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Dissemos que era necessário animar nosso
movimento, infinitamente maior e mais profundo que
aquele de 1870-1880, com o mesmo espírito de
decisão e a mesma energia sem limites. De fato,
até o presente parece que ninguém ainda duvidara
de que a força do movimento contemporâneo
estivesse no despertar das massas (e
principalmente do proletariado industrial), e sua
fraqueza residisse na falta de consciência e de
espírito de iniciativa dos dirigentes
revolucionários.
Nesses últimos tempos, contudo, foi feita uma
descoberta espantosa, que ameaça subverter todas
as idéias adquiridas sobre este ponto. Esta
descoberta é obra do Rabótcheie Dielo que, em sua
polêmica com o Iskra e a Zaria, não se ateve a
objeções particulares e tentou reconduzir o
"desacordo geral” à sua raiz mais profunda: a uma
"apreciação diferente da importância relativa do
elemento espontâneo e do elemento conscientemente
metódico"'. A tese de acusação do Rabótcheie Dielo
expressa o seguinte: “subestimação da importância
do elemento objetivo ou espontâneo do
desenvolvimento". *1 Ao que respondemos: se a
polêmica do Iskra e da Zaria não tivesse outro
resultado senão o de levar o Rabótcheie Dielo a
descobrir esse "desacordo geral", este resultado,
por si só, dar-nos-ia grande satisfação, a tal
ponto esta tese é significativa, e esclarece
nitidamente o fundo das divergências teóricas e
políticas que separam, hoje, os sociais democratas
russos.
Além disso, a questão das relações entre a
consciência e a espontaneidade oferece um imenso
interesse geral, e exige um estudo detalhado.
A) Início do impulso espontâneo
No capítulo anterior assinalamos o entusiasmo
generalizado da juventude russa instruída pela
teoria marxista, por volta de 1895. Foi também
nessa mesma época, que as greves operárias, após a
famosa guerra industrial de 1896 em Petersburgo,
revestiram-se de um caráter geral. Sua extensão
por toda a Rússia atestava claramente a
profundidade do movimento popular que de novo
surgia, e se falamos do "elemento espontâneo”, é
certamente nesse movimento de greves que devemos
considerá-lo, antes de tudo. Mas, há
espontaneidade e espontaneidade.
Houve, na Rússia, greves nas décadas de
1870 e 1880 (e mesmo na primeira metade do século
XIX), que foram acompanhadas da destruição
“espontânea” de máquinas etc. Comparadas a esses
"tumultos”, as greves após 1890 poderiam mesmo ser
qualificadas de "conscientes”, tal foi o progresso
do movimento operário nesse intervalo. Isto nos
mostra que o “elemento espontâneo", no fundo, não
é senão a forma embrionária do consciente. Os
tumultos primitivos já traduziam certo despertar
da consciência: os operários, perdiam sua crença
costumeira na perenidade do regime que os oprimia;
começavam... não direi a compreender, mas a sentir
a necessidade de uma resistência coletiva, e
rompiam deliberadamente com a submissão servil às
autoridades. Era, portanto. mais uma manifestação
de desespero e de vingança que de luta. As greves
após 1890 mostram-nos melhor os lampejos de
consciência: formulam-se reivindicações precisas,
procura-se prever o momento favorável, discutem-se
certos casos e exemplos de outras localidades etc.
Se os tumultos constituíam simplesmente a revolta
dos oprimidos, as greves sistemáticas já eram o
embrião mas, nada além do embrião - da luta de
classe. Tomadas em si mesmas, essas greves
constituíam uma luta sindical, mas não ainda
social-democrata; marcavam o despertar do
antagonismo entre operários e patrões; porém, os
operários não tinham, e não podiam ter,
consciência da oposição irredutível e de seus
interesses com toda a ordem política e social
existente, isto é, a consciência social-democrata.
Nesse sentido, as greves após 1890, apesar do
imenso progresso que representaram em relação aos
"tumultos”, continuavam a ser um movimento
essencialmente espontâneo.
Os operários, já dissemos, não podiam ter
ainda a consciência social-democrata. Esta só
podia chegar até eles a partir de fora. A história
de todos os países atesta que, pela próprias
forças, a classe operária não pode chegar senão à
consciência sindical, isto é, à convicção de que é
preciso unir-se em sindicatos, conduzir a luta
contra os patrões, exigir do governo essas ou
aquelas leis necessárias aos operários etc.*2
Quanto à doutrina socialista, nasceu das teorias
filosóficas, históricas, econômicas elaboradas
pelos representantes instruídos das classes
proprietárias, pelos intelectuais. Os fundadores
do socialismo científico contemporâneo, Marx e
Engels, pertenciam eles próprios, pela sua
situação social, aos intelectuais burgueses. Da
mesma forma, na Rússia, a doutrina teórica da
social-democracia surgiu de maneira completamente
independente do crescimento espontâneo do
movimento operário; foi o resultado natural,
inevitável do desenvolvimento do pensamento entre
os intelectuais revolucionários socialistas. A
época de que falamos, isto é, por volta de 1895,
essa doutrina constituía não apenas o programa
perfeitamente estabelecido do grupo “Liberação do
Trabalho”, mas também conquistara para si a
maioria da juventude revolucionária da Rússia.
