Manual de redação do Vermelho

O QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA ESCREVER NO PORTAL DO GALO

O Portal Vermelho tem um guia para seus jornalistas, colunistas e colaboradores. É este Manual de Redação do Vermelho, à disposição do público desde 5 de março de 2007 e atualmente na sua segunda edição. De forma sintética e sumária, resume o que o portal usa como padrão textual. São normas editoriais e estilísticas, orientações gramaticais e técnicas de redação. Servem de base para o envio de matérias, reportagens, notas, artigos e colunas.

O Manual foi elaborado, debatido e aprovado pela equipe de redação do portal. Seu conteúdo respeita o Formulário Ortográfico da Língua Portuguesa, elaborado pela Academia Brasileira de Letras; o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e a Moderna Gramática Brasileira.

Se você é membro da redação, colunista ou colaborador do Vermelho, leia este Manual com atenção e sempre o consulte. Use o e-mail redacao@vermelho.org.br para enviar opiniões, críticas, dúvidas e sugestões.

Normas gerais

Abertura (“lide”). No padrão editorial do Vermelho, o primeiro parágrafo, com no máximo 500 toques, tem a função de “lide” (do inglês “lead” — “cabeça” ou “síntese”). Escreva nele o conteúdo essencial da matéria, visando (1) atrair o internauta para a leitura do texto; e (2) proporcionar-lhe uma noção sintética do conteúdo, mesmo que ele não prossiga a leitura. Quando for reproduzir textos em que o primeiro parágrafo foge desse padrão, redija você mesmo o “lide”, a título de apresentação. Evite sempre o “nariz-de-cera”, que inicia o texto por um rodeio em vez de fatos ou idéias centrais. Tome cuidado, no entanto, para não deixar o lide muito relatorial e pouco atraente. No caso de um texto reproduzido de outro veículo e que tenha um lide maior que o padrão, procure situar o leitor.

Crédito. Matérias produzidas pela redação trazem assinatura e a indicação de fonte(s), se houver, ao pé da matéria: “Da redação, com agências”, “Fulano de tal, com agências”; “Fulano de tal, com informações da agência tal”. Notícias de colaboradores – frilances, por exemplo – devem ter a assinatura embaixo, seguindo o padrão "De tal cidade, Fulano de Tal". Já notícias reproduzidas de outras fontes devem trazer a indicação: “Fonte: tal site, ou jornal, ou revista”, eventualmente proporcionando o link para a primeira página da fonte. No caso de artigos e outros textos de caráter autoral e opinativo, a assinatura vem em um novo parágrafo no fim do lide, seguindo o padrão: "Por Fulano de Tal". Quando o autor não é membro da redação, agregar um asterisco (*), remetendo para breve nota no fim do texto. Em seguida ao nome do autor, digite o nome do veículo do qual foi reproduzido o artigo, por exemplo: “Emir Sader*, na Carta Maior”.

No caso de nota explicativa sobre o autor, ela deve ser destacada inteiramente em itálico, para diferenciar-se do artigo, assim como as notas explicativas que porventura o autor tenha elencado na matéria.
Fotos. Use fotos, ilustrações, mapas, gráficos ou tabelas para valorizar e enriquecer editorialmente matérias. Evite usar esse expediente como mero adereço. Trate cada recurso extratexto como informação visual. Use sempre a resolução-padrão na internet — 72 pixels por polegada. O tamanho máximo de uma fotografia horizontal é de 600 pixels de largura, que só deve ser usada no topo da matéria ou logo em seguida ao lide, tratando-se de fotografia que traga grande valor ao conteúdo escrito. Para outras fotografias, não exceda 472 pixels na dimensão maior (vertical ou horizontal). Não alinhe jamais a fotografia no centro da página. Alinhe ou à esquerda, ou à direita, permitindo que o texto percorra a imagem. Procure não exceder o tamanho de 30 quilobites para tornar a imagem leve e fácil de carregar. Empregue o formato “jpg” para fotos; prefira o formato gif para tabelas e ilustrações que estejam em duas cores, buscando combinar uma qualidade satisfatória com uma imagem tão leve quanto seja possível. Seguindo o padrão da internet, não ponha créditos em fotos. Abra exceção apenas se solicitado pelo fotógrafo.

Intertítulos. Use-os em textos com mais de cinco ou seis parágrafos. Nunca use caixa alta (maiúsculas) no titulo, intertítulos, legendas ou texto. O padrão perseguido no Vermelho é que o internauta nunca se depare com um bloco compacto de texto, que desestimula a leitura. Empregue intertítulos de até 50 toques, grifados em negrito. Redija-os de forma a indicar o conteúdo do bloco a seguir, mas também a estimular a leitura. Fuja de intertítulos óbvios, banais ou enigmáticos. Evitar intertítulos para introduzir um só parágrafo. No caso de matérias de terceiros, agregar intertítulos, indicando em baixo "Intertítulos do Vermelho". Dê uma linha de espaçamento antes e depois de cada intertítulo.

Legenda. Para toda ilustração, use obrigatoriamente uma legenda. Faça-a curta, ocupando apenas uma linha (a não ser em casos excepcionais, que reclamem um texto-legenda). Redija legendas claras, mas nunca óbvias, que agreguem conteúdo editorial à ilustração.

