| |
|
Vermelho.org.br - A Classe Operaria
|
|
| |
|
FAÇA
SUA ASSINATURA |
|
Assinatura
anual
12 edições - R$ 20,00 |
|
| |
|
|
|
|
| |
|
|
| |
|
| |
|
|
|
|
Fome Zero atiça os mesquinhos |
Aldo Rebelo*
|

Aldo: líder de Lula na Câmara
|
O Programa Fome Zero está debaixo de vara,
torpedeado por críticas minuciosas, tão vilipendiado que
mais parece um judas no Sábado de Aleluia. Os críticos
bombardeiam desde a ação emergencial, que é apenas o ponto
de partida, a pormenores de logística impossíveis de serem
avaliados em dois meses de governo, tempo de
transplantação da idéia do papel para a mesa dos nove
milhões de famílias famintas que têm nas 500 de Guaribas,
no Piauí, seu símbolo e marco zero. É paradoxal, mas
compreensível, que programa tão generoso seja debatido com
gorda mesquinharia e larga incompreensão. Paradoxal,
porque a iniciativa não deveria surpreender ninguém, pois
inscreve-se no ideário do governo que começa — e começa
dizendo a que veio, chamando a si a responsabilidade de
fechar |
a chaga nacional da fome num país de
dimensões continentais, com abundância de terras férteis e um
potencial de produção agropecuária capaz de alimentar o
planeta. Compreensível, porque o Fome Zero descose o figurino
oligárquico de sempre encurtar o cobertor dos miseráveis. Sem
precedentes, solavanca no contrafluxo da via de mão única da
caridade estatal que tradicionalmente transfere renda dos mais
pobres aos mais ricos. É boa nova tão inédita quanto a
isonomia republicana.
O Brasil é jejuno nessas iniciativas. O
Brasil sabe fazer dívidas no estrangeiro. O Brasil é exímio em
desigualdade social e concentração de renda. Nenhum país como o
Brasil é capaz de montar, num piscar de olhos, um fabuloso
programa de salvação da banca financeira. Nisso o Brasil é
mestre, mas ignora a fórmula instantânea de planejar e aplicar
um programa de erradicação da fome e de segurança alimentar para
uma multidão dispersa maior que a Argentina, estimada em 44
milhões de pessoas. O maior programa semelhante em curso no
mundo é o “Food Stamp” dos Estados Unidos, país em que a
obesidade é problema maior que a subnutrição. Beneficia 17
milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza, que tem como um
dos critérios a renda inferior a 1.533 dólares mensais numa
família de três pessoas. Se lá são miseráveis, em Guaribas
seriam marajás.
O Fome Zero vai dar trabalho e cometer os erros inerentes às
inovações sociais. Fórmulas aplicadas num lugar não funcionarão
em outros. Bem-sucedidas iniciativas locais, de pequeno alcance,
poderão desandar se estendidas a uma escala de massa. Se a
exigência de gastos exclusivamente com alimentos pôde ser
fiscalizada em projetos regionais, não quer dizer que será fácil
em nível nacional. Não será prudente manter por muito tempo a
linha emergencial ao lado das ações estruturais, que, é bom
sublinhar, incluem fortalecimento da agricultura familiar,
erradicação do analfabetismo, programas de geração de emprego e
a sempre estigmatizada reforma agrária.
Visto assim, o Fome Zero não é uma panacéia estelar, mas um
cometa que traz na cauda uma série de pequenas revoluções. A
mensagem que deixa em seu rastro de luz é que a solução do
problema deve partir do Estado. Os beneficiários do Fome Zero
não vão ao mercado, nos dois sentidos da palavra. Como tem dito
o ministro José Graziano da Silva, cuja dedicação e lisura
avalizam a crença no sucesso do programa, “não podemos esperar
que a renda cresça ou seja melhor distribuída para que os pobres
possam se alimentar melhor”.
Depois que a globalização e o neoliberalismo pisotearam o
Brasil como o cavalo de Átila, aquele que por onde passava
matava a grama, convém lembrar o presidente americano Franklin
Roosevelt. Nos anos 1930, ele tirou os Estados Unidos dos
escombros da crise de 29, inclusive com a criação do “Food
Stamp” e a palavra de ordem “Este país está exigindo ação, e
ação já.” É o que esperam os famintos de Guaribas.
*líder do governo na Câmara Federal, PCdoB/SP |
|
|
|
Intelectuais reforçam o PCdoB |
João
Quartim de Moraes e Flavio de Castro, professores da Unicamp,
visitaram a sede do Partido Comunista do Brasil dia 11 de março.
Recém-filiados ao Partido, participaram de uma conversa com
Augusto Buonicore e José Carlos Ruy, do Comitê Central, e Edvar
Bonotto, da revista Princípios, sobre a situação internacional,
e de um almoço com Walter Sorrentino (secretário de Organização)
e Adalberto Monteiro (secretário de Formação e Propaganda), em
que se conversou sobre a ação do Partido no meio intelectual.
|

Quartim de Moraes
|
João Quartim
de Moraes formou-se em Direito e em Filosofia pela USP,
onde, em 1965, tornou-se professor de História da
Filosofia. No mesmo ano foi para a França com uma bolsa de
estudo do governo francês. Militante comunista, ao voltar
ao Brasil ingressou na luta armada contra a ditadura de
1964, tendo sido um dos principais dirigentes da Vanguarda
Popular Revolucionária (VPR). Perseguido pela ditadura
militar, foi obrigado a se exilar na França em 1969, onde
permaneceu até 1981. Na França, militou junto ao Partido
Comunista Francês. No exílio recebeu convite de Perry
Anderson para escrever um livro sobre a luta
revolucionária no Brasil. O livro foi publicado em Londres
com o título Dictatorship and armed struggle in Brazil.
Publicou na revista francesa Les Temps Modernes o artigo
“La nature de classe de l’Etat brésilien” – segundo ele,
“uma tentativa de compreensão sintética das origens,
condições e significado histórico da ditadura militar”.
Quartim doutorou-se pela Fondation Nationale de Science |
Politique de Paris, com uma tese
sobre os militares e os regimes políticos no Brasil. De volta
ao Brasil, reaproximou-se do Partido Comunista Brasileiro e,
depois, colaborou com a revista Presença. A partir de 1982
dedicou-se à criação da área de pós-graduação em filosofia
política na Unicamp. Foi diretor do Núcleo de Estudos
Estratégicos, diretor do Instituto de Filosofia e Ciências
Humanas e do Centro de Estudos Marxistas da Unicamp. Quartim
de Moraes é autor, entre outros, dos livros A esquerda militar
no Brasil, em dois volumes, e Liberalismo e Ditadura no Cone
Sul. É também um dos organizadores da coleção História do
Marxismo no Brasil e membro do comitê editorial da revista
Crítica Marxista.
Flávio de Castro teve participação no Movimento de Luta ao
Crime Ecológico, militou no PRC, foi assessor do MST e membro do
Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público de Campinas. É
mestre em ciência política pela Unicamp e doutorando em ciências
sociais na mesma universidade, secretário geral do Cemarx
(Centro de Estudos Marxistas da Unicamp) e membro do conselho
editorial da revista Crítica Marxista.
Falando sobre o ingresso nas fileiras do PCdoB, os novos
filiados não deixaram dúvidas sobre sua convicção: “É como se,
hoje, eu me encontrasse comigo mesmo”, afirmou Flavio de Castro,
para quem “a relação entre o intelectual e o partido, em
especial o Partido Comunista, é um processo natural”. Para João
Quartim de Moraes, “o PCdoB é a base concreta para a
reunificação de todos os comunistas brasileiros”. É consenso,
entre eles, a necessidade de um reforço no trabalho intelectual
entre os comunistas, para que o Partido possa atrair muitos dos
que militam na batalha de idéias.