Assim, pois, houve ao mesmo tempo um
despertar espontâneo das massas operárias,
despertar para a vida consciente e para a luta
consciente, e uma juventude revolucionária que,
armada da teoria social-democrata, buscava
aproximar-se dos operários. Quanto a isso, é
particularmente importante estabelecer este fato
esquecido com freqüência (e relativamente pouco
conhecido), de que os primeiros sociais-democratas
desse período, que se dedicavam com ardor à
agitação econômica (contando, para isso, com as
indicações verdadeiramente úteis do folheto Sobre
a Agitação, à época ainda manuscrito) longe de
considerar essa agitação como sua tarefa única,
atribuíam desde o começo à social-democracia russa
as grandes tarefas históricas, em geral, e a
tarefa da derrubada da autocracia, em particular.
Assim, o grupo dos sociais-democratas de
Petersburgo, que fundou a “União de Luta para
Liberação de Classe Operária “redigiu, já em fins
de 1895, o primeiro número de um jornal intitulado
Rabótcheie Dielo. Pronto para ser impresso, esse
número foi apreendido pelos policiais numa busca
efetuada na noite de 8 para 9 de dezembro de 1895,
em casa de um dos membros, do grupo, Anat. Alex.
Vaneiev,*3 de forma que o Rabótcheie Dielo do
primeiro período não pôde ver a luz do dia. O
editorial desse jornal (que, talvez, em trinta
anos uma revista como a Russkaia Starina exumará
dos arquivos do departamento de polícia) expunha
as tarefas históricas da classe operária na
Rússia, entre as quais colocava-se em primeiro
plano a conquista da liberdade política.
Seguiam-se um artigo, “Em que Pensam Nossos
Ministros?" sobre o saque dos Comitês de instrução
elementar pela polícia, bem como uma série de
artigos de correspondentes, não só de Petersburgo,
como de outras localidades da Rússia (por exemplo,
sobre um massacre de operários na província de
Iaroslavl. Assim, se não me engano, esse "primeiro
ensaio" dos sociais-democratas russos de 1890-1900
não era um jornal estritamente local, e ainda
menos de caráter “econômico”, visava a unir a luta
grevista ao movimento revolucionário dirigido
contra a autocracia e levar todos os oprimidos,
vítimas da política do obscurantismo reacionário,
a apoiar a social-democracia. E para quem quer que
conheça um pouco o estado do movimento nessa
época, está fora de dúvida que um jornal como esse
encontrou toda a simpatia dos operários da capital
e dos intelectuais revolucionários, e teve a maior
difusão. O fracasso do empreendimento provou
simplesmente que os sociais-democratas de então
eram incapazes de corresponder às exigências do
momento, por falta de experiência revolucionária e
de preparação prática. O mesmo se deve dizer do
Rabótchaia Listok de São Petersburgo, e sobretudo
da Rabótchaia Gazeta e do Manifesto do Partido
Operário Social-Democrata da Rússia, fundado na
primavera de 1898.
Subentenda-se que não nos passa pela cabeça
a idéia de censurar os militantes da época pela
sua falta de preparação. Mas, para aproveitar a
experiência do movimento e daí extrair lições
práticas, é preciso considerar extensivamente as
causas e a importância desse ou daquele defeito.
Por isso, é extremamente importante estabelecer
que uma parte (talvez mesmo a maioria) dos
sociais-democratas militantes de 1895-1898
considerava com justa razão possível, aquela
época, no começo mesmo do movimento “espontâneo”,
preconizar um programa e uma tática de combate
mais extensos.*4 Ora, a falta de preparação entre
a maior parte dos revolucionários, sendo um
fenômeno perfeitamente natural, não podia dar
lugar a qualquer apreensão particular. A partir do
momento em que as tarefas eram bem definidas; a
partir do momento em que se possuía bastante
energia para tentar de novo realizá-las, os
fracassos momentâneos constituíam apenas meio mal.
A experiência revolucionária e a habilidade de
organização são coisas que se adquirem.
É preciso apenas desenvolver em nós mesmos
as qualidades necessárias! É preciso que tenhamos
consciência de nossos defeitos, o que, no trabalho
revolucionário, já é mais de meio caminho para os
corrigir.
Mas, o que era meio mal tornou-se um mal
verdadeiro, quando esta consciência começou a se
obscurecer (porém, ela era bastante viva entre os
militantes dos. grupos acima mencionados), quando
surgiram pessoas - e mesmo órgãos
sociais-democratas - prontas a erigir os defeitos
em virtudes, e tentando mesmo justificar
teoricamente sua idolatria, seu culto do
espontâneo. É tempo de fazer o balanço dessa
tendência, caracterizada de maneira muito inexata
pelo termo “economismo”, demasiado estreito para
exprimir o conteúdo.