Links. Empregue-os sempre que possível, para dentro ou para fora do Vermelho, como forma de enriquecer conteúdos e promover interatividade. Use-os em conjuntos de textos referentes a um mesmo tema, com a referência "Leia também", em negrito, ao pé da matéria. Dê preferência a links no fim do texto, que estimulam a leitura do mesmo até o fim. Abra exceções quando o conteúdo o exigir.

Parágrafo. Siga a norma da internet — parágrafos mais curtos que os da mídia impressa. Tente fazer blocos de 200 toques (no mínimo) a 600 (no máximo). Se necessário, quebre parágrafos, mesmo em textos assinados por terceiros (exceto textos de valor documental). Evite parágrafos de uma só frase ou uma só oração. Se preciso, agrupe parágrafos.

Texto. Evite textos longos, sob pena de perder leitores. Como regra, não exceda 6 mil toques. E jamais passe de 8 mil caracteres (com espaço), a não ser em reprodução de textos de terceiros. Exclua sem piedade o que for supérfluo. Seja preciso, direto, conciso. “Se escrevo quatro palavras, corto três”, resumiu o poeta francês Nicolas Boileau. Caso seu conteúdo mesmo assim permanecer extenso, empregue sem reservas os hiperlinks. Este recurso permite atender ao leitor que deseja maior profundidade, sem perder aquele que busca objetividade e rapidez.

Título. É a parte textual de maior impacto da matéria e deve ser tratado como tal. Nunca use caixa alta (maiúsculas) em títulos, intertítulos, legendas ou texto. Não os formate com negritos, itálicos ou sublinhados. Não use ponto final ao fim do título. Por limites da ferramenta, não exceda 65 toques. Seja claro, direto, objetivo — e também atraente e criativo (como em “Brasil-Bolívia: o império contra-ataca com a Alca”). Nunca use títulos enigmáticos, particularmente indesejáveis na internet. Nem deixe todo o título entre aspas. Evite chamadas genéricas e óbvias, sem informações adicionais (exemplo: “Lula anuncia candidatura e é ovacionado em convenção do PT”).

Normas de redação

abreviatura – Evite-as no texto corrido. Escreva “avenida” em vez de “av.” e “fone” em vez de “tel.”. Abra uma exceção no caso de medidas (quilometro, hectare, quilo, litro) que se repetem. Neste caso, use a forma por extenso da primeira vez, e a abreviada nas demais: “Recife fica a 2.223 quilômetros de Brasília, 125 km de João Pessoa e 253 km de Maceió”. No caso de medidas, use a abreviatura sem ponto e um espaço separando-a dos algarismos.

adjetivo – Economize-os. É menos subjetivo e mais convincente. Descreva “uma passeata de 2.500 estudantes”, e não “uma passeata vitoriosa”. O adjetivo “vai abundando progressivamente à proporção que descemos a escala dos valores”, dizia Monteiro Lobato. Evite adjetivos como “bonito”, “feio”, “delicioso” e outros muito pessoais.

acentos – Obedeça às normas de acentuação. Siga, para isso, o Formulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

acidente geográfico – Comece sempre com maiúscula: Rio São Francisco, Avenida Paulista, Mar Mediterrâneo, Morro do Corcovado.

algarismos romanos - Não use algarismos romanos. Escreva “século 21” (e não “século XXI”), “48º Congresso” (e não “XLVIII Congresso”). As únicas exceções, no padrão adotado pelo Vermelho, são os nomes de soberanos e papas: use, portanto, dom Pedro II (e não 2º), Bento XVI (e não 16).

aids – Como o uso a tornou mais uma palavra que uma sigla, escreva-a em minúsculas: “aids”, e não “Aids”, menos ainda “AIDS”. Não é necessário escrever por extenso o significado (síndrome de imunodeficiência adquirida).

americano – O Vermelho aceita o uso do gentílico como sinônimo de “estadunidense” ou “norte-americano”.

aspas – Não use aspas para sublinhar ou para dar sentido irônico a uma expressão. Use-as nos seguintes casos:

1) Assinalar uma citação textual de personagem ou obra: “Penso, logo existo”, disse Descartes; O mais célebre texto de Karl Marx afirma que “Um espectro ronda a Europa”; “Em economia não existe mágica”, insistiu o presidente Lula; “Abaixo o imperialismo”, gritavam os manifestantes. Nestes casos, o Vermelho usa sempre aspas, e não travessão. Use aspas simples (aspetas) quando for necessário incluir aspas dentro de aspas; exemplo: “’Calhorda’ é a mãe!”, bradou o governador.

2) Citar suplementos jornalísticos e quadros em programas na TV: O “Caderno 2”, de O Estado de S. Paulo.

3) Indicar palavra ou expressão estrangeira – recurso que só deve ser usado excepcionalmente, pois seu abuso indica pedantismo e dificulta a leitura. Neste caso, grafar o trecho aspeado em itálico, seguido de sua tradução, ou explicação, entre parênteses; exemplo: “Alea jacta est” (“A sorte está lançada”, em latim).

