A chantagem do governo Temer e a resposta digna dos governadores

 "O governo espera que aqueles governadores que têm recursos a serem liberados, financiamentos a serem liberados, uma reciprocidade no que tange a questão da Previdência."

Estas palavras do ministro da Articulação Política, Carlos Marun (PMDB-MS), revelam que, no balcão de negócios costumeiro para obter apoio parlamentar, o governo golpista de Michel Temer ultrapassou os limites do escárnio. Agora usa a chantagem para forçar governadores a usar sua influência para convencer deputados federais a apoiarem a reacionária contra reforma da Previdência, cuja votação está prevista para ocorrer na Câmara dos Deputados em fevereiro próximo.

Carlos Marun, fiel escudeiro de Eduardo Cunha, outro chantagista e achacador famoso, quer por a faca no pescoço dos governadores e ameaça aqueles que não apoiarem as medidas contra o povo que o governo federal quer impor.

Além de repugnante, a troca implícita nesta ameaça é ilegal e anticonstitucional. Há verbas que o governo federal deve, por obrigação constitucional, repassar aos governos estaduais. São recursos públicos que atendem a demandas sociais e investimentos, que não pertencem ao presidente de plantão, muito menos, podem ser usadas para bancar suas ações políticas. Os indícios de uso indevido desses recursos cresceram desde as denúncias, em agosto, da retenção, pelo governo federal, por motivos políticos, de verbas que deviam ser repassadas para a Bahia. Agora aqueles indícios são confirmados.

Esta política chantagista foi explicitada agora pelas declarações de Carlos Marun, para quem esta é uma política de governo, como teve a cara de pau de afirmar.

Contra a chantagem, governadores do Nordeste divulgaram uma carta pública a Michel Temer, denunciando essa ação ilegal e criminosa. Manifestam sua “profunda estranheza” com as atitudes de Carlos Marun, e afirmam que tomarão medidas para “promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme".

O governo ilegítimo de Michel Temer, que se notabilizou ao comprar o apoio de parlamentares venais usando verba pública, inova na ilegalidade e agora quer comprar governadores.

A Carta Aberta dos governadores do Nordeste é um documento digno, que revela o inconformismo contra o uso partidário, pelo governo