_____________
*1 Rabótcheie Dielo n.º. 10, setembro de 1901, p,
17 e 18.
*2 O sindicalismo não exclui absolutamente toda
“política”, como por vezes se pensa. Os sindicatos
sempre conduziram certo tipo de propaganda e
certas lutas políticas (porém, não
sociais-democratas). No capítulo seguinte,
exporemos a diferença entre a política sindical e
a política social-democrata.
*3 A. Vaneiev morreu em 1899, na Sibéria Oriental,
de tuberculose contraída durante sua prisão
preventiva. Por isso, julgamos possível publicar
as informações no texto: respondemos por sua
autenticidade, pois provêm de pessoas que
conheceram pessoal e intimamente A. Vaneiev.
*4 “Criticando a atividade dos sociais-democratas
dos últimos anos de século XIX, o Iskra não leva
em conta a ausência, à essa época, de condições
para um trabalho, que não a luta em favor de
pequenas reivindicações." Assim falam os
“economistas” em sua Carta aos Órgãos
Sociais-Democratas Russos (Iskra, n.º. 12). Os
fatos citados no texto provam que essa afirmação
sobre a “ausência de condições” é diametralmente
oposta à verdade. Não apenas por volta de 1900,
mas também em 1895, todas as condições foram
reunidas para permitir outro trabalho além da luta
por pequenas reivindicações, salvo uma preparação
suficiente dos dirigentes. E eis que em lugar de
reconhecer abertamente esta falta de preparação
entre nós, ideólogos, dirigentes, os "economistas”
querem rejeitar toda a culpa quanto à “ausência de
condições”, à influência do meio material
determinando o caminho, do qual nenhum ideólogo
conseguirá desviar o movimento. O que é isto senão
submissão servil ao espontâneo, a admiração dos
“ideólogos” pelos seus próprios defeitos?
B) O culto do espontãneo. A rabótchaia MYSL
Antes de passar às manifestações literárias desse
culto, assinalaremos o seguinte fato
característico (cuja fonte foi acima mencionada),
que lança certa luz sobre o nascimento e o
crescimento entre os camaradas militantes de
Petersburgo, de um desacordo entre as duas futuras
tendências da social-democracia russa. No início
de 1897, A. Vaneiev e alguns de seus camaradas
tiveram ocasião de participar, antes de sua
partida para o exílio, de uma reunião privada,
onde se encontraram os "velhos” e os "jovens “
membros da "União de Luta para a Liberação da
Classe Operária”. A conversa girou principalmente
sobre a organização e, em particular, sobre os
"estatutos das caixas operárias", publicados sob
sua forma definitiva no número 9-10 do Listok "Rabótnika"
(p. 46). Entre os "velhos” (os "dezembristas",
como eram chamados em tom de gracejo pelos
sociais-democratas de Petersburgo) e alguns dos
“jovens” (que mais tarde colaboraram ativamente na
Rabótchaia Mys1) manifestou-se logo uma
divergência muito nítida, e se estabeleceu ardente
polêmica. Os "jovens” defendiam os princípios
essenciais dos estatutos, tais como tinham sido
publicados. Os "velhos” diziam que não era isto o
que se colocava em primeiro lugar; que era
preciso, inicialmente, consolidar a “União de
Luta” para dela fazer uma organização de
revolucionários, à qual estariam subordinadas as
diversas caixas operárias, os círculos de
propaganda entre a juventude das escolas etc. Bem
entendido, as duas partes estavam longe de ver
nessa divergência o germe de um desacordo; ao
contrário, consideravam-na isolada e acidental.
Esse fato, porém, mostra que o nascimento e a
difusão do "economismo” na Rússia não se fizeram
igualmente sem luta contra os "velhos”
sociais-democratas (o que os “economistas” de hoje
freqüentemente esquecem).
E se essa luta não deixou, na maior parte
dos casos, traços "documentais”, é unicamente
porque a composição dos círculos em atividade
mudava com incrível rapidez, porque não se
estabelecera qualquer tradição e porque, em
conseqüência, as divergências de pontos de vista
não foram registradas em qualquer documento.
O aparecimento da Rabótchaia Mysl trouxe o "economismo"
para a luz do dia, porém tal não se deu
imediatamente. É preciso ter, uma idéia concreta
das condições de trabalho e da breve existência de
numerosos círculos russos (ora, só quem passou por
isso, pode ter idéia exata das coisas), para
compreender quanto teve de fortuito o sucesso ou o
fracasso da nova tendência nas diferentes cidades,
e a impossibilidade, a impossibilidade absoluta em
que durante muito tempo se encontraram os
partidários e os adversários dessa "nova"
tendência, de determinar se era ela realmente uma
tendência distinta ou simplesmente a expressão da
falta de preparação de alguns. Assim, os primeiros
números policopiados da Rabótchaia Mysl
permaneceram completamente desconhecidos da imensa
maioria dos sociais-democratas, e se agora temos a
possibilidade de nos referir ao editorial de seu
primeiro número, é unicamente porque tal editorial
foi reproduzido no artigo de V.I. (Listok “Rabétnika”,
n.º. 9-10, p. 47 e seg.), que evidentemente não
deixou de louvar com empenho - com empenho
inconsiderado - esse novo jornal tão nitidamente
diferente dos jornais e projetos de jornais acima
citados*1.
