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Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 221

março/2003

 

CAPA

Intensificar a mobilização em defesa da paz
Conferência do PCdoB debaterá mudanças do governo Lula
Campanha de filiação
 

PCdoB

Campanha do PCdoB na mídia
 

MOVIMENTO

CSC analisa CUT sob governo Lula
Liège Rocha: ‘É preciso travar o debate para combater a opressão’
Mais mulheres no mercado de trabalho, mas com renda menor
Em debate as cotas na universidade
Ministro quer discutir reserva de vagas para negros
 

INTERNACIONAL

CUT pela paz contra a guerra
Mais uma vez às trincheiras
 

NACIONAL

Fome Zero atiça os mesquinhos
Intelectuais reforçam o PCdoB
Juros altos barram o desenvolvimento
PCdoB discute política de esporte
Vermelho chega vitorioso ao seu primeiro aniversário
Projetos sociais resgatam parte dos cortes no Ministério do Esporte
CPI na Câmara para combater tráfico de animais e plantas
Política de Saúde não é neutra: diagnóstico do caso paulistano
Previdência: reforma ou regressão?
Os que lucram com a crise
Sérgio Miranda desmascara ‘Herança maldita de FHC’
Novo presidente do PCdoB capixaba
Morre dirigente comunista em Luziânia/GO
 

ESPECIAL

120 anos da morte de Karl Marx

 

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CAPA

Intensificar a mobilização
em defesa da paz

Manifestação pela paz na Coréia do Sul: mobilização mundial
É muito grave a situação mundial. O imperialismo norte-americano, alheio ao protesto dos povos e à oposição de um grande número de países, alardeia que fará valer sua sentença de guerra contra o Iraque. Além de um volumoso e sofisticado aparato bélico, mais de 300 mil soldados norte-americanos e ingleses já se encontram nas fronteiras do Iraque. A qualquer momento, portanto, pode se iniciar essa guerra de saque e pilhagem, esse novo capítulo da “guerra infinita” que o governo Bush jurou contra os povos. Essa ação guerreira, uma vez concretizada, custará grandes sacrifícios às nações e enormes prejuízos aos povos.

Contraditoriamente, ao lado desse quadro sinistro de guerra, o mundo adentra num momento novo da resistência contra essa ofensiva do imperialismo. As gigantescas manifestações pela paz ocorridas no histórico 15 de fevereiro, o acirramento das contradições interimperialistas, a tomada de posição de um grande número de países contra a guerra, sinalizam o surgimento de uma contestação inédita ao hegemonismo norte-americano desde o início dos anos 90, quando houve a dissolução da União Soviética.

Nesse quadro, a continuidade e o fortalecimento da jornada contra a guerra imperialista e a luta pela paz adquire uma dimensão especial entre as tarefas do Partido Comunista do Brasil. No presente contexto, a luta pela paz, de larga adesão e apoio na sociedade, é ampla e, ao mesmo tempo, radical, pois se choca diretamente contra a investida do imperialismo. São múltiplas e diversificadas as ações possíveis de serem realizadas.

O Partido, utilizando o conjunto de suas relações políticas, deve contribuir com a criação ou reforço de fóruns unitários em defesa da paz. Esses fóruns podem abarcar partidos políticos, o conjunto do movimento social, igrejas, casas legislativas, governos estaduais e prefeituras. Essa amplitude possibilitará a realização de grandes e representativas ações.

Mas, além das ações unitárias, o Partido com a bandeira da paz nas mãos deve, por iniciativas variadas, ir ao encontro do povo, mobilizando os mais variados segmentos sociais contra a guerra. Organismos partidários, grupos de militantes, podem ocupar praças e avenidas em atividades, mesmo que pequenas, de agitação, de denúncia. Do mesmo modo podem ser organizados debates e conferências em universidades, escolas, bairros; sessões especiais nas casas legislativas, bem como pronunciamentos e aprovação de moções etc.

Com o objetivo de colocar essa questão no centro da atividade partidária, orientamos que rapidamente sejam realizadas plenárias de militantes. Nesses eventos, além de debater o tema da guerra, pode-se, com clareza, sistematizar ações possíveis e concretas conforme a realidade de cada lugar.

Ao defender a paz, com entusiasmo e combatividade, além de cumprir suas responsabilidades, o Partido reforçará sua credibilidade e ganhará com certeza o reforço de novos(as) militantes que irão ver no Partido Comunista uma força ativa na defesa da paz e no combate ao imperialismo.

