Eleição presidencial: uma disputa entre dois campos antagônicos

Concluídas as convenções partidárias que definiram as candidaturas à sucessão presidencial de 2018, a fotografia mostra nitidamente dois campos em disputa. À direita, estão nada menos do que dez candidaturas, com variações de tons, mas frutos da mesma árvore: o projeto neoliberal e neocolonizador que retomou as rédeas do país desde o golpe de 2016. Conforma-se, assim, o teatro da batalha, com as peças devidamente dispostas no tabuleiro do xadrez político.

Para girar o eixo das forças políticas, econômicas, financeiras e midiáticas dominantes, há candidaturas de diferentes matizes. O objetivo é atrair os votos de um amplo eleitorado, que vai do conservadorismo bem definido às aspirações de parcelas do povo que ainda não conseguem ver a real face desses candidatos. Essa orquestração tem como estratégia levar o tucano Geraldo Alckmin, com apoio político num leque partidário de direita e centro-direita, para o segundo turno.

Até agora, apesar de dissimulações, é o candidato mais visceralmente ligado aos interesses internos e externos da grande finança, dos monopólios econômicos e do conservadorismo.

Com esse objetivo, o consórcio do golpe montou o ardil da candidatura de Henrique Meirelles, liderada pelo MDB, escalada para fingir o distanciamento entre Alckmin e o governo golpista de Michel Temer. A ideia é aglutinar, no segundo turno, todas as forças conservadoras em torno do tucano. Obviamente, se essa jogada não der certo e o tucano seguir patinando, eles buscarão outra opção. Mas o desenho atual é exatamente esse.

No papel de coadjuvantes aparecem as demais candidaturas desse campo, todas com o perfil político-programático análogo, embora com diferentes matizes.

Citemos algumas.

Há um deles que pode se tornar protagonista, posto que hoje é o segundo colocado nas pesquisas. Trata-se da chapa Jair Bolsonaro-Hamilton Mourão, liderada pelo PSL, de conteúdo fascista, que se apresenta com uma fachada falsamente patriótica, mas na verdade seu programa de governo é abertamente neoliberal e entreguista.

Álvaro Dias, do Podemos, é um pregador da criminalização da política, arauto dos métodos que atentam contra o Estado Democrático de Direito da Operação Lava Jato.

Marina Silva, que apoiou Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014, da coligação Rede-PV, pontua com relevância nas pesquisas, e encena posicionamento político de centro-direita.

No eixo progressista, são três candidaturas. Apesar dos esforços para a unidade da esquerda desde já no primeiro turno, prevaleceu o desenho de uma relativa fragmentação.

A chapa Ciro Gomes-Kátia Abreu, liderada pelo PDT, tem um perfil voltado para o desenvolvimento nacional.

A chapa Guilherme Boulos-Sonia Guajajara, do PSOL, é comprometida com o progresso social.

E a terceira chapa tem como candidato a presidente o maior líder popular do Brasil dos últimos tempos, Luiz Inácio Lula da Silva. Arbitrariamente preso e com a candidatura ameaçada por condenações maquinadas pelo “estado de exceção”, o ex-presidente lidera todas as pesquisas de intenção de voto.

A candidatura de Lula foi reforçada com o engajamento de seu histórico aliado, o PCdoB. Manuela D’Ávila, que angariou apoios e prestígio como pré-candidata pela épica legenda dos comunistas brasileiros, será a candidata a vice-presidente de Lula.

O posto de candidato a vice, como explicado por uma nota do PCdoB já publicada pelo Vermelho, momentaneamente é ocupado pelo ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

A aliança liderada pelo ex-presidente Lula, Fernando Haddad e Manuela D’Ávila, da coligação PT-PCdoB-Pros-PCO, é um fato relevante, pois minora a fragmentação da esquerda e ainda pode galvanizar apoios de setores do PSB, e também de personalidades e lideranças do campo social, econômico, cultural progressista do país. Efetivamente, esse bloco de forças liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, nessa batalha que se anuncia difícil e acirrada, pode sim ir para o segundo turno e lá, com mais amplitude de alianças e apoios, disputar e vencer as eleições.

O campo progressista terá o desafio de concentrar o combate contra a agenda neoliberal e neocolonial. Esse norte lhe possibilitará uma relação de convergência, regida pelo objetivo de concretizar a quinta vitória do povo e das forças progressistas e democráticas.

Cada uma dessas candidaturas (Lula, Ciro, Boulos) representa um caminho para a conquista do voto popular. É natural que haja entre elas disputa de projetos e de ideias, mas nenhuma delas pode perder de vista quem é o adversário: as candidaturas que representam, de um modo ou de outro, a agenda neoliberal e neocolonial.




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