Sobre a análise e luta no plano internacional, em que o
perigo da guerra imperialista se coloca no cenário com um
possível ataque dos EUA ao Iraque, Flávio ressaltou as
“dificuldades dos norte-americanos perante a ONU e os interesses
próprios da França e da Rússia, que destoam dos estadunidenses e
ingleses”. “Mas quem pagaria a conta no caso de um revés nos
planos dos EUA?”, indagou Quartim de Morais. Ao refletir sobre a
questão do que teria mudado desde a primeira Guerra no Golfo, em
1990/1991, Quartim disse que “na primeira houve uma unanimidade
dos países e setores ocidentais, dos EUA ao Vaticano, unidade
que também houve no ataque e destruição da Sérvia. No atual
momento há diferenças, que se refletem numa espécie de cisão na
própria Otan e que envolvem interesses econômico-financeiros da
Alemanha e da França – do bloco do euro, que quer se
fortalecer”. Ele lembrou também de algumas iniciativas tomadas
pelo governo iraquiano que sinalizaram um deslocamento dos
investimentos em dólar para o euro, o que, em caso de se
alastrar a outros países, ameaçaria o poderio econômico
norte-americano.
Quartim de Moraes expôs ainda aspectos do intrincado plano do
governo Bush para o Iraque. “Em caso de uma vitória fulminante
dos EUA, com a destruição de forças produtivas, utilização de
tecnologias novas e controle de um governo fantoche sobre as
reservas petrolíferas da região do Golfo, criar-se-iam condições
para um novo ciclo de acumulação capitalista com centro nos
Estados Unidos. Mas neste momento da história mundial, caso Bush
tenha de recuar, isso representará uma boa nova para a luta
antiimperialista”. |
|
|
|
Juros altos barram o desenvolvimento |
|
Renato Rabelo* O Brasil clama pela retomada do
desenvolvimento, pela inauguração de um novo ciclo de
crescimento econômico. Desenvolvimento que gere empregos,
distribua renda e afirme a soberania, dentro de um projeto
nacional que amplie a democracia e contemple os interesses
populares. Em torno desse projeto concretizou-se a vitória de
Luiz Inácio Lula da Silva. A retomada do desenvolvimento é o
anseio da nação brasileira. É o caminho para superar a perversa
herança deixada pela orientação neoliberal, com sua profunda
marca de estagnação econômica e desemprego.
Gerar desenvolvimento e emprego é questão da maior magnitude
política, pois influencia diretamente a consolidação mudancista
do governo das forças democráticas e progressistas. Um novo
ciclo de crescimento requer a superação gradual, no atual quadro
de forças, dos fatores que obstaculizam o desenvolvimento
nacional. Demanda mais investimento nos setores produtivos e
melhores condições de crédito.
Na contramão desta expectativa, nos seus primeiros 40 dias o
governo já elevou por duas vezes as taxas de juros. Isso quando
o Brasil ostenta uma das maiores taxas de juros do mundo e
também a maior taxa de intermediação financeira (spread de 30%)
praticada pelos bancos. Grande parte do orçamento da União está
comprometida com o pagamento dos juros. E há uma tendência
internacional quase unânime para baixar as taxas de juros como
tentativa de enfrentar a recessão.
A elevação das taxas de juros produz o contrário do
desenvolvimento desejado. De imediato, aumenta a dívida pública,
perpetua a estagnação econômica e eleva o já altíssimo
desemprego. Tira do Estado qualquer capacidade de ajudar na
retomada do crescimento econômico. Acaba por produzir mais
inflação, combatendo-a apenas topicamente.
A atual equipe econômica nos parece que comete um equívoco na
avaliação das causas reais da inflação, que estão ligadas ao
câmbio, às tarifas de energia elétrica e telefonia (preços
administrados) e ao preço do transporte. Essas causas não estão
relacionadas com as pressões de consumo, pois os indicadores da
indústria e do comércio mostram que a procura por produtos e
serviços está, há muito, comprimida pelo desemprego e pela queda
do valor dos salários. Além do mais, é importante salientar um
outro dado fundamental no caso brasileiro: os títulos públicos
funcionam como moeda indexada. A última alta dos juros
encarecerá a dívida pública em R$ 3,9 bilhões. Impossibilitado
de saldar a dívida, o governo adia a maior parte do seu
pagamento, avolumando seu total e realimentando a inflação.
Os juros altos beneficiam enormemente o capital financeiro,
em detrimento do capital produtivo e comercial, dos
trabalhadores e dos setores médios da sociedade que compõem a
ampla maioria da nação – cujas entidades representativas
manifestam, umas após outras, sua contrariedade com as decisões
do Banco Central de elevação da taxa básica – em dezembro, ainda
no governo de Fernando Henrique Cardoso, ela foi de 22% para 25%
ao ano e, desde então, passou para os 26,5% atuais, o maior
patamar desde maio de 1999.
A continuidade de tal orientação poderá gerar uma nova crise,
como tem acontecido repetidamente, tornando mais difícil a
construção de uma alternativa de desenvolvimento – o caminho da
mudança necessário para garantir o êxito do governo Lula, no
qual estamos todos empenhados.
*presidente do PCdoB |
|
|
|
PCdoB discute política de esporte |
|
Sueli Scutti* |
O
seminário “O Ministério do Esporte no Governo Lula”, realizado
pela direção nacional do PCdoB dia 22 de fevereiro, em São
Paulo, discutiu as linhas gerais de atuação do Ministério e
encaminhar medidas para uma ação coordenada do Partido na área.
Foi aberto pelo presidente do Partido, Renato Rabelo, com
observações sobre a participação do Partido no governo Lula.
Segundo ele, “o esporte é uma área que nos permite vinculação
com todo o povo”. O setor esportivo é tão importante que todo
jornal tem caderno de esporte e os cronistas esportivos são
conhecidos em todo o país. Renato ressaltou o entusiasmo do
ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, pelo tema e sua luta para
tornar o Ministério valorizado dentro do próprio governo, ainda
mais depois do contingenciamento de verbas, que reduziu em mais
de 80% o orçamento do Ministério. Ao se referir ao caminho que
conduziu à indicação de Agnelo para o Ministério, Renato citou a
ação do próprio Agnelo em defesa do esporte quando era deputado,
a atuação de Aldo Rebelo na CPI da CBF/Nike e o trabalho de
Nádia Campeão na Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo.
|

O ministro do Esporte, Agnelo
Queiroz
|
Agnelo Queiroz
apresentou algumas idéias para seu programa no Ministério
e registrou que o esporte sempre foi considerado
secundário em governos anteriores. “É a primeira vez que
temos um Ministério exclusivo”. Ele quer aproveitar sua
passagem pelo governo para deixar “a marca indelével do
PCdoB no setor”. O ministro reforçou a intenção de
privilegiar projetos de inclusão social e fazer disso uma
política para milhões. Para tanto, é necessário uma grande
mobilização nacional que propicie a criação de uma rede de
atendimento esportivo, contando com o engajamento de
estados e municípios, parceiros como o Sistema S (Sesc,
Senac, Sesi), clubes sociais, organizações
não-governamentais, entidades comunitárias e estudantis. |
Ainda no quesito inclusão social, “que deverá ser a marca
da gestão”, ele disse que seu programa poderá contar com o
trabalho de milhares de instrutores esportivos no país, o que
significa que o esporte é gerador de empregos. Sobre o custo
dos projetos, o ministro informou que para atender 1 milhão de
crianças por ano são necessários 150 milhões de reais,
dinheiro que no momento o Ministério não tem. Outra linha de
ação do ministro é incentivar o esporte na escola, com o
incremento da educação física e a valorização dos
profissionais que nela atuam. Aí ele espera contar com as
entidades estudantis, juvenis e de educadores.
