Estados Unidos: soberba e arrogância contra a Palestina e o mundo

A soberba e a arrogância do imperialismo foram vistas em dose dupla em territórios palestinos.

Em Jerusalém, entre israelenses e norte-americanos houve festivos e glamorosos estouros de champanhe na inauguração da embaixada que a prepotência dos Estados Unidos decidiu instalar na Cidade Santa, território internacionalmente reconhecido como neutro entre palestinos (para os quais o leste da cidade será sua futura capital) e o Estado de Israel.

Ao mesmo tempo, não longe dali, a face cruel da insensatez do governo sionista de Israel, apoiado pelos Estados Unidos, ocorreu a violenta ação bélica contra a massa palestina que, em Gaza e na Cisjordânia, participava da Marcha do Retorno, em protesto contra mais aquele vilipêndio da lei internacional e contra a violação de seu território.

A Marcha do Retorno marcou os 70 anos da Nakba (catástrofe, em árabe): o dia da criação do Estado de Israel em 14 de maio de 1948. E exige a volta para suas terras e casas dos palestinos expulsos desde aquela ocasião.

Desde o dia 30 de março, quando o protesto contra a ocupação israelense assumiu a forma massiva, mais de 100 palestinos foram mortos na ação bélica sionista, número de vítimas fatais aos quais se somam os 60 que tombaram nesta segunda-feira (14), assassinados pelo exército de Israel, inclusive crianças – entre as quais um bebê, morto após inalar gás lacrimogêneo. A ação criminosa deixou também 2.410 feridos, entre os quais pelo menos 200 menores de idade.

A decisão do governo dos Estados Unidos que, em dezembro, anunciou a instalação de sua embaixada em Jerusalém, é um grave atentado contra a paz. E foi encarada pelo governo sionista como reconhecimento da ocupação israelense dos territórios palestinos. É uma provocação que afronta a comunidade internacional, que a condenou amplamente, na Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), ainda em 2017, quando aquela decisão temerária foi votada: 128 países, entre os 198 ali representados, condenaram a decisão de Donald Trump, e apenas sete a apoiaram.

E, ante a atual ação criminosa do estado sionista, o Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial exigiu que Israel encerre “imediatamente o uso desproporcional da força contra manifestantes palestinos”.

Há uma lógica perversa na ação imperialista dos Estados Unidos. Seu objetivo é desestabilizar ainda mais a já instável situação no Oriente Médio. Rosna e mostra os dentes para os países que, rejeitando o domínio norte-americano e seu braço armado mais agressivo na região, o Estado sionista, reforçam o multilateralismo nas relações internacionais, com regras pactuadas para a convivência não-guerreira entre as nações. E que são solenemente desprezadas por Donald Trump. Que não recua ante as imposições éticas e de respeito à soberania das nações, e age simultaneamente – no Oriente Médio – para reforçar o Estado de Israel e, ao mesmo tempo, mostra as unhas para o Irã, afastando-se unilateralmente – e ilegalmente - do tratado acordado em 2015, com a participação, além dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha, para restringir o programa nuclear iraniano.

A mentira sob a qual Trump se esconde agora, é a mesma de sempre usada pela diplomacia belicista – e acusa o Irã de não cumprir o tratado, falácia que tenta fundamentar o não cumprimento de obrigações assumidas internacionalmente pelo governo norte-americano. Mentira que é usada como biombo por essa diplomacia agressiva para recriar sanções contra Teerã. Mesmo isolado – os demais países signatários do tratado não aceitam as alegações para sair do tratado – Trump insiste nelas, revelando o objetivo de restabelecer o unilateralismo estadunidense nas relações internacionais. E tentar impor, pela crescente ameaça de guerra, seus próprios interesses e determinações.

Estes acontecimentos (o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, e a ameaça contra o Irã) mostram mais uma vez que a soberba e a arrogância imperialistas são os principais fatores da instabilidade e ameaçam a paz mundial. Washington tenta, como sempre, puxar o revólver para impor seus interesses ao mundo.