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Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 227

julho/2003

 

CAPA

EDITORIAL
É preciso virar o jogo
Apurar fatos da Guerrilha do Araguaia é necessidade histórica
 

NACIONAL

O voto do PCdoB na Comissão Especial de Mérito da Reforma da Previdência
A votação em plenário será uma nova batalha, diz Aldo Rebelo
Juíza determina abertura dos arquivos sobre a Guerrilha do Araguaia
Ministérios do Esporte e da Educação levarão xadrez às escolas
 

PCdoB

A nova ficha nacional de filiação
PCdoB normatiza conferências estaduais
Momento para expandir e fortalecer o Partido
Quanto somos, quem somos e onde estamos
Normas das conferências estaduais
Classe quinzenal para melhor orientar o Partido e as massas
Nova fase da Escola Nacional
Dôra (1963/2003), saudades!
A força do PCdoB é sua unidade
Cartas
 

MOVIMENTO

55a SBPC: Ciência para o Novo Brasil
AR 15 contra “soca-soca”
Unegro realiza 2º Congresso
 

INTERNACIONAL

Iraque e Afeganistão – focos de novos conflitos
Coréia celebra 50 anos da vitória, resistindo a nova ameaça de guerra
Um mundo faminto e miserável
O drama brasileiro
 

ESPECIAL

A rima libertária de Patativa

 

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CAPA

EDITORIAL

É preciso virar o jogo

construindo uma saída viável para derrotar a oposição de direita


Encerramento da sessão gaúcha da 9ª Conferência Nacional do PCdoB

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está para completar sete meses e as forças conservadoras de direita começaram a se assanhar. O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a despeito de ser o principal responsável pela crise que o país atravessa, expressa na herança negativa que deixou para o governo das forças democráticas, populares e nacionalistas, passou a assumir o centro da rearticulação da oposição. O quadro é de turbulência e, nele, o PSDB procura assumir o papel estruturante da oposição, explorando as dificuldades da conjuntura e procurando firmar-se como uma alternativa, mesmo porque já começa a definir-se o quadro das eleições municipais de 2004.

As dificuldades são imensas. Com o desemprego batendo recordes e a situação do povo muito grave, os movimentos sociais se reanimam. As ocupações promovidas pelos trabalhadores rurais sem terras se multiplicam. Em São Paulo, os sem teto retomam a ocupação de prédios; em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo, a busca de solução para a moradia dos trabalhadores pobres é marcada pelo sangue de um fotógrafo assassinado por um assaltante; sindicalistas reagem a pressões da indústria automobilística e podem ir à greve ante o anúncio unilateral de demissões em massa. O povo se movimenta, e a reação exige repressão contra ele.

A situação é mais nítida no campo, onde a rearticulação da direita une palavras e armas contra os militantes da reforma agrária. Ela se manifesta também na defesa da continuidade da situação anterior, que garante a ordem neoliberal. Deblateram contra mudanças anunciadas em relação aos monopólios privados das telecomunicações e de energia, dizem que o governo vai reestatizar o setor elétrico e liquidar com as agências reguladoras (na verdade, o esforço do governo é subtrair estas agências ao controle das empresas que elas devem fiscalizar), e que qualquer mudança na política econômica herdada de Fernando Henrique Cardoso vai “espantar investidores estrangeiros”.

É preciso virar o jogo. Contra a tentativa da direita de usar as dificuldades – que, insista-se, resultam da política que ela implantou na década de 1990 – o governo precisa, nesta nova etapa da transição que se inicia, criar as condições para escapar ao jogo conservador e construir uma saída viável para a retomada do desenvolvimento. É um desafio cujo enfrentamento segue a mesma receita que levou à organização da frente que elegeu Lula em 2002: articular os interesses das forças sociais que apóiam o governo em um programa onde o povo brasileiro possa se reconhecer e defender. Um programa que expresse o conjunto, muitas vezes díspar, das forças que se opõe à hegemonia neoliberal.

EDITORIAL

Apurar fatos da Guerrilha do Araguaia é necessidade histórica

Uma decisão de sentido democrático e humanista”. Assim o presidente do Partido Comunista do Brasil, Renato Rabelo, classificou a sentença proferida pela juíza federal Solange Salgado, titular da 1ª Vara Federal do Distrito Federal, dando à União 120 dias para informar onde estão sepultados os restos mortais dos guerrilheiros que tombaram no Sul do Pará, durante a Guerrilha do Araguaia, no início dos anos 1970.

Para Renato, o processo movido pelos familiares dos mortos “é uma tentativa de resgatar a memória de uma luta recente, moderna, uma das mais importantes do povo brasileiro, além de expressar um sentimento justo de ter um documento que registre a morte de seus entes queridos”.

O dirigente comunista lembra que o processo foi instaurado em 1982 pelos familiares dos guerrilheiros. “Uma luta com mais de 20 anos, visando tirar esse fato histórico da clandestinidade. Aliás, as lutas populares sempre foram tratadas como movimentos marginais, sempre ficaram no terreno da clandestinidade na historiografia oficial. Na luta democrática, a luta popular é integrante da história da formação do nosso povo e de nosso país. O Araguaia foi um acontecimento de grande magnitude na resistência à ditadura implantada a partir de 1964. Neste sentido, a sentença da juíza é também um ato de justiça”.

De acordo com a determinação judicial, para cumprir a sentença a União deverá realizar investigação, inclusive ouvindo “todos os agentes militares ainda vivos que tenham participado das operações, independente dos cargos ocupados à época”.

  Patativa libertária
Um ano sem a lira de Patativa do Assaré, que cantava a vida e os anseios do povo brasileiro:

 

Procurando resolver

Um espinhoso problema

Eu procuro defender

No meu modesto poema

Que a tanta verdade encerra

Os camponeses sem terra

E as famílias da cidade

Que sofrem necessidade

Morando num bairro pobre

Vão no mesmo itinerário

Sofrendo a mesma opressão

Na cidade o operário

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