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"0 maior erro do Iskra nesse aspecto”,
escreve B. Kritchévski que nos censura pela
tendência de, “isolando a teoria da prática,
transformar a primeira em uma doutrina morta” (Rab.
Dielo, nº 10, p. 30), "é o seu 'plano' de uma
organização geral do Partido" (isto é, o artigo
“Por Onde Começar?"). Martynov lhe faz coro e
declara que "a tendência do Iskra em diminuir a
importância da marcha progressiva da obscura luta
cotidiana, em relação à propaganda de idéias
brilhantes e acabadas... foi coroada pelo plano de
organização do partido, proposto no artigo "Por
Onde Começar?" publicado no número 4 desse jornal"
(Idem, p. 61).
Enfim, ultimamente, àqueles a quem esse
"plano" agastou (as aspas exprimem a ironia quanto
a isso),juntou-se L. Nadejdine que, em uma
brochura que acabamos de receber - Às Vésperas da
Revolução (editada pelo "grupo revolucionário
socialista" Svoboda, que já conhecemos) - declara
que "falar agora de uma organização cujos fios
seriam atados a um jornal para toda a Rússia, é
produzir em profusão idéias abstratas e um
trabalho de gabinete" (p. 126), é fazer
"literatura falsificada" etc.
A solidariedade de nosso terrorista com os
partidários da "marcha progressiva da obscura luta
quotidiana" não nos poderia espantar: indicamos as
raízes desse parentesco nos capítulos sobre a
política e a organização. Mas, desde já devemos
observar que L. Nadejdine, e somente ele, tentou
conscienciosamente penetrar no sentido do artigo
que lhe desagradou, ao qual tentou responder em
profundidade, enquanto o Rab. Dielo nada disse de
profundo e apenas procurou confundir a questão
através de uma série de procedimentos demagógicos
indignos. E por mais desagradável que seja, é
preciso primeiro perder tempo para limpar as
estrebarias de Augias.
a) Quem se escandalizou com o artigo "Por onde
começar"
Vamos citar o rosário de expressões e exclamações
que o Rabótcheie Dielo lançou sobre nós. "Não é um
jornal que pode criar a organização do Partido,
mas, sim, o contrário"... “Um jornal colocado
acima do Partido, fora de seu controle e
independente do Partido graças à sua própria rede
de agentes"... "Qual foi o milagre que fez com que
o Iskra esquecesse as organizações
sociais-democratas já existentes de fato no
Partido ao qual ele próprio pertence?"... "Os que
possuem firmes princípios e um plano apropriado
são também os, supremos reguladores da luta real
do partido, ao qual ditam a execução do seu
plano"... "O plano relega nossas organizações tão
reais e viáveis ao reino das trevas, e quer dar
vida a uma rede fantástica de agentes"... "Se o
plano do Iskra fosse executado, acabaria por
apagar inteiramente os traços do Partido Operário
Social-Democrata da Rússia, em vias de formação
entre nós"... "O órgão de propaganda torna-se um
legislador incontrolado, autocrata, de toda a luta
revolucionária prática"... “O que deve pensar
nosso partido sobre sua submissão absoluta a uma
redação autônoma" etc. etc.
Como o conteúdo e o tom dessas citações
mostram ao leitor, o Rabótcheie Dielo
escandalizou-se. Entretanto, escandalizou-se não
por si próprio, mas pelas organizações e comitês
de nosso Partido que o Iskra pretensamente
pretende relegar ao reino das trevas e até fazer
apagar os seus traços. Que horror, pensam vocês!
Apenas uma coisa é estranha.
O artigo "Por Onde Começar?" apareceu em
maio de 1901; os artigos do Rabótcheie Dielo, em
setembro de 1901; ora, já estamos na metade de
janeiro de 1902. Durante todos esses cinco meses
(tanto antes como depois de setembro) nenhum
comitê e nenhuma organização levantaram protesto
formal contra essa coisa monstruosa, que quer
relegar comitês e organizações ao reino das
trevas! Ora, durante esse tempo, o Iskra e a
grande maioria das outras publicações locais e não
locais publicaram dezenas e centenas de
informações vindas de todos os pontos da Rússia.
Como pôde acontecer que aqueles que se quer
relegar ao reino das trevas não tenham se
apercebido nem escandalizado com tal coisa, mas,
sim, que uma terceira pessoa tenha sido
melindrada?
