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A carta do CC do PCR acerca do
trabalho à maneira revolucionária deu um
forte impulso às organizações comunistas e aos
comunistas. Um entusiasmo geral levou para a
frente muitos ferroviários comunistas, mas a
maioria deles não pôde abandonar os postos de
responsabilidade nem descobrir novos métodos de
trabalho à maneira revolucionária. As notícias
procedentes das localidades acerca da lentidão
no trabalho de mobilização e da morosidade
burocrática obrigaram o subdistrito do
caminho-de-ferro Moscovo-Kazán a dar atenção ao
mecanismo da gestão da rede ferroviária.
Verificou-se que, pela insuficiência de
mão-de-obra e pela fraca intensidade do
trabalho, se atrasavam as encomendas urgentes e
as reparações rápidas de locomotivas. Em 7 de
Maio, numa assembléia geral de comunistas e de
simpatizantes do subdistrito da linha
Moscovo-Kazán, foi colocada a questão de passar
das palavras aos atos em relação à ajuda à
vitória sobre Koltchak. A proposta apresentada
dizia:
« Em vista da grave situação
interna e externa, e a fim de conseguir a
superioridade sobre o inimigo de classe, os
comunistas e simpatizantes devem fazer um novo
esforço e tirar ao seu descanso mais uma hora de
trabalho, isto é, aumentar uma hora ao seu dia
de trabalho, somá-las e no sábado dar duma só
vez seis horas de trabalho físico, a fim de
produzir imediatamente um valor real.
Considerando que os comunistas não devem poupar
nem a sua saúde nem a sua vida para assegurar as
conquistas da revolução, o trabalho será feito
gratuitamente. O sábado comunista será
introduzido em todo o subdistrito até à vitória
completa sobre Koltchak.»
Depois de algumas vacilações,
esta proposta foi aprovada por unanimidade.
No sábado, 10 de Maio, às 6 horas
da tarde, os comunistas e simpatizantes, como
soldados, apresentaram-se ao trabalho, formaram
filas, e os chefes de oficina distribuíram-nos,
na melhor ordem, pelos postos de trabalho.
Os resultados do trabalho à
maneira revolucionária estão à vista. O
quadro junto» mostra as empresas e o caráter do
trabalho.
O valor total ‘do trabalho
ascende, segundo a tarifa normal, 5 milhões de
rublos, e segundo a tarifa das horas
extraordinárias, a mais
50%.
A intensidade do trabalho de
carga foi superior em 270 % à dos operários
normais. Nos restantes trabalhos, a intensidade
foi aproximadamente igual.
Suprimiu-se o atraso de sete dias
a três meses que existia no cumprimento das
encomendas (urgentes) como resultado da
insuficiência de mão-de-obra e da morosidade
burocrática.
O trabalho foi efetuado apesar do
mau estado (fácil de eliminar) das ferramentas,,
o que atrasou certos grupos 30 a 40 minutos.
A administração que ficara para a
direção dos trabalhos mal tinha tempo de
preparar novas tarefas, e talvez não seja muito
exagerada a reflexão, feita por um velho
contramestre, de que no sábado comunista
foi realizado um trabalho no qual operários
inconscientes e desleixados teriam gasto uma
semana.
Como também participaram nos
trabalhos pessoas que são simplesmente adeptos
sinceros do Poder Soviético, como se espera a
afluência de grande número deles nos sábados
futuros e como também outros distritos desejam
seguir o exemplo dos ferroviários comunistas da
linha Moscovo-Kazán, deter-me-ei mais
pormenorizadamente no aspecto organizativo,
utilizando os dados provenientes das
localidades.
Cerca de. 10 % dos participantes
nestes trabalhos são comunistas que trabalham
permanentemente nas localidades. Os restantes
ocupam postos eletivos e de’ responsabilidade,
desde o
comissário da linha até ao
comissário de diferentes empresas, e também do
sindicato, e trabalhadores da direção e do
Comissariado das Vias de Comunicação.
