9 de Novembro de 2010 - 20h12

Na transição, o principal é construir o programa de governo

Acabada a eleição, começa outra decisiva etapa da vida politica - agora é a fase da montagem do governo. Embora seja continuidade em relação ao projeto que assumiu a Presidência da República com Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, no dia 1° de janeiro começa outro governo, com características próprias e uma composição que vai refletir o conjunto de forças que se uniu em torno de Dilma Rousseff desde o primeiro momento de sua candidatura.

Como Dilma ressaltou durante a campanha eleitoral, e o dirigente comunista Renato Rabelo enfatiza, o novo governo não será mera continuidade do governo Lula, mas representará a conquista de novos avanços.

Um desses avanços é simbólico e já foi sinalizado pela nova presidente: a presença feminina será reforçada no primeiro escalão do governo com pelo menos um terço de mulheres à frente dos ministérios.
Outros avanços refletirão a situação econômica e social que Dilma Rousseff recebe: este não é o país quebrado de 1° de Janeiro de 2003, que exigiiu medidas duras para poder se recolocar em pé, recuperar sua dignidade e caminhar rumo ao futuro. O Brasil de hoje é outro, com o emprego crescente, a renda em recuperação, o orgulho nacional em alta e os brasileiros satisfeitos consigo mesmo e com seu país.

Permanecem ainda muitos problemas para serem enfrentados - desde o número de pessoas abaixo da linha da pobreza, que foi enormemente reduzido mas ainda se contam aos milhões, até os problemas cambiais que se acentuam, fragilizam as exportações brasileiras, comprometem a produção nacional e colocam desafios novos para a nação e o novo governo.

É neste quadro que a nova dirigente vai escolher seus principais auxiliares e montar um governo para ampliar os êxitos alcançados até aqui. Dilma vai ouvir os partidos aliados e sua equipe de transição está orientada nesse sentido. Esta é uma decisão fundamental para desenhar o novo governo. Como lembra Renato Rabelo, o aspecto fundamental da transição e da montagem da nova equipe não é a escolha dos cargos e seus ocupantes, mas a definição de um programa de governo que leve em conta as contribuições de toda a base aliada. Construir este desenho programático que, diz Renato Rabelo, é essencial para, a partir dele, Dilma possa - com o apoio da equipe de transição e com consultas a cada um dos partidos da base aliada - definir os nomes de seu governo.  “O PCdoB fica sempre incomodado se a discussão de formação de um governo não é pautada em cima de um projeto", afirmou o dirigente comunista.

Será necessário enfrentar, de imediato, problemas que se apresentam desafiadores. Talvez o mais imediato seja a "guerra cambial" em curso no mundo e aprofundada pela decisão unilateral do governo dos EUA de inundar o mercado de dólares, prejudicando principalmente as exportações dos chamados países emergentes e colocando obstáculos imensos para as indústrias destes países. Mas há ainda a necessidade de enfrentar as pressões conservadoras pelo corte de gastos do governo; a aprovação da proposta do governo sobre o pré-sal; a garantia do aumento real do salário mínimo em 2011; além de mais investimentos para problemas emergenciais na saúde, educação e segurança.

São questões fundamentais para manter as conquistas alcançadas desde 2003 e que precisam avançar, e a equipe de transição precisa, fundamentalmente, ajudar a nova presidente a encontrar soluções para elas. Não são soluções técnicas nem meramente financeiras, mas fundamentalmente políticas e, por esta natureza, implicam muita conversação com os aliados que formam a base de seu futuro governo.
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