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Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 220

fevereiro/2003

 

CAPA

Os povos contra a guerra
Lula abre novo ciclo no Brasil
Fórum discute novo mundo e exige paz
Um senador índio e comunista
PCdoB no governo federal
 

PCdoB

Edgard Carone deixa importante legado sobre o Brasil e as lutas do povo
Um balanço da administração Marta
Comunistas destacam-se ao tomar posse na Câmara de Salvador
Vereadora comunista toma posse em Juiz de Fora
Vermelho entre os 10 melhores sítios políticos
Felicitações de final de ano
 

MOVIMENTO

15 de fevereiro de 2003: dia de dizer não à guerra imperialista e sim à paz
PCdoB propõe formação de comitês pela paz
Parlamentares discutem ação contra a guerra no Iraque
Combatividade num fórum diferente
Uma onda de cidadania
 

INTERNACIONAL

Nova declaração de guerra
Um mundo em conflito
Missão parlamentar internacional vai ao Iraque defender a paz
Chávez prega unidade da América Latina contra neoliberalismo
Cubanas denunciam, no FSM, prisão arbitrária de parentes nos EUA
 

NACIONAL

Nasce um novo Brasil
PCdoB e PT analisam governo Lula
Aldo Rebelo: “quem apóia o governo tem de participar do Executivo”
As vitórias de Sarney e João Paulo no Congresso
“Vamos colocar 5 milhões de jovens fazendo esporte no Brasil”
PCdoB: “Onze guerreiros no parlamento”
Reforma, que reforma?
Apurinã quer levar ao Senado o orgulho dos povos indígenas
PCdoB passa a ter dois vereadores em Fortaleza
 

ESPECIAL

A globalização e seus malefícios

 

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CAPA

Os povos contra a guerra

Uma pesquisa do Instituto Gallup realizada em 41 países indica que apenas em dois deles, Inglaterra e Austrália, há uma tendência majoritária na opinião pública de apoio à guerra que os Estados Unidos preparam contra o Iraque. O grau de rejeição dos povos à escalada bélica de Bush é tal que a referida pesquisa recebeu a denominação de “a solidão da superpotência.”

De fato, os números atestam a consciência e o sentimento dos povos pela paz já explicitados em manifestações realizadas em todas as partes do mundo. Apesar de toda a manipulação da máquina de comunicação e propaganda norte-americana inculcando a falsa mensagem de que se trata de uma ação preventiva contra o terror, aos povos parece estar nítido que se trata de uma velha guerra de saque e pilhagem. E que desta vez o alvo da cobiça é a reserva de petróleo do Iraque.

Segundo o Gallup, a guerra é condenada por 51% dos dinamarqueses, 61% dos franceses, 71% dos alemães, 79% dos russos e 70% dos espanhóis. Já na Inglaterra, a opinião dos britânicos está dividida: 44% são favoráveis e 43% são contra. Essa divisão do povo britânico é o que, talvez, explique a recente flexibilidade do primeiro-ministro Tony Blair no que se refere ao procedimento de desencadear a ocupação. Quanto à Austrália, mesmo com a incômoda condição de ser o único país no qual uma maioria de 53% apóia a guerra, o seu governo se viu obrigado a fazer manobras quanto à política de total alinhamento a Washington.

Essa pesquisa ressalta ainda mais a importância de as forças progressistas e democráticas do Brasil empenharem-se em manifestações que expressem a condenação do povo brasileiro a essa aventura guerreira norte-americana.

No âmbito das Casas Legislativas, o exemplo dado pelos deputados federais, que, logo no dia solene da posse, realizaram um protesto contra a guerra, pode se estender às Câmaras Municipais e às Assembléias Legislativas com iniciativas que simbolizem o posicionamento de cada cidade, de cada unidade da Federação.

De igual modo é importante que as bandeiras da paz ganhem as ruas e praças em pequenas e grandes manifestações. Todo um conjunto de iniciativas que nessa hora se realizem devem desembocar nas manifestações programadas para o próximo dia 15 de fevereiro, data aprovada no 3º Fórum Social Mundial de Porto Alegre como o dia mundial contra a guerra imperialista e em defesa da paz.

Mas, se os povos se movimentam pela paz, o governo Bush segue o seu itinerário macabro de militarização do planeta. Explorando e manipulando o clima de medo e insegurança que passou a marcar a vida dos norte-americanos pós 11 de setembro, Bush enviou ao Congresso, no último dia 3, o maior orçamento militar da história dos Estados Unidos. De um montante de US$ 2,2 trilhões – correspondente ao orçamento federal para ano fiscal de 2004 –, Washington destina ao Pentágono US$ 379,9 bilhões. A esse total acrescentam-se as despesas de outros ministérios referentes à defesa e, ao final, pela vontade de Bush, os Estados Unidos irão gastar US$ 399,9 bilhões. Destaca-se que os gastos quanto à hipotética guerra contra o Iraque não estão contidos nesses números.

A Casa Branca pretende elevar, até o final da década, o orçamento militar à ordem de US$ 483 bilhões. Para efeito comparativo, basta dizer que a China, mundialmente a segunda colocada em orçamento militar, destina, por ano, US$ 40 bilhões às Forças Armadas. No caso do Brasil o montante aplicado à defesa gira em torno de US$ 8 bilhões. Nessa dotação astronômica de recursos, o governo Bush pretende alavancar o chamado Departamento de Segurança Interna, criado, recentemente, com o propósito de combate ao terror. Nesse particular, o chamado Comando de Operações Especiais, criado para intervir em qualquer país, aumentará de 47 mil para 51 mil efetivos. Sob o pretexto de combate ao terror, esse “comando” poderá assassinar opositores à política norte-americana em todas as partes do globo.

O mundo segue, portanto, regido, nesse início de ano, por esse confronto de duas tendências: o imperialismo norte-americano, que maquina a guerra a qualquer preço, e os povos, que a ela se opõem e defendem a paz.

Embora a probabilidade principal seja a eclosão da guerra, ela ainda poderá ser sustada a depender do acirramento das contradições entre as potências imperialistas e da envergadura que venha assumir em diferentes países a manifestação dos povos contra a ofensiva bélica do governo Bush.

Leia mais em Movimento e Internacional

Lula abre novo ciclo no Brasil


Genoino, Jô, Renato Rabelo e Jussara Cony no Fórum

A vitória de Lula “representa a abertura de um novo ciclo da história política do nosso país, não se tratando de simples alternância de governo”, afirmou o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, no seminário “Nasce um novo Brasil: o significado da eleição de Lula e a responsabilidade para consolidar o governo da mudança”, promovido pelo Instituto Maurício Grabois durante o 3º Fórum Social Mundial.

Leia a íntegra da intervenção do dirigente comunista no caderno Nacional

Fórum discute novo mundo e exige paz


Um outro mundo, sem guerra, é possível
Mulheres e homens vindos de mais de 150 países, de mãos unidas, transformaram em força viva o lema do Fórum Social Mundial: “Um outro mundo é possível”. O que mais diferenciou este III Fórum Social Mundial dos anteriores foi a unanimidade dos participantes na condenação da guerra. Essa atitude não se expressou somente na veemência da repulsa pelo discurso imperial dos EUA, pela sua ambição de domínio planetário através da violência. A rejeição da globalização de figurino neoliberal como complemento intrínseco do Novo Imperialismo acompanhou permanentemente o Não às guerras anunciadas e aos genocídios e agressões promovidos ou encorajados pelo monstruoso sistema de poder estadunidense.

O desfile de estrelas e de atores pelos múltiplos cenários do Fórum permitiu debates entre os que atribuem aos movimentos sociais o papel de conter e derrotar a globalização neoliberal e imperialista, reformando o mundo e as forças que consideram o capitalismo irrecuperável e acreditam que as organizações e partidos revolucionários tendem a fortalecer-se e a desempenhar, lutando ombro a ombro com os movimentos sociais, um papel insubstituível na luta pela destruição do sistema que ameaça a continuação da humanidade.

Um senador índio e comunista
Antônio Ferreira Apurinã será, em abril, o primeiro indígena brasileiro a ocupar uma cadeira no Senado da República. Militante do PCdoB há 12 anos e membro do Comitê Estadual do Partido no Acre, será também o primeiro comunista brasileiro a ocupar uma cadeira no Senado desde a cassação do mandato de Luiz Carlos Prestes, 54 anos atrás.

“Levo de antemão uma vontade de caprichar. Estou atento para não fazer nada errado, vou ter muito cuidado para corresponder. Estou curioso. E estou adorando! Como cidadão indígena, é um motivo de orgulho para mim e o meu povo. Não vai ser fácil. Mas vai ficar impresso na minha vida e na do meu povo”.

PCdoB no governo federal

Pela primeira vez na história, o Partido Comunista do Brasil participa do primeiro escalão do governo da República. O presidente Lula nomeou o deputado federal Agnelo Queiroz (DF) ministro do Esporte e o deputado federal Aldo Rebelo (SP) líder do governo na Câmara. Aldo, por sua vez, indicou o deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB/PE) para ser um de seus cinco vice-líderes.

Leia entrevista de Aldo Rebelo e Agnelo Queiroz no Caderno Nacional

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