Isso ocorreu porque os comitês e as outras
organizações não brincam de "democratismo”, mas
realizam trabalho útil. Os comitês leram o artigo
"Por Onde Começar?", e perceberam que constituía
uma tentativa de "traçar o plano de uma
organização de modo a poder começar sua construção
de todos os lados, e ao mesmo tempo" e como sabiam
e compreendiam perfeitamente que nenhum "desses
lados" pensava em "empreender a construção”,
antes, de se convencer de sua necessidade e da
realidade do plano arquitetônico, naturalmente nem
me smo pensaram em "escandalizar-se” com a extrema
audácia dos homens que declararam no Iskra o
seguinte: "Dada a urgência e a importância dessa
questão, decidimos, de nossa parte, submeter à
consideração dos camaradas o esboço de um plano
que desenvolveremos de forma mais detalhada em uma
brochura já em preparo. “Seria possível, de fato,
quando se considera seriamente tal questão, não
compreender que se os camaradas aceitassem o plano
que lhes era oferecido, executá-lo-iam não por
"submissão”, mas porque estavam convencidos de sua
necessidade para nossa causa comum, e se não o
aceitassem, o "esboço" (que palavra pretensiosa,
não é mesmo?) não permaneceria um simples esboço?
Na verdade, não constitui demagogia o fato de se
declarar guerra a um esboço de plano, não apenas
"demolindo-o completamente" e aconselhando aos
camaradas a rejeitá-lo, mas ainda voltando os
homens pouco competentes em matéria de revolução
contra os autores do esboço, pelo simples fato de,
ousarem legislar”, de se colocarem como
"reguladores supremos”, isto é ousarem pregar um
esboço de plano? Nosso partido pode desenvolver-se
e seguir adiante, quando uma tentativa de elevar
os militantes locais para concepções e objetivos
de planos mais amplos etc., recebe objeções não
somente porque essas concepções parecem falsas,
mas também fica-se "escandalizado” pela
“preocupação” de nos elevarmos? Assim, L.
Nadejdine, por exemplo, também "demoliu
completamente" nosso plano, mas não se deixou
levar por uma demagogia que não poderia ser
explicada senão pela ingenuidade ou pelo caráter
primitivo das concepções políticas; desde o início
repudiou deliberadamente a acusação de se
colocarem "inspetores do Partido" para esse fim.
Portanto, pode-se e deve-se responder em
profundidade a crítica do plano feita por
Nadejdine, e responder ao Rabótcheie Dielo apenas
com o desprezo.
Mas o desprezo pelo escritor que se rebaixa
a ponto de censurar a “autocracia" e a
“submissão”, não nos dispensa da obrigação de
desfazer a confusão que essas pessoas criam no
leitor. Aqui, podemos demonstrar claramente a
todos, de que qualidade são essas frases correntes
sobre a "ampla democracia". Acusam-nos de esquecer
os comitês, de querer ou tentar relegá-los ao
reino das trevas etc. O que responder a essas
acusações, quando não podemos contar ao leitor
quase nada de real sobre nossas relações práticas
com os comitês - por razões ligadas à conspiração?
As pessoas que lançam uma acusação áspera, que
irrita a multidão, levam vantagem por sua
desenvoltura, pelo desdém demonstrado pelos
deveres do revolucionário, que esconde
cuidadosamente dos olhos do mundo as relações e
ligações que realiza, que estabelece ou procura
estabelecer. Compreende-se porque renunciamos de
uma vez por todas a competir com essas pessoas no
campo da “democracia". Quanto ao leitor não
iniciado em todos os assuntos do Partido, o único
meio de preencher nosso dever em relação a ele, é
contar não o que existe ou o que se encontra im
Werden, mas uma pequena parte do que já aconteceu,
e já se pode falar como coisa passada.
O Bund faz alusão à nossa "usurpação*1"; a
“União” sediada no estrangeiro nos acusa de querer
fazer desaparecer os traços do Partido. Olhem,
Senhores, terão plena satisfação quando expusermos
ao público quatro fatos extraídos do passado.
O primeiro fato*2. Os membros de uma das
"Uniões de luta", que tiveram participação direta
na formação de nosso Partido e no envio de um
delegado ao congresso que fundou o Partido,
entenderam-se com um dos membros do grupo Iskra
para criar uma biblioteca operária especial a fim
de atender às necessidades de todo o movimento
operário. Não se conseguiu criar uma biblioteca
operária e as brochuras escritas para ela, As
Tarefas dos Sociais-Democratas Russos e A Nova Lei
Operária, chegaram por vias transversas e por
intermédio de terceiros ao estrangeiro, onde foram
impressas.
O segundo fato. Os membros do Comitê
Central do Bund propuseram a um dos membros do
grupo Iskra montar, como então se expressou o Bund,
um “laboratório literário". E lembraram que se
isso não fosse conseguido, nosso movimento poderia
sofrer um recuo sensível. A brochura intitulada A
Causa Operária na Rússia*3 foi a conseqüência das
negociações.