4) Indicar palavra ou expressão empregada em sentido distinto do literal, ou que não deve ser levada ao pé da letra. Exemplos: O Irã é um dos paises listados no “Eixo do Mal”; ou Formou-se uma “santa aliança” contra Hugo Chávez. Também aqui, o uso deve ser moderado, pois com freqüência é dispensável e redundante.

cargos – Use o nome completo e o cargo de um ocupante de função pública na primeira vez em que este for mencionado: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Aécio Neves. Nas referencias que se seguirem, prefira usar apenas um dos dois — ou o cargo, ou o nome.

data – Para designar datas, use algarismos arábicos para o dia, minúscula para o mês e algarismos arábicos para o ano sem ponto de separação do milhar: 31 de outubro de 1952. Apenas o dia primeiro de cada mês é grafado com ordinal, seguido da barra e do número do mês (1º/5). Na internet, evite advérbios como “hoje” ou “na manhã de ontem. Prefira a forma “nesta sexta-feira (4)”. Jamais use o zero antes de um dia da semana ou do mês (nunca escreva 02/05).

deus/Deus – Acompanhando a norma mais usada, o portal grafa com maiúscula quando se trata da entidade religiosa. Para metáforas, use caixa baixa: “o deus do futebol”.

entrevistas - O Vermelho tem um padrão para publicação de entrevistas. Seja ela feita por nossa redação, seja ela reproduzida de outras fontes. O formato a ser seguido é como no exemplo abaixo. Com as seguintes características: Na primeira pergunta, deve vir primeiro o nome do veículo de comunicação que fez a entrevista em negrito, depois dois pontos e em seguida a pergunta em negrito. As perguntas subseqüentes não necessitam repetir o nome do veículo. Na primeira resposta, deve vir primeiro o nome do entrevistado, dois pontos e depois a resposta, sem negrito nem itálico. Perguntas e respostas devem vir juntas, sem pular linha. Pula-se linha somente entre o fim de uma resposta e o início de uma nova pergunta. Apenas no caso de uma entrevista com duas pessoas deve-se abrir a resposta com o nome de cada entrevistado.

Terra Magazine: O senhor era um dos que estavam aflitos em postergar a definição da candidatura entre Serra e Aécio. Houve um consenso entre os membros do DEM?

Rodrigo Maia: Eu tenho uma opinião e ela está mantida. Mas a data é uma decisão do PSDB, por que quem tem candidato a presidente são eles e não nós. Agora, tanto eu quanto a maioria do partido, a maioria dos diretórios regionais do PSDB, todos entendem que, para ter palanques regionais organizados com a eleição presidencial, não dá para esperar até março do ano que vem. Agora, é claro que a decisão é do PSDB.

Os presidentes do PSDB de São Paulo e da Bahia não foram ao encontro tucano para discutir as eleições. O senhor acredita que a estratégia desses Estados de postergar a decisão abale a imagem de Serra?

Acredito que a questão é muito mais que todos tenham o direito de darem suas opiniões e que o Sérgio Guerra saiba conduzir o processo da melhor forma possível. Não vejo grandes coisas na ausência, afinal, sabemos por que não foram e que isso reflete a opinião deles.

estado/Estado – Use maiúscula, mesmo no plural, para o conceito político: golpe de Estado, política de Estado. Quando se tratar de unidade federativa ou for sinônimo de situação, disposição, empregue minúscula: estado de espírito, em mau estado, o estado de Pernambuco.

estrangeirismos – Como regra, evite palavras ou expressões estrangeiras. Use-as quando não existe equivalente em português ou foram consagradas pelo uso corrente: rock, show, pop, punk, réveillon, status, blitz, kitsch, link, online, overnight, outdoor, know-how, lobby, software etc. Nesses casos são grafadas sem aspas.

Em outros casos, só usar expressão estrangeira excepcionalmente, pois seu abuso indica pedantismo e dificulta a leitura. Neste caso, grafar o trecho entre aspas, em itálico, seguido de sua tradução, ou explicação, entre parênteses; exemplo: “Alea jacta est” (“A sorte está lançada”, em latim).

etc. – Abreviatura da expressão latina “et coetera”, que significa “e as demais coisas”. Não a use, a não ser em citações, pois transmite a impressão de que algo merecia ser mencionado e não o foi. Ponha vírgula antes e ponto depois de “etc”, conforme o Formulário Ortográfico: “Promessas, expectativas, bate-bocas, etc. fazem parte da campanha”.

gíria – Ver jargão.

gentílicos – Acreano, alagoano, amazonense, amapaense, baiano, cearense, brasiliense ou candango, capixaba ou espírito-santense, goiano, maranhense, mineiro, mato-grossense do sul, mato-grossense, paraense, paraibano, piauiense, paranaense, fluminense (para o estado do Rio de Janeiro), potiguar ou riograndense do norte, rondoniense, roraimense, gaúcho ou riograndense do sul, catarinense, sergipano, paulista, tocantinense; e ainda: aracajuano, carioca (para a cidade do Rio de Janeiro), paulistano (para a cidade de São Paulo), soteropolitano (para Salvador), catariano (para Catar), britânico (para quem nasce no Reino Unido).
governo – Escreva sempre com minúscula: governo federal, governo estadual.