Nunca se viu tanto entusiasmo e
harmonia no trabalho. Quando os operários,
empregados de escritório e funcionários da
direção, depois de terem levantado o aro de
quarenta puds de uma roda para uma
locomotiva de comboio de passageiros, a fizerem
rolar para o seu lugar sem palavras grosseiras
nem discussões, como formigas laboriosas, nascia
no fundo do coração um fervoroso sentimento de
alegria pelo trabalho coletivo e fortalecia-se a
fé em que a vitória da classe operária é
inabalável. Os abutres mundiais não conseguirão
estrangular os operários vitoriosos, a sabotagem
interna não verá a vitória de Koltchak.
Terminado o trabalho, os
presentes foram testemunhas duma cena jamais
vista: urna centena de comunistas, fatigados mas
com os olhos brilhantes de alegria, saudaram o
êxito do trabalho com o canto solene de A
lnternacional. E parecia que as notas
triunfais do hino triunfal atravessavam os mures
para se irem espalhar pela Moscovo operária e,
como as ondas formadas por uma pedra atirada à
água, propagar-se pela Rússia operária e
despertar os cansados e desleixados.
A.].
|
Local de
trabalho |
Designação
dos trabalhos |
Número
de
operá-
nos |
Número de
horas
Unidade
de Total tempo |
Trabalho
efetuado |
|
Moscovo.
Oficinas principais de locomotivas, |
Carregamento
de materiais para a linha, de ferramentas
para a reparação de locomotivas e peças de
vagões para Perovo-Mú rom-Alatír e Síz ran. |
48
21
5 |
4
4
4 |
240
63
20 |
Carregados
7500 puds.
Descarregados 1800 puds. |
|
Moscovo.
Depósito de comboios de passageiros. |
Reparação
corrente complexa de locomotivas. |
26 |
5 |
130 |
No total, um
trabalho equivalente à reparação dei 1 1/2
locomotiva. |
|
Moscovo.
Estação de triagem. |
Reparação
corrente de locomotivas. |
‘ 24 |
6 |
144 |
Postas em
serviço 2 locomotivas e em 4 desmontadas as
peças para reparação. |
|
Moscovo. Seção
de carruagens. |
Reparação
corrente de carruagens de passageiros. |
12 |
6 |
72 |
2 carruagens
de 3~a classe. |
|
«Perovo».
Oficinas principais de vagões, |
Reparação
corrente de vagões e pequenas reparações
realizadas no sábado e no domingo. |
46
23 |
5
5 |
230
115 |
12 vagões de
mercadorias cobertos e 2 abertos. |
|
|
Total |
205 |
— |
1014 |
Postos em
serviço no total 4 locomotivas e 16 vagões e
descarregados e carregados 9300 puds. |
Apreciando este magnífico «exemplo
digno de ser imitado», o Pravda de 20 de
Maio, num artigo do camarada N. R. com esse
titulo, escrevia:
«Não são raros os casos de
trabalhos do mesmo tipo realizados pelos
comunistas. Conheço casos semelhantes na central
elétrica e em diversas vias férreas. Na linha
Nikolaevskaia os comunistas contribuíram com
várias noites de trabalho suplementar para
levantar uma locomotiva que tinha caído numa
placa giratória; na linha do Norte, no Inverno,
todos os comunistas e simpatizantes trabalharam
vários domingos para limpar a neve das vias, as
células de muitas estações de mercadorias fazem
rondas noturnas nas estações com o objetivo de
lutar contra os ladrões de mercadorias. Mas este
trabalho era ocasional, não sistemático. Os
camaradas da linha de Kazán introduziram um
elemento novo que dá a este trabalho um caráter
sistemático e permanente. Até à vitória completa
sobre Koltchak’, decidiram os camaradas da linha
de Kazán, e nisso reside toda a importância do seu
trabalho. Eles prolongam em uma hora a jornada de
trabalho dos comunistas e simpatizantes durante
toda a duração do estado de guerra; ao mesmo
tempo, dão o exemplo do trabalho produtivo.
