11 de Dezembro de 2010 - 13h17

O PIB de 2010, em ritmo chinês

Depois de décadas de marasmo e estagnação, a economia brasileira encontrou o caminho do crescimento e pode terminar o ano em ritmo chinês, com o PIB batendo em 8% ao ano.

Há uma discussão entre os economistas sobre a sustentabilidade de um índice dessa envergadura. Muitos temem que possa pressionar a economia e abrir a porta para a volta da inflação. Outros chamam a atenção para a fragilidade representada pelo crescimento das importações e para a necessidade de conter a valorização do real, que facilita as compras no exterior, atrapalha as exportações e compromete o crescimento industrial.

Os números atuais apresentam novidades que precisam ser levadas em conta. Eles mostram, por exemplo, que o crescimento no ritmo de investimento das empresas é elevado. Ele é reflexo da volta do consumo das famílias que, com a recuperação da renda e do emprego, cresce de maneira consistente. O investimento, diz o economista Antônio Carlos Lacerda, da PUC do Rio de Janeiro é entre três e quatro vezes maior do que “o que é um dado muito positivo. Mostra que o cenário futuro das empresas é bom".

Além do necessário debate econômico, o desempenho do PIB merece outras considerações. A quebra do fundamentalismo de mercado que comandou a economia brasileira na década de 1990 permitiu o enfrentamento da quebradeira iniciada em 2008 com a falência do mercado financeiro em Nova York, e que espalhou pelo mundo a pior crise desde a década de 1930.

O Brasil enfrentou a crise com soberania, cabeça erguida e o Estado cumprindo sua obrigação de intervir na economia para fomentar o crescimento, numa demonstração politica e prática da falácia (e falência) dos dogmas neoliberais.

A crise foi enfrentada com um olho na saúde das empresas e outro olho no fortalecimento do mercado interno. Sob o neoliberalismo predominante até 2002, as crises – menores e menos intensas – eram enfrentadas com o olho apenas no desempenho da moeda e no mercado financeiro. Era uma época em que, no Brasil, salvavam-se as instituições financeiras, os especuladores e os credores externos, à custa do desemprego, do empobrecimento dos brasileiros e do crescimento claudicante da economia.

Isso mudou, como os números revelam. Precisa mudar mais. Os juros ainda são estratosféricos, o real valorizado é uma ameaça, a taxa de investimentos ainda está longe do necessário para um crescimento saudável e sustentado. Mas é uma discussão que se dá em outro nível: não de trata agora, como antes de 2003, de diagnosticar, na defensiva, as causas do crescimento pífio, mas de encontrar soluções para problemas gerados pelo crescimento acelerado. Esta é uma boa discussão.

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