Estudantes e trabalhadoras desafiam Bolsonaro 

Um caminho indispensável para enfrentar o governo retrógrado de Jair Bolsonaro e sua agenda entreguista e supressiva de direitos sociais é a ampla mobilização social. Neste semana, estudantes e mulheres trabalhadores, com apoio do movimento sindical e das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, desafiaram Bolsonaro e ocuparam as ruas de centenas de cidades brasileiras. Merece destaque a já tradicional Marcha das Margaridas, em Brasília, que este ano ganhou um reforço especial das mulheres indígenas, que acamparam na capital do país por cinco dias.

O Tsunami da Educação #13A, na terça feira (13), a exemplo dos anteriores 15M e 30M, em maio passado, levou milhões às ruas, em defesa da educação, da aposentadoria, da Previdência Social e do emprego e da renda dos trabalhadores, contra os ataques à democracia. E já deixou a convocação para que igual mobilização ocorra no dia 7 de setembro, no pretende ser o quarto grande ato em defesa da Educação. No dia da Pátria, 7 de Setembro a mobilização será fortalecida pelo simbolismo da defesa da nova independência e da soberania nacional.

Os atos foram convocados pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), com apoio das centrais sindicais, partidos progressistas e democráticos, além de amplos segmentos dos movimentos sociais e democráticos. Foram às ruas mais de 1,5 milhão de pessoas em 205 cidades brasileiras no 3º Grande Ato Nacional em Defesa da Educação - que uniu estudantes, professores, pais, intelectuais, personalidades democráticas, noutro grande protesto contra os ataques de Bolsonaro à educadão, às conquistas democráticas, aos direitos sociais e à soberania nacional.

Foi mais uma manifestação pública de rejeição aos cortes de verbas na educação, anunciados por Jair Bolsonaro e seu ministro Abraham Weintraub. Um dos alvos centrais dos protestos foi o programa “Future-se”, cujo objetivo é privatizar o ensino superior.

“Estamos nos mobilizando porque não vamos aceitar a privatização da universidade pública. O Future-se não vai passar. Não há futuro com Bolsonaro”, disse o presidente da UNE, Iago Montalvão. E o presidente da UBES, Pedo Gorki, garantiu: “Não sairemos das ruas! Devolvam nosso futuro”.

Também na terça-feira e na quarta-feira (14) Brasília foi literalmente ocupada pelas mais de 100 mil mulheres que participaram da Marcha das Margaridas. Realizada a cada quatro anos desde 2000, em Brasília, a Marcha se define como uma ação ampla e estratégica das mulheres do campo, da floresta e das águas com o objetivo de conquistar visibilidade, reconhecimento social, político e cidadania plena. Este ano, mulheres dos cinco continentes estiveram presentes. Mirna Yanete, do Programa Diálogo Regional Rural (PDRR), de El Salvador, considera a Marcha das Margaridas uma referência mundial para a luta da mulheres. Para a deputada Jandira Feghali (PcdoB-RJ) “as mulheres estão dizendo que não aceitam mais a violência no campo e não aceitam a retirada de direitos”. A parlamentar comunista enfatizou ainda que “não adianta nenhum governo tentar nos intimidar, pois nós continuaremos levantando nossas vozes, nossos afetos, nossas ideias”.

A resistência ao governo de Jair Bolsonaro exigirá novas e maiores manifestações. Atividades amplas, criativas, vigorosas e com bandeiras capazes de sensibilizar a todos que se sintam atingidos pelas medidas nefastas do governo. A defesa da educação já demonstrou sua força mobilizadoras e os estudantes, professores, trabalhadores do ensino, pais e mães de alunos revelaram grande disposição de luta. O desafio está posto. Bolsonaro não deverá ter sossego com o povo nas ruas em defesa dos seus direitos e da democracia.