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Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 222

março/2003

2ª Edição

 

CAPA

1ª EDIÇÃO

Parem a guerra, já!
PCdoB convoca Conferência para discutir “novo tempo para o Partido”

2ª EDIÇÃO

O desafio de construir um novo Brasil
Pela valorização do salário mínimo
 

PCdoB

1ª EDIÇÃO

Luciana Santos: “Matar um leão por dia e mostrar sua cabeça”
Prefeito de Aracaju condecora veterano comunista
Presidente da Funai se encontra com índio comunista em Ilhéus
A luta por paz, desenvolvimento e trabalho Desafios do PCdoB no atual momento
PCdoB comemora 81 anos
9ª Conferência
Regulamentação da 9ª Conferência Nacional do PCdoB
Calendário do PCdob para 2003
Um novo tempo para o Partido – buscar o êxito do governo Lula na consecução de um projeto democrático, nacional-desenvolvimentista

2ª EDIÇÃO

Tarefas da última etapa da estruturação partidária
 

NACIONAL

Governo Lula: o desafio da construção de um novo projeto
 

ESPECIAL

1ª EDIÇÃO

PCdoB comemora 81 anos lutando contra a guerra de Bush

2ª EDIÇÃO

O homem contra a máquina na milenar Mesopotâmia
Bush, tire as patas do Iraque!

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CAPA

Parem a guerra, já!

Manifestação pela paz na avenida Paulista, em São Paulo
Após meses de ameaças e chantagens, começou na noite da última quarta-feira (horário de Brasília) a guerra contra o Iraque. As forças agressoras, armadas com a mais moderna tecnologia militar existente, despejam desde então grande quantidade de mísseis sobre alvos civis e militares, principalmente sobre a capital, Bagdá. Por terra, iniciaram a invasão do país, enquanto as forças

iraquianas, ainda que debilitadas militarmente por mais de dez anos de bloqueio, buscam bravamente resistir, impondo perdas importantes aos agressores. O país árabe, um dos berços da civilização, é ameaçado de uma brutal destruição. É uma guerra de extermínio, em que os EUA não titubeiam em utilizar as armas mais letais, configurando um genocídio de grandes proporções, e representando uma ameaça contra os iraquianos e toda a humanidade. A guerra de Bush contra o Iraque é a manifestação mais dura da barbárie contra a civilização. O Partido Comunista do Brasil condena com veemência a guerra brutal e manifesta irrestrita solidariedade ao povo iraquiano.

A guerra não se justifica de nenhuma maneira, sendo falsos os argumentos do governo Bush, que fundou sua declaração de guerra na tese da ameaça que o Iraque representaria para a segurança nacional dos EUA e na justificativa da existência de armas de destruição em massa pelo governo de Bagdá. Ignorou, no entanto, as declarações dos próprios chefes dos inspetores da ONU, Hans Blix e Al Baradei, que, após meses de busca, não encontraram as armas e em relatório ao Conselho de Segurança pediram mais tempo para as inspeções. Na verdade, desde o final da primeira guerra do golfo, em 1991, o Iraque está bloqueado e na defensiva, não tendo, desde então, a mínima chance de se rearmar.

Está em curso, por parte dos Estados Unidos, um plano de domínio do mundo. Desde o desaparecimento da União Soviética e a derrota temporária do socialismo, os Estados Unidos são a única superpotência com alcance global, possuindo bases militares em mais de 70 países e um orçamento militar de cerca de 400 bilhões de dólares, que corresponde a mais de um terço do gasto militar de todos os países. Sob a administração Bush, e depois dos atentados de 11 de setembro, os EUA oficializaram sua nova doutrina militar, baseada nos conceitos de “guerra preventiva” e de “guerra duradoura e infinita”, através das quais, a seu livre arbítrio podem derrocar qualquer governo estrangeiro soberano, em qualquer parte do mundo. Está, pois, proclamado o domínio unilateral dos EUA. Assim, além do Iraque, todos os demais países sentem-se ameaçados.

A guerra ao Iraque tem objetivos geopolíticos, estratégicos e econômicos. No centro desses objetivos está o controle da Ásia Central, da região do Golfo Pérsico-arábico e do Oriente Médio, regiões onde estão as maiores reservas petrolíferas do mundo, fundamentais para os EUA, um país parasitário, e onde é iminente uma crise energética.

A guerra ocorre num momento em que se manifestam de maneira contundente desequilíbrios estruturais da economia norte-americana. O imperialismo norte- americano exerce sua hegemonia sobretudo por meios militares. Os graves acontecimentos em curso revelam que se processam importantes mudanças no quadro geopolítico mundial. Nunca como agora se observou tamanho isolamento das posições estadunidenses e a aberta contestação de sua hegemonia.

