Anderson
Adauto foi eleito deputado federal (PL-MG) em outubro
de 2002, cargo que deixou para assumir o ministério.
Tem 45 anos e é advogado. Já cumpriu quatro
mandatos consecutivos, em um total de 16 anos como deputado
estadual na Assembléia Legislativa de Minas Gerais,
para a qual foi eleito, pela primeira vez, em 1986, aos
28 anos, e onde ocupou a presidência no biênio
1999-2000.
Na
eleição de 2002, foi o deputado federal
mais votado do PL em Minas, com 100.838 votos, recebidos
em 452 municípios. Mas as suas principais bases
de atuação política estão
no Triângulo Mineiro, principalmente na cidade de
Uberaba, onde obteve mais da metade dos votos válidos
do município, e no Sudoeste de Minas.
A
iniciação de Anderson Adauto na política
se deu no movimento estudantil, quando, no final dos anos
70, ocupou a presidência do Diretório Acadêmico
Leopoldino de Oliveira, da Faculdade de Direito da Universidade
de Uberaba. A entrada na militância partidária
teve um conselheiro muito especial: o ex-presidente Tancredo
Neves, que foi o paraninfo da sua turma, em 1981. Em 1985
Anderson Adauto tornou-se secretário municipal
de Indústria e Comércio de Uberaba, onde
buscou diversificar a economia do município. No
entendimento do então secretário, a cidade
precisava criar opções para que o crescimento
econômico fosse acompanhado da geração
de empregos.
Em
sua gestão foi criado o programa “Bolsa de Arrendamento
de Terras”, que permitiu a utilização de
terras produtivas e valorizadas, antes ociosas, que passaram
a ser cultivadas por produtores rurais do Sul do Brasil
através de contratos de arrendamento agrícola.
Com a Bolsa de Arrendamento de Terras foi incentivado
o processo de mecanização da agricultura
e incorporadas novas tecnologias à produção,
possibilitando a Uberaba se consolidar como um dos mais
importantes polos nacionais na produção
de grãos.
Também
em sua gestão foi viabilizada a implantação
de diversas unidades misturadoras de fertilizantes, que
passaram a utilizar como matéria-prima produtos
da Fosfértil, uma das maiores empresas da região.
Fruto desta visão de desenvolvimento foi consolidado
o pólo químico de Uberaba, através
da instalação de uma unidade de tancagem
de álcool da Petrobras, que foi fundamental para
a cidade recebesse, nos anos 90, um ramal do poliduto
ligando a Refinaria de Paulínia, em São
Paulo, a Brasília e Goiânia, passando por
Ribeirão Preto.
Na
Assembléia Legislativa Anderson Adauto teve sua
atuação parlamentar destacada pela preocupação
em melhorar a infra-estrutura do Triângulo Mineiro
e ficou conhecido como o deputado das estradas. A integração
do Triângulo Mineiro, com a Hidrovia Tietê-Paraná,
por meio de portos fluviais, foi uma das bandeiras defendidas
pelo parlamentar.
Também
se destacou pela aprovação da lei estadual
12.276, que autoriza o estado a firmar contratos ou convênios,
em sistema de parceria, com empresas ou consórcio
de empresas, para a execução de obras de
infra-estrutura, criando um modelo de colaboração
entre o poder público e a iniciativa privada, que
já deu certo na implantação de várias
rodovias na região do Pontal do Triângulo
Mineiro e de obras de infra-estrutura em outras regiões
do estado.
No
aspecto político, Anderson Adauto teve sempre proximidade
com as causas defendidas pelo Partido dos Trabalhadores,
tendo sido inclusive o líder do Bloco PT-PMDB,
formado em 1998. Em 1999, Anderson Adauto assumiu a presidência
da Assembléia Legislativa do estado de Minas Gerais
e teve uma gestão marcada pela interiorização
das ações do Legislativo mineiro, por uma
maior interlocução entre o parlamento estadual
e as entidades da sociedade civil organizada, e pela fiscalização
das ações do Executivo.
Neste
período a Assembléia se engajou na luta
contra a privatização de Furnas Centrais
Elétricas e em discussões sobre o modelo
econômico brasileiro. Em 2001, Anderson Adauto,
o senador José Alencar e várias lideranças
históricas deixam o PMDB mineiro e passam a integrar
o Partido Liberal, legenda que abriu espaço para
a defesa de teses como uma melhor distribuição
de renda, redução das desigualdades sociais
e parceria entre o capital e o trabalho.
Foi
o início do relacionamento entre o PT e o PL, entre
Lula e José Alencar, que resultou na formação
da chapa que se tornou vitoriosa na eleição
presidencial do dia 27 de outubro. A indicação
de Anderson Adauto para ocupar a pasta dos Transportes,
uma das mais importantes do governo federal, pode ser
vista, portanto, como o reconhecimento ao papel desempenhado
pelo Partido Liberal para a vitória de Lula em
outubro.
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