas o alvo era Bush, Blair e seus aliados
Tráfico hediondo
1,2 milhões de crianças são traficadas anualmente em todo o mundo, diz a Unicef
Comércio infame no Brasil
Vaticano condena homossexuais
Tudo se transformou 260 anos de Antoine Laurent de Lavoisier
 

ESPECIAL

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CAPA

EDITORIAL

Novas filiações
fortalecem o PCdoB


A filiação de João Ananias; ao lado, Inácio, Carlos Augusto e Renato Rabelo

N
as últimas semanas, o Partido Comunista do Brasil recebeu grande massa de filiados, dentre eles lideranças de todos os setores de atividade, em diversas regiões do Brasil.

Em Uruoca, Ceará, o vice-prefeito, Manuel Conrado; o vereador Valdir Mundoca; o suplente de vereador, José Mário; e a secretária municipal de Saúde, Dra. Ione, anunciaram suas filiações. Nos municípios de Irapuan Pinheiro e Moraújo as novas filiações foram parte das plenárias para conferência estadual.

Também vieram para o Partido a presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Ceará, Iêda Nobre de Castro; a advogada Olga Nunes; o coordenador do MST na região norte do Estado, Gérson Mendes; o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Santana do Cariri, Juracildo da Silva; o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Santana do Acaraú, João Ananias; e o vice-prefeito de Santana do Acaraú, Antonio “Totonho” Arcanjo, além de seis vereadores de Santana de Acaraú, dois vereadores de Choro, um vereador de Jaguaribe, um vereador de Paraipaba, um vereador de Baturité e uma vereadora de Marco. Outras mais de 70 lideranças de Fortaleza e de 15 municípios do interior, totalizando cerca de 500 novos filiados, juntaram-se às fileiras comunistas, entre eles dona Maria de Lourdes Miranda Albuquerque, de 80 anos.

Em São Paulo, festa na quadra da samba Unidos do Peruche recepcionou os 2 mil novos militantes. Dos trabalhadores dos Correios e Telégrafos vieram mais de 100 filiações. Outros são muito conhecidos, como Ademir da Guia, o craque histórico do Palmeiras, e Douglas Deungaro (Metaleiro), dirigente da escola de samba Gaviões da Fiel. Em Guarulhos, o PCdoB teve a adesão do vereador Francisco Cardoso Filho (Chicão), ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos local, e do secretário adjunto de Esportes, João Araujo Silva (ex-presidente do diretório Municipal do PSB), além de lideranças sindicais e de movimentos sociais. Em Mairiporã, filiou-se a vereadora Dna. Francisca; em Monguaguá, o primeiro suplente de vereador Fábio Luiz da Silva, o Bibi; em Suzano, foram mais de 500 filiados.

Em Campo Mourão, interior do Paraná, vieram Lenilda de Assis e 36 outras lideranças, dentre as quais Raoni Marques; a presidente da União Mourãoense dos Estudantes Secundaristas (UMES), Raisa Luisa; Darwin de Assis, professores, servidores municipais, artistas e militantes da cultura e da juventude.

O comunismo mineiro conta com 32 novos comitês municipais e, até junho, recebeu 1.300 novos filiados (média anual dos outros anos). Dois dos mais importantes jornalistas esportivos do estado, José Luis Gontijo e Mário Henrique, o Caixa, também assinaram suas fichas. Eleito com 37,7% dos votos, o prefeito do município de Guanhães, José Luis de Araújo, filiou-se por ver no Partido o caminho de luta do povo da cidade. Outra nobre aquisição foi a aguerrida e batalhadora senhora (90 anos de idade) Zilda Barbosa, mãe de 12 filhos criados na zona rural de Araguari, dentre eles a vereadora comunista Nair Guedes, de Juiz de Fora.

No Espírito Santo, foi com muita alegria que o PCdoB recebeu a ficha de filiação de Antonio Carlos Vivaldo, presidente do Sindicato dos Professores. Ele trouxe consigo toda a diretoria da entidade. A filiação ocorreu durante o 5º Congresso do SINPRO-ESM e todas as fichas foram abonadas por João Batista Lemos, do Comitê Central e coordenador nacional da Corrente Sindical Classista (CSC).
O PCdoB de Pernambuco trouxe para a luta comunista vários dirigentes do PDT, inclusive Vicente André Gomes, ex-deputado federal, e Moacir André Gomes, vereador em Recife. Também ingressaram os dirigentes do Sindicato dos Servidores Públicos de Paulista, Genivaldo Ribeiro, o “Pesão”, Maurílio Cavalcanti e Jacira Amaral.

