7 de Março de 2011 - 15h30

Brasil, sétima maior economia do mundo

A notícia divulgada dia 3 pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, segundo a qual o PIB brasileiro cresceu 7,5% em 2010, levando o Brasil ao patamar de sétima maior economia mundial (ultrapassando, pelo critério do poder de compra da moeda, a França e a Inglaterra), merece ser comemorada e convida à reflexão sobre seu significado.

Ela acentua, por exemplo, o grave erro das políticas neoliberais recessivas: o Brasil já havia alcançado esse patamar na década de 1990 mas, sob a nefasta politica econômica de Fernando Henrique Cardoso, caiu acentuadamente até voltar a ser a 12º economia mundial em 2002, último ano do presidente neoliberal. A herança negativa de FHC teve reflexos ainda nos primeiros anos do governo Lula, que precisou enfrentar o amontoado de mazelas que herdou e colocar a casa em ordem para o Brasil voltar a crescer, o que ocorreu a partir de 2005, acelerando no segundo mandato, retomando a via que levou ao PIB de 2010, de 3,7 trilhões de reais (ou US$ 2,1 trilhões).

Isto é: se o governo não agir contra o Brasil cresce; e se o governo ajudar, como ocorreu com o desenvolvimentismo que voltou com Lula, cresce a ritmo acelerado. O Brasil recuperou-se, ganhou musculatura que permitiu o enfrentamento da crise econômica mundial e, agora, a conquista desse novo patamar econômico mundial. O que permitiu esse feito foi a volta do investimento (a formação bruta de capital fixo cresceu, um índice que mede o investimento, bateu em 21,8% em 2010), e o aumento do consumo das famílias (que foi de 7%, a maior alta desde que esse dado começou a ser registrado, em 1996) e do governo (3,3%).

Nesse ritmo, as previsões são otimistas, dizendo que o Brasil será a quinta maior economia mundial entre 2015 e 2018 e a quarta em 2050, atrás apenas da China (1ª), dos EUA (2ª) e da Índia (3ª).

Mas o crescimento de 2010 poderia ter sido mais exuberante – este foi o tom das notas divulgadas pela CUT e pela Força Sindical comemorando o crescimento, mas alertando contra o freio que a alta taxa básica de juros representa para o crescimento.

Há outro ponto que precisa ser considerado quando se examina o crescimento alcançado pelo Brasil e o tamanho de sua economia – o país se fortalece mas há ainda um caminho a percorrer na conquista da plena soberania nacional. É preciso destacar, nesse sentido, a persistência da dependência econômica, num mundo onde a globalização neoliberal impôs o descontrole dos fluxos de capitais, gerando fragilidades que ainda precisam ser recuperadas. O crescimento da remessa de lucros de investimentos estrangeiros é uma medida dessa dependência; só no primeiro semestre de 2010 ela foi de US$ 14,967 bilhões!

O progresso econômico do país não altera, entretanto, substancialmente o quadro de drásticos contrastes sociais. O Brasil ainda é uma das sociedades mais iníquas do mundo, pois o modelo econômico ainda é concentrador e excludente das amplas massas trabalhadoras e populares, beneficia um punhado de burgueses e financistas. 

Os brasileiros precisam e merecem comemorar os ganhos econômicos que se traduzem em valorização do trabalho e da renda e em melhoria na qualidade de vida. Mas precisam estar atentos, também, para a qualidade desse crescimento e sua sustentabilidade no futuro e aumentar a luta por justiça social. Neste ponto, a superação da dependência, das injustiças sociais e a conquista e consolidação da autonomia são fundamentais.
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