Estatuto do Torcedor foi primeiro passo
Agnelo também vai apoiar o esporte de rendimento, inclusive
porque o bom desempenho dos atletas em competições ajuda o
desenvolvimento e a imagem do país. Ele lembra que a China, sede
das Olimpíadas de 2008, está investindo 30 bilhões de dólares na
realização do evento. “É a visão de quem quer investir em seu
país, em seus produtos, em seus esportistas”.
O ministro reitera seu desejo de trazer para o Brasil grandes
eventos esportivos internacionais, como os Jogos Olímpicos e a
Copa do Mundo. “Isso acarreta desenvolvimento ao país”. Ele
também vai dar tratamento adequado ao futebol, com a implantação
de uma legislação “rígida, exeqüível e viável”, que começou com
a aprovação do “Estatuto do Torcedor” na Câmara dos Deputados.
Agnelo quer formar Conselhos de Esporte em todo o país para
ajudar na formulação e na condução da política esportiva e de
lazer.
Walter Sorrentino, secretário de Organização do PCdoB,
afirmou que “nossa atuação no esporte pode propiciar identidade
profunda com o povo e abrir as fileiras do Partido para novos
milhares de militantes”. Ele apresentou alguns pilares sobre os
quais deve se guiar a ação do Partido para tornar-se força
estruturante na área. Um deles é a habilidade da orientação
política do PCdoB no Ministério e na luta pelo êxito do governo
Lula, “pelo seu lado mudancista”. Para ele, é uma luta dentro e
fora do governo.
Outro pilar é o desenvolvimento de uma corrente de pensamento
político do esporte, que elabore uma política esportiva para
perdurar ao menos 20 anos, algo permanente, um legado ao esporte
e ao país. Para Sorrentino, não é só da política de esporte que
deve se ocupar o Partido mas também da definição de uma base
social prioritária de sustentação, que pode se constituir, por
exemplo, do mundo do esporte e da juventude, entre outros
segmentos sociais. Ele alertou que não é tradição no país haver
programas voltados para a juventude e sim para crianças e
adolescentes que estão na escola.
Walter também sugere que se organize a presença do Partido em
funções-chave nas pastas de Esporte pelo país, com a criação de
uma rede composta de um grupo central de dirigentes e apoiada em
técnicos e profissionais capacitados. “Nossa liderança é marcada
por idéias”, afirmou.
Jairo José, secretário de Organização do Partido no Estado de
São Paulo, lembrou que o esporte, na América Latina, sempre
serviu a políticas assistencialistas, como forma de a direita
manter-se no poder, o que provocou na esquerda um certo
preconceito e tirou dela a preocupação de elaborar políticas
para o setor. Ricardo Gomyde, presidente da Paraná Esportes
(equivalente a uma Secretaria de Estado), argumentou que o
Ministério deve liderar a moralização do futebol, cuja gestão é
desmoralizada entre o meio esportivo, investidores privados e
gestores públicos.
Javier Alfaya, deputado estadual na Bahia, reivindicou
atuação geograficamente diversificada do Ministério. Sugeriu que
os parlamentares do Partido em todo o país se integrem às
Comissões de Educação, Cultura e Desporto das Câmaras Municipais
e das Assembléias Legislativas para contribuir com a ação
nacional do PCdoB na área e para que haja garantia de que o
Legislativo discuta e aprove medidas com caráter de integração
educacional-esportivo-cultural, na linha do que se está propondo
a fazer o ministro Agnelo.
Fábio Tokarski, deputado estadual em Goiás, sugeriu à direção
do Partido que analise formas de a militância participar das
discussões e dos encaminhamentos da área em municípios nos quais
o PCdoB não tem participação em governos, já que “o nosso
desafio é fazer o esporte ser política de governo em todo o
país”.
Jussara Cony, deputada estadual gaúcha, apresentou documento
com sugestões de atuação baseadas no binômio esporte-saúde e
sugeriu que seja criada a Olimpíada Comunitária Feminina. Alcino
Reis, assessor do Ministério, lembrou: “Nosso desafio é cuidar
de um Ministério com grandes projetos e poucos recursos”. A
secretária municipal de Esportes de São Paulo, Nádia Campeão,
sugeriu a realização de uma Conferência Nacional de Esporte para
elaboração de diretrizes e metas de longo prazo.
*assessora de Imprensa da Secretaria Municipal de Esportes
de São Paulo |
|
|
|
Vermelho chega vitorioso ao seu
primeiro aniversário |
O
Portal Vermelho completa seu primeiro ano de existência, dia 25
de março, e já se firma como um instrumento eletrônico com
potencialidades múltiplas, destinado a contribuir para a
educação teórica e ideológica dos comunistas e dos internautas
que se habituaram a acompanhar o Diário Vermelho, as colunas, os
cadernos regionais etc.
Nestes doze meses, o Vermelho adquiriu uma imagem muito
positiva, em especial entre os quadros e áreas da militância do
Partido, no universo jornalístico, político-social e no
movimento comunista internacional.
A média de visitação, que começou com pouco mais de 11 mil
internautas no primeiro mês, hoje chega a um volume de 86.000,
tendo tido como pico de visitação o período do segundo turno das
eleições de 2002, quando o Vermelho chegou a registrar 122 mil
visitantes no mês de outubro.
O sucesso do Portal Vermelho também se traduz em sua
participação no iBest, o maior prêmio da internet brasileira. O
prêmio iBest 2003 – que irá escolher os melhores sítios
brasileiros em 41 categorias –, está em andamento, mas já
apontou o Vermelho como um dos cinco melhores sítio de política
do Brasil.
O Vermelho passou pelo teste deste primeiro ano, aumentando a
visibilidade e agilidade do PCdoB, além de subsidiar o discurso
da opinião pública que está atingindo. Ao convidar quadros e
dirigentes a escrever, o portal pressiona o coletivo à
elaboração política, teórica e à sistematização do aprendizado
oriundo do cotidiano da luta de classes, o que exige leitura e
reflexão.
Ainda que haja muito a implementar, as correções vêm sendo
feitas aos poucos. Para este próximo período, por exemplo, estão
planejadas mudanças no leiaute e na estrutura das páginas (o que
deve ir ao ar no dia 25 de março), objetivando corrigir algumas
falhas e tornar o acesso ao portal mais rápido e eficiente.
Hoje, é possível confrontar a concepção inicial do projeto
com a experiência concreta. Seguindo o exemplo de Marx e Engels,
que em 1848 incitavam o proletariado a usar as ferrovias em sua
união, e de Lenin, que em 1918 discursava no recém nascido
rádio, é através do Vermelho que o PCdoB vem tirando proveito da
ainda nova e surpreendente realidade que a internet representa.
Pode-se dizer que o Portal Vermelho passou no batismo de
fogo, superando as muitas limitações e percalços que se
apresentaram na trajetória desse importante meio de comunicação
dos comunistas. |
|
|
|
Projetos sociais resgatam parte dos
cortes no Ministério do Esporte |
|
Michel Castellar* |
|
Agnelo
Queiroz consegue amenizar redução do orçamento da pasta, que
terá R$ 150 milhões.
Depois de ver seu orçamento de 2003 cair de R$ 369,6 milhões
para R$ 43,1 milhões, um corte de 88,3%, o ministro do Esporte,
Agnelo Queiroz, reagiu e já assegurou para a pasta um aumento de
recursos que poderá totalizar R$ 150 milhões. Em reunião no
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), ele
garantiu a execução de projetos sociais, voltados principalmente
à criança e à juventude, o que amenizará o corte de provimentos.