São Paulo, 7 de março de 2003.
Secretariado Nacional do Partido Comunista do Brasil – PCdoB

Conferência do PCdoB debaterá mudanças do governo Lula

O Partido Comunista do Brasil deverá realizar uma Conferência Nacional para discutir a substancial mudança ocorrida no quadro político brasileiro com a instalação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Reunida nos dias 23 e 24 de fevereiro, em São Paulo, a Comissão Política decidiu levar à 5ª reunião do Comitê Central, marcada para os dias 22 e 23 de março, a proposta da convocação da 9ª Conferência Nacional do PCdoB.

“A vitória de Lula e das forças de esquerda e progressistas nas eleições de 2002 sinalizou uma elevação do nível de consciência política do povo e dos trabalhadores, colocando novos desafios e tarefas para os comunistas”, afirmou na reunião o presidente do PCdoB, Renato Rabelo. Ele destacou que a dimensão da vitória “vai além dos marcos do plano nacional. Impôs um revés político ao imperialismo hegemônico e à oligarquia financeira, possibilitando a abertura de uma via alternativa à política neoliberal dominante”.

O dirigente comunista considera que, mesmo num quadro adverso, de defensiva das forças revolucionárias, o novo governo pode atuar “no sentido do desenvolvimento, de recomposição do Estado nacional e de mudanças efetivas nos fundamentos econômicos vigentes”. Uma nova estratégia, “tendo o desenvolvimento e geração de emprego como centro”, pode ser adotada por Lula.

É nesta perspectiva que o PCdoB analisa as reformas que estão sendo propostas à sociedade: “Essas reformas, da Previdência, Trabalhista, Tributária e Política, foram apresentadas pelo governo anterior. Nosso objetivo é discuti-las num sentido democrático, desenvolvimentista, de distribuição de renda. É todo um projeto de Brasil que está sendo colocado em disputa. Temos que participar desse debate de forma contundente. O Partido deve ser fortalecido e ter uma estrutura apropriada para esse novo cenário. A Conferência debaterá um conjunto de questões visando estar à altura dos desafios presentes”.

Um calendário nacional da Conferência está sendo elaborado para envolver os militantes nos debates sobre a nova realidade política do país e a nova orientação, a construção partidária, a relação com as massas e as organizações populares, a luta pela paz, etc. “O novo governo convive com a velha ordem e a velha orientação econômica. A nova ordem e a nova orientação ainda estão em definição. A orientação atual vai se esgotando, com seu cunho ortodoxo neoliberal. Há uma grita em todo o país por uma nova orientação, desenvolvimentista, nacional e popular. A recessão não é a saída — o Brasil precisa crescer, e não encolher. O centro de nossa tática é o êxito do governo na construção desta nova orientação. O governo Lula deve ser um instrumento transformador. Estamos empenhados em trilhar um novo caminho para o nosso país, e aglutinar forças para essa saída desenvolvimentista”, afirmou Renato.

A Conferência Nacional envolve um amplo processo que ocorrerá em todo o país, com sessões distritais, municipais e estaduais e uma plenária nacional. A proposta que será levada ao Comitê Central propõe o início dos debates em 1º de abril e a sessão plenária de encerramento de 26 a 29 de junho. Será publicada a “Tribuna de Debates” com artigos dos militantes sobre o temário e serão eleitos quase 300 delegados para a plenária final.

Ao longo de seus mais de 80 anos de existência, o Partido Comunista do Brasil realizou dez congressos – o primeiro, encerrado em 25 de março de 1922, foi o da fundação do Partido, e ocorreu na clandestinidade, pois o país estava sob Estado de Sítio. O mais recente aconteceu em dezembro de 2001.

Entre um congresso e outro, foram realizadas várias conferências nacionais, algumas de importância histórica, como a 2ª, realizada na Serra da Mantiqueira; a Conferência Extraordinária de 1962, que retomou o nome “Partido Comunista do Brasil”, a 7ª Conferência, realizada na Europa, em duras condições de clandestinidade, nos estertores da ditadura militar.

Campanha de filiação

Está no rádio e na TV uma campanha do Partido Comunista do Brasil. No dia 27 de março será formada uma cadeia nacional de dez minutos de duração, quando o Partido apresentará suas idéias sobre a situação política.

Também através de outdoors, cartazes em ônibus, panfletagens, balões promocionais e outros instrumentos o PCdoB convida as pessoas comprometidas com o processo de mudanças a ingressar no Partido.

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