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. O trabalho à Maneira Revolucionária (Um Sábado Comunista)

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Vladimir lliCh Ulianov LÊNIN
28, de Junho de 1919

 

O Trabalho à Maneira Revolucionária (Um Sábado Comunista)

 

A carta do CC do PCR acerca do trabalho à maneira revolucionária deu um forte impulso às organizações comunistas e aos comunistas. Um entusiasmo geral levou para a frente muitos ferroviários comunistas, mas a maioria deles não pôde abandonar os postos de responsabilidade nem descobrir novos métodos de trabalho à maneira revolucionária. As notícias procedentes das localidades acerca da lentidão no trabalho de mobilização e da morosidade burocrática obrigaram o subdistrito do caminho-de-ferro Moscovo-Kazán a dar atenção ao mecanismo da gestão da rede ferroviária. Verificou-se que, pela insuficiência de mão-de-obra e pela fraca intensidade do trabalho, se atrasavam as encomendas urgentes e as reparações rápidas de locomotivas. Em 7 de Maio, numa assembléia geral de comunistas e de simpatizantes do subdistrito da linha Moscovo-Kazán, foi colocada a questão de passar das palavras aos atos em relação à ajuda à vitória sobre Koltchak. A proposta apresentada dizia: « Em vista da grave situação interna e externa, e a fim de conseguir a superioridade sobre o inimigo de classe, os comunistas e simpatizantes devem fazer um novo esforço e tirar ao seu descanso mais uma hora de trabalho, isto é, aumentar uma hora ao seu dia de trabalho, somá-las e no sábado dar duma só vez seis horas de trabalho físico, a fim de produzir imediatamente um valor real. Considerando que os comunistas não devem poupar nem a sua saúde nem a sua vida para assegurar as conquistas da revolução, o trabalho será feito gratuitamente. O sábado comunista será introduzido em todo o subdistrito até à vitória completa sobre Koltchak.» Depois de algumas vacilações, esta proposta foi aprovada por unanimidade. No sábado, 10 de Maio, às 6 horas da tarde, os comunistas e simpatizantes, como soldados, apresentaram-se ao trabalho, formaram filas, e os chefes de oficina distribuíram-nos, na melhor ordem, pelos postos de trabalho. Os resultados do trabalho à maneira revolucionária estão à vista. O quadro junto» mostra as empresas e o caráter do trabalho. O valor total 'do trabalho ascende, segundo a tarifa normal, 5 milhões de rublos, e segundo a tarifa das horas extraordinárias, a mais 50%. A intensidade do trabalho de carga foi superior em 270 % à dos operários normais. Nos restantes trabalhos, a intensidade foi aproximadamente igual. Suprimiu-se o atraso de sete dias a três meses que existia no cumprimento das encomendas (urgentes) como resultado da insuficiência de mão-de-obra e da morosidade burocrática. O trabalho foi efetuado apesar do mau estado (fácil de eliminar) das ferramentas,, o que atrasou certos grupos 30 a 40 minutos. A administração que ficara para a direção dos trabalhos mal tinha tempo de preparar novas tarefas, e talvez não seja muito exagerada a reflexão, feita por um velho contramestre, de que no sábado comunista foi realizado um trabalho no qual operários inconscientes e desleixados teriam gasto uma semana. Como também participaram nos trabalhos pessoas que são simplesmente adeptos sinceros do Poder Soviético, como se espera a afluência de grande número deles nos sábados futuros e como também outros distritos desejam seguir o exemplo dos ferroviários comunistas da linha Moscovo-Kazán, deter-me-ei mais pormenorizadamente no aspecto organizativo, utilizando os dados provenientes das localidades. Cerca de. 10 % dos participantes nestes trabalhos são comunistas que trabalham permanen-temente nas localidades. Os restantes ocupam postos eletivos e de' responsabilidade, desde o comissário da linha até ao comissário de diferentes empresas, e também do sindicato, e trabalhadores da direção e do Comissariado das Vias de Comunicação. Nunca se viu tanto entusiasmo e harmonia no trabalho. Quando os operários, empregados de escritório e funcionários da direção, depois de terem levantado o aro de quarenta puds de uma roda para uma locomotiva de comboio de passageiros, a fizerem rolar para o seu lugar sem palavras grosseiras nem discussões, como formigas laboriosas, nascia no fundo do coração um fervoroso sentimento de alegria pelo trabalho coletivo e fortalecia-se a fé em que a vitória da classe operária é inabalável. Os abutres mundiais não conseguirão estrangular os operários vitoriosos, a sabotagem interna não verá a vitória de Koltchak. Terminado o trabalho, os presentes foram testemunhas duma cena jamais vista: urna centena de comunistas, fatigados mas com os olhos brilhantes de alegria, saudaram o êxito do trabalho com o canto solene de A lnternacional. E parecia que as notas triunfais do hino triunfal atravessavam os mures para se irem espalhar pela Moscovo operária e, como as ondas formadas por uma pedra atirada à água, propagar-se pela Rússia operária e despertar os cansados e desleixados. A.]