Ora, esse editorial exprime com tanto
relevo lodo o espírito da Rabótchaia Mysl e do
“economismo” em geral, que vale a pena aí nos
determos.
Após ter indicado que o braço fardado de
azul não deteria jamais o progresso do movimento
operário, o editorial prossegue: " ... 0 movimento
operário deve sua vitalidade ao fato de o próprio
operário enfim se encarregar de sua sorte,
arrancando-a das mãos de seus dirigentes." Esta
tese fundamental é, em seguida, desenvolvida em
seus detalhes. Na realidade, os dirigentes (isto
é, os sociais-democratas organizadores da "União
de Luta") foram arrancados pela policia, por assim
dizer, das mãos dos operários*2, e querem nos
fazer acreditar que os operários conduziam a luta
contra os dirigentes e se libertavam de seu jugo!
Em lugar de estimular a marcha para a frente, de
consolidar a organização revolucionária e de
ampliar a atividade política, incitou-se a volta
para trás, em direção à luta exclusivamente
sindical. Proclamou-se que “a base econômica do
movimento está obscurecida pela tendência a jamais
esquecer o ideal político”, que o lema do
movimento operário é a 1uta pela situação
econômica" (!) ou, melhor ainda, "os operários
pelos operários"; declarou-se que as caixas de
greve "valem mais para o movimento do que uma
centena de outras organizações” (que se compare
esta afirmação, feita em outubro de 1897, com a
disputa dos “dezembristas” com os jovens, no
inicio de 1897) etc. Frases como: é preciso
colocar em primeiro plano, não a “nata" dos
operários, mas o operário “médio”, o operário das
fileiras; ou como: "O político segue sempre
docilmente o econômico*3" etc. etc., entraram na
moda e exerceram influência sobre a massa dos
jovens seduzidos pelo movimento e que, na maioria,
não conheciam senão fragmentos do marxismo, tal
como era exposto legalmente.
Isto constituiu o completo aniquilamento da
consciência pela espontaneidade - pela
espontaneidade dos “sociais-democratas" que
repetiam as “idéias" do Senhor V.V., a
espontaneidade dos operários seduzidos pelo
argumento de que mesmo um aumento de um copeque
por rublo valia mais que todo socialismo e toda
política, de que deviam “lutar sabendo que o
faziam não por remotas gerações futuras mas por
eles próprios e por seus filhos" (editorial do
n.º. 1 da Rabótchaia Mysl).
As frases desse gênero foram sempre a arma
preferida dos burgueses do Ocidente que, odiando o
socialismo, trabalhavam (como Hirsch, o
“social-político” alemão) para transplantar para
seus países o sindicalismo inglês, e diziam aos
operários que a luta exclusivamente sindical*4 é
uma luta por eles próprios e por seus filhos, e
não por remotas gerações futuras com vistas a um
incerto socialismo futuro. E agora os "V.V. da
social-democracia russa" se põem a repetir essas
frases burguesas. Aqui, é importante assinalar
três pontos que nos serão de grande utilidade para
a continuação de nossa análise sobre as
divergências atuais*5.
Em primeiro lugar, o aniquilamento da
consciência pela espontaneidade, de que falamos,
também se deu de maneira espontânea. Isto parece
um jogo de palavras, mas infelizmente é uma
verdade amarga. O que provocou esse aniquilamento
não foi uma luta declarada entre duas concepções
absolutamente opostas, nem a vitória de uma sobre
a outra, mas o desaparecimento de um número cada
vez maior de "velhos" revolucionários “colhidos"
pelos policiais, e a entrada em cena, cada vez
mais freqüente, dos "jovens" "V.V. da
social-democracia russa”. Quem quer que tenha, não
direi participado do movimento russo
contemporâneo, mas simplesmente respirado o seu
ar, sabe perfeitamente que esta é precisamente a
situação. E se, apesar disso, insistimos
particularmente para que o leitor considere com
cuidado esse fato conhecido de todos, se para
maior evidência referimo-nos, de algum modo, aos
dados sobre o Rabótcheie Dielo do primeiro
período, e sobre a discussão entre "jovens" e
"velhos" no início de 1897, é porque as pessoas
que se gabam de espírito democrático” especulam
sobre a ignorância desse fato pelo grande público
(ou entre os adolescentes).
Mais adiante, ainda voltaremos a esse
ponto.
