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EDITORIAL |
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Novas filiações
fortalecem o PCdoB |
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A filiação de João
Ananias; ao lado, Inácio, Carlos Augusto e Renato Rabelo
Nas
últimas semanas, o Partido Comunista do Brasil recebeu grande massa
de filiados, dentre eles lideranças de todos os setores de
atividade, em diversas regiões do Brasil.Em Uruoca, Ceará, o
vice-prefeito, Manuel Conrado; o vereador Valdir Mundoca; o suplente
de vereador, José Mário; e a secretária municipal de Saúde, Dra.
Ione, anunciaram suas filiações. Nos municípios de Irapuan Pinheiro
e Moraújo as novas filiações foram parte das plenárias para
conferência estadual.
Também vieram para o Partido a presidente do Conselho Regional de
Serviço Social do Ceará, Iêda Nobre de Castro; a advogada Olga
Nunes; o coordenador do MST na região norte do Estado, Gérson
Mendes; o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de
Santana do Cariri, Juracildo da Silva; o ex-deputado estadual e
ex-prefeito de Santana do Acaraú, João Ananias; e o vice-prefeito de
Santana do Acaraú, Antonio “Totonho” Arcanjo, além de seis
vereadores de Santana de Acaraú, dois vereadores de Choro, um
vereador de Jaguaribe, um vereador de Paraipaba, um vereador de
Baturité e uma vereadora de Marco. Outras mais de 70 lideranças de
Fortaleza e de 15 municípios do interior, totalizando cerca de 500
novos filiados, juntaram-se às fileiras comunistas, entre eles dona
Maria de Lourdes Miranda Albuquerque, de 80 anos.
Em São Paulo, festa na quadra da samba Unidos do Peruche
recepcionou os 2 mil novos militantes. Dos trabalhadores dos
Correios e Telégrafos vieram mais de 100 filiações. Outros são muito
conhecidos, como Ademir da Guia, o craque histórico do Palmeiras, e
Douglas Deungaro (Metaleiro), dirigente da escola de samba Gaviões
da Fiel. Em Guarulhos, o PCdoB teve a adesão do vereador Francisco
Cardoso Filho (Chicão), ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
local, e do secretário adjunto de Esportes, João Araujo Silva
(ex-presidente do diretório Municipal do PSB), além de lideranças
sindicais e de movimentos sociais. Em Mairiporã, filiou-se a
vereadora Dna. Francisca; em Monguaguá, o primeiro suplente de
vereador Fábio Luiz da Silva, o Bibi; em Suzano, foram mais de 500
filiados.
Em Campo Mourão, interior do Paraná, vieram Lenilda de Assis e 36
outras lideranças, dentre as quais Raoni Marques; a presidente da
União Mourãoense dos Estudantes Secundaristas (UMES), Raisa Luisa;
Darwin de Assis, professores, servidores municipais, artistas e
militantes da cultura e da juventude.
O comunismo mineiro conta com 32 novos comitês municipais e, até
junho, recebeu 1.300 novos filiados (média anual dos outros anos).
Dois dos mais importantes jornalistas esportivos do estado, José
Luis Gontijo e Mário Henrique, o Caixa, também assinaram suas
fichas. Eleito com 37,7% dos votos, o prefeito do município de
Guanhães, José Luis de Araújo, filiou-se por ver no Partido o
caminho de luta do povo da cidade. Outra nobre aquisição foi a
aguerrida e batalhadora senhora (90 anos de idade) Zilda Barbosa,
mãe de 12 filhos criados na zona rural de Araguari, dentre eles a
vereadora comunista Nair Guedes, de Juiz de Fora.
No Espírito Santo, foi com muita alegria que o PCdoB recebeu a
ficha de filiação de Antonio Carlos Vivaldo, presidente do Sindicato
dos Professores. Ele trouxe consigo toda a diretoria da entidade. A
filiação ocorreu durante o 5º Congresso do SINPRO-ESM e todas as
fichas foram abonadas por João Batista Lemos, do Comitê Central e
coordenador nacional da Corrente Sindical Classista (CSC).
O PCdoB de Pernambuco trouxe para a luta comunista vários dirigentes
do PDT, inclusive Vicente André Gomes, ex-deputado federal, e Moacir
André Gomes, vereador em Recife. Também ingressaram os dirigentes do
Sindicato dos Servidores Públicos de Paulista, Genivaldo Ribeiro, o
“Pesão”, Maurílio Cavalcanti e Jacira Amaral.
No Amapá, várias lideranças políticas do PSB se filiaram ao PCdoB,
inclusive o deputado estadual Jorge Souza e o primeiro-suplente de
deputado federal Milhomem, que ingressaram juntamente com líderes
comunitários e camponeses.
