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Uma pesquisa
do Instituto Gallup realizada em 41 países indica que apenas em dois
deles, Inglaterra e Austrália, há uma tendência majoritária na opinião
pública de apoio à guerra que os Estados Unidos preparam contra o
Iraque. O grau de rejeição dos povos à escalada bélica de Bush é tal
que a referida pesquisa recebeu a denominação de “a solidão da
superpotência.”
De fato, os números atestam a consciência e o sentimento dos povos
pela paz já explicitados em manifestações realizadas em todas as
partes do mundo. Apesar de toda a manipulação da máquina de
comunicação e propaganda norte-americana inculcando a falsa mensagem
de que se trata de uma ação preventiva contra o terror, aos povos
parece estar nítido que se trata de uma velha guerra de saque e
pilhagem. E que desta vez o alvo da cobiça é a reserva de petróleo do
Iraque.
Segundo o Gallup, a guerra é condenada por 51% dos dinamarqueses,
61% dos franceses, 71% dos alemães, 79% dos russos e 70% dos
espanhóis. Já na Inglaterra, a opinião dos britânicos está dividida:
44% são favoráveis e 43% são contra. Essa divisão do povo britânico é
o que, talvez, explique a recente flexibilidade do primeiro-ministro
Tony Blair no que se refere ao procedimento de desencadear a ocupação.
Quanto à Austrália, mesmo com a incômoda condição de ser o único país
no qual uma maioria de 53% apóia a guerra, o seu governo se viu
obrigado a fazer manobras quanto à política de total alinhamento a
Washington.
Essa pesquisa ressalta ainda mais a importância de as forças
progressistas e democráticas do Brasil empenharem-se em manifestações
que expressem a condenação do povo brasileiro a essa aventura
guerreira norte-americana.
No âmbito das Casas Legislativas, o exemplo dado pelos deputados
federais, que, logo no dia solene da posse, realizaram um protesto
contra a guerra, pode se estender às Câmaras Municipais e às
Assembléias Legislativas com iniciativas que simbolizem o
posicionamento de cada cidade, de cada unidade da Federação.
De igual modo é importante que as bandeiras da paz ganhem as ruas e
praças em pequenas e grandes manifestações. Todo um conjunto de
iniciativas que nessa hora se realizem devem desembocar nas
manifestações programadas para o próximo dia 15 de fevereiro, data
aprovada no 3º Fórum Social Mundial de Porto Alegre como o dia mundial
contra a guerra imperialista e em defesa da paz.
Mas, se os povos se movimentam pela paz, o governo Bush segue o seu
itinerário macabro de militarização do planeta. Explorando e
manipulando o clima de medo e insegurança que passou a marcar a vida
dos norte-americanos pós 11 de setembro, Bush enviou ao Congresso, no
último dia 3, o maior orçamento militar da história dos Estados
Unidos. De um montante de US$ 2,2 trilhões – correspondente ao
orçamento federal para ano fiscal de 2004 –, Washington destina ao
Pentágono US$ 379,9 bilhões. A esse total acrescentam-se as despesas
de outros ministérios referentes à defesa e, ao final, pela vontade de
Bush, os Estados Unidos irão gastar US$ 399,9 bilhões. Destaca-se que
os gastos quanto à hipotética guerra contra o Iraque não estão
contidos nesses números.
A Casa Branca pretende elevar, até o final da década, o orçamento
militar à ordem de US$ 483 bilhões. Para efeito comparativo, basta
dizer que a China, mundialmente a segunda colocada em orçamento
militar, destina, por ano, US$ 40 bilhões às Forças Armadas. No caso
do Brasil o montante aplicado à defesa gira em torno de US$ 8 bilhões.
Nessa dotação astronômica de recursos, o governo Bush pretende
alavancar o chamado Departamento de Segurança Interna, criado,
recentemente, com o propósito de combate ao terror. Nesse particular,
o chamado Comando de Operações Especiais, criado para intervir em
qualquer país, aumentará de 47 mil para 51 mil efetivos. Sob o
pretexto de combate ao terror, esse “comando” poderá assassinar
opositores à política norte-americana em todas as partes do globo.
O mundo segue, portanto, regido, nesse início de ano, por esse
confronto de duas tendências: o imperialismo norte-americano, que
maquina a guerra a qualquer preço, e os povos, que a ela se opõem e
defendem a paz.
Embora a probabilidade principal seja a eclosão da guerra, ela
ainda poderá ser sustada a depender do acirramento das contradições
entre as potências imperialistas e da envergadura que venha assumir em
diferentes países a manifestação dos povos contra a ofensiva bélica do
governo Bush.
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