Em segundo lugar, desde a primeira
manifestação literária do “economismo” podemos
observar um fenômeno eminentemente original e
extremamente característico para a compreensão de
todas as divergências entre sociais-democratas da
atualidade: os partidários do "movimento puramente
operário", os adeptos da ligação mais estreita e
mais "orgânica" (expressão do Rab. Dielo) com a
luta proletária, os adversários de todos os
intelectuais não operários (ainda que fossem
intelectuais socialistas) foram obrigados, para
defender sua posição, a recorrer aos argumentos
burgueses "exclusivamente sindicais”. Isto nos
mostra que, desde o princípio, a Rabótchaia Mysl
começara - insistentemente - a realizar o programa
do Credo. Isto mostra (o que não pode chegar a
compreender o Rabótcheie Dielo), que todo culto da
espontaneidade do movimento operário, toda
diminuição do papel do "elemento consciente”, do
papel da social-democracia significa - quer se
queira ou não - um reforço da influência da
ideologia burguesa sobre os operários. Todos
aqueles que falam de “sobrestimação da
ideologia"*6, de exagero do papel do elemento
consciente *7 etc., imaginam que o movimento
puramente operário é, por si próprio, capaz de
elaborar, e irá elaborar para si, uma ideologia
independente, com a única condição de que os
operários "arranquem sua sorte das mãos de seus
dirigentes".
Mas, isto constitui um erro profundo. Para
completar o que dissemos acima, citaremos ainda as
palavras profundamente justas e significativas de
K. Kautsky, a propósito do projeto do novo
programa do partido social-democrata austríaco*8.
"Muitos de nossos críticos revisionistas atribuem
a Marx a afirmação de que o desenvolvimento
econômico e a luta de classes não somente criam as
condições da produção socialista, mas engendram
diretamente a consciência (o grifo é de K.K.) de
sua necessidade. E eis que esses críticos objetam
que a Inglaterra, país do mais avançado
desenvolvimento capitalista, está mais alheia do
que qualquer outro país a essa consciência. O
projeto do programa leva a crer que a comissão que
elaborou o programa austríaco partilha, também,
desse ponto de vista dito marxista ortodoxo, que
refuta o exemplo da Inglaterra. O projeto afirma:
“Quanto mais o proletariado aumenta em
conseqüência do desenvolvimento capitalista, mais
é obrigado e tem a possibilidade de lutar contra o
capitalismo. O proletariado adquire a
“consciência" da possibilidade e da necessidade do
socialismo. Por conseguinte, a consciência
socialista constituirá o resultado necessário,
direto da luta proletária de classe. Ora, isto é
inteiramente falso. Como doutrina, o socialismo
evidentemente tem suas raízes nas relações
econômicas atuais, da mesma forma que a luta de
classe do proletariado; do mesmo modo que esta
última, resulta da luta contra a pobreza e a
miséria das massas, provocadas pelo capitalismo.
Mas o socialismo e a luta de classe surgem
paralelamente e um não engendra o outro; surgem de
premissas diferentes. A consciência socialista de
hoje não pode surgir senão à base de um profundo
conhecimento científico. De fato, a ciência
econômica contemporânea constitui tanto uma
condição da produção socialista como, por exemplo,
a técnica moderna, e, apesar de todo o seu desejo,
o proletariado não pode criá-las; ambas surgem do
processo social contemporâneo. Ora, o portador da
ciência não é o proletariado, mas os intelectuais
burgueses (o grifo é de KA.): foi do cérebro de
certos indivíduos dessa categoria que nasceu o
socialismo contemporâneo, e foram eles que o
transmitiram aos proletários intelectualmente mais
evoluídos, que o introduziram, em seguida, na luta
de classe do proletariado onde as condições o
permitiram. Assim, pois, a consciência socialista
é um elemento importado de fora (von
Aussenhineigetranes) na luta de classe do
Proletariado, e não algo que surgiu
espontaneamente (ur wüchsig). Também o antigo
programa de Heinfeld dizia, muito justamente, que
a tarefa da social-democracia é introduzir no
proletariado (literalmente: preencher o
proletariado com) a consciência de sua situação e
a consciência de sua missão. Não seria necessário
fazê-lo se essa consciência emanasse naturalmente
da luta de classe. Ora, o novo projeto emprestou
essa tese do antigo programa e juntou-se à tese
acima citada. O que interrompeu completamente o
curso do pensamento...-
No momento, não seria possível falar de uma
ideologia independente, elaborada pelas próprias
massas operárias no curso de seu movimento*9, o
problema coloca-se exclusivamente assim: ideologia
burguesa ou ideologia socialista. Não há
meio-termo (pois a humanidade não elaborou uma
"terceira" ideologia; e, além disso, em uma
sociedade dilacerada pelos antagonismos de classe
não seria possível existir uma ideologia à margem
ou acima dessas classes). Por isso, toda
diminuição da ideologia socialista, todo
distanciamento dela implica o fortalecimento da
ideologia burguesa. Fala-se de espontaneidade. Mas
o desenvolvimento espontâneo do movimento operário
resulta justamente na subordinação à ideologia
burguesa, efetua-se justamente segundo o programa
do “Credo”, pois o movimento operário espontâneo é
o sindicalismo, a Nur-Gewerkschafilerei: ora, o
sindicalismo é justamente a escravidão ideológica
dos operários pela burguesia. Por isso, nossa
tarefa, a da social-dernocracia, é combater a
espontaneidade, desviar o movimento operário dessa
tendência espontânea que apresenta o sindicalismo,
de se refugiar sob as asas da burguesia, e
atraí-lo para a social-democracia revolucionária.