Outra novidade é o estabelecimento de parcerias com as
principais empresas estatais do País.
De acordo com o ministro, vários programas sociais, em
sintonia com as metas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
deixariam de ser realizados caso o corte orçamentário projetado
fosse mantido. Esses argumentos sensibilizaram a equipe do MPOG
a optar por amenizar os limites de despesa da pasta.
“Ficaremos com um mínimo de R$ 100 milhões e um máximo de R$
150 milhões. A cifra real ainda não dá para calcular, mas deve
ficar entre esses valores”, disse o ministro. “Tivemos conversas
na área do Planejamento e mostramos o que significa essa
contingência. Alguns aspectos fundamentais, como nossas
crianças, foram levados em consideração e vistos como
prioridades políticas.” Outra ação já iniciada pelo Ministério
do Esporte foram as conversas com os presidentes da Petrobrás,
Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Banco do
Brasil e Correios. A intenção de Queiroz é a de estabelecer
parcerias em projetos que visam ao desenvolvimento e à promoção
social.
“Já tive contato com a Petrobrás. O mais importante foi que
as pessoas que assumiram as empresas governamentais têm uma
visão social”, afirmou Queiroz.
“No momento, essas empresas estão sendo reestruturadas para
acolher projetos sociais, seguindo uma orientação do nosso
presidente. Preciso aguardar porque os recursos serão liberados
progressivamente.”
O corte no Ministério do Esporte foi provocado pela
determinação da equipe econômica do governo, que impôs uma
redução de 80,6% nos novos investimentos previstos no Orçamento
da União de 2003, anunciada em fevereiro. O objetivo da medida
foi o de conseguir uma economia de R$ 14 bilhões para atingir a
meta de superávit nas contas públicas de 4,25% do Produto
Interno Bruto (PIB).
Agnelo Queiroz se mostrou satisfeito com os “avanços” que vem
conseguindo na pasta. Lembrou que sua prioridade nos primeiros
seis meses de governo é a de conseguir votar os projetos
pendentes no Congresso Nacional. De acordo com ele, após a
aprovação do Estatuto do Torcedor, o próximo passo é a Medida
Provisória nº 79, de moralização do futebol.
*reproduzido de O Estado de S. Paulo, 9 de março de 2003. |
|
|
|
CPI na Câmara para combater tráfico de
animais e plantas |
|
|
|

Vanessa Grazziotin
|
O relatório final da CPI que investigou o
tráfico de animais e plantas silvestres no país chegou a
uma conclusão: uma nova comissão precisa ser instalada na
atual legislatura. Apesar dos avanços nas investigações,
em apenas dois meses e meio de atividades, os deputados
acreditam que muito pouco pôde ser feito num mercado
ilegal que movimenta cerca de US$ 1 bilhão por ano no
Brasil.
Árdua defensora da instalação de nova CPI, a deputada
federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) afirmou que “o tempo
foi curtíssimo” para que fossem levantados mais dados,
feitas outras audiências públicas e mais diligências. “A
CPI só foi instalada em 13 de novembro do ano passado e,
por força do fim da legislatura, teve que encerrar seus
trabalhos no final de janeiro passado”, explicou. |
Mesmo assim, a deputada ressalta os
pontos positivos. A CPI, por exemplo, comprovou a existência de
rotas de tráficos de animais para colecionadores, biopiratas e
lojas de animas, os conhecidos pet shops. Foram solicitados ao
Ministério Público e à Receita Federal que investiguem um total
de 80 pessoas e empresas.
Os deputados apontaram para o problema
da extração ilegal de mogno na Amazônia, principalmente na Terra
do Meio, sul do Pará, na rodovia Cuibá-Santarém e na região sul
do Amazonas. Ao Ministério das Relações Exteriores são
solicitadas investigações nas seguintes madeireiras: DLK
Nordisk, Lumber, J. Gibson Macllvain e Intercontinental
Hardwoods.
Na exploração ilegal de pau-brasil no sul da Bahia, a CPI
chegou a citar o nome de Alfred Mark Raubitschek, que teria
comprado madeira de forma irregular através de sua empresa com
sede nos Estados Unidos. Nesse caso, há evidências do
envolvimento de servidores do Ibama na emissão irregular de
Autorizações de Transporte de Produtos Florestais (ATPF).
Com relação as denúncias de corrupção envolvendo servidores
do Ibama, a CPI pediu investigação e punição severa em casos que
aparecem em Eunápolis (BA), Altamira (PA), Itaituba (PA) e
Santarém (PA). A CPI também constatou evidência de caso de
biopirataria envolvendo o pesquisador do Instituto Nacional de
Pesquisa da Amazônia (Inpa), Marcus Gerardus Maria van
Roosmalem. Há fortes indícios de que ele teria enviado material
genético à Columbia University (EUA), onde seu filho estudava a
seqüência de DNA mitocondrial de macacos-barrigudos. Pesam ainda
contra ele denuncias de coleta irregular de material da fauna,
da flora e manutenção de criadouro conservacionista sem licença
do Ibama.
O relatório, de mais de 100 páginas, foi entregue ao
procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. Os deputados
esperam que o Ministério Público Federal aprofunde as
investigações. |
|
|
|
Política de Saúde não é neutra:
diagnóstico do caso paulistano |
|
|
|
Júlia Roland*
A
recente mudança na Secretaria Municipal da Saúde da capital
paulista, com a substituição de Eduardo Jorge por Gonçalo
Vechina, estimula o debate sobre a situação do SUS no município
de São Paulo.
Há dois anos foi reiniciada a construção do Sistema Único de
Saúde (SUS) na cidade, com a crença de que havia união entre os
três níveis de governo – união, estado e município – em torno
dos interesses da saúde. A principal diretriz adotada foi a
implementação do Programa de Saúde da Família (PSF). O processo
de municipalização vem ocorrendo, mas armadilhas são colocadas a
todo momento pela Secretaria Estadual. Vale lembrar que a
responsável pelo PSF da secretaria estadual chegou a declarar,
no ano passado, que este programa não seria repassado em ano
eleitoral.
Desde o início da atual gestão, polemizamos no Conselho
Municipal de Saúde e na Conferência com a absolutização do PSF
como “a” estratégia de implantação do SUS numa cidade com as
características de São Paulo.
Na carta de demissão, o secretário Eduardo Jorge reafirma ser
esta a única estratégia capaz de resolver os problemas das filas
e da humanização no sistema de saúde.
A cidade de São Paulo dispõe de unidades básicas de saúde
distribuídas em todas as regiões, geralmente desfalcadas de
profissionais e necessitando de reformas e reaparelhamento. De
um ponto de vista avançado, essa é a principal porta de entrada
do SUS, e para cumprir essa função deve ser mais valorizada. O
PSF soma-se e articula-se com essa rede, onde houver
necessidade. A municipalização plena, que significa o
gerenciamento dos atuais hospitais do estado pelo município, é
fundamental para se organizar o sistema de forma hierarquizada.
Os pacientes teriam o primeiro atendimento na rede básica (ou
pelo PSF) e, se necessário, seriam encaminhados para
ambulatórios especializados ou para os hospitais, racionalizando
o atendimento nos serviços mais complexos. A otimização dos
serviços de urgência e emergência é vital para a cidade, que tem
como uma das principais causas de mortalidade aquelas motivadas
por acidentes e homicídios.
Hoje os hospitais municipais paulistanos somam 2.408 leitos,
enquanto os estaduais representam 9.265 leitos! Recentemente o
secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas, declarou
que resistirá à municipalização dos 29 hospitais estaduais, num
claro desrespeito aos preceitos constitucionais e numa decisão
eminentemente política, pois a situação dos hospitais estaduais
é tão precária quanto a dos municipais. Fica claro que o governo
Alckmin procura exercer seu poder no município de São Paulo, com
a finalidade de ter mais influência nas eleições de 2004.
