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CAPA

Queremos trabalhar

O Brasil não pode esperar: é hora de crescimento e emprego
"Palocci, ou abaixa o superávit, ou os juros, um dos dois tem que cair. É difícil a convivência com os dois juntos, poupe-me” – embora o tom seja de oposição, este desabafo foi feito pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ministro da Fazenda, reforçando a necessidade de mudar o modelo econômico para o Brasil voltar a crescer e a gerar empregos.
É uma grita geral, que vai dos trabalhadores da cidade e do campo, dos professores, bancários, funcionários públicos, industriais. Inclui ministros e, pode-se ver, o próprio presidente da República. Esse é o rumo em que o Partido Comunista do Brasil insiste desde a eleição de Lula, em 2002, quando chamou a atenção para a transição que se iniciava.
O PCdoB tem razão: é preciso levar o país a um novo rumo de desenvolvimento; é preciso completar a transição e superar a política macroeconômica ortodoxa que trava o desenvolvimento e impede a criação de empregos. 
O Brasil, e os trabalhadores em especial, não pode esperar: é hora de crescimento e emprego. Mas alcançar um novo modelo não depende apenas do governo federal, e a participação da sociedade e do povo é fundamental, para o país alcançar o pacto pelo desenvolvimento exigido pela grande maioria de trabalhadores, empresários, setores médios que anseiam pela volta do desenvolvimento. 
É preciso traduzir este sentimento em apoio concreto, visível em todos os setores da sociedade brasileira. Entre o aventureirismo voluntarista e a paralisia conservadora, o Brasil precisa construir o caminho para a mudança que valorize o trabalho, consolide a democracia e reforce a soberania nacional. A mobilização dos trabalhadores tem um papel central nessa construção. João Batista Lemos, membro do Comitê Central e Secretário Sindical Nacional do PCdoB chama a atenção para este ponto. “É indispensável”, diz ele, “elevar ao plano político mais geral a consciência, a mobilização e a luta dos movimentos sociais, em especial do sindicalismo. Passos significativos, como o apoio à eleição de Lula, têm sido dados nessa direção, mas será preciso avançar mais. Faz-se necessário trazer os trabalhadores para o combate político de massas”. 
É necessário reorientar a política econômica

RENATO RABELO*

Renato: propostas para o novo rumo

O atual patamar da luta pela mudança, o centro do debate deixa de ser a manutenção da orientação ortodoxa da política macroeconômica. No período inicial, as adversidades para a governabilidade eram grandes e, de certo modo, justificaram as medidas “amargas”. Atualmente, o centro do debate é a consolidação da política macroeconômica vigente versus a sua negação e insustentabilidade. Isso se reflete na discussão sobre Estado soberano ou mercado onipotente; autonomia na política econômica ou preceitos do FMI; rentismo ou produção; credibilidade do mercado ou credibilidade do povo.

Nosso Partido já apresentou propostas que indicam o novo rumo de que o país necessita, entre as quais se destaca a reorientação da política econômica, mudando as bases de sua sustentação.

* presidente do PCdoB

 

EDITORIAL

Socialismo, ideal dos trabalhadores

O Partido Comunista do Brasil é o partido do socialismo, desde a origem, em 1922, quando brotou da luta dos trabalhadores que o fundaram para ter um instrumento de participação no cenário político nacional. Defendeu os direitos dos trabalhadores, a democracia e soberania de nosso país. Enfrentou a ditadura do Estado Novo e, mais tarde, o regime militar de 1964. 

O socialismo é o regime dos trabalhadores, e o PCdoB luta por ele e pela conquista dos objetivos imediatos dos trabalhadores. Dirigiu ou participou de acontecimentos importantes, como o movimento da ANL, em 1935, ou a Guerrilha do Araguaia, nas décadas de 1960 e 1970. Esteve à frente de grandes ações de massa, como o Movimento Contra o Custo de Vida, na década de 1970. Defendeu a anistia, a Constituinte e o fim da ditadura militar. Esteve à frente da campanha Diretas Já e, em 1985, teve importante papel na eleição do presidente Tancredo Neves. Em 1987/88, a bancada comunista defendeu os trabalhadores, a democracia e a Nação na Assembléia Constituinte. Em 1989, apoiou a candidatura de Lula para presidente, e repetiu esse apoio em 1994, 1998 e 2002. A eleição de Lula abriu uma página nova na história, levando à Presidência da República um operário e líder sindical. E também os comunistas, que ocupam ministérios no governo – uma situação nova para o PCdoB. Hoje, o objetivo principal da política do PCdoB é fortalecer o governo Lula na busca de um novo rumo para o país. Um governo cujo sucesso poderá significar a abertura do caminho para a conquista de um novo rumo para nosso povo e para a humanidade – o horizonte do socialismo.

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