. Local de trabalho Designação dos trabalhos Número de operá- nos Número de horas Unidade de Total tempo Trabalho efetuado Moscovo. Oficinas principais de locomotivas, Carregamento de materiais para a linha, de ferramentas para a reparação de locomotivas e peças de vagões para Perovo-Mú rom-Alatír e Síz ran. 48 21 5 4 4 4 240 63 20 Carregados 7500 puds. Descarregados 1800 puds. Moscovo. Depósito de comboios de passageiros. Reparação corrente complexa de locomotivas. 26 5 130 No total, um trabalho equivalente à reparação dei 1 1/2 locomotiva. Moscovo. Estação de triagem. Reparação corrente de locomotivas. ' 24 6 144 Postas em serviço 2 locomotivas e em 4 desmontadas as peças para reparação. Moscovo. Seção de carruagens. Reparação corrente de carruagens de passageiros. 12 6 72 2 carruagens de 3~a classe. «Perovo». Oficinas principais de vagões, Reparação corrente de vagões e pequenas reparações realizadas no sábado e no domingo. 46 23 5 5 230 115 12 vagões de mercadorias cobertos e 2 abertos. Total 205 - 1014 Postos em serviço no total 4 locomotivas e 16 vagões e descarregados e carregados 9300 puds. Apreciando este magnífico «exemplo digno de ser imitado», o Pravda de 20 de Maio, num artigo do camarada N. R. com esse titulo, escrevia: «Não são raros os casos de trabalhos do mesmo tipo realizados pelos comunistas. Conheço casos semelhantes na central elétrica e em diversas vias férreas. Na linha Nikolaevskaia os comunistas contribuíram com várias noites de trabalho suplementar para levantar uma locomo-tiva que tinha caído numa placa giratória; na linha do Norte, no Inverno, todos os comunistas e simpatizantes trabalharam vários domingos para limpar a neve das vias, as células de muitas estações de mercadorias fazem rondas noturnas nas estações com o objetivo de lutar contra os ladrões de mercadorias. Mas este trabalho era ocasional, não sistemático. Os camaradas da linha de Kazán introduziram um elemento novo que dá a este trabalho um caráter sistemático e permanente. Até à vitória completa sobre Koltchak', decidiram os camaradas da linha de Kazán, e nisso reside toda a importância do seu trabalho. Eles prolongam em uma hora a jornada de trabalho dos comunistas e simpatizantes durante toda a duração do estado de guerra; ao mesmo tempo, dão o exemplo do trabalho produtivo. Este exemplo foi já imitado e deve continuar a ser imitado. A assembléia geral de comunis-tas e simpatizantes da linha de caminho-de-ferro Alexandrovskaia, depois de discutir a situação militar e a decisão dos camaradas da linha de Kazán, decidiu: 1) Introduzir os 'sábados' para os comunistas e simpatizantes da linha Alexandrovskaia. O primeiro sábado foi fixado para 17 de Maio. 2) Organizar os comunistas e simpatizantes em brigadas modelo, exemplares, que deverão mostrar aos operários como é preciso trabalhar e o que se pode fazer na realidade com os materiais, ferramentas e alimentação atuais. Segundo os camaradas da linha de Kazán, o seu exemplo causou grande impressão e esperam que no próximo sábado participará no trabalho um número considerável de operários sem partido. No momento em que escrevemos estas linhas, ainda não começou nas oficinas da linha Alexandrovskaia o trabalho extraordinário dos comunistas; apenas correu o rumor sobre os trabalhos projetados, mas já a massa sem partido se pôs em movimento e comenta: 'Não sabíamos ontem, senão ter-nos-íamos preparado e teríamos trabalhado também', 'no próximo sábado virei sem falta', ouve-se por todos os lados. A impressão produzida por este gênero de trabalho é muito grande. O exemplo dos camaradas da linha de Kazán deve ser seguido por todas as células comunistas da retaguarda. Não apenas as células comunistas do nó ferroviário de Moscovo, mas todas as organizações do partido na Rússia devem imitar este exemplo. E no campo as células comunistas devem, em primeiro lugar, cultivar as terras dos combatentes