Além de fortalecer o Partido, os novos militantes contribuirão para
construir um novo caminho para o Brasil. União que é fator
primordial para a retomada do desenvolvimento do nosso país e apoio
ao governo atual, como destacou Renato Rabelo, presidente nacional
do PCdoB na solenidade de acolhida aos novos filiados cearenses,
realizada em Fortaleza, no dia 22 de agosto. “E esse é um trabalho
não só do presidente Lula, mas de todos nós. Só com uma grande
mobilização nacional, o governo poderá realizar as transformações
que o país necessita”, disse ele. (Reny Feres). |
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EDITORIAL |
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A galinha e a águia |
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O medíocre
desempenho da economia brasileira nos últimos 20 anos é um fato
inédito. Estudo recentemente divulgado pelo Iedi (Instituto de
Estudos para o Desenvolvimento Industrial) mostrou que, de 1900
a 1973, o Brasil foi campeão mundial de desenvolvimento
econômico, com taxas 4,9% ao ano; de 1900 a 2000, ficou em 3°
lugar, com uma média anual de 4,5%. Mas, olhando apenas os
últimos 20 anos, o quadro revela o desastre do predomínio
neoliberal: a taxa de crescimento caiu para 2,4% ao ano, e o
Brasil ficou em 93° lugar entre os países que mais cresceram.
Existem hoje aqueles que defendem taxas modestas de crescimento,
dentro de uma estratégia que os economistas estrangeiros chamam de
stop and go (isto é, parar e seguir), que combina períodos de
estagnação com outros de crescimento limitado. Crescimento a vôo de
galinha pode-se dizer – um vôo estabanado, que se afasta pouco do
solo, para cair a seguir.
Mas o Brasil já cresceu a vôos de águia, e foi isso que tornou
nosso país campeão de crescimento durante a maior parte do século
XX. O desempenho do Brasil nestes últimos cem anos estão na base dos
problemas que o governo Lula enfrenta hoje e que precisa equacionar
para que o país volte o desempenho brilhante do passado. É preciso
levar em conta que a marca principal desse crescimento situa-se
justamente naquele período execrado pelos neoliberais, ao qual
Fernando Henrique Cardoso jurou pôr fim, a chamada Era Vargas. E
isso situa aquele período de crescimento excepcional justamente
entre dois outros de orientação liberal: o período da República
Velha, de 1900 a 1930, onde predominavam os preconceitos liberais, e
as décadas de 1980 e 1990, quando aqueles mesmos preconceitos
promoveram a desarticulação do Estado brasileiro, incapacitando-o
para desempenhar um papel de destaque na promoção do
desenvolvimento.
A superação dos preconceitos neoliberais é essencial para a
formulação de um novo projeto de desenvolvimento, voltado para as
necessidades do país e de seu povo. E será apenas com a
implementação deste rumo, atendendo aos reclamos por mudanças que
animaram a eleição presidencial de 2002, que o governo Lula terá
êxito, apesar dos enormes problemas herdados da gestão FHC e da
blindagem que obriga o governo a adotar políticas econômicas
conservadoras. Economista e pensador do Brasil, Celso Furtado
reconhece essas limitações, reconhece as dificuldades, mas aposta no
futuro. Na solenidade em que foi lançada sua candidatura ao prêmio
Nobel de Economia, no dia18 de agosto, ele foi claro. Os cuidados do
governo na área econômica são necessários, em sua opinião, pois
“pode haver uma ofensiva contra o Brasil no campo financeiro
internacional”, e se houver uma crise ela pode ser grave. “É preciso
manobrar com cuidado”, pois, se o país parar a economia
completamente, “a desordem social vai ser muito grande”.
Coragem de pensar para enfrentar os desafios de forma criativa e
recolocar o país no trilho do crescimento. O predomínio das
finanças, e principalmente da alta finança internacional, obriga os
países pobres a caminhos que não foram trilhados pelos atuais países
ricos, como mostra a Carta Iedi n° 65, que apresentou o livro
Kicking Away the Ladder: Development Strategy in Historical
Perspective (numa tradução livre, Queimando etapas: estratégias de
desenvolvimento em perspectiva histórica), do professor Ha-Joon
Chang, da Universidade de Cambridge, e publicado em Londres no ano
passado. Ele critica duramente as políticas que os países ricos e
organizações internacionais impõe aos demais, para que não adotem
políticas estratégicas. Chang analisa o desenvolvimento de países
como Inglaterra, Estados Unidos, França, Alemanha, Japão, Suécia,
dentre outros. E mostra que eles usaram estratégias que, hoje,
condenam aos países em desenvolvimento, entre elas barreiras
tarifárias, subsídios à atividade industrial e às exportações,
programas de financiamento público para os investimentos em
infra-estrutura e na indústria manufatureira, e apoiaram o
desenvolvimento tecnológico etc.
Neste sentido, é preciso ouvir com atenção a recomendação feita
por Celso Furtado na solenidade referida, de que “o momento é de ter
coragem de pensar”. E adotar políticas de desenvolvimento que rompam
com a mediocridade neoliberal e levem, outra vez, o Brasil à sua
vocação, a de voar como águia. |
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