O terceiro fato. O Comitê Central do Bund,
por intermédio de uma pequena cidade de província,
propôs a um dos membros do Iskra assumir a direção
da Rabótchaia Gazeta a ser reinstituída; a
proposta naturalmente foi aceita, e depois
modificada; foi proposta a colaboração, uma nova
combinação com a intervenção da redação. E,
naturalmente. nova aceitação. Foram enviados
artigos (que se conseguiu conservar):
“Nosso Programa” - com um protesto direto
contra a “bernsteiniada" e a reviravolta ocorrida
na literatura legal e na Rabótchaia Mysl; "Nossa
Tarefa Imediata" (“a organização de um órgão do
partido que apareça regularmente, e esteja
estreitamente ligado a todos os grupos locais", as
insuficiências do "trabalho artesanal"
predominante); "Uma Questão Urgente” (análise da
objeção segundo a qual é preciso, primeiro,
desenvolver a ação dos grupos locais, antes de se
proceder à ação de um órgão comum; insistia-se
sobre a importância primordial da “organização
revolucionária", - sobre a necessidade de trazer
para a organização, a disciplina, e a técnica do
trabalho clandestina elevada à mais alta
perfeição”). A proposta de fazer reaparecer a
Rabótchaia Gazeta não foi realizada, e os artigos
não foram impressos.
O quarto fato. O membro do Comitê, que
organizou o segundo congresso ordinário de nosso
Partido, deu conhecimento a um membro do grupo
Iskra do programa do congresso, e propôs a
candidatura desse grupo para as funções de redator
da Rabótchaia Gazeta a ser reinstituída. Tal
providência, por assim dizer preliminar, foi em
seguida sancionada também pelo Comitê ao qual
pertencia, bem como pelo Comitê central do Bund; o
grupo Iskra foi informado do lugar e da data do
congresso, e (não fora assegurada, por
determinadas razões, a possibilidade de enviar um
delegado a esse congresso) também redigiu um
relatório escrito especialmente para o congresso.
O relatório exprimia a idéia de que a eleição do
comitê central, em si, não nos permitiria resolver
o problema da união nesse período de plena
dispersão que vivemos, mas que, no caso de
ocorrerem novas ondas de prisões, o que é mais do
que provável que aconteça nas atuais e precárias
condições do trabalho clandestino, ainda assim
arriscaríamos a comprometer uma grande idéia:
fundar um partido; era preciso, portanto, começar
convidando todos os comitês e todas as outras
organizações para apoiar o órgão comum
reinstituído, que realmente ligaria todos os
comitês através de laços efetivos, e prepararia
realmente um grupo que assumiria a direção de todo
o conjunto do movimento; os comitês e o Partido
poderiam, então, transformar facilmente esse grupo
criado pelos comitês em um comitê central, a
partir do momento em que esse grupo crescesse e
adquirisse forças. O congresso, entretanto, não
pôde reunir-se por causa de uma série de
detenções, e o relatório foi destruído por
questões de segurança, após ter sido lido apenas
por alguns camaradas, entre eles os delegados de
um comitê.
Agora, julgue o próprio leitor sobre a
natureza de métodos como a alusão à usurpação, da
parte do Bund, ou o argumento do Rabótcheie Dielo,
que pretende termos nós proposto relegar os
comitês ao reino das trevas, “substituir” a
organização do Partido pela organização da difusão
das idéias de um jornal. Sim, foi justamente
perante esses comitês, após vários convites que
deles partiram, que apresentamos relatórios sobre
a necessidade de aceitar um determinado plano de
trabalho comum. Foi justamente para a organização
do Partido que elaboramos esse plano nos artigos
destinados à Rabótchaia Gazeta e em um relatório
para o congresso do Partido, e isso após termos
sido convidados por aqueles que ocupavam posição
tão influente no Partido, que assumiam a
iniciativa de sua reconstituição (prática). E foi
após o fracasso definitivo da nova tentativa de
organização do Partido, para que juntamente
conosco fosse oficialmente renovado o órgão
central do Partido, que julgamos ser nosso
primeiro dever lançar um órgão não oficial a fim
de que, na terceira tentativa, nossos camaradas
pudessem ter diante deles certos resultados
advindos da experiência, e não apenas de
conjecturas hipotéticas. No momento atual, certos
resultados dessa experiência já se encontram
diante de nossos olhos, e todos os camaradas podem
julgar se compreendemos bem nosso dever e a
opinião daqueles que buscam induzir ao erro as
pessoas que ignoram o passado recente, a despeito
de termos mostrado a alguns, sua inconseqüência na
questão “nacional", e a outros, a
inadmissibilidade das vacilações por falta de
princípios.
________________
*1 Iskra, nº 8, resposta do Comitê Central da
União Geral dos Judeus da Rússia e da Polônia, em
nosso artigo sobre a questão nacional,
*2 Deliberadamente apresentamos esses fatos em
ordem diferente daquela em que ocorreram.
*3 Em relação a isso, o autor dessa brochura
pediu-me para dar a conhecer que, tal como suas
brochuras anteriores, também esta foi enviada à
“União”, supondo que o redator de suas publicações
fosse o grupo "Liberação do Trabalho” (dadas as
circunstâncias, não podia no momento, isto é, em
fevereiro de 1899, imaginar a mudança de redação).
Essa brochura será prontamente reeditada pela
Liga.
B) Pode um jornal ser um oganizador coletivo?