horários – grafar horários quebrados segundo o padrão "XXhYY", como em 20h15. Para horários redondos, grafar por extenso: "11 horas".

indígena/índio – Prefira a primeira designação. Escreva os nomes dos povos indígenas em minúsculas e com o plural flexionado: guaranis, ianomâmis, caiapós, caiovás (jamais use Kaiowas, já que trata-se de grafia estrangeira).

jargão/gíria - Evite expressões de domínio exclusivo de um grupo. Quando for imprescindível, indique o significado entre parênteses. Por exemplo, “O avião fez um looping (um giro no eixo das asas) e depois executou um pilofe (curva de 180 graus feita para pousar)”.

lei/Lei – Comece com maiúscula quando a lei tiver um nome consagrado (Lei Sarney, Lei do Ventre-Livre, Lei de Diretrizes e Bases) ou número (Lei nº 5.250, Projeto de Lei nº 4.317). A mesma regra vale para outros textos legais: Constituição, Código Penal, Plano Diretor. Use minúsculas nos demais casos.

nomes estrangeiros – Nomes de órgãos e entidades estrangeiras devem ser traduzidos. Siglas estrangeiras podem ser traduzidas, como CNA (Congresso Nacional Africano), ou não, se consagrados, como CIA. O FBI americano é o Birô Federal de Investigações, enquanto o antigo KGB soviético é o Comitê de Defesa do Estado (masculino, portanto). A Otan é a Organização do Tratado do Atlântico Norte e não NATO. Evite usar “Pacto de Varsóvia” para a organização de defesa dos antigos estados socialistas, porque trata-se de deturpação pela mídia do nome real: Organização do Tratado de Varsóvia.

maiúsculas/minúsculas - Use maiúsculas no início das frases, no início dos nomes próprios e nos seguintes casos:

  1. Conceitos que se confundem com nomes próprios: Constituição, Estado, Federação, União, República, Poder Executivo, Legislativo, Judiciário, Justiça. Seguindo a mesma lógica, Terceiro Mundo, Norte e Sul, Oriente e Ocidente (quando não designam apenas a localização geográfica);
  2. Trecho entre aspas que contém uma oração completa; exemplo: “O ministro disse: ‘Acabou a inflação’" (mas: “O ministro disse que ‘acabou a inflação’”);
  3. Nomes de instituições, órgãos e unidades administrativas: Presidência da República, Supremo Tribunal Federal, Câmara dos Deputados, Ministério da Fazenda, Secretaria da Educação, Exército, Forças Armadas, Polícia Militar, Comissão de Relações Exteriores, Museu de Arte Moderna, Prefeitura de Macapá.
  4. Nomes de datas, eras e eventos históricos: 1º de Maio, 11 de Setembro, Revolução Americana, 2ª Guerra Mundial, Antiguidade, Idade Média;
  5. Título de obras (discos, livros, filmes, pinturas, esculturas, peças de teatro, óperas, programas de TV): “O Lago dos Cisnes”, “O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu”, “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”.
  6. Topônimos: Ilha de Marajó, Oceano Índico, Serra da Mantiqueira, Avenida Getúlio Vargas, Praça da Paz, Praça Verde de Tripoli;
  7. Região geográfica ou espacial, oficial ou consagrada: Triângulo Mineiro, Vale do Paraíba, Baixada Fluminense, Meio-Oeste (Costa Leste, Costa Oeste) dos Estados Unidos, Leste Europeu, Oriente Médio, Ásia Central;
  8. Leis e normas, quando constituírem nome próprio: Lei Sarney, Lei Áurea, Constituição, Lei nº 5.250, Projeto de Lei nº 4.317, Código Penal, Plano Diretor;
  9. Apelidos, inclusive epítetos de personagens históricos: Toninho Malvadeza; Ivã, o Terrível; Pepino, o Breve; Ricardo Coração de Leão; João Sem Terra; Maria, a Louca;
  10. Prêmios e distinções. Como regra, utilize iniciais maiúscula: Prêmio Nobel de Medicina, Ordem do Cruzeiro do Sul, Prêmio Esso de Jornalismo. Em premiações artísticas, porém, apenas o nome da distinção (e não a categoria) começa com maiúscula: Prêmio Jabuti de melhor romance, Oscar de melhor atriz.
  11. Use minúsculas nos seguintes casos:
    1. nação, país, governo, exterior e interior - sempre, a não ser que integrem nome próprio;
    2. república e monarquia, quando designarem forma de governo;
    3. estado, para se referir a unidades federativas (estado de São Paulo, estado da Paraíba) e como sinônimo de situação (disposição: estado de espírito, estado de sítio, estado sólido).
    4. norte/sul/leste/oeste, oriente, ocidente, quando se referirem à noção geográfica: O navio seguia para o norte; Ao oriente da França está a Alemanha.
    5. cargos, profissões, títulos e fórmulas de tratamento: papa, presidente, sir John, cardeal Arns, engenheiro, doutor pela USP, padre Vieira, mestre Abelardo, lorde Keynes, santo Antônio, são Pedro, senhor, dom, você.
    6. Quando a designação do cargo fizer referência a instituição ou órgão de governo, atenção para manter a maiúscula no segundo termo: secretário da Defesa, ministro do Interior, governador do Estado;
    7. ciências, disciplinas, escolas e movimentos artísticos - direito, filosofia, sociologia, português, física, medicina, deontologia, paleontologia, arte, literatura, surrealismo, impressionismo, romantismo;
    8. meses e dias da semana: janeiro, julho, dezembro, sexta-feira, segunda, domingo;
    9. gentílicos - brasileiro, romano, carioca, estadunidense.
    10. internet: o Vermelho escreve internet em caixa baixa, contrariando a maioria, por ser nome comum.

