Geral

31 de maio de 2012 - 17h12

Literatura de cordel: uma ferramenta estimulante na sala de aula


A literatura de cordel tem servido de inspiração para professores e alunos como na Escola Municipal Prefeito Walter Dória de Figueiredo, em Rio Largo, Alagoas. Lá, é desenvolvido o projeto Sinhô Cordel, com estudantes do oitavo ano do ensino fundamental. A rede pública na região metropolitana de Natal também tem utilizado o recurso para estimular a leitura.



foto: onordeste.com

A professora Polyanna Paz de Medeiros Costa é a responsável pelo projeto, que estimula os alunos a participar de várias atividades, como leitura e discussão dos temas explorados pela literatura de cordel; audição de versos declamados pelo cordelista alagoano Demis Santana; produção de cordel e desenhos manuais. Os estudantes também participam de dramatizações de textos de cordel, de autoria própria, ao som de músicas regionais, como do compositor Luiz Gonzaga (1912-1989).

“Os textos cordelistas são grande aliados nas estratégias de leitura e compreensão de fatos da realidade”, defende Polyanna. Formada em letras, com habilitação em português e literatura, especialização em mídias na educação e em novos saberes e fazeres da educação básica, ela está há dez anos no magistério. Polyanna também lecionou e desenvolveu o projeto Sinhô Cordel nas escolas Mário Gomes de Barros, no município de Novo Lino, e Alfredo Gaspar de Mendonça, em Maceió.

A docente ressalta que a literatura de cordel integra o patrimônio histórico do povo nordestino. “Ela é ensinada ao aluno para que ele reconheça que a linguagem é um meio fundamental na construção tanto de significados e conhecimentos quanto da identidade do ser humano”, explica Polyanna, reforçando que o mundo exige mais criatividade, senso crítico e capacidade de interpretação, o que é bastante trabalhado com o cordel.

Rio Grande do Norte

Em Parnamirim, região metropolitana de Natal (RN), a literatura de cordel é estimulada nas unidades de ensino. Além do projeto Cordel na Escola, da secretaria municipal de Educação, algumas instituições desenvolvem experiências próprias como na Escola Municipal Professora Íris de Almeida Matos. Lá, é feito um trabalho com literatura de cordel há três anos.

De acordo com a diretora, Andréia Cristiane dos Santos Xavier, a escola sempre desenvolveu atividades voltadas para a leitura, mas os professores se queixavam da falta de estímulo por parte das famílias. “Isso me causava inquietação”, diz Andréia. Ao constatar que algumas famílias não podiam oferecer instrumentos de leitura, tanto por questões financeiras quanto por falta de interesse, a comunidade escolar acolheu a demanda e iniciou uma mobilização. As primeiras atividades foram um carrinho literário e rodas de leitura.

Após perceber o interesse das crianças, diversos proejtos foram criados até chegar ao Sopa de Letrinhas Sabor Cordel, com o cordelista José Acaci. Ficou acertado, então, que este ano a escola seria uma das instituições participantes do projeto Cordel na Escola, da secretaria de Educação, que a cada ano reúne quatro escolas.

Segundo a diretora, com a realização do Sopa de Letrinhas (projeto que deu origem ao trabalho com cordel) foi possível observar diversas melhorias no comportamento dos alunos. Aumentou o interesse pela leitura, interpretação e escrita de textos, houve desenvolvimento da criatividade e do respeito em ouvir o outro.

Os estudantes também ganharam postura ao se apresentar em público e se tornaram mais participativos. A escola, que tem 500 alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, passou a participar também do projeto Rede Potiguar de Escolas Leitoras, que incentiva a promoção da leitura nas instituições públicas de ensino. (Fátima Schenini)

Grandes nomes do cordel

Os cordelistas escolhidos para estudos em sala de aula são Jorge Calheiros, Davi Teixeira, José Severino Cristovão, Vicente Campos Filho, Gerson Santos, Pedro Queiroz, João Ferreira de Lima, José Pacheco, José Francisco Borges, Pedro Costa e Antônio Gonçalves da Silva.

"O cordel é um tipo de poesia popular, impressa em folhetos e veiculada em feiras ou praças", define a professora nordestina.

O cordel teve origem em Portugal, por volta do século 17, quando era escrito em folhas volantes, também denominadas folhas soltas. Como tinha um aspecto rudimentar, era comercializado nas feiras, praças e ruas preso a um cordel ou barbante, o que facilitava a exposição.

Fonte: Jornal do Professor/MEC
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