No Amapá, várias lideranças políticas do PSB se filiaram ao PCdoB, inclusive o deputado estadual Jorge Souza e o primeiro-suplente de deputado federal Milhomem, que ingressaram juntamente com líderes comunitários e camponeses.
Além de fortalecer o Partido, os novos militantes contribuirão para construir um novo caminho para o Brasil. União que é fator primordial para a retomada do desenvolvimento do nosso país e apoio ao governo atual, como destacou Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB na solenidade de acolhida aos novos filiados cearenses, realizada em Fortaleza, no dia 22 de agosto. “E esse é um trabalho não só do presidente Lula, mas de todos nós. Só com uma grande mobilização nacional, o governo poderá realizar as transformações que o país necessita”, disse ele. (Reny Feres).

EDITORIAL

A galinha e a águia

O medíocre desempenho da economia brasileira nos últimos 20 anos é um fato inédito. Estudo recentemente divulgado pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) mostrou que, de 1900 a 1973, o Brasil foi campeão mundial de desenvolvimento econômico, com taxas 4,9% ao ano; de 1900 a 2000, ficou em 3° lugar, com uma média anual de 4,5%. Mas, olhando apenas os últimos 20 anos, o quadro revela o desastre do predomínio neoliberal: a taxa de crescimento caiu para 2,4% ao ano, e o Brasil ficou em 93° lugar entre os países que mais cresceram.

Existem hoje aqueles que defendem taxas modestas de crescimento, dentro de uma estratégia que os economistas estrangeiros chamam de stop and go (isto é, parar e seguir), que combina períodos de estagnação com outros de crescimento limitado. Crescimento a vôo de galinha pode-se dizer – um vôo estabanado, que se afasta pouco do solo, para cair a seguir.

Mas o Brasil já cresceu a vôos de águia, e foi isso que tornou nosso país campeão de crescimento durante a maior parte do século XX. O desempenho do Brasil nestes últimos cem anos estão na base dos problemas que o governo Lula enfrenta hoje e que precisa equacionar para que o país volte o desempenho brilhante do passado. É preciso levar em conta que a marca principal desse crescimento situa-se justamente naquele período execrado pelos neoliberais, ao qual Fernando Henrique Cardoso jurou pôr fim, a chamada Era Vargas. E isso situa aquele período de crescimento excepcional justamente entre dois outros de orientação liberal: o período da República Velha, de 1900 a 1930, onde predominavam os preconceitos liberais, e as décadas de 1980 e 1990, quando aqueles mesmos preconceitos promoveram a desarticulação do Estado brasileiro, incapacitando-o para desempenhar um papel de destaque na promoção do desenvolvimento.

A superação dos preconceitos neoliberais é essencial para a formulação de um novo projeto de desenvolvimento, voltado para as necessidades do país e de seu povo. E será apenas com a implementação deste rumo, atendendo aos reclamos por mudanças que animaram a eleição presidencial de 2002, que o governo Lula terá êxito, apesar dos enormes problemas herdados da gestão FHC e da blindagem que obriga o governo a adotar políticas econômicas conservadoras. Economista e pensador do Brasil, Celso Furtado reconhece essas limitações, reconhece as dificuldades, mas aposta no futuro. Na solenidade em que foi lançada sua candidatura ao prêmio Nobel de Economia, no dia18 de agosto, ele foi claro. Os cuidados do governo na área econômica são necessários, em sua opinião, pois “pode haver uma ofensiva contra o Brasil no campo financeiro internacional”, e se houver uma crise ela pode ser grave. “É preciso manobrar com cuidado”, pois, se o país parar a economia completamente, “a desordem social vai ser muito grande”.

Coragem de pensar para enfrentar os desafios de forma criativa e recolocar o país no trilho do crescimento. O predomínio das finanças, e principalmente da alta finança internacional, obriga os países pobres a caminhos que não foram trilhados pelos atuais países ricos, como mostra a Carta Iedi n° 65, que apresentou o livro Kicking Away the Ladder: Development Strategy in Historical Perspective (numa tradução livre, Queimando etapas: estratégias de desenvolvimento em perspectiva histórica), do professor Ha-Joon Chang, da Universidade de Cambridge, e publicado em Londres no ano passado. Ele critica duramente as políticas que os países ricos e organizações internacionais impõe aos demais, para que não adotem políticas estratégicas. Chang analisa o desenvolvimento de países como Inglaterra, Estados Unidos, França, Alemanha, Japão, Suécia, dentre outros. E mostra que eles usaram estratégias que, hoje, condenam aos países em desenvolvimento, entre elas barreiras tarifárias, subsídios à atividade industrial e às exportações, programas de financiamento público para os investimentos em infra-estrutura e na indústria manufatureira, e apoiaram o desenvolvimento tecnológico etc.

Neste sentido, é preciso ouvir com atenção a recomendação feita por Celso Furtado na solenidade referida, de que “o momento é de ter coragem de pensar”. E adotar políticas de desenvolvimento que rompam com a mediocridade neoliberal e levem, outra vez, o Brasil à sua vocação, a de voar como águia.

 
 
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