
Encerramento da sessão gaúcha da 9ª
Conferência Nacional do PCdoB
O governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva está para completar sete
meses e as forças conservadoras de direita começaram a se
assanhar. O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a
despeito de ser o principal responsável pela crise que o país
atravessa, expressa na herança negativa que deixou para o
governo das forças democráticas, populares e nacionalistas,
passou a assumir o centro da rearticulação da oposição. O quadro
é de turbulência e, nele, o PSDB procura assumir o papel
estruturante da oposição, explorando as dificuldades da
conjuntura e procurando firmar-se como uma alternativa, mesmo
porque já começa a definir-se o quadro das eleições municipais
de 2004.
As dificuldades são imensas. Com o desemprego batendo recordes e
a situação do povo muito grave, os movimentos sociais se reanimam.
As ocupações promovidas pelos trabalhadores rurais sem terras se
multiplicam. Em São Paulo, os sem teto retomam a ocupação de
prédios; em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo, a busca de
solução para a moradia dos trabalhadores pobres é marcada pelo
sangue de um fotógrafo assassinado por um assaltante; sindicalistas
reagem a pressões da indústria automobilística e podem ir à greve
ante o anúncio unilateral de demissões em massa. O povo se
movimenta, e a reação exige repressão contra ele.
A situação é mais nítida no campo, onde a rearticulação da
direita une palavras e armas contra os militantes da reforma
agrária. Ela se manifesta também na defesa da continuidade da
situação anterior, que garante a ordem neoliberal. Deblateram contra
mudanças anunciadas em relação aos monopólios privados das
telecomunicações e de energia, dizem que o governo vai reestatizar o
setor elétrico e liquidar com as agências reguladoras (na verdade, o
esforço do governo é subtrair estas agências ao controle das
empresas que elas devem fiscalizar), e que qualquer mudança na
política econômica herdada de Fernando Henrique Cardoso vai
“espantar investidores estrangeiros”.
É preciso virar o jogo. Contra a tentativa da direita de usar as
dificuldades – que, insista-se, resultam da política que ela
implantou na década de 1990 – o governo precisa, nesta nova etapa da
transição que se inicia, criar as condições para escapar ao jogo
conservador e construir uma saída viável para a retomada do
desenvolvimento. É um desafio cujo enfrentamento segue a mesma
receita que levou à organização da frente que elegeu Lula em 2002:
articular os interesses das forças sociais que apóiam o governo em
um programa onde o povo brasileiro possa se reconhecer e defender.
Um programa que expresse o conjunto, muitas vezes díspar, das forças
que se opõe à hegemonia neoliberal. |
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Uma decisão
de sentido democrático e humanista”. Assim o presidente do
Partido Comunista do Brasil, Renato Rabelo, classificou a
sentença proferida pela juíza federal Solange Salgado, titular
da 1ª Vara Federal do Distrito Federal, dando à União 120 dias
para informar onde estão sepultados os restos mortais dos
guerrilheiros que tombaram no Sul do Pará, durante a Guerrilha
do Araguaia, no início dos anos 1970.
Para Renato, o processo movido pelos familiares dos mortos “é uma
tentativa de resgatar a memória de uma luta recente, moderna, uma
das mais importantes do povo brasileiro, além de expressar um
sentimento justo de ter um documento que registre a morte de seus
entes queridos”.
O dirigente comunista lembra que o processo foi instaurado em
1982 pelos familiares dos guerrilheiros. “Uma luta com mais de 20
anos, visando tirar esse fato histórico da clandestinidade. Aliás,
as lutas populares sempre foram tratadas como movimentos marginais,
sempre ficaram no terreno da clandestinidade na historiografia
oficial. Na luta democrática, a luta popular é integrante da
história da formação do nosso povo e de nosso país. O Araguaia foi
um acontecimento de grande magnitude na resistência à ditadura
implantada a partir de 1964. Neste sentido, a sentença da juíza é
também um ato de justiça”.
De acordo com a determinação judicial, para cumprir a sentença a
União deverá realizar investigação, inclusive ouvindo “todos os
agentes militares ainda vivos que tenham participado das operações,
independente dos cargos ocupados à época”.
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