A carência de alguns profissionais, principalmente nas
unidades mais distantes, e a falta de acolhimento adequado à
população merecem tratamento correto com políticas justas para o
trabalhador da saúde. A diferença na forma de contratação dos
trabalhadores do PSF e da rede precisa ser superada (no PSF não
há concurso público). É ainda menos justificável a grande
diferença salarial. O investimento na requalificação
profissional precisa ser maior e a discussão sobre as
necessárias mudanças curriculares, nas várias profissões do
setor saúde, deve ser agilizada na esfera federal.
As chamadas parcerias com entidades privadas (Hospital Santa
Catarina, Fundação Zerbini, Hospital Albert Einstein e outras)
que gerenciam parte do Sistema devem ser reavaliadas. O Conselho
Municipal de Saúde não tem nenhum controle sobre elas.
A política de saúde sistematizada no capítulo constitucional
que institucionalizou o SUS não é neutra. A sua plena
implementação encontrou obstáculos nesses anos de hegemonia das
políticas neoliberais, que retardam mudanças mais significativas
nos indicadores de saúde da população. Por isso, causou espanto
a escolha de Gonçalo Vechina para continuar o processo de
construção do SUS em São Paulo. Não há dúvida de que é um
técnico experiente da área, mas é identificado com a política de
saúde dos tucanos, orientada pelas diretrizes do Banco Mundial.
Achamos necessária a reorientação do governo municipal que
objetiva dar mais atenção para a recuperação dos centros de
saúde e dos hospitais, fundamentais para uma cidade com a
complexidade e o gigantismo de São Paulo.
A criação das subprefeituras, medida importante para a
cidade, tem o mesmo sentido do SUS no que diz respeito à
descentralização; no entanto, a política de saúde aplicada em
cada subprefeitura tem que continuar sendo orientada pela
Secretaria Municipal da Saúde. A escolha dos coordenadores de
Saúde, que foi motivo de polêmica com o ex-secretário Eduardo
Jorge, deve se subordinar a critérios técnicos e políticos que
correspondam às necessidades e avanços dessa área, que ainda tem
penalizado muito a população.
*presidente Comitê Municipal de São Paulo, membro do
Conselho Nacional de Saúde |
|
|
|
Previdência: reforma ou regressão? |
|
Altamiro Borges*
O
ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, iniciou uma
maratona aos estados para discutir com governadores,
parlamentares, empresários e líderes sindicais a sua proposta
inicial de reforma da Previdência. Do lado patronal, recebe
aplausos efusivos – “é a reforma que FHC deixou de fazer e que o
mercado exige”; já entre os dirigentes sindicais, críticas ao
açodamento do novo governo e rejeição a qualquer medida que
represente um novo retrocesso nos direitos dos trabalhadores.
|

Ricardo Berzoin
|
A reação do
sindicalismo, do qual provêem o próprio ministro
(ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo), é
plenamente justificável. Afinal, os argumentos esgrimidos
até agora pelo governo são mesmo preocupantes. Entre
outras justificativas para a pressa nesta reforma,
destacam-se duas: o déficit do setor e a existência de
distorções na Previdência dos servidores públicos. Na
forma, o novo governo adota um comportamento bem diferente
do reinado de FHC, procurando dialogar com a sociedade; no
conteúdo, |
entretanto, ainda repete velhos
argumentos usados pelo tucanato que foi repelido nas urnas.
Causas do rombo
No que se refere ao déficit, os agourentos de plantão estimam
que ele atinja R$ 76,4 bilhões neste ano – um número assustador,
mas sempre sujeito, como qualquer estatística, às manipulações
que camuflam a essência do problema. O que se acusa do rombo
previdenciário na verdade diz respeito à Seguridade Social. Um
dos maiores avanços obtidos na Constituição de 1988 foi a idéia
da formação de um sistema integrado de seguridade, que
englobaria: a saúde pública (amparo aos doentes), a assistência
social (amparo aos portadores de deficiência e às pessoas em
situação de risco) e a Previdência Social propriamente dita
(proteção aos que ultrapassam o período de vida de trabalho).
Como explica César Benjamin, “os dois primeiros correspondem
a direitos líquidos de cidadania e, como tal, não contam com
receitas próprias, devendo ser financiados com impostos pagos
pela sociedade como um todo (as contribuições sociais).
Portanto, não se aplica nesses casos o conceito de déficit
(ninguém diz, por exemplo, que uma escola pública, que oferece
ensino gratuito, é ‘deficitária’; tampouco se pode dizer isso de
um hospital público, ou da assistência a uma pessoa pobre,
portadora de deficiência grave). Incluir as despesas da
Seguridade, como um todo, no chamado ‘déficit da Previdência’ é
um artifício lamentável, que só serve para assustar a opinião
pública e dramatizar o problema”.
Além de excluir do rombo tais direitos civilizatórios, também
seria justo deixar de fora as aposentadorias pagas aos
trabalhadores rurais – outra conquista da Constituição de 88,
regulamentada recentemente. No ano passado, o INSS destinou a
estes sofridos brasileiros a quantia de R$ 14,5 bilhões – um
mísero salário mínimo para cada família rural. Por último, mas
não por fim, milhares de empresas não pagam sua cota
previdenciária e não depositam nem a parte descontada dos
trabalhadores; que o próprio Estado é o maior devedor do
sistema; que uma parcela dos recursos é desviada, através da
manobra da desvinculação das receitas, para outros gastos – em
especial, para o pagamento dos juros do sistema financeiro. E
assim por diante...
Para ir à essência do problema é necessário também discutir
quais as verdadeiras causas da atual crise. Até meados dos anos
90, a Previdência era superavitária. Em 1994 tinha R$ 2 bilhões
em caixa. Mas devido ao triste reinado de FHC, com a explosão do
desemprego, o cruel processo de precarização do trabalho e o
aumento da informalidade, os recursos começaram a minguar, com a
natural queda da contribuição. Se na década de 70 houve aumento
de 7,9% no número de contribuintes, nos anos 90 ele foi de
apenas 0,8%.
A principal causa da crise da Previdência decorre dos rumos
da economia. Sem romper com o modelo neoliberal aplicado nos
últimos anos não haverá crescimento da economia; sem a retomada
do crescimento não haverá geração de emprego e renda; sem isto,
o déficit da Previdência só tende a crescer. A questão é: quem
deve pagar a conta? Os aposentados e pensionistas, que
contribuíram durante décadas e hoje recebem migalhas na velhice?
Neste caso, os seus “contratos” seriam rompidos, resultando numa
regressão de direitos. Ou o capital financeiro e oligopolista?
Servidores na mira
Quanto às distorções na Previdência dos servidores públicos,
é preciso cuidado para não juntar o joio com o trigo! As
chamadas forças do mercado, nome fictício do capital
monopolista, não vacilam em culpar os servidores pela crise
brasileira. Assanhadas, exigem a guilhotina em direitos
históricos. A Editora Abril, que serviu de quartel general da
candidatura tucana, não esconde a sua postura hidrófoba.
Derrotada nas urnas, tenta agora enquadrar o novo governo.
Segundo a Veja, da tradicional família Civita, “o rombo da
previdência governamental é a causa principal do desequilíbrio
das contas públicas”. Daí a sua proposta, abençoada pelo
“deus-mercado”, de reduzir as aposentadorias dos servidores e de
cobrar os inativos.
