12 de Maio de 2017 - 20h05

Um ano de Temer, retrocesso e resistência

O dia 12 de maio ficará registrado, na história, como uma data triste para o povo brasileiro. Neste dia, faz um ano, foi dado um passo decisivo no rumo do enorme atentado à democracia e à legalidade que foi a deposição da presidenta legítima Dilma Rousseff e sua substituição pelo usurpador Michel Temer.

O golpe aprofundou o cenário de horrores que a direita construía desde a posse da presidenta eleita, em 2015. E a crônica do governo golpista é o relato de enormes e sucessivos ataques contra a democracia, os direitos do povo e dos trabalhadores, o desmonte do Estado e da economia do país, e o abandono da soberania nacional.

O próprio golpe inaugurou os ataques à democracia quando jogou na lata do lixo mais de cem milhões de votos populares, soberanamente exercidos na eleição presidencial anterior. Os ataques aos direitos políticos, econômicos, sociais e contra a soberania nacional se sucederam neste ano aziago.

O que viria com o golpe ficou claro logo no anúncio do ministério – não havia mulheres nem negros entre eles, apenas homens brancos e ricos figuravam na equipe que se constituiu de costas para o Brasil e o povo.

O governo golpista aprovou a Emenda Constucional 95 que reduz os investimentos públicos na saúde, educação e outras áreas. Congelou por 20 anos o orçamento da União, para reservar recursos e pagar juros e parcelas da dívida pública aos especuladores financeiros.

Os ataques aos direitos se sucederam a cada dia. A Previdência Social está sendo alvejada pela reforma que praticamente elimina a chance dos trabalhadores alcançarem a aposentadoria. Outro ataque contra os trabalhadores é a igualmente rejeitada reforma trabalhista, que desfigura a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Michel Temer dificultou, e muito, a vida dos mais pobres com as sucessivas investidas contra o Bolsa Família e cortes no Programa Minha Casa Minha Vida.

Na área da educação, suspendeu e dificultou programas que permitiram a milhões de filhos do povo o acesso ao ensino superior, com fortes cortes de verbas nos programas que atendiam aos estudantes mais pobres.

Atacou a agricultura familiar, cortou verbas e suspendeu programas importantes voltados a ela.
Prejudicou a saúde também através de cortes no orçamento e de medidas como a extinção da Farmácia Popular.

As privatizações voltaram com força, beneficiando principalmente empresas multinacionais, colocando novamente o país de joelhos ante as potências estrangeiras, sobretudo os EUA. Uma das primeiras medidas do governo ilegítimo foi entregar o pré-sal a empresas petrolíferas multinacionais. A construção de plataformas petroleiras voltou a ser encomendada a empresas estrangeiras, prejudicando severamente as empresas brasileiras de construção naval.

Não há nada a comemorar. As estatísticas mostram as dificuldades criadas pelos golpistas e que atingem todos os setores da economia e que, para o povo, se traduz em cerca de 14 milhões de desempregados.

Estes 12 meses de perdas de direitos foram também o tempo do crescimento da resistência popular à imposição do programa ultraliberal de Michel Temer. A popularidade do presidente ilegítimo despenca e o “Fora Temer” virou a palavra de ordem da resistência. A luta do povo cresceu, acentuando-se nos meses de março e abril, principalmente na grande greve geral, a maior já ocorrida em nosso país.

A unidade do povo cresce na resistência, que une os partidos políticos progressistas e democráticos, as centrais sindicais e entidades importantes do movimento social e da sociedade civil e demais organizações vinculadas à luta do povo pela democracia e pela legalidade.

Frente à dimensão da luta em curso, torna-se cada vez mais necessária a constituição de uma Frente Ampla, capaz de unir as forças democráticas, populares, progressistas e patrióticas capaz de fazer frente e derrotar o projeto ultraliberal em curso.


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