O artigo "Por Onde Começar?" apresenta de
essencial a colocação precisa dessa questão e sua
resolução afirmativamente. Segundo sabemos, a
única pessoa que tentou analisar a questão em
profundidade e provar a necessidade de resolvê-la
negativamente foi L. Nadejdine, cujos argumentos
reproduzimos na íntegra:
"...A maneira como o Iskra põe em foco a
necessidade de um jornal para toda a Rússia muito
nos agrada, mas não podemos de forma alguma
admitir que esse ponto de vista identifique-se ao
título do artigo, “Por Onde Começar?.
Inegavelmente isto constitui algo de extrema
importância, mas não é com isso, nem com toda uma
série de panfletos populares, nem com uma montanha
de proclamações que os fundamentos de uma
organização de combate para um momento
revolucionário podem ser lançados. É preciso
abordar a questão da criação de fortes
organizações políticas locais. Não as temos, temos
trabalhado sobretudo entre os operários
instruídos, uma vez que as massas foram conduzidas
quase que exclusivamente para a luta econômica.
Sem fortes organizações políticas locais bem
treinadas, de que serviria um jornal para toda a
Rússia, mesmo que fosse perfeitamente organizado?
Uma sarça ardente que queima sem se consumir, e
que não inflama a ninguém! Ao redor desse jornal,
por esse jornal, o povo reunir-se-á e
organizar-se-á para a ação, assim pensa o Iskra.
Mas, isto será feito de modo muito mais rápido
através da reunião e organização em torno de um
trabalho mais concreto! Isto pode e deve consistir
na criação de jornais locais em grande escala, na
preparação imediata das forças operárias para
manifestações; as organizações locais efetuarão
uma ação constante entre os sem-trabalho (difundir
sem cessar, entre eles, folhas volantes e
panfletos; convocar os sem-trabalho para reuniões,
exortá-los à resistência ao governo etc.) É
preciso empreender localmente um trabalho político
vivo; e quando surgir a necessidade da união nesse
terreno real, não será artificial e não
permanecerá no papel. Não será com jornais que se
poderá unificar o trabalho local em um plano comum
para toda a Rússia" (Às Vésperas da Revolução, p.
54).
Grifamos nessa passagem eloqüente, os trechos que
permitem melhor apreender a falsa idéia que o
autor faz de nosso plano e, em geral, a falsidade
do ponto de vista que ele opõe ao Iskra. Sem
organizações políticas locais, fortes, e bem
treinadas, de nada serviria à Rússia o melhor
jornal que se pudesse fazer. Isto é absolutamente
correto. Infelizmente, para educar pessoas para
formar organizações políticas fortes não há outro
meio senão um jornal para toda a Rússia. O autor
não notou a declaração essencial do Iskra: a que
precede a exposição de seu, "plano"; é preciso
"apelar para a construção de uma organização
revolucionária capaz de reunir todas as forças e
que seja, não apenas nominalmente, mas também, de
fato, a dirigente do movimento, isto é, uma
organização sempre pronta a apoiar cada protesto e
cada explosão, aproveitando-os para aumentar e
fortalecer um exército apto para se dedicar ao
combate decisivo" . Agora, prossegue o Iskra, após
os acontecimentos de fevereiro e de março, todo
mundo em princípio estará de acordo com isso; ora,
não necessitamos de urna solução que se baseie em
princípios, mas de uma solução prática para a
questão. É preciso formular imediatamente um plano
preciso de construção para que, prontamente e de
todos os lados, todo o mundo possa empreender essa
construção. Ora, querem arrastar-nos de novo, para
trás, afastando-nos da solução prática, em
direção, a essa grande verdade, justa em
princípio, incontestável, mas absolutamente
insuficiente e incompreensível para a grande massa
dos trabalhadores: "a formação de organizações
políticas fortes". Não se trata mais disso,
respeitável autor, mas da forma conveniente para
se proceder precisamente à formação e de fato
realizá-la.
É falso que "tenhamos trabalhado sobretudo
entre os operários instruídos, enquanto as massas
conduziam quase que exclusivamente a luta
econômica". Sob esta forma, esta afirmação
desvia-se para a tendência radicalmente falsa, que
a Svoboda sempre apresentou, de opor os operários
instruídos à “massa". Durante esses últimos anos,
os próprios operários, instruídos também
conduziram, entre nós, "de forma quase exclusiva a
luta econômica". Este é o primeiro ponto. Por
outro lado, as massas jamais aprenderão a conduzir
a luta política, enquanto não ajudarmos a formar
dirigentes para essa luta, tanto entre os
operários instruídos, como entre os intelectuais.