Por conseguinte, a frase dos autores da carta
“econômica” do n.º. 12 do Iskra, afirmando que
todos os esforços dos mais inspirados ideólogos
não poderão desviar o movimento operário do
caminho determinado pela ação recíproca dos
elementos materiais e do meio material, eqüivale
exatamente a abandonar o socialismo, e se esses
autores fossem capazes de meditar no que dizem,
até às ultimas conseqüências, com lógica e
destemor, como deve fazer quem se dedica ao campo
da ação literária e social, não lhes restaria
senão cruzar sobre o peito vazio seus braços
inúteis”” e... deixar o campo livre aos senhores
Struve e Prokopovitch, que arrastam o movimento
operário "no sentido do mínimo esforço”, isto é,
no sentido do sindicalismo burguês, ou aos
senhores Zubatov, que o arrastam no sentido da
"ideologia" cléricopolicial.
Recorde-se o caso da Alemanha. Qual foi o
mérito histórico de Lassalle diante do movimento
operário alemão? Foi ter desviado este movimento
do caminho do sindicalismo progressista e do
cooperativismo, para onde se dirigia
espontaneamente (com a ajuda benévola dos
Schulze-Delitzsch e consortes). Para realizar essa
tarefa, foi preciso mais do que frases a respeito
da subestimação do elemento espontâneo, sobre a
tática-processo, sobre a ação recíproca dos
elementos e do meio etc. Para isso foi preciso uma
luta encarniçada contra a espontaneidade, e só
após essa luta de longos e longos anos que se
chegou, por exemplo, a fazer da população operária
de Berlim o baluarte do partido progressista, uma
das melhores cidadelas da social-democracia. E
esta luta está ainda longe de terminar (como
poderiam supor os estudiosos da história do
movimento alemão através de Prokopovitch, e da
filosofia desse movimento através de Strouve).
Ainda agora, a classe operária alemã está
dividida, se assim se pode dizer, entre diversas
ideologias: uma parte dos operários está agrupada
nos sindicatos operários católicos e monarquistas;
outra, nos sindicatos Hirsch-Duncker, fundados
pelos admiradores burgueses do sindicalismo
inglês; uma terceira, nos sindicatos
sociais-democratas. Esta última parte é
infinitamente mais numerosa que todas as outras,
mas a ideologia social-democrática não pode obter,
e não poderá conservar essa supremacia, senão
através de uma luta incansável contra todas as
outras ideologias.
Mas, por que - perguntará o leitor - o
movimento espontâneo, que se dirige para o sentido
do mínimo esforço, conduz exatamente à dominação
da ideologia burguesa? Pela simples razão de que,
cronologicamente, a ideologia burguesa é muito
mais antiga que a ideologia socialista, está
completamente elaborada e possui meios de difusão
infinitamente maiores*10. Quanto mais jovem for o
movimento socialista em um país, mais
energicamente terá que lutar contra todas as
tentativas feitas para consolidar a ideologia não
socialista; tanto mais resolutamente será preciso
colocar os operários em guarda contra os maus
conselheiros que gritam contra a “sobrestimação do
elemento consciente” etc. Com o Rabótcheie Dielo,
os autores da carta econômica gritam em uníssono
contra a intolerância própria à infância do
movimento. A isto responderemos: de fato, nosso
movimento ainda está em sua infância, e para
atingir sua virilidade deve justamente imbuir-se
de intolerância em relação àqueles que, através de
seu culto da espontaneidade, retardam seu
desenvolvimento. Nada há de mais ridículo e de
mais prejudicial para se colocar ao velho
militante que, há muito, já passou por todas as
fases decisivas da luta!