A agressão estadunidense transgride as mais elementares normas convencionadas de relações entre as nações. O próprio papel da Organização das Nações Unidas está em xeque. Os Estados Unidos atropelaram a ONU, passando a considerá-la “irrelevante” e “irresponsável”, desferindo assim duro golpe no sistema multilateral. Na nova situação, os EUA querem transformar as Nações Unidas numa instituição com funções meramente cartoriais e burocráticas, cabendo-lhe a organização de “missões humanitárias” no rastro das agressões da superpotência. O fato poderá trazer sérias conseqüências para a ordem mundial, pois se inicia um período de obscuro banditismo explícito dos Estados Unidos. A ordem internacional vigente está gravemente ferida.

A luta pela paz tem sentido humanista e revolucionário. É uma bandeira avançada, ao mesmo tempo radical e ampla e de interesse de todos os povos do mundo. Afinal, neste momento em que os EUA se tornam mais agressivos e militarizam a vida do planeta, cresce o sentimento antiimperialista, podendo redundar num incremento da resistência nacional e por soberania dos povos. Fruto disto, milhões de pessoas, em todas as partes do mundo, manifestam-se pela paz e contra a guerra, no mais marcante acontecimento de nossa época.

Ao manifestar-se veementemente contra a guerra, o Partido Comunista do Brasil congratula-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, em especial, com a patriótica posição da diplomacia brasileira que, expressando o sentimento do povo brasileiro, tomou firmes posições de denúncia da guerra e defesa da paz e pela proposta inovadora de realização de uma reunião de chefes de Estado, no âmbito da ONU – prontamente encampada por seu secretário-geral –, para interromper o conflito e buscar soluções pacificas.

Por fim, conclamamos os trabalhadores, a juventude, as mulheres, as forças democráticas e progressistas e todo o povo brasileiro a intensificar as mobilizações nas ruas exigindo o fim das agressões ao povo iraquiano.

Parem a guerra, já!

São Paulo, 23 de março de 2003, Comitê Central do Partido Comunista do Brasil

PCdoB convoca Conferência para discutir “novo tempo para o Partido”

O Partido Comunista do Brasil realizará entre os dias 26 e 29 de junho, em Brasília, uma Conferência Nacional para examinar a “mudança substancial no cenário político”, operada pela vitória das esquerdas nas eleições de 2002 e pela posse do novo governo federal. Esta foi a principal resolução do Comitê Central (CC) do Partido, que dia 23 à tarde encerrou três dias de reunião, no Hotel Park Plaza, em São Paulo. Os trabalhos do CC foram profundamente marcados também pela denúncia da agressão norte-americana ao Iraque e chamamento à mobilização na luta pela paz.

A convocação da Conferência é um fato político que distingue o PCdoB. Nenhum outro partido convocou amplamente suas bases para debater a nova realidade e pronunciar-se sobre a conduta diante dela. O CC dedicou dois dos seus três dias de trabalho a um profundo exame e exaustivo debate do esboço do documento “O novo tempo para o Partido – buscar o êxito do governo Lula na consecução de um projeto democrático nacional-desenvolvimentista”, que orientará as discussões da Conferência em todo o coletivo partidário. O texto foi aprovado por unanimidade e enriquecido com mais de duas dezenas de propostas.

O documento, que passa a embasar o debate preparatório da Conferência, trata da “realidade mundial contemporânea – sua complexidade e a busca de alternativas”; das “novas condições da luta do povo brasileiro” derivadas da vitória de Lula; da “luta pela mudança de rumo” para efetivar o novo modelo de desenvolvimento; do “papel e nova tática do Partido diante da nova realidade política”; do “novo ciclo de acumulação estratégica para o PCdoB”; da “construção partidária e seu projeto político”; das “novas exigências ideológicas para a estruturação partidária; e do “fortalecimento orgânico do PCdoB”.

O exame destes pontos, componentes de uma nova tática que visa dar resposta a uma nova realidade, foi entremeado por abordagens de problemas mais imediatos, que desdobram no concreto os derivados desta tática. Entre eles, figuraram com destaque a proposta de emenda constitucional em pauta no Congresso que abre caminho para a independência do Banco Central, e ainda a agenda de reformas do governo, a começar pela previdenciária.

A reunião teve início sob o forte impacto da carnificina, iniciada pelo governo George W. Bush, examinada e denunciada em várias das intervenções. Os trabalhos foram abertos pelo presidente do Partido, Renato Rabelo, que fez uma apresentação da proposta de texto que orientará os debates da Conferência. Em seguida, José Reinaldo Carvalho, vice-presidente e secretário de Relações Internacionais do PCdoB, fez uma informação especial dedicada ao quadro mundial marcado pela agressão imperialista contra o Iraque e sua contrapartida, a onda de manifestações pela paz em todo o mundo. O Comitê Central aprovou uma resolução em repúdio à guerra de Bush no Iraque.

O CC também examinou e definiu as tarefas que se colocam para o Partido no período que vai até a Conferência, a partir de intervenções especiais apresentadas por Walter Sorrentino, Ricardo Abreu (Alemão), Sérgio Miranda e Jô Moraes. A ênfase maior foi para os Congressos da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a UNE (União Nacional dos Estudantes). A prioridade foi definida dentro do espírito do texto “Novo tempo”, que se propõe a “mergulhar os comunistas no movimento social”, aumentando seu “protagonismo no movimento real”.

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