moedas – Use as abreviaturas R$ e US$, seguidas de espaço, para reais e dólares respectivamente. Escreva por extenso os nomes de outras moedas, como euro, peso argentino ou rúpia. Use R$ 2 milhões ou US$ 3.456 dólares.

não – Como prefixo, sem hífen: nãoagressão, nãoalinhado, nãocombatente, nãocontradição, nãoengajado; nãoficção, nãofumante, nãolinear.

nomes/sobrenomes, masculinos/femininos – Na primeira menção, use sempre nome e sobrenome, mas evite o nome completo: João Amazonas (e não João Amazonas de Souza Pedroso). Nas menções seguintes, para personagens femininos, use o primeiro nome: Marta (e não Suplicy), Condoleezza (e não Rice), Fernanda (e não Montenegro). O Vermelho adota essa norma por ser uso brasileiro arraigado, embora contrariando a imprensa estrangeira e em boa medida a nacional. Para nomes masculinos, não há norma fixa: use Aécio (e não Neves), Fidel (e não Castro), Aldo (e não Rebelo) — mas Garotinho (e não Anthony); Alckmin (e não Geraldo). Decline os cargos ocupados por mulheres (presidenta, governadora, prefeita, deputada), que é comum de dois gêneros.

nomes de homens públicos – Na primeira menção, no caso de parlamentares, indique entre parênteses o partido e o estado: “a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA)”; “o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM)”. A regra não vale para cargos executivos; neste caso, só indique a filiação partidária se o conteúdo o exigir.

nomes próprios de personagens vivos – São grafados conforme seus donos o usam (exemplo: Anthony Garotinho). Nomes próprios de personagens mortos são grafados pela norma ortográfica vigente: Ulisses Guimarães (e não Ulysses); Felipe dos Santos (e não Fhelippe); Mariguela (e não Marighela) Afonso Guimarães e não Alphonsus Guimaraens, Luís Gonzaga e não Luiz Gonzaga.
nomes próprios estrangeiros – Adote as seguintes normas:

  1. nomes de línguas escritas com letras latinas: a regra é manter a grafia original, ignorando sinais inexistentes em português: Vaclav Havel (pronuncia-se Vasslav Gavel, mas não translitera-se), mas Gaston Lefèvre (e não Gaston Lefevre). Exceções: nomes que têm grafia consagrada em português: Nova York (e não New York ou Nova Iorque); Peru (e não Perú); Guantânamo (e não Guantánamo); Madri (e não Madrid); Florença (e não Firenze); Assunção (e não Assunción). Descarte, porém, grafias adotadas em Portugal que não se consagraram no Brasil — use Stuttgart (e não Estugarda), Kiev (e não Quiévia) Moscou (e não Moscovo). Evite utilizar Inglaterra para o conjunto de países situados na Ilha Britânica. Use Reino Unido ou Grã-Bretanha, visto que a Inglaterra é um país integrante do Reino Unido, junto com Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, entre outros.
  2. abrasileirar nomes próprios vindos de idiomas que não usam o alfabeto latino: Iasser Arafat (e não Yasser); Al Jazira (e não Al Jazeerah), Vietnã (e não Vietnam), Talibã (e não Taliban), Fedaín (e não Fedaiyn), Kuait (e não Koweit), Catar (e não Qatar), Muamar Kadafi (e não Muammar Gaddafi), Al-Qaida (e não a forma inglesa Al-Qaeda). Os artigos árabes AL- e EL- devem ser grafados em maiúscula caso estejam no início do nome próprio, à semelhança de Da Vinci (Leonardo da Vinci): Al-Qasr, e minúscula, no meio do nome próprio Ruollah al-Qasr. Iêmen, Butão, Barein, Iugoslávia, Guantânamo, Omã (capital), Tchecoslováquia (e não Checoslováquia) República Tcheca (em lugar de Checa) ou Tchéquia (nome real do país), Telavive, Bagdá (e não Bagdad), Tchetchênia (em lugar de Chechênia). Ramala em lugar de Ramallah, Telavive (em lugar de Tel Aviv), Quioto (e não Kyoto), Tóquio (e não Tokyo), Nova Delhi (e não New Deli), Mumbai (antiga Bombaim).
    Precaver-se em particular contra o uso de transliterações para o inglês. Exemplo disso é o nome próprio árabe Saíd, que em inglês grafa-se Saeed. Seguir o padrão da grande imprensa em casos excepcionais onde haja uma grande unidade: Saddam (e não Sadam),
  3. nomes próprios chineses são grafados conforme a grafia proposta pelos chineses, exceto aqueles que adquiriram tradição própria no português, em especial Pequim (e não Beijing), Cantão (e não Guangdong), Xangai (e não Shanghai), Nanquim (e não Nanjing) e Mao Tse Tung (e não Mao Zedong).
  4. nomes de monarcas e lideres religiosos em geral têm formas consagradas no português: João Paulo II (e não Giovanni Paolo ou Ioannes Paulus); Luís XIV (e não Louis XIV); Ricardo Coração-de-Leão (e não Richard The Lion-Hearted); Martinho Lutero, Calvino.
  5. adotar novas grafias adotadas por países, como  Belarus (em vez de Bielorússia), Mianmar (em vez de Birmânia), Sri Lanka (em vez de Ceilão) e Moldova (em vez de Moldávia). Quando necessário, agregar o nome antigo entre parênteses.