Em terceiro lugar, o primeiro número da
Rabótchaia Mysl mostra-nos que a denominação de "economismo”
(à qual, evidentemente, não temos intenção de
renunciar, pois de qualquer modo este vocábulo já
adquiriu direito de ser citado) não traduz com
exatidão suficiente o fundo da nova tendência. A
Rabótchaia Mys1 não nega completamente a luta
política: os estatutos da caixa que pública em seu
primeiro número falam da luta contra o governo. A
Rabótchaia Mysl considera somente que "o político
segue sempre docilmente o econômico”. (E o
Rabótcheie Dielo dá uma variação dessa tese,
afirmando em seu programa que “na Rússia, mais que
em qualquer outro país, a luta econômica é
inseparável da luta política”). Essas teses da
Rabótchaia Mysl e do Rabótcheie Dielo são
absolutamente falsas, se por política se entende a
política social-democrata. Com muita freqüência, a
luta econômica dos operários, como já vimos, está
ligada, (não de forma indissolúvel, é verdade) à
política burguesa, clerical, ou outra. As teses do
Rabótcheie Dielo são justas, se por política se
entende a política sindical, isto é, a aspiração
geral dos operários a obter do Estado as medidas
suscetíveis de remediar os males inerentes à sua
situação, mas, que não suprimem tal situação, isto
é, não suprimem a submissão do trabalho ao
capital. Essa aspiração é, de fato, comum aos
sindicalistas ingleses hostis ao socialismo, aos
operários católicos e aos operários “de Zubatov”,
etc. Há política e política. Assim, pois, vemos
que a Rabótchaia MysI, mesmo no que concerne à
luta política, mais do que repudiá-la, inclina-se
diante de sua espontaneidade, sua inconsciência.
Reconhecendo inteiramente a luta política que
surge espontaneamente do próprio movimento
operário (ou, mais ainda: os anseios e
reivindicações políticas dos operários) recusa-se
por completo a elaborar ela própria uma política
social-democrata específica, que responda às
tarefas gerais do socialismo e as condições russas
atuais.
Mais adiante mostraremos que esta também é
a falta cometida pelo Rabótcheie Dielo.
___________________
*1 Diga-se de passagem, que este elogio da
Rabótchaia Mysl em novembro de 1898, quando o
economismo sobretudo no estrangeiro definira-se
completamente, partia do próprio V. I., que pouco
depois tornou-se um dos redatores do Rabótcheie
Dielo. E o Rabótcheie Dielo ainda negava, como
continua a fazer a existência de duas tendências
na social-dernocracia russa!
*2 0 seguinte fato característico mostra a
exatidão dessa comparação. Quando, após a prisão
dos “dezembristas”, espalhou-se entre os operários
da estrada de Schlüsselburg a notícia de que o
provocador, N. Mikhailov (um dentista), ligado a
um dos grupos estreitamente vinculados aos “dezembristas”,
contribuíra para denunciá-los, os operários
indignados decidiram matar Mikhailov.
*3 Extraído do mesmo editorial do primeiro número
da Rabótchaia Mysl. Pode-se julgar através disso a
preparação teórica desses “V. V. da
social-democracia russa”, que reproduziram essa
grosseira vulgarização do “materialismo econômico"
enquanto, em suas publicações, os marxistas faziam
guerra ao verdadeiro V. V., desde há muito
apelidado “o artesão da reação”, por compreender
da mesma maneira as relações entre o político e o
econômico!
*4 Os alemães possuem até uma palavra especial,
Nur-Gewerkschaftler, para designar os partidários
da luta "exclusivamente sindical".
*5 Grifamos atuais para os fariseus que dão de
ombros, dizendo: é fácil agora, denegrir a
Rabótchaia Mysl, mas tudo isso constitui um
passado longínquo. Mutato nomine de te fabula
narratur, responderemos a esses fariseus modernos,
cujo servilismo absoluto às idéias da Rabótchaia
Mysl será demonstrado mais adiante.
*6 Carta dos "economistas” no n.º. 12 do Iskra.
*7 Rabótcheie Dielo, n.º. 10.
*8 Neue Zeit, 1901-1902, XX, 1, n.º. 3, p. 79. 0
projeto da comissão de que fala K. Kautsky foi
adotado (no final do ano passado) pelo Congresso
de Viena sob uma forma um pouco modificada.
*9 Naturalmente, isto não significa que os
operários não participem dessa elaboração. Mas não
participam na qualidade de operários, participam
como teóricos do socialismo, como os Proudhon e os
Weitling; em outras palavras, não participam senão
na medida em que conseguem adquirir os
conhecimento mais ou menos perfeitos de sua época,
e fazê-los progredir. E para que os operários o
consigam com maior freqüência, é preciso
esforçar-se o mais possível para elevar o nível da
consciência dos operários em geral; é preciso que
não se limitem ao quadro artificialmente restrito
da “literatura para operários", mas que saibam
assimilar cada vez melhora literatura para todos.
Seria mesmo mais exato dizer, em lugar de “se
limitem”, não sejam limitadas, porque os próprios
operários lêem e desejariam ler tudo o quase
escreve também para os intelectuais: somente
alguns intelectuais (deploráveis) pensam que é
suficiente falar “aos operários” da vida da
fábrica e repisar aquilo que eles já sabem há
muito tempo.
*10 Diz-se freqüentemente: a classe operária vai
espontaneamente para o socialismo. Isto é
perfeitamente justo no sentido de que, mais
profunda e exatamente que as outras, a teoria
socialista determina as causas dos males da classe
operária: é por isso que os operários assimilam-na
com tanta facilidade, desde que esta teoria não
capitule, ela própria, diante da espontaneidade,
desde que se submeta a essa espontaneidade. Isto
está, em geral, subentendido, mas o Rabótcheie
Dielo esquece-se precisamente desse subentendido,
ou deturpa-o. A classe operária vai
espontaneamente para o socialismo, mas a ideologia
burguesa mais difundida (e constantemente
ressuscitada sob as mais variadas formas) é,
porém, aquela que mais se impõe espontaneamente,
sobretudo ao operário.