Este exemplo foi já imitado e
deve continuar a ser imitado. A assembléia
geral de comunistas e simpatizantes da linha de
caminho-de-ferro Alexandrovskaia, depois de
discutir a situação militar e a decisão dos
camaradas da linha de Kazán, decidiu: 1)
Introduzir os ‘sábados’ para os comunistas e
simpatizantes da linha Alexandrovskaia. O primeiro
sábado foi fixado para 17 de Maio. 2) Organizar os
comunistas e simpatizantes em brigadas modelo,
exemplares, que deverão mostrar aos operários como
é preciso trabalhar e o que se pode fazer na
realidade com os materiais, ferramentas e
alimentação atuais.
Segundo os camaradas da linha de
Kazán, o seu exemplo causou grande impressão e
esperam que no próximo sábado participará no
trabalho um número considerável de operários
sem partido. No momento em que escrevemos
estas linhas, ainda não começou nas oficinas da
linha Alexandrovskaia o trabalho extraordinário
dos comunistas; apenas correu o rumor sobre os
trabalhos projetados, mas já a massa sem partido
se pôs em movimento e comenta: ‘Não sabíamos
ontem, senão ter-nos-íamos preparado e teríamos
trabalhado também’, ‘no próximo sábado virei sem
falta’, ouve-se por todos os lados. A impressão
produzida por este gênero de trabalho é muito
grande.
O exemplo dos camaradas da linha
de Kazán deve ser seguido por todas as células
comunistas da retaguarda. Não apenas as células
comunistas do nó ferroviário de Moscovo, mas todas
as organizações do partido na Rússia devem imitar
este exemplo. E no campo as células comunistas
devem, em primeiro lugar, cultivar as terras dos
combatentes do Exército Vermelho, ajudando as suas
famílias.
Os camaradas da linha de Kazán
acabaram o seu trabalho no primeiro sábado
comunista cantando A Internacional. Se a
organização comunista de toda a Rússia seguir este
exemplo e o aplicar firmemente, os duros meses
próximos serão vividos pela República Soviética da
Rússia aos poderosos acordes de A
Internacional, cantada por todos os
trabalhadores da República
Ao trabalho, camaradas comunistas!»
O Pravda informava em 23 de
Maio de 1919 que
«em 17 de Maio teve lugar o
primeiro sábado comunista na linha Alexandrovskaia.
De acordo com a decisão da assembléia geral, 98
comunistas e simpatizantes trabalharam
gratuitamente cinco horas extraordinárias,
recebendo apenas o direito a comprar uma segunda
refeição, e para essa refeição paga foi-lhes dada,
como operários manuais, meia libra de pão».
Apesar de o trabalho estar
insuficientemente preparado e insuficientemente
organizado, apesar disso
a produtividade do trabalho foi duas ou três vezes
superior ao habitual.
Eis alguns exemplos:
Cinco torneiros fizeram em 4 horas
80 eixos pequenos. A produtividade, em comparação
com a habitual, foi de 213%.
Vinte serventes recolheram em 4
horas 600 puds de material velho e 70 molas
de vagão de 31 puds de peso cada uma, num
total de 850 puds. A produtividade, em
comparação com a habitual, foi de 300%.
«Os camaradas explicam isto dizendo
que em tempo normal o trabalho é fastidioso e
aborrece, mas aqui se trabalhou com gosto, com
entusiasmo. Mas agora será vergonha fazer menos
tempo normal do que nos sábados comunistas.
«Agora muitos operários sem partido
expressam o desejo de participar nos sábados. As
brigadas de locomotivas oferecem-se para retirar
no sábado uma locomotiva do ‘cemitério’, repará-la
e pô-la em circulação.
Recebemos notícias de que na linha
de Viazma se estão a organizar sábados
semelhantes.
O camarada A. Diatchenko escreve no
Pravda de 7 de Junho como decorre o
trabalho nestes sábados comunistas. Reproduzimos a
parte principal do seu artigo, intitulado «Notas
de um sábado comunista»:
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