do Exército Vermelho, ajudando as suas famílias. Os camaradas da linha de Kazán acabaram o seu trabalho no primeiro sábado comunista cantando A Internacional. Se a organização comunista de toda a Rússia seguir este exemplo e o aplicar firmemente, os duros meses próximos serão vividos pela República Soviética da Rússia aos poderosos acordes de A Internacional, cantada por todos os trabalhadores da República Ao trabalho, camaradas comunistas!» O Pravda informava em 23 de Maio de 1919 que «em 17 de Maio teve lugar o primeiro sábado comunista na linha Alexandrovskaia. De acordo com a decisão da assembléia geral, 98 comunistas e simpatizantes trabalharam gratuitamente cinco horas extraordinárias, recebendo apenas o direito a comprar uma segunda refeição, e para essa refeição paga foi-lhes dada, como operários manuais, meia libra de pão». Apesar de o trabalho estar insuficientemente preparado e insuficientemente organizado, apesar disso a produtividade do trabalho foi duas ou três vezes superior ao habitual. Eis alguns exemplos: Cinco torneiros fizeram em 4 horas 80 eixos pequenos. A produtividade, em comparação com a habitual, foi de 213%. Vinte serventes recolheram em 4 horas 600 puds de material velho e 70 molas de vagão de 31 puds de peso cada uma, num total de 850 puds. A produtividade, em comparação com a habitual, foi de 300%. «Os camaradas explicam isto dizendo que em tempo normal o trabalho é fastidioso e aborrece, mas aqui se trabalhou com gosto, com entusiasmo. Mas agora será vergonha fazer menos tempo normal do que nos sábados comunistas. «Agora muitos operários sem partido expressam o desejo de participar nos sábados. As brigadas de locomotivas oferecem-se para retirar no sábado uma locomotiva do 'cemitério', repará-la e pô-la em circulação. Recebemos notícias de que na linha de Viazma se estão a organizar sábados semelhantes. O camarada A. Diatchenko escreve no Pravda de 7 de Junho como decorre o trabalho nestes sábados comunistas. Reproduzimos a parte principal do seu artigo, intitulado «Notas de um sábado comunista»: «Foi com grande alegria que, acompanhado de um camarada, fui fazer o meu 'estágio' de sábado, por decisão do comitê do partido do subdistrito ferroviário, e dar durante algum tempo, durante algumas horas, descanso à cabeça, fazendo trabalhar os músculos ... Fomos destacados para trabalhar na carpintaria da linha. Chegamos, vimos os nossos camaradas, saudamo-nos, gracejamos, e contamos as forças: éramos 30 ... E à nossa frente tínhamos um 'monstro', uma caldeira de peso bastante respeitável, uns 600 ou 700 puds, que tínhamos que 'deslocar', isto é, fazer rolar 1/4 ou 1/3 de versta até uma plataforma. A dúvida insinuou-se nos nossos espíritos Mas metemos mãos à obra: muito simplesmente os camaradas colocaram sob a caldeira uns rolos de madeira, ataram duas cordas e começou o trabalho ... A caldeira não queria ceder, mas finalmente cedeu. Estávamos contentes, éramos tão poucos ... porque durante duas semanas operários não comunistas em número três vezes superior ao nosso tinham estado a puxar aquela mesma caldeira, mas ela não se deixou convencer até que nós chegássemos ... Trabalhamos uma hora, intensamente, todos à uma, ao som compassado da ordem - 'um, dois, três' - do nosso camarada capataz, e a caldeira avança, avança. Mas, de repente, que aconteceu? Subitamente toda uma fila de camaradas caiu por terra comicamente: uma das cordas 'tinha-nos atrai-çoado' ... Mas a interrupção não durou mais que uns minutos: substitui-mo-la imediatamente por um cabo. À tarde, anoitecia já visivelmente, tínhamos ainda de vencer uma pequena encosta para que o trabalho estivesse pronto. Doíam-nos os braços, as palmas das mãos ardiam-nos, transpirávamos, fazíamos todos os esforços - mas o trabalho avançava. Os 'administrativos' confusos perante o nosso êxito, acabaram por decidir-se a deitar as mãos ao cabo: ajudem-nos que já é tempo: um soldado vermelho, com um acordeão nas mãos observava o nosso trabalho. Que pensa ele? Que gente é esta? Porque trabalham assim a um sábado, quando toda a gente está em casa? Eu respondo às suas conjecturas e digo: 'Camarada! Toca-nos qualquer coisa alegre, não somos uns trabalhadores quaisquer, mas verdadeiros comunistas; vês como traba-lhamos rapidamente, não preguiçamos, trabalhamos a sério'. O soldado vermelho pousou cuidadosamente o seu acordeão e apressou-se a deitar uma mão ao cabo - Que esperto é o inglês!' - entoou com a sua bela voz de