Ora, tais dirigentes apenas podem ser educados
iniciando-se na apreciação cotidiana e metódica de
todos os aspectos de nossa vida política, de todas
as tentativas de protesto e de luta das diferentes
classes e por diferentes motivos. Por isso, falar
de "formação de organizações políticas" e ao mesmo
tempo opor "à trabalheira da papelada" de um
jornal político ao "trabalho político vivo no
plano local" é simplesmente ridículo! O Iskra não
procura ajustar o "plano" de seu jornal ao "plano"
que consiste em realizar um "grau de preparação"
que permita apoiar ao mesmo tempo o movimento dos
sem-trabalho, as revoltas camponesas, o
descontentamento dos membros dos zemstvos, “a
cólera da população contra um bachibuzuque
tzarista enfurecido”etc. De fato, todos aqueles
que conhecem o movimento sabem muito bem que a
grande maioria das organizações locais nem mesmo
pensa nisso; que muitos dos projetos de "trabalho
político vivo”, aqui indicados, ainda não foram
executados por nenhuma organização; que, por
exemplo, a tentativa de chamar a atenção para o
crescimento do descontentamento e dos protestos
entre os intelectuais dos zemstvos, descontenta
também a Nadejdine (“Deus! Não é aos membros dos
zemstvos que esse órgão está dirigido?" Às
Vésperas da Revolução, p. 129), aos "economistas"
(carta no nº 12 do Iskra) e a numerosos ativistas.
Nessas condições, pode-se "começar" somente por
isto: incitando as pessoas a pensar em tudo isso,
a totalizar e a generalizar até as menores
manifestações de efervescência e de luta ativa. Em
uma época onde as tarefas da social-dernocracia
são depreciadas, não se pode começar o "trabalho
político vivo" senão através de uma agitação
política viva, o que é impossível sem um jornal
para toda a Rússia, que apareça freqüentemente e
seja difundido de forma regular.
Os que vêem no "plano" do Iskra apenas
"literatura", não o compreenderam em sua essência;
tomaram como fim o que se propõe, no momento
presente, como o meio mais indicado. Essas pessoas
não se deram ao trabalho de refletir sobre as duas
comparações que ilustram esse plano de maneira
relevante. A elaboração de um jornal político para
toda a Rússia - escrevia-se no Iskra - deve ser o
fio condutor: seguindo-o, poderemos desenvolver
ininterruptamente essa organização, aprofundá-la e
alargá-la (isto é, a organização revolucionária
sempre pronta a apoiar todo protesto e
efervescência). Por favor, digam-me: quando, os
pedreiros colocam em diferentes pontos as pedras
de um enorme edifício, de linhas absolutamente
originais, esticam um fio que os ajuda a encontrar
o lugar justo para as pedras, que lhes indica o
objetivo final de todo o trabalho, que lhes
permite colocar não apenas cada pedra, mas até
cada pedaço de pedra que, cimentado ao que o
precedeu e ao que o sucede, formará a linha
definitiva e total. Será isto um trabalho “'de
escrita"? Não é evidente que, hoje, atravessamos
em nosso Partido um período em que, possuindo as
pedras e os pedreiros, falta-nos exatamente esse
fio que fosse visível para todo o mundo e ao qual
cada um pudesse se ater? Deixemos gritar aqueles
que sustentam que, esticando o fio, queremos é
mandar: se assim fosse, Senhores, ao invés de
intitularmos nosso jornal de Iskra nº 1, teríamos
utilizado o nome de Rabótchaia Gazeta nº 3, como
nos fora proposto por alguns camaradas e como
teríamos pleno direito de fazê-lo, após os
acontecimentos relatados anteriormente. Mas não o
fizemos, porque queríamos ter as mãos livres para
combater sem piedade todos os
pseudo-sociais-democratas: a partir do momento em
que nosso fio fosse esticado corretamente,
queríamos que fosse respeitado por sua própria
retidão, e não por ter sido esticado por um órgão
oficial.
"A unificação da atividade local nos órgãos
centrais é uma questão que se movimenta em um
círculo vicioso”, diz sentenciosamente L.
Nadejdine. "Para tal unificação, necessitamos de
elementos homogêneos: ora, essa homogeneidade não
pode ser criada senão por algo que a unifique; mas
isto só pode ser o produto de organizações locais
fortes que, no momento presente, não se distinguem
exatamente pela homogeneidade". Verdade tão
respeitável e tão incontestável como a que afirma
a necessidade de educar pessoas para formar
organizações políticas fortes. Verdade, porém, não
menos estéril. Toda questão "movimenta-se em um
círculo vicioso", pois, toda a vida política é uma
cadeia sem-fim composta de um número infinito de
elos. A arte do político consiste precisamente em
encontrar o elo e a ele agarrar-se fortemente, o
elo mais difícil de escapar das mãos, o mais
importante naquele momento, e que garanta a seu
possuidor a melhor forma de manter toda a
cadeia*1. Se tivéssemos uma equipe de pedreiros
experientes, suficientemente solidários para poder
colocar as pedras onde é preciso (falando de
forma. a abstrata, isto não é impossível de todo),
mesmo sem um cordão de afinhamento, poderíamos,
talvez, agarrar-nos a um outro elo. Entretanto,
infelizmente ainda não temos esses pedreiros
experientes e solidários; e, com muita freqüência,
as pedras são colocadas sem alinhamento, ao acaso,
a tal ponto deslocadas que basta ao inimigo um
sopro para dispersá-las, não como se fossem
pedras, mas sim, grãos de areia.
