15 de Maio de 2016 - 12h46

Temer, o ilegítimo, sofre resistências no Brasil e no mundo

Dois atos ocorridos na quinta-feira (12) indicam o que será a vida política brasileira durante a interinidade de Michel Temer que, ilegitimamente, ocupa a Presidência da República desde aquele dia.

Um daqueles atos foi a reação popular ante o pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff. Ela saiu do Palácio do Planalto aclamada por milhares de pessoas que foram até lá manifestar sua solidariedade e repúdio ao golpe midiático-judicial-parlamentar que a afastou temporariamente do cargo.

O outro ato ocorreu ao entardecer daquele dia fatídico – foi o anúncio daqueles que, ocupando os ministérios, vão partilhar o governo da República com o ilegítimo Michel Temer, que não recebeu um único voto popular para exercer o mais alto cargo da nação. São todos homens, brancos e ricos, perfil que não representa a população brasileira mas somente a elite reacionária e neoliberal que patrocinou o golpe.

Foram dois atos simbólicos, sobretudo o que ocorreu sob o comando de Michel Temer.
Além da evidente indicação de contraposição ao povo brasileiro, aquele conjunto de dirigentes igualmente ilegítimos escondia contradições que logo no dia seguinte já se manifestaram.

A principal delas ganhou as telas da televisão na manhã da sexta-feira (13), quando Henrique Meirelles, posto à frente do Ministério da Fazenda, anunciou as primeiras medidas a serem tomadas. Medidas que ferem frontalmente os direitos dos trabalhadores e indicam a disposição de realizar uma reforma trabalhista (sobre a qual não deu detalhes) e a reforma da Previdência exigida pelos donos do dinheiro no Brasil.

A mudança anunciada na Previdência social é extremamente lesiva aos trabalhadores; ela prevê a fixação da idade mínima de 65 anos para a aposentadoria.

E provocou o primeiro racha público entre os golpistas – o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (conspirador golpista de primeira hora), logo esbravejou e, em nota, classificou as medidas planejadas por Meirelles como “estapafúrdias”.

Outros protestos vieram dos artistas e intelectuais que não aceitaram a extinção do Ministério da Cultura. A própria posse do deputado Mendonça Filho (DEM-PE) à frente do Ministério da Educação e Cultura foi vexatória, com a manifestação, durante a solenidade, de pessoas inconformadas com a extinção do Minc.

São apenas alguns sinais das dificuldades que o governo ilegítimo e sem votos vai enfrentar. Elas foram notadas já nas manifestações que ocorreram, ou estão marcadas, contra a nova ordem reacionária e retroativa que a direita tenta impor ao país.

Seu conjunto é grande. Nos dias 12 e 13 já ocorreram manifestações pelo “Fora Temer” em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Vitória. Novos protestos ocorrerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Natal, entre outras capitais e grandes cidades.

As reações de condenação ao golpe ocorrem também no exterior. A primeira tarefa de José Serra, que ocupa o ministério das Relações Exteriores, foi justamente tentar responder a manifestações antigolpistas que vieram da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e de cinco nações do continente que Serra, bem ao gosto da opinião que tomou de assalto o governo brasileiro, disse partirem de governos “esquerdistas”.

Mas o golpe não engana ninguém, dentro e fora do Brasil. Alguns dos principais jornais do mundo deram o nome certo à mudança feita pela direita: golpe! Em uníssono, seu noticiário destoa completamente daquilo que a mídia golpista e patronal repete à exaustão no Brasil – entre eles estão espanhol El Pais, o alemão Die Zeit, o francês Le Monde, o britânico The Guardian. O maior e mais influente de todos, o norte-americano The New York Times, publicou, na sexta-feira (13), um editorial duro segundo o qual Dilma Rousseff não cometeu nenhum crime mas paga um alto preço, e desproporcional, pelo que chamou por erros de administração.

A resistência contra o governo ilegítimo e golpista de Michel Temer está apenas no início e, tudo indica, não vai arrefecer, mas crescer e continuar clamando, a plenos pulmões: “Fora Temer”.
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