C) 0 "grupo da autoliberação" e o Rabótcheie
Dielo
Se analisamos com tantos detalhes o editorial
pouco conhecido e hoje quase esquecido do primeiro
número da Rabótchaia Mysl é porque ele foi o
primeiro a expressar de forma relevante a corrente
geral, que mais tarde surgiria à luz sob a forma
de uma infinidade de riachos. V. I. tinha absoluta
razão quando, louvando esse primeiro número e esse
editorial da Rabótchaia MysI, constatou “a(sua)
veemência e o seu ardor” (Listok “Rabótchaia" n.º.
9-10, p. 49). Todo homem de convicções firmes, que
acredita trazer algo de novo quando escreve com
"ardor", coloca em relevo o seu ponto de vista.
Somente aqueles habituados a permanecer sentados
entre duas cadeiras carecem de "ardor"; somente
estes, após terem elogiado, ontem, o ardor da
Rabótchaia Mysl, são capazes, hoje, de censurar o
"ardor polêmico” de seus adversários.
Sem nos determos no "suplemento especial da
Rabótchaia Mys1 (a seguir, teremos de nos referir,
por diferentes motivos, a essa obra que expõe com
a maior lógica as idéias dos “economistas”),
limitarnos-mos a assinalar sumariamente o “Apelo
do Grupo da Autoliberação dos Operários” (março de
1899, reproduzido no Nakanune de Londres, n.º. 7,
julho de 1899). Os autores deste apelo dizem, com
toda a razão, que “a Rússia operária, que apenas
começa a se sacudir de seu torpor e a olhar à sua
volta, apega-se instintivamente aos primeiros
meios de luta que se lhe oferecem”, mas daí tiram
a mesma conclusão errônea que a Rabótchaia Mysl
esquecendo-se que o instintivo é exatamente o
inconsciente (o espontâneo), em ajuda do qual
devem correr os socialistas; que os "primeiros"
meios de luta "que se lhe oferecem” serão sempre,
na sociedade contemporânea, os meios sindicalistas
de luta e a “primeira" ideologia, a ideologia
burguesa (sindicalista). Esses autores não "negam”
mais a política, dizem somente (somente!) de
acordo com o Senhor V. V., que a política é uma
superestrutura e que, por conseguinte, "a agitação
política deve ser a superestrutura da agitação em
favor da luta econômica, que deve surgir no campo
dessa luta e marchar atrás dela”.
Quanto ao Rabótcheie Dielo, começou sua atividade
diretamente pela "defesa" dos "economistas". Após
ter enunciado uma contraverdade manifesta
declarando desde seu primeiro número (n.º. 1, p.
141-142) "ignorar a que jovens camaradas
referia-se Axelrod", que em seu conhecido
folheto*1 fazia uma advertência aos "economistas",
o Rabótcheie Dielo teve, no curso de sua polêmica
com Axelrod e Plekhânov a propósito dessa
contraverdade, de reconhecer que "simulando não
saber de quem se tratava, desejava defender todos
os
jovens sociais-democratas do estrangeiro contra
essa acusação injusta" (a acusação de estreiteza
de Axelrod aos "economistas"). Na realidade, esta
acusação era perfeitamente justa, e o Rabótcheie
Dielo sabia muito bem que ela visava, entre
outros, V. I., membro de sua redação. Notarei de
passagem, a esse respeito, que na polêmica em
questão Axelrod tinha inteira razão, e o
Rabótcheie Dielo estava completamente errado na
interpretação de meu trabalho, As Tarefas dos
Sociais-Democratas Russos. Este trabalho foi
escrito em 1897, ainda antes do aparecimento da
Rabótchiai Mysl quando eu considerava, com toda a
razão, que a tendência inicial da "União de Luta"
de São Petersburgo, tal como a caracterizei acima,
era a predominante. Efetivamente, esta tendência
foi preponderante pelo menos até meados de 1898.
Ademais, o Rabótcheie Dielo não fora inutilmente
fundado para desmentir a existência e o perigo do
"economismo”, para se referir a um trabalho que
expunha os pontos de vista que foram suplantados
em São Petersburgo, em 1897-1898, pelos
"economistas"*2?
Mas, o Rabótcheie Dielo não apenas
"defendia" os “economistas”; também incorria, ele
próprio, constantemente em seus principais erros.
O que se encontrava na origem desse desvio, era a
interpretação ambígua da seguinte tese de seu
programa: "O fenômeno essencial da vida russa,
designado principalmente para definir as tarefas
(o grifo é nosso) e o caráter da atividade
literária da "União&quo |