Outra comparação: “O jornal não é apenas um
propagandista coletivo e um agitador coletivo; é
também um organizador coletivo. A esse respeito,
pode-se compará-lo aos andaimes que se levantam ao
redor de um edifício em construção; constitui o
esboço dos contornos do edifício, facilita as
comunicações entre os diferentes construtores,
permitindo-lhes que repartam a tarefa e atinjam o
conjunto dos resultados obtidos pelo trabalho
organizado*2. Pode-se realmente dizer que, da
parte de um literato, de um homem especializado no
trabalho de gabinete, haveria um exagero de seu
papel? Os andaimes não são de modo algum
necessários à construção em si; são feitos com
material da pior qualidade; são utilizados durante
um curto período de tempo e atirados ao fogo antes
de estar a obra terminada. No que diz respeito à
construção de organizações revolucionárias, a
experiência confirma que, por vezes, é possível
construí-las mesmo sem andaimes - como em
1870-1880. Mas, nesse momento, não podemos sequer
imaginar a possibilidade de construir sem andaimes
o edifício de que necessitamos.
Nadejdine não está de acordo com isto, e
diz: "Em torno desse jornal, por esse jornal, o
povo reunir-se-á e organizar-se-á para a ação;
assim pensa o Iskra. Mas, isto será feito de modo
muito mais rápido através da reunião e da
organização em torno de um trabalho mais
concreto!" Certo, certo: "de modo muito mais
rápido em torno de um trabalho mais concreto”... 0
provérbio russo diz: "Não cuspa no poço, pois
precisará da água para saciar a sua sede." Mas há
quem não se importe de saciar a sede em poço onde
se cuspiu. Nessa busca do mais concreto, quantas
infâmias não foram levados a dizer e a escrever os
nossos notáveis "críticos" legais "do marxismo” e
os admiradores ilegais da Rabótchaia Mysl. Como
nosso movimento está comprimido pela nossa
estreiteza, nossa falta de iniciativa e de
ousadia, justificadas por argumentos tradicionais
semelhantes àquele que afirma ser muito mais
rápido reunir-se em torno de um trabalho mais
concreto! E Nadejdine, que pretende ser
particularmente dotado do senso das "realidades",
que condena tão severamente os homens “de
gabinete", que (com pretensões de sagacidade)
recrimina o Iskra por sua fraqueza em ver por toda
a parte o "economismo", que imagina estar muito
acima dessa divisão em ortodoxos e críticos,
Nadejdine não percebe que, através de seus
argumentos, faz o jogo dessa estreiteza que o
indigna, e que também bebe nos poços onde se
cuspiu! Sim, a indignação mais sincera contra a
estreiteza, o desejo mais ardente de desiludir
aqueles que a reverenciam não são o bastante, se
aquele que se indigna, erra ao sabor dos ventos,
sem velas nem leme, e se se aferra
instintivamente”, tal como os revolucionários de
1870-1880, ao "terrorismo excitativo”, ao
"terrorismo agrário”, ao "toque a rebate" etc.
Vejamos, agora. em que consiste esse "algo de mais
concreto" em torno do qual, pensa o autor, “será
feita de modo muito mais rápido" a reunião e a
organização: 1º) jornais locais; 2º) preparação de
manifestações; 3º) ação entre os sem-trabalho.
Vê-se, à primeira vista, que todas essas coisas
foram tomadas ao completo acaso, ao azar,
unicamente para dizer alguma coisa, pois, qualquer
que seja o modo com que sejam consideradas, seria
um verdadeiro absurdo que aí se encontrasse algo
especialmente suscetível de levar à "reunião e
organização". Além disso, o próprio Nadejdine
declara duas páginas adiante: “Já é tempo de
constatarmos simplesmente esse fato: na província
o trabalho é ínfimo, os comitês não fazem um
décimo do que poderiam... os centros de unificação
que possuímos, atualmente, são apenas ficção,
burocratismo revolucionário, mania geral de se
atacar mutuamente, e assim será enquanto não forem
constituídas organizações locais fortes.” Essas
palavras, ainda que exageradas, encerram
incontestavelmente uma grande e amarga verdade;
mas, como Nadejdine não enxerga, que o trabalho
local ínfimo é resultado da estreiteza de visão
dos militantes, da pequena envergadura de sua
ação, coisas inevitáveis devido à falta de
preparação dos militantes confinados ao quadro das
organizações locais? Teria esquecido, tal como o
autor do artigo publicado, na Svoboda sobre a
organização, que em seus primórdios a formação de
uma grande imprensa local (a partir de 1898) foi
acompanhada por uma intensificação especial do
“economismo” e do "trabalho artesanal"? E mesmo
que fosse possível organizar de forma conveniente
“uma grande imprensa local" (cuja impossibilidade,
salvo raríssimas exceções, já demonstramos
anteriormente), as organizações locais não
poderiam "reunir e organizar" todas as forças de
revolucionários para uma ofensiva geral contra a
autocracia, para a direção da luta comum. Não se
esqueçam que, aqui, trata-se unicamente de um
jornal como “fator de recrutamento", de
organização, e que poderíamos devolver a Nadejdine,
campeão do fracionamento, a questão irônica que
ele próprio nos coloca: “Teríamos recebido como
herança 200.000 organizadores revolucionários?"
Além disso, não seria possível opor a preparação
de manifestações” ao plano do Iskra, pela simples
razão de esse plano prever justamente as
manifestações de maior repercussão como um dos
objetivos a atingir; porém, aqui se trata de
escolher o meio prático. Mais uma vez Nadejdine
enveredou por um caminho falso; esqueceu que
apenas um exército já “recrutado e organizado”
pode “preparar" manifestações (que até agora, na
grande maioria dos casos, desenrolaram-se de
maneira espontânea). Ora, o que exatamente não
sabemos fazer, é recrutar e organizar. “Ação entre
os sem-trabalho.” Sempre a mesma confusão, pois aí
também se trata de uma operação militar de uma
tropa mobilizada, e não de um plano de mobilização
de tropas. Veremos até que ponto Nadejdine ainda
subestima o prejuízo que nos causou nosso
fracionamento, a ausência entre nós de “200.000
organizadores”. Muitos (entre eles Nadejdine)
recriminaram o Iskra por fornecer precárias
informações sobre o desemprego, e dar apenas
notícias fortuitas sobre as ocorrências mais
comuns da vida rural. A recriminação tem
fundamento; nesse caso, porém, o Iskra é “culpado
sem ter culpa". Esforçamo-nos para “esticar nosso
cordão" também no campo; mas aí quase não há
pedreiros; é preciso que encorajemos todos aqueles
que nos comunicam os fatos, mesmo os mais
corriqueiros, na esperança de que isso aumente o
número de nossos colaboradores nesse campo, e que
nos ensine, a todos, a escolher, afinal, os fatos
verdadeiramente relevantes. Mas, a documentação
para o estudos é tão restrita que, se não for
difundida para toda a, Rússia, decididamente nada
teremos para nos instruir.
Naturalmente, um homem que possua algumas
das capacidades de agitador de Nadejdine e seu
conhecimento da vida dos vagabundos poderia,
através de agitação efetuada entre os
sem-trabalho, prestar serviços inestimáveis ao
movimento; porém, esse homem desperdiçaria seu
talento se não se preocupasse em colocar todos os
camaradas russos ao corrente do menor progresso de
sua ação, a fim de dar exemplo e informações às
pessoas que, em sua grande maioria, nem mesmo
sabem ainda juntar-se a essa tarefa, que lhes é
desconhecida.
Hoje, sem exceção, todos falam da importância que
se atribui à unificação, da necessidade de
“recrutar e organizar"; mas a maior parte das
vezes não se tem idéias definidas sobre a questão
de saber por onde começar e como realizar essa
unificação. Sem dúvida estarão de acordo que para
"unificar", por exemplo, os círculos de bairro de
uma cidade, é preciso que haja instituições
comuns, isto é, não apenas o nome comum de
“união”, mas um verdadeiro trabalho comum, uma
troca de documentação, experiência e forças, uma
partilha de funções para cada atividade dentro da
cidade, não somente por bairros, mas por
especialidades. Todo mundo concordará que um
aparelho clandestino sério não poderá realizar
seus encargos (se for permitido empregar essa
expressão comercial), se estiver limitado aos
“recursos” (materiais e humanos, bem entendido) de
um único bairro, e que o talento de um
especialista não poderá ser desenvolvido em campo
de ação tão restrito. Isso também ocorre em
relação à união das diferentes cidades, pois a
história de nosso movimento social-democrata já
demonstrou e mostra que o campo de ação de uma
localidade isolada é extremamente limitado: isto
já foi provado anteriormente, de forma detalhada,
pelo exemplo da agitação política e do trabalho de
organização. É preciso - e indispensável - antes
de tudo, alargar esse campo de ação, criar uma
ligação efetiva entre as cidades à base de um
trabalho regular comum, pois o fracionamento
reprime as faculdades daqueles que, "encerrados em
uma torre” (segundo a expressão do autor de uma
carta ao Iskra), ignoram o que se passa no mundo,
não sabem com quem se informar, como adquirir a
experiência, como satisfazer sua sede de uma ação
extensa. E insisto em sustentar que apenas se pode
começar a criar essa ligação efetiva com um jornal
comum, empresa única e regular para toda a Rússia,
que resumirá as mais variadas atividades e
incitará as pessoas a progredir constantemente por
todos aqueles numerosos caminhos que conduzem à
revolução, da mesma forma e todos os caminhos
levam a Roma. Se queremos nos unir não apenas em
palavras, é preciso que cada círculo local
imediatamente reserve, digamos, um quarto de suas
forças para a participação ativa na obra comum. E
o jornal mostrará prontamente*3 os contornos
gerais, as proporções e o caráter dessa obra; as
lacunas que se fazem sentir mais fortemente na
ação conduzida em escala nacional, os lugares onde
a agitação é deficiente e onde a ligação é
precária, as engrenagens do imenso mecanismo comum
que o círculo poderia reparar ou substituir por
outras melhores. Um círculo, que ainda não
trabalhou e procura fazê-lo, poderia começar não
como um artesão isolado em sua pequena oficina,
que não conhece nem a evolução anterior da
"indústria", nem o estado geral dos meios de
produção industrial, mas como o colaborador de uma
grande empresa que reflete o impulso
revolucionário geral contra a autocracia. E quanto
mais perfeito fosse o acabamento de cada
engrenagem, mais numerosos seriam os trabalhadores
empregados nos diferentes detalhes da obra comum,
mais densa seria nossa rede, e menores as
inevitáveis detenções a perturbar nossos escalões.
A própria função de difusão do jornal
começaria a criar uma ligação efetiva (se esse
jornal fosse digno do nome, isto é, se aparecesse
regularmente e não uma vez por mês, como as
grandes revistas, mas cerca de quatro vezes por
mês). As relações entre cidades quanto às
necessidades da causa revolucionária são, hoje,
muito raras e, quando existem, constituem exceção;
tornar-se-iam, então, uma regra e assegurariam,
bem entendido, não apenas a difusão do jornal, mas
também (o que é mais importante) a troca de
experiências, documentação, forças e recursos. O
trabalho de organização assumiria amplitude muito
mais considerável, e o sucesso obtido em uma
localidade encorajaria constantemente o
aperfeiçoamento do trabalho, incitaria o
aproveitamento da experiência já adquirida pelos
camaradas que militassem em outro ponto do país. O
trabalho local ganharia infinitamente em extensão
e variedade; as revelações políticas e econômicas
coletadas em toda a Rússia forneceriam o alimento
intelectual aos operários de todas as profissões e
todos os graus de desenvolvimento; forneceriam
material e oportunidade para debates e
conferências sobre as mais variadas questões,
suscitadas, também, pelas alusões da imprensa
legal, pelas conversas em sociedade e pelos
"tímidos" comunicados do governo. Cada explosão,
cada manifestação seriam apreciadas e examinadas
sob todos os seus aspectos, em todos os pontos da
Rússia; provocaria o desejo de não se ficar atrás
dos outros, de se fazer melhor que os outros -
(nós, socialistas, não recusamos absolutamente
qualquer forma de emulação e “competição"!) - de
preparar conscientemente o que antes fora feito de
forma espontânea, de aproveitar as circunstâncias
favoráveis de tempo ou de lugar para modificar o
plano de ataque etc. Além disso, essa reanimação
do trabalho local não conduziria a essa tensão
desesperada, in extremis, de todas as forças, a
esse estado de alerta de todos os nossos homens, a
que nos obriga ordinariamente, hoje, toda
manifestação ou número de jornal local: de um
lado, a polícia teria muito mais dificuldade para
descobrir as "raízes", não sabendo em qual
localidade procurá-las;de outro lado, o trabalho
comum regular ensinaria os homens a adequar um
determinado ataque ao estado das forças desse ou
daquele destacamento de nosso exército comum (o
que, hoje, quase ninguém pensa, pois, em cada dez
ataques, nove produzem-se espontaneamente) e
facilitaria o "transporte" não apenas da
literatura de propaganda, mas de forças
revolucionárias, de um lugar ao outro.
Atualmente, em sua maioria, essas forças
são exauridas no estreito campo de ação do
trabalho local. Mas, então, haveria a
possibilidade e a oportunidade constantes de
transferir de um extremo a outro do país todo
agitador ou organizador pouco capaz. Após terem
começado por pequenas viagens para tratar de
assuntos do Partido, às custas do Partido, os
militantes estariam habituados a viver
inteiramente por conta do Partido; tornar-se-iam
revolucionários profissionais e preparar-se-iam
para o papel de verdadeiros chefes políticos.
E se realmente chegássemos a obter que a
totalidade ou a maior parte dos comitês, grupos e
círculos locais se associassem ativamente para a
obra comum, poderíamos em breve elaborar um
semanário, regularmente divulgado em dezenas de
milhares de exemplares em toda a Rússia. Esse
jornal seria parte de um gigantesco fole de urna
forja que atiçasse cada fagulha da luta de classes
e da indignação popular, para daí fazer surgir um
grande incêndio. Em torno dessa obra em si ainda
inofensiva e pequena, mas regular e comum no pleno
sentido da palavra, um exército permanente de
lutadores experimentados seria sistematicamente
recrutado e instruído. Sobre os andaimes e
cavaletes dessa organização comum em construção,
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