16 de Junho de 2017 - 15h52

Crise econômica persiste e derruba a arrecadação

Há uma enorme contradição no noticiário divulgado pela mídia que patrocinou o golpe de Estado de 2016. São notícias que revelam uma verdadeira torcida em torno de informações “positivas” irreais, de que o Brasil estaria saindo da grave recessão em que foi colocado nos últimos dois anos, agravada pelas medidas reacionárias da dupla Michel Temer/Henrique Meireles. E que seria superada por um discreto crescimento do PIB este ano – menos de 1% – e cerca de 2% em 2018, apostam alguns analistas.

Esse “otimismo” é desmentido diariamente pelas notícias que mostram o aumento no desemprego e queda na arrecadação pública.

A situação gera um círculo vicioso fatal – o desemprego leva à queda da massa salarial e ao empobrecimento dos brasileiros, que consumem menos, agravando a situação das empresas, que veem seu mercado minguar. A produção cai, o desemprego cresce e a arrecadação do governo cai.
Dados do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) mostram que a arrecadação federal, neste mês de maio, foi 3% menor do que em maio de 2016.

É uma contradição apontada por economistas como José Roberto Afonso (professor do Instituto de Direito Público) que, em depoimento recente à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, analisou o comportamento da arrecadação do governo federal e apontou que, entre 2011 a 2016, a queda na receita líquida da União (descontadas as transferências a estados e municípios) correspondeu a 1,9% do PIB. E os sinais mostram que pode piorar. Ele prevê que haverá queda ainda maior na arrecadação de 2018 em relação a 2017.

Um dos fatores dessa queda é, diz ele, a diminuição da importância da indústria na economia, setor no qual a queda da arrecadação foi de 22% (na indústria de transformação). Embora tenha havido aumento no setor de serviços (9,5% no comércio e transporte, e 1,7% no setor financeiro), ele está longe de compensar a perda na indústria.

Avaliação semelhante, e nada otimista, é feita também por um economista conservador, o ultraliberal Ilan Goldfajn, atual presidente do Banco Central no governo golpista.

Em artigo publicado recentemente no site do Instituto de Estudos de Política Econômica / Casa das Garças (IEPE/CdG), Goldfajn reconheceu a ligação íntima que há entre o desemprego e a queda na arrecadação. “O impacto mais óbvio é que a perda de emprego e renda aprofunda a recessão e tem impacto maior na arrecadação”, escreveu.

A crise econômica é muito grave. E as medidas de contensão tomadas pelo governo golpista só irão agravá-la – como reconhece o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas o governo ilegítimo persiste nesse rumo, no desmonte do Estado e na sonegação de verbas para atender a direitos sociais duramente conquistados. Insiste na reacionária reforma trabalhista e na sonegação de direitos previdenciários, como a aposentadoria, aos brasileiros. Desmonta o país, cava o buraco da queda da arrecadação, cego no afã de satisfazer apenas à ganância da especulação financeira.

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