tenor o camarada U. Fizemos coro com ele, e ressou surdamente a letra da canção operária Dubínuchka. Por falta de hábito, cansaram-se-nos os músculos, curvaram-se-nos os ombros e as costas, mas ... tínhamos à nossa frente um dia livre, o nosso dia de descanso, e poderemos dormir bem. O objetivo estava próximo, e depois de pequenas vacilações o nosso 'monstro' estava já quase em cima da plataforma: ponham-lhe umas tábuas por baixo, empurrem-na para a plataforma, e que esta caldeira faça o trabalho que há muito se espera dela. Caminhamos em grupo para a casa que serve de 'clube' à célula local, que, coberto de cartazes e cheio de espingardas, estava muito iluminado, e depois de A Internacional bem cantada deleitam-nos com chá com rum e ate pão. Esta bebida, preparada pelos camaradas locais, vinha muito a propósito depois do nosso duro trabalho. Despedimo-nos fraternalmente dos camaradas e alinhamos em filas. Os cantos revolucionários ressoavam no silêncio da noite na rua adormecida, e o ruído cadenciado dos passos acompanhava a canção. 'Marchemos ousadamente, camaradas'. 'De pé, ó vítimas da fome', dizia o hino de A Internacional e do trabalho. Passou uma semana. Os nossos braços e os nossos ombros tinham descansado, e fomos para um 'sábado', agora já a nove verstas, para fazer vagões. Foi em Perovo. Os camaradas subiram para o tecto de um 'americano', e com voz sonora e bela cantaram A Internacional. Os viajantes escutavam, ao que parecia, assombrados. As rodas batiam cadenciadamente, e nós, não conseguindo trepar até ao tecto, penduramo-nos à volta do 'americano', sobre os degraus, parecendo passageiros 'temerários'. Eis a paragem; tínhamos chegado. Atravessamos um longo pátio e encontramos o cordial comissário camarada G. - Trabalho há, gente é que há pouca! No total, 30 homens, e em 6 horas é preciso fazer reparações correntes em treze vagões. Assim estão os jogos de rodas já marcados; não há apenas vagões vazios, mas também uma cisterna cheia ... mas não importa, 'desenrascar-nos-emos', camaradas! O trabalho avança rápido. Cinco camaradas e eu trabalhamos com alavancas. Sob a pressão dos nossos ombros e de duas alavancas, sob a direção do camarada 'capataz', fazemos saltar rapidamente de uma para outra via estes pares de rodas, que pesam entre 60 e 70 puds. Mal se tirou ainda um par de rodas quando já outro ocupa o seu lugar. Quando já estão todas no lugar, fazemos rodar rapidamente pelos carris este ferro-velho até um barracão. Uma, duas, três - uma alavanca de ferro giratória levanta as rodas no ar, e ei-las que já não estão nos carris. Ali, na obscuridade, ouve-se o bater dos martelos; são os nossos camaradas que trabalham, diligentes como abelhas, nos seus vagões 'doentes'. Trabalham de carpinteiro, pintam, arranjam os tectos - O trabalho avança, para alegria nossa e do camarada comissário. Ali os ferreiros pediram a nossa ajuda. Na forja portátil estava, aquecida ao rubro, uma barra de engate de vagão com o gancho dobrado por um choque. Branca, faiscante, passou para a bigorna e com os nossos golpes certeiros, sob o olhar de um camarada experiente, recupera a sua forma normal. Estava ainda rubra quando a levamos sobre os ombros, com toda a rapidez, para o seu lugar. Despedindo faíscas, introduzimo-la no alvéolo de ferro: uns quantos golpes e ficou no lugar Metemo-nos sob o vagão. Ai a estrutura destes engates e barras não é tão simples como parece, porque há todo um sistema de rebites e uma mola em espiral O trabalho avança, a noite torna-se cada vez mais escura e é mais viva a luz das tochas. Em breve terminaremos. Uma parte dos camaradas, encostados a um montão de jantes, bebem chá quente a pequenos goles. E uma fresca noite de Maio, e a Lua no quarto crescente recorta-se bela no céu. Gracejos, risos, humor são. - Camarada G., deixa o trabalho, já tens 13 vagões! Mas para o camarada G. isto é pouco. Acabado o chá, entoamos as nossas canções de triunfo e dirigimo-nos para a saída O movimento em prol de organização dos «sábados comunistas» não se limita a Moscovo. O Pravda de 6 de Junho informava: «Em 31 de Maio teve lugar em Tver o primeiro sábado comunista. Cento e vinte e oito comunistas trabalharam na linha férrea. Em três horas e meia carregaram e descarregaram 14 vagões, repararam três locomotivas, serraram 10 braças de lenha e executaram outros traba-lhos. A intensidade do trabalho dos operários comunistas qualificados ultrapassou em 13 vezes a produtividade normal.