30 de Abril de 2016 - 23h34

Primeiro de Maio de luta e resistência contra o golpe  

 
O Primeiro de Maio é comemorado como o dia de luta dos trabalhadores desde 1890, em cumprimento a uma decisão da Internacional Socialista tomada em 20 de junho de 1889. Foi uma decisão para lembrar a greve de 1º de maio de 1886, em Chicago (EUA), pela jornada diária de oito horas, que foi reprimida a bala pela polícia, com a morte de dezenas de trabalhadores. O Dia Internacional do Trabalhador está historicamente ligado, desde o início, à luta pela redução da jornada diária, por melhores condições de trabalho e de renda, e contra as ameaças patronais e policiais.
 
No Brasil há notícias da comemoração do 1º de Maio desde 1895, e a data foi transformada em feriado em 1925, como dia para festejar o trabalho.
 
O dia é, realmente, de luta e de festa. Mas neste ano, quando está em andamento o golpe contra a democracia, será um dia de luta e resistência. Contra as ameaças que rondam os trabalhadores, o povo e a democracia.
 
O golpe midiático, judicial e parlamentear, articulado pela direita, tem um alvo definido e indisfarçado – fazer retroceder os benefícios alcançados nestes 13 anos de governos democráticos e populares. 
 
A direita brasileira nunca aceitou a recuperação do nível de renda, por mais discreta que tenha sido, que ocorreu desde 2003 e que reverteu a tendência histórica de diminuição da participação dos salários na divisão da renda nacional. Dados do IPEA mostram que, em 2002, a participação dos salários na renda nacional era de 31%, com tendência declinante. Em 2010, subiu para 35%, com tendência ascendente. É uma recuperação que não acontecia há meio século! E não agrada à direita golpista!
 
A política de recuperação do salário mínimo, os investimentos para fomentar o desenvolvimento econômico e criar empregos, a destinação constitucional obrigatória de verbas para áreas sociais, como saúde e educação, estão diretamente na mira das políticas neoliberais que, capitaneadas pelo traidor Michel Temer, rondam o Palácio do Planalto. De mãos dadas com a ameaça de privatização das empresas estatais, principalmente a Petrobras, e entrega a multinacionais de riquezas brasileiras, como o pré-sal. E colocar o Brasil em posição subordinada ao imperialismo.
 
Este golpe é o mais sério desafio, desde o início da ditadura militar de 1964, contra conquistas históricas dos trabalhadores e dos brasileiros, que ampliam e aprofundam a democracia. Estas conquistas estão hoje sob a ameaça concreta de retrocesso. 
 
Um eventual governo golpista será duplamente ilegítimo. Seu titular, Michel Temer, não recebeu um único voto popular indicando-o para o cargo principal do Estado que passará a ter, sob ele, a marca indelével da fraude legal que o alçou à Presidência da República. Além disso, aplicará – como tem alardeado – um programa de traição nacional e corte de direitos políticos, econômicos e sociais que foi condenado e rejeitado reiteradamente pelos eleitores nas quatro últimas eleições presidenciais (em 2002, 2006, 2010 e 2014). 
 
Para tamanha ilegitimidade o único remédio, previsto constitucionalmente, é o respeito rigoroso à vontade popular. E ele só será efetivo se houver, imediatamente, uma ampla consulta popular que indique a saída para a crise que a direita conservadora e neoliberal desatou: a convocação de um plebiscito sobre a conveniência da realização de eleições presidenciais antecipadas e, em seguida, a realização ampla e democrática de eleições diretas para presidente da República. Contra o golpe conservador e neoliberal, Diretas Já – esta é a exigência que o momento impõe ao país.
 
A disposição de derrotar o golpe da direita neoliberal contra os trabalhadores e o povo faz deste 1º de Maio um dia de luta e resistência democrática. Nele os brasileiros vão gritar, com voz poderosa: não vai ter golpe!
 
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