nós/nosso – Evite em todas as circunstâncias, exceto quando transcrever citação entre aspas. Use sempre “o Brasil” (e não “nosso pais”), “o PCdoB” (e não “nosso partido”).

números – Escreva por extenso números inteiros de zero a dez, além de cem e mil, sejam cardinais ou ordinais: “Andou dez quilômetros”; “Chegou em sétimo lugar”; “Havia 50 pessoas no auditório, e apenas 11 ficaram até o final”; “Ele foi o 23º da turma”. Exceção: dias do mês, horários e idade: use “7 de abril” (e não “sete”), “chegou às 5 horas da tarde” (e não “às cinco horas”), “tinha 6 anos de idade” (e não “seis anos”). No caso de números redondos, escreva a ordem de grandeza por extenso em seguida ao algarismo: use “3 mil” (e não “três mil” ou “3.000”); “7 bilhões” (e não “sete bilhões” ou “7.000.000.000”). Use um ponto nos algarismos acima do milhar (10.578), exceto no caso dos anos: “estamos em 2007” (e não “2.007”).

país – Use caixa baixa, mesmo em se tratando do Brasil.

palavrão – Evite, em especial caso seja gratuito ou obsceno. Quando entre aspas ou indispensável à compreensão do conteúdo, escreva-o por extenso, sem recorrer a iniciais ou asteriscos.

PCdoB – Jamais grafar “PC do B”, mas sempre “PCdoB”.

polícias – Como são instituições, Polícias Militares e Polícias Civis devem ser grafadas em caixa alta e baixa, mesmo no plural.

porcentagem – Grafe sempre com algarismos: 1%, 99%. Não confunda com ponto percentual; se a inflação subiu de 2% para 3%, ela teve aumento de 50% — mas de apenas 1 ponto percentual.

siglas – são em caixa alta quando têm três letras ou menos (UNE, BC, ONU, CLT), mas em caixa alta quando formam conjuntos que são soletrados (exemplos: IBGE, CNBB, FGTS). As siglas são em caixa alta e baixa quando têm mais de três letras e formam conjuntos pronunciáveis como palavras (exemplos: Ubes, Petrobras, Concut). Há exceções consagradas, como CNPq, UnB, AIEA e MinC. Se precisar formar plural, acrescente “s” minúsculo: TVs, BTNs. A primeira vez em que a sigla é mencionada no texto deve ser precedida do seu significado por extenso; exemplo: União Brasileira de Mulheres (UBM). Abrir exceções para siglas muito difundidas, como ONU, CUT, MST, UNE, Bradesco, Petrobras. Não use pontos: ONU, e não O.N.U. Não grafe com maiúsculas Efe (a agência de notícias espanhola) e Fed (o banco central norte-americano); parecem siglas, mas não são.

telefone – Números de telefone devem ser sempre antecedidos pelo código de área entre parênteses: “O telefone geral do Hospital das Clínicas de São Paulo é (11) 2282-2811”. No caso de número no exterior, incluir o código do país: “A polícia de Washington pede que informações sejam transmitidas pelo telefone (001-202) 5555-2368”.
televisão - Para abreviar, use TV, nunca tevê.

títulos – Não use, ao tratar personagem de matérias para o Vermelho, títulos como senhor, doutor, excelência, dona e congêneres. Evite o emprego, inclusive nas perguntas de entrevistas feitas pelo Vermelho. Refira-se ao “advogado Fulano” (e não ao “doutor Fulano”). Em atenção ao uso corrente, abre-se exceção, na primeira menção feita pelo texto, para os termos “ministro” (designando membros dos tribunais superiores) e “dom” (usado para dignitários da Igreja Católica e fidalgos ibéricos). Outras exceções, apenas em textos assinados.

títulos de obras – Escreva nomes de obras e espetáculos (discos, livros, filmes, pinturas, esculturas, peças de teatro, óperas, programas de TV, etc.) em itálico com maiúsculas no início de cada palavra (exceto artigos, preposições, conjunções e partículas átonas). A primeira palavra do título também é grafada em maiúscula, qualquer que seja sua classe gramatical: O Morro dos Ventos Uivantes; Um Bonde Chamado Desejo; Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.

veículos de comunicação - Grafar o Vermelho em negrito, precedido de artigo definido, como se faz com os jornais; grafar nomes de órgãos de imprensa em itálico (O Globo, Correio Brasiliense); grafar sem aspas nem itálico nomes de emissoras de rádio e TV (Rede Globo, Al Jazira).