Só que este tema, bastante complexo, não permite qualquer
imprevidência de um governo que tem forte base de apoio entre o
funcionalismo. Descontentes com o desmonte do setor público e
com a degradação das condições de trabalho, expresso em oito
anos de salários congelados, os servidores votaram em peso na
candidatura Lula. Eles não aceitam que os seus direitos sejam
tratados como privilégios. Sabem que o seu regime de
contribuição previdenciária é bem diferente do setor privado;
que eles depositam 11% dos seus vencimentos, enquanto os
contribuintes do INSS pagam no máximo 8% sobre o teto de R$
1.561,00. Sabem que mais de 80% dos servidores aposentados
recebem benefícios inferiores a R$ 2 mil mensais.
Qualquer proposta de reforma da Previdência no setor público
deve partir da realidade concreta, evitando as manipulações e
pressões do “deus-mercado”. Mesmo a poderosa CNTSS (Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social), ligada à CUT,
está disposta a discutir as distorções existentes no setor, mas
não aceita que o conjunto dos servidores seja culpado pela atual
crise. “O maior risco de erro do novo governo é trazer para a
reforma a mesma visão financeira do governo FHC. A reforma não é
só um problema financeiro, é uma questão social”, explica
Wladimir Nepomuceno, dirigente da CNTSS.
Como se observa, o assunto é explosivo e vai dar muito pano
pra manga. Em certo sentido, condensa as contradições do governo
Lula, que será alvo de intensa disputa. Na síntese de Renato
Rabelo, presidente do PCdoB, esta fase de transição será
“marcada pelo embate entre mudança e continuidade, avanço e
recuo... Corre-se na atualidade dois tipos de riscos: de
inclinação ou envolvimento do governo iniciante pelos interesses
da política econômica dominante e, de outro modo, o perigo do
voluntarismo principista, desligado da realidade. Pelo que
representa ainda o peso da camisa-de-força do sistema econômico
em que estamos metidos, o primeiro risco é maior e mais
premente”.
O importante é que o novo governo, que tantas esperanças
despertou no povo brasileiro – inclusive nos 2 milhões de
servidores públicos na ativa nas administrações federal,
estaduais e municipais e no 1 milhão de aposentados e
pensionistas do setor – não sucumba às pressões e chantagens do
tal mercado. Mesmo consciente das dificuldades herdadas da “era
FHC” e do cenário mundial adverso, é urgente que sinalize de
fato para as mudanças, razão maior da sua vitória eleitoral.
Como diz o professor José Luis Fiori, “o fundamental é a vontade
política de mudar e a capacidade de manter esta decisão
permanentemente, a despeito de toda e qualquer flutuação tática.
O governo tem que se mover com a cautela de que desarma uma
bomba, mas ao mesmo tempo é fundamental que esteja decidido a
desarmá-la”.
Mesmices na reforma
O novo governo ainda não formulou um projeto definitivo de
reforma da Previdência. Vários balões-de-ensaio já foram
lançados e, no geral, todos são preocupantes. Entre as propostas
listadas pelo ministro Ricardo Berzoini, destacam-se três: a da
criação do regime único para os trabalhadores da iniciativa
privada e do setor público; a do estímulo aos fundos privados de
previdência complementar; e a da cobrança de contribuição dos
servidores inativos. Todas têm como alvo os servidores públicos.
O governo FHC já havia imposto alguns dos “ajustes”
receitados pelo FMI e Banco Mundial contra os assalariados da
iniciativa privada. Coube ao banqueiro André Lara Resende a
tarefa suja de propor essas medidas. Conforme confessou na
época, o modelo seguido foi o da previdência chilena, reformada
ainda no período da ditadura do general Augusto Pinochet. FHC
aprovou vários mecanismos que penalizaram os contribuintes do
INSS. É deste período o golpe do fator previdenciário, o aumento
do tempo de serviço, a fixação do teto rebaixado de benefícios
(hoje de R$ 1.561) e o estímulo aos fundos de pensão. Desta
forma, os explorados do setor privado foram sacrificados no
sagrado altar do mercado, com o aumento das contribuições e a
redução dos benefícios. As investidas contra o setor público,
entretanto, não evoluíram muito devido à forte reação do
organizado sindicalismo do setor, à rejeição dos partidos de
oposição e aos recorrentes vetos do Poder Judiciário.
Revanche do mercado
Agora, porém, as sinistras forças de mercado tentam enquadrar
o novo governo. Acuado, este chega até a desafiar o
sindicalismo, uma de suas principais bases de apoio, com a idéia
de acelerar a aprovação do PL-9. Monstrengo criado por FHC, este
projeto limita o valor da aposentadoria dos servidores, que
seria equivalente à miséria do INSS, e cria a previdência
complementar.
O sindicalismo dos servidores públicos já anunciou que não
aceita a imposição deste projeto. Em plenária nacional marcada
para 23 de março, ele definirá as formas de resistência. Já a
CUT, segundo João Felício, garantiu que “não vai ficar parada se
o PL não for discutido com a sociedade”.
Os trabalhadores não aceitam pagar o “pacto”, rejeitam o PL-9
e questionam os eixos apresentados para reforma da Previdência.
A CUT até concorda com a idéia da criação do regime único para o
setor privado e público. A questão é: por que “nivelar por
baixo” e não elevar o padrão previdenciário dos brasileiros? O
certo seria anular as reformas regressivas de FHC,
possibilitando que o trabalhador da iniciativa privada tivesse
os mesmos direitos do servidor público, que se aposenta com o
salário da ativa.
Comida requentada
O ministro Berzoini insiste que o regime único tenha o mesmo
teto do INSS – os míseros R$ 1.561,56. O servidor teria, assim,
sua aposentadoria reduzida. Seria forçado a contribuir para os
fundos de pensão se quisesse ter uma velhice mais segura. Ciente
da existência de distorções no setor, no qual uma minoria de mil
servidores, entre os 1 milhão de aposentados, recebe mais de R$
20 mil mensais, a CUT propõe que o teto seja de até 20 salários
mínimos. Segundo estudos, este valor contemplaria mais de 80%
dos servidores.
Quanto à contribuição dos inativos, ela surge mais como o
“bode na sala”. O governo sabe da sua inviabilidade jurídica.
Esta idéia foi obsessivamente perseguida por FHC, mas o STF
considerou ilegal o rompimento dos contratos dos servidores, que
já contribuíram por longos anos e seriam forçados a pagar
novamente. Os mesmos setores que insistem em “honrar os
compromissos” com o capital financeiro defendam a anulação das
cláusulas dos servidores. A revista Veja, por exemplo, gosta de
enfatizar que o déficit da previdência atingiu R$ 71 bilhões em
2002; mas esconde que no mesmo ano os bancos abocanharam somente
de juros da dívida mais de R$ 100 bilhões.
Por último, quanto ao estímulo à previdência complementar, a
proposta é das mais repulsivas. Ainda no passado recente, vários
fundos privados, como os Montepios da vida, faliram e deixaram
os contribuintes no total desespero. Já na “era FHC”, vários
fundos públicos existentes tornaram-se sócios no processo de
privatização das estatais, ajudando, de forma indireta, na
demissão de milhares de brasileiros e no próprio fomento da
especulação. A privatização da previdência é hoje o principal
alvo da gula do capital rentista mundial. Estes fundos de pensão
rendem fortunas no cassino especulativo e em investimentos; são
os principais aplicadores na indústria de armas dos EUA.
As propostas apresentadas até agora pelo governo são
negativas e têm um forte sabor de comida requentada. De
imediato, elas inclusive estimulariam os pedidos de antecipação
de aposentadorias e elevariam o próprio déficit da Previdência.
Beneficiariam o tal mercado, mas causariam mais problemas aos
cofres públicos. Segundo estudo de Kaizô Beltrão, do IBGE, a
arrecadação da União teria uma perda média anual de R$ 1,7
bilhão em função da reforma. Além de transferir a parte
lucrativa para os fundos privados, o governo teria que sustentar
as aposentadorias existentes com uma arrecadação bem inferior.
Como explica Wladimir Nepomuceno, dirigente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Seguridade Social (CNTSS), da CUT,
“se o problema do governo é a formação da poupança interna para
enfrentar os graves problemas econômicos do país e investir em
setores essenciais, existem outras formas para se chegar a isso
sem tirar direitos dos servidores e empurrá-los para os fundos
de pensão”. O sindicalismo conseqüente aposta no êxito do
projeto mudancista do governo Lula, mas sabe que isto só é
viável com a superação das armadilhas neoliberais e não com a
continuidade do mesmo modelo perverso.
*jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da
revista Debate Sindical. |
|
|
|
Os
que lucram com a crise |
Os
160 bancos e instituições financeiras que operam no Brasil
lucraram R$ 19,135 bilhões em 2002, segundo levantamento
preliminar feito pelo Banco Central. Graças aos elevados juros
praticados no país, os ganhos cresceram 62,5% em relação ao ano
anterior. Entre 2001 e 2002, a rentabilidade das instituições
financeiras passou de 14,4% para 18,5%. O Itaú obteve lucro
líquido consolidado de R$ 2,376 bilhões em 2002 (queda de 0,54%
frente ao ano anterior). Em 2001, o lucro dos bancos ficou em R$
11,775 bilhões.
O crescimento do lucro observado entre 2001 e 2002 é
consequência, principalmente, daquilo que é chamado de resultado
da intermediação financeira. Esse resultado se refere aos ganhos
obtidos pelos bancos com operações como empréstimos e aplicações
em títulos públicos. No ano passado, o resultado da
intermediação financeira cresceu 46,6% e chegou a R$ 58,711
bilhões. A maior parte das receitas de intermediação financeira
vem das operações de crédito, mas os ganhos auferidos com as
operações envolvendo títulos públicos têm crescido.
As operações com títulos e valores mobiliários renderam R$
96,8 bilhões aos bancos no ano passado, contra R$ 59,7 bilhões
em 2001. Essas transações envolvem, na maioria das vezes, a
negociação de títulos públicos. Os papéis do governo acompanham
de perto o movimento da taxa Selic.
Ganho também com serviços
O ganho dos dez maiores bancos do país com a prestação de
serviços subiu 429,26% de 1994 a 2002, pulando de R$ 3,869
bilhões para R$ 20,477 bilhões. Segundo estudo da consultoria
Austin Asis, as receitas com cobrança de tarifas por serviços
como fornecimento de talão de cheques, gestão de recursos de
terceiros e administração de cartões de crédito aumentaram tanto
nesse período que chegam quase a cobrir totalmente as despesas
com pessoal. No caso dos dez bancos analisados, esses ganhos já
correspondem a 96% dos gastos com salários, ante 28,9% em 1994.
Em 2001, a proporção era de 91 9%. Em instituições como a Caixa
Econômica Federal, o Itaú e o Unibanco, os ganhos com a cobrança
de tarifas já superam as despesas com pessoal. No Unibanco, as
receitas de prestação de serviços equivalem a 158,9% dos gastos
com salários. Em 1994, a proporção era de 49,4%. Nesse período,
os ganhos do banco com tarifas aumentaram 1.052%, de R$ 227
milhões para R$ 2,616 bilhões.
Para a analista de bancos da Schroders Investment Management,
Fabiana Arana, o processo de concentração no sistema financeiro
do País também ajuda a explicar o aumento dos ganhos dos grandes
bancos com a prestação de serviços. Hoje, as dez maiores
instituições detêm 74,7% dos ativos do sistema bancário, ante
64,7% em 1994. Ou seja, as grandes instituições passaram a
cobrar serviços de uma base maior de clientes. Fabiana acredita
que, neste trimestre, as receitas de prestação de serviços
poderão crescer ainda mais em função da volta dos recursos para
os fundos de investimento. Depois de perder mais de R$ 60
bilhões em 2002, depósitos superaram saques em R$ 15 bilhões nos
dois primeiros meses do ano. A expectativa é de aumento dos
ganhos com taxas de administração de fundos. |
|
|
|
|
Sérgio Miranda
desmascara ‘Herança maldita de FHC’ |
|
Sérgio Miranda*
O
deputado federal Sérgio Miranda (PCdoB/MG) publicou um amplo
panorama crítico dos oito anos dos governos de Fernando Henrique
Cardoso – e explicita o seu objetivo de, ao rever o fracasso das
gestões anteriores, contribuir para o debate sobre as
alternativas de mudança para o Brasil. “A herança maldita de
Fernando Henrique” faz um balanço minucioso e generalizador
sobre essa fase. A seguir, o artigo do deputado Sérgio Miranda,
apresentando a revista:
|

A capa da revista-denúncia
|
Uma importante
e oportuna tarefa está nas mãos das novas forças políticas
que comandam o Brasil: compor criticamente um painel
retrospectivo da última década que desfigurou nossa nação.
Somente desmascarando os governos de FHC-FMI poderemos
separar o joio do trigo e ajustar o foco sobre a árida e
adversa realidade brasileira e o que deve ser reconstruído
para a retomada da rota do crescimento econômico e do
progresso social.
O propósito desse amplo estudo, que redundou na revista
A Herança Maldita de FHC, é lançar um grito de alerta,
justamente para não se repetir a inércia obtusa que
tem-nos empurrado para a vala da dependência externa e do
atraso social. Ter clareza sobre a orientação política de
Fernando Henrique Cardoso – para explicitar o desastre
histórico da |
gestão neoliberal e seus
desdobramentos na economia nacional – é um dever para os novos
governantes. Afinal, não devemos esquecer que foi sob o signo
da mudança que se configurou a histórica eleição de Lula.
Fundo do poço
Apontar os mecanismos que conduziram o Brasil ao fundo do
poço é, principalmente, assinalar a responsabilidade da política
econômica neoliberal. Denunciamos, assim, o perigo da
mistificação da globalização como algo inexorável, propalada
mundialmente como um bem universal, um caminho natural e
inevitável. Aplicada – com impecável rigor – pelo ex-presidente
Fernando Henrique e seus fiéis escudeiros, essa política somente
desserviu ao Brasil, fazendo valer os interesses mais preciosos
do grande capital financeiro.
Pois, ao lançarmos luz sobre o pensamento hegemônico da
globalização – que já mostra claros sinais de declínio –,
endossamos uma nova ordem contrária à supremacia financista do
mercado e em torno de bandeiras que resgatam os valores de
justiça, humanidade e reconstrução do Estado e da soberania
nacional.
O alto custo desse modelo neoliberal ressoou no Brasil como
um verdadeiro desastre social e já vem sendo questionado e
cobrado por setores cada vez mais significativos da sociedade.
Vide a renovação dos quadros políticos no último pleito
presidencial.
Um novo projeto
Partimos da convicção de que expor à sociedade brasileira o
quadro de economia de guerra legado por FHC em oito anos de
sujeição ao capital financeiro internacional suscita – e até
mesmo precede – a defesa e a aplicação de um novo projeto
político para o Brasil. É desse debate franco e sincero que
surgirá, num processo coletivo de busca de alternativas, um novo
projeto, revestido de um caráter nacional, democrático, popular
e progressista, que enfrente com coragem a dependência externa,
as altas taxas de juros, as privatizações, a pressão dos
mercados financeiros por mais lucros e os acordos internacionais
que lesam a soberania.
Os próprios números oficiais confirmam a que veio e a quem
serviu o governo de FHC, Pedro Malan e Armínio Fraga. Em suas
duas gestões, enquanto os ganhos dos 10 maiores bancos privados
triplicaram, a renda média do trabalhador caiu 11%. Acentuou-se
a dependência externa, tornando-nos reféns do FMI e suas
imposições de ajuste fiscal. O estrago está estampado na
retirada crescente de direitos trabalhistas e ataques
sistemáticos ao sistema previdenciário. Recorreu-se às
privatizações e ao pagamento de juros estratosféricos que vêm
consumindo a maior parte dos orçamentos públicos, obrigando
governos federal, estaduais e municipais a promoverem demissões
crescentes e a reduzirem drasticamente os investimentos em
setores sociais diversos, arruinando também a infra-estrutura
instalada, como estradas e energia elétrica.
Convidamos você a um breve percurso pelos principais
desmandos de FHC e sua equipe ao longo de oito anos de abertura
descontrolada e desnacionalização generalizada da economia. Esta
revista compõe-se de capítulos temáticos versando sobre o
achatamento da produção nacional, o desastre da privatização do
setor elétrico e das telecomunicações, a substituição do
monopólio público pelo privado, o desemprego recorde, a
precarização e flexibilização do trabalho liderada pelo governo,
destruindo décadas de direitos constituídos.
Nesta publicação, é analisada também a irresponsabilidade
fiscal e monetária de Fernando Henrique com a explosão das
dívidas interna e externa, e o decorrente comprometimento dos
recursos públicos e riquezas nacionais, além do grave aumento da
vulnerabilidade do Brasil. Há análises, ainda, expondo o abuso
de poder, por meio da edição desenfreada de Medidas Provisórias
e das campanhas oficiais para reduzir os direitos dos
aposentados e responsabilizá-los pelo déficit da previdência.
Vale a pena dedicar atenção ao último texto, intitulado “Como os
homens do mercado tentaram amarrar o novo presidente”, que
mostra como, no oitavo ano de governo, o presidente e seus
aliados financistas criaram um clima de terror junto à opinião
pública nacional e internacional apontando a trilha neoliberal
como a única saída para escapar do caos.
Coragem política
Cabe a nós dissipar essa cortina de fumaça para simplesmente
restaurar a verdade, demolindo o mito do Plano Real e sua
estabilidade forjada à custa da explosão da dívida pública e da
desnacionalização da economia. Antes de mais nada é preciso
coragem política para enfrentar essa maldita herança, buscando a
análise conseqüente e séria da realidade como condição essencial
para alcançarmos as mudanças exigidas pela sociedade.
Também nos motiva aprofundar esse debate porque não podemos
perder de vista a oposição renhida que já está se formando e se
estruturando para voltar ao poder na próxima disputa
presidencial. E são justamente as mesmas velhas forças
políticas, que sustentaram esse projeto, que se preparam e
pretendem a forra eleitoral, tanto no cenário nacional, quanto
nas eleições municipais, daqui a dois anos.
Constituirmos uma visão lúcida desse passado recente
significa transpor os limites que viciaram o fazer político no
período recente.
Tudo foi planejado e executado sob a batuta e regência de
Fernando Henrique Cardoso, aclamado mundo afora como grande
estadista e fiador de um processo eleitoral transparente e
democrático, apesar de rendido aos ditames do FMI – ou talvez
por isso.
Nossa crítica, entretanto, não passa pelo viés do julgamento
estéril, gratuito e ressentido. Pelo contrário, servirá de guia
político para evitar, ao máximo, o caminho percorrido nos
últimos oito anos, de tantos espinhos e dissabores para o povo
brasileiro. O desmascaramento do período FHC-FMI é mais que
urgente para disparar o sinal de alerta aos novos governantes.
Providencial ainda para desenharmos um futuro apoiado em
alternativas sólidas e viáveis de crescimento econômico e
prosperidade social.
Estamos confiantes na mudança acenada por Lula e pelas forças
progressistas vitoriosas em 2002. No entanto, para construirmos
um novo modelo de desenvolvimento nacional precisamos enfrentar
esse debate sobre o passado. Com coragem e altivez, somos
aliados de Lula nessa difícil mas desafiadora oportunidade
histórica de mudar o Brasil. Em quatro anos temos a
responsabilidade de plantar as sementes que farão germinar um
novo país, de justiça social e econômica, de perfil democrático
e popular.
A revista pode ser solicitada ao gabinete do deputado Sérgio
Miranda: Câmara dos Deputados, anexo IV, gabinete 462, CEP
70160-900, fone 61 318 5462. A versão integral da revista está
disponível em www.vermelho.org.br/sergiomiranda
*deputado federal PCdoB/MG e membro do Comitê Central. |
|
|
|
Novo presidente do PCdoB capixaba |
|
No
dia 8 de março, em um dos auditórios da Assembléia Legislativa
do Estado do Espírito Santo, os dirigentes estaduais comunistas
estiveram reunidos para discutir assuntos da política nacional e
estadual e mudanças em sua Comissão Política (Executiva). Com 33
dirigentes estaduais presentes (de um corpo de 34), os
comunistas decidiram eleger Anderson Falcão Azevedo para a
presidência do Partido – ele vinha dirigindo a Secretaria de
Organização do PCdoB. Filiado ao Partido há 15 anos, Falcão teve
passagem pelo movimento estudantil secundarista e universitário.
Foi presidente da Umes de Vitória e diretor da Ubes.
Depois de 13 anos, Namy Chequer foi substituído da
presidência estadual do Partido. A mudança foi devidamente
acompanhada pela direção nacional e ocorreu em clima de
tranqüilidade. Namy Chequer vinha acumulando várias funções no
Partido e nas atividades profissionais. Além do programa de TV e
rádio, Namy assumiu recentemente o mandato de vereador na
capital, a que dedicará prioridade. |
|
|
|
Morre dirigente
comunista em Luziânia/GO |
|
Sérgio Miranda*
Na
madrugada de 10 de março, faleceu, no Hospital de Base de
Brasília, o histórico e combativo militante, jornalista e
dirigente do PCdoB de Luziânia (GO),
|

Stanley: vereador e jornalista
|
Stanley Paiva
dos Santos (60 anos), vítima de câncer no pulmão. O
velório foi realizado segunda-feira, no Salão da Câmara
Municipal de Luziânia e o enterro, à tarde, no Cemitério
Municipal de Luziânia.
Cerca de mil pessoas estiveram nas solenidades fúnebres
de Stanley, inclusive o prefeito de Luziânia, Delfino
Moreira, e alguns vereadores luzianenses. Os dirigentes do
Comitê Estadual do PCdoB (GO) - Marcos Antônio Araújo
(presidente), João Pires Júnior (secretário de
Organização) e Edwiges Carvalho (secretária de Formação) -
representaram o Partido.
Depois de trabalhar na imprensa amazonense – onde atuou
em alguns jornais, como A Crítica e outros veículos
engajados em causas políticas locais e nacionais –,
Stanley se mudou para Brasília e, numa visita a Luziânia,
se encantou com o povo da localidade e com a própria |
cidade, onde resolveu se fixar.
Luziânia, localizada na região do Entorno de Brasília (DF), é
um município centenário que já se chamou Santa Luzia.
Em 1998, filiou-se ao PCdoB e em 2000 foi o único candidato
comunista que concorreu ao cargo de prefeito de um município
goiano. Obteve cerca de 4 mil votos. Em 2002 voltou a se
candidatar, dessa vez a deputado federal. Irreverente, Stanley
tinha, em sua casa, uma bandeira do Partido hasteada num mastro.
Além do jornalismo e da paixão pela política, Stanley foi
jogador do Fast Club (AM) nos anos 60. |
|
|