Normas gramaticais

a/há – “Há”, do verbo haver, quando se refere a tempo, indica sempre o passado e pode sempre ser substituído por “faz”: “O movimento começou há (faz) uma semana”. Nos casos em que cabe a preposição “a”, não é possível a substituição por “faz”.

a/à. – “À”, com crase, é a contração da preposição “a” com o artigo “a”. Na frase “Fui a nado até a praia”, o primeiro “a” é preposição, enquanto o segundo é artigo. Já em “Fui à praia”, o “a” vem com crase porque soma o artigo e a preposição. Uma regra prática para saber quando usar a crase: substitua o substantivo feminino por um masculino; se couber “ao” (que também é uma contração, da preposição “a” com o artigo masculino “o”), como em “Fui ao cinema”, use a crase. Se não couber, como em “Fui até o cinema”, não use.

Acentuação – 1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas. Ex: Coréia-Coreia, apóia-apoia, factóide-factoide, heróico-heroico. Continuam acentuadas as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos terminados em éis e ói(s). Ex: papéis, herói, dói.

2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo. Ex: baiúca-baiuca. Se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece. Ex: Anhangabaú, Piauí. Se o i ou o u forem precedidos de ditongo crescente, o acento permanece. Ex: Guaíra.

3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s). Ex: vêem-veem, vôos-voos

4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera. Continua o acento diferencial em pôde/pode e pôr/por, assim como os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir e de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.).

5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.

Concordância verbal - Como o verbo (a ação) se flexiona de acordo com o sujeito (o autor da ação), a maneira mais prática de definir a concordância é “perguntar” ao verbo se o sujeito está no singular ou plural e em que pessoa (eu, você, ele, nós, vocês, eles). Embora o verbo possa ir para o plural ou permanecer no singular se o sujeito for um coletivo singular seguido de um complemento no plural, dê preferência para a flexão de acordo com o coletivo.  Ex: um grupo de manifestantes concentrou-se (em lugar de concentraram-se).

este/esse – A confusão entre estes dois pronomes demonstrativos e seus correlatos (isto/isso, nesse/neste), sobretudo na linguagem oral, contribui para apagar uma distinção importante da língua. A nuance fica evidente quando se recorre à fórmula “este aqui, esse aí, aquele lá”. Use sempre a variante com “t” para se referir à data presente — este dia (hoje), este ano (2007), este século (21). Quando há referências a termo ou expressão já citadas no texto, use a forma com “ss”, como no exemplo: “O desemprego atingiu 12% da população. Para resolver esse problema, o governo...”. A forma com “st” é correta para anúncio de informação. “O problema é este: o governo não contém a inflação”.

Hifenação – Casos gerais

  1. Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h. Ex: anti-histórico, super-homem.
  2. Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a outra palavra. Ex: anti-imperialista, inter-regional.
  3. Não se usa o hífen se o prefixo terminar com letra diferente daquela com que se inicia a outra palavra. Ex: antiaéreo, agroindustrial. Se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar por r ou s, dobram-se essas letras. Ex: antirracismo, ultrassom.

Casos particulares

  1. Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r. Ex: sub-região, sub-reitor.
  2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal. Ex: pan-americano.
  3. Usa-se o hífen com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, vice. Ex: pré-candidato, sem-terra.
  4. O prefixo co junta-se com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o ou h. Neste último caso, corta-se o h. Se a palavra seguinte começar com r ou s, dobram-se essas letras. Ex: coedição, corresponsável.
  5. Com os prefixos pre e re, não se usa o hífen, mesmo diante de palavras começadas por e. Ex: preexistente, reedição.
  6. Na formação de palavras com ab, ob e ad, usa-se o hífen diante de palavra começada por b, d ou r. Exemplos: ob-rogar, ab-rogar.

mal/mau – Não são palavras sinônimas. “Mal” (com “l”) é o oposto de “bem”, ao passo que “mau” (com “u”) se opõe a “bom”. Dessa forma, siga a seguinte regra: se puder substituir por bem, escreva com l (mal); se a substituição for por bom, escreva com u (mau).

neo – Com hífen antes de vogal, h, r, s: neoclassicismo, neocolonialismo, neo-escolástica, neofascismo, neo-hegeliano, neokantiano, neolatino, neoliberal, neopositivista, neo-realismo, neo-republicano, neozelandês.

por que/porque - O significado é o mesmo: razão, causa, motivo. Muda a função gramatical. Em frases interrogativas, usa-se “por que” (separado) como sinônimo de “por qual razão”: “Por que (por qual razão) ele não veio ontem?”. Também se usa “por que” (separado) em frases afirmativas quando significam “a razão pela qual”: “Ele não disse por que (a razão pela qual) não veio”. Usa-se porque (junto) quando se dá explicação ou causa, podendo ser substituído por pois: “Ele não veio porque (pois) não quis”. Também se usa o porque (junto) nas interrogativas em que a resposta já é sugerida: “Você não veio ontem porque estava doente?”. Há ainda as formas por quê e porquê (acentuados). Usa-se “por quê” em final de frase ou quando se quer enfatizar ainda mais uma pausa já forte marcada por vírgula: “Ele não veio por quê?”; “Não sei por quê, mas...”. Porquê é substantivo e sinônimo de causa: “Não entendo o porquê de sua ausência”.

sem – Leva hífen quando formar substantivo: sem-cerimônia, sem-família, sem-fim, sem-pudor, sem-pulo, sem-sal, os sem-terra, os sem-teto, os sem-vergonha.

vice – Sempre com hífen: vice-almirante, vice-campeão, vice-governador, vice-líder, vice-prefeito, vice-presidente, vice-reitor.

Breve Manual da Rádio Vermelho

Ainda em elaboração, este manual deve servir como referência para a redação de textos radiofônicos a serem utilizados na Rádio Vermelho.

Não faça rodeios nem estenda muito a frase, seja direto:

Ao invés de: “Grande parte dos manifestantes tendem a permanecer parados nas ruas estreitas do centro de São Luís, o que faz com que a manifestação siga em uma grande lentidão.”

Use: “O fluxo de manifestantes é lento nas ruas estreitas do centro de São Luís.”

A melhor maneira de redigir um texto para a rádio é:

  1. Imagine-se conversando por telefone com um amigo
  2. Escreva para sua avó e/ou irmão menor entender
  3. Leia em voz alta o que escreveu, para perceber a fluidez do texto
  4. Use frases curtas, que facilitam a locução e o entendimento
  5. Prefira a ordem “sujeito, verbo, predicado” – “a via está congestionada”, ao invés de “está congestionada a via”.

O ouvinte tem uma única oportunidade para entender o que está sendo dito, portanto reitere a ideia principal de forma que não fique repetitiva.

Use o singular, evite rimas – Sempre que possível escreva no singular; Muitas palavras seguidas terminadas em “S” geram um som de chiado quando ditas em um microfone.

Evite as rimas: “A principal marginal da capital”.

Evite cacófatos: “Por cada”, “vi ela”, “boca dela”, “tocar gado”.

Jargão ou termo técnico: Quando usá-lo, explique-o logo em seguida.

Pronúncia – Quando se deparar com nomes estrangeiros ou difíceis de pronunciar, escreva como se lê:
Ritler,  para Hitler
Uóchinton, para Washington
Lichten stáin, para Lichtenstein
Hruchov, para Khruchov
Iossif, para Josif
Ânguela Merquel para Angela Merkel
Ênguels, para Engels

Horários – Horas devem ser pronunciadas: “às três da tarde” e não “às 15  horas”. “Meio dia” e “meia noite” ao invés de “12 horas” e “24 horas”. Como os nossos programas são reprisados, evite usar “Bom dia”, “Boa tarde”, “Boa noite” e também evite “ontem”, “hoje”, “amanhã”. No início do texto, e somente nele, insira a data após escrever o dia da semana: “Terça-feira, 22 de maio de 2012”.

Datas – use “15 de abril de 2012”, ao invés de “quinze de abril de dois mil e doze”, por que nosso olho já está bastante acostumado.

Números – Use “cinco mil” ao invés de 5.000. Em caso de números longos, prefira a forma mista: Use “15 milhões, 312 mil, 32 reais”, ao invés de “R$ 15.312.032”. Em caso de medidas, prefira também a forma mista: A fazenda tem 20 mil e 300 metros quadrados, ao invés de 20.300m². Em caso de porcentagens, prefira a expressão “por cento”: Use 5 por cento, 30 por cento,  ao invés de 5%, 30%.
Evite os números romanos a todo custo: “Uma greve irrompeu nas fábricas da rua joão vinte e três”, ao invés de “Uma greve irrompeu nas fábricas da rua João XXIII”. Caso contrário, o locutor poderá ler “... João xiiiii” por acidente.

Siglas – Use ponto quando se lê a letra: “P.C.do B.”, “I.P.T.U”, “P.T.”, “B.N.D.E.S.”, “P.C.P.”, “K.K.E.”, “U.J.S”. Siglas pronunciáveis não precisam, portanto, do ponto: Une, Bandepe, Sabesp, Comgás, Tam.

Pontuação –  Use vírgula toda vez que for necessária uma pausa na respiração. Use // após cada ponto e /// para o ponto final. Isso facilita a visualização do locutor dos pontos e respiros do texto. Use também a pontuação espanhola quando houver uma pergunta ou uma ênfase no texto. Digite o “?” no início da frase, assim como na língua espanhola. O mesmo vale para a ênfase, no caso o “!”

“?Quando terá início o protesto a favor das vagas no ProUni?”

“!O Timão venceu mais uma no Brasileirão!”

Tempo – Para controlar o tempo de locução em uma lauda escrita há uma fórmula simples: Uma linha de 65 toques corresponde a 4 ou 5 segundos. Cada 12 linhas de texto correspondem a cerca de um minuto de locução.

Facilite a leitura pelo locutor – Digite em espaço duplo. Não separe jamais as sílabas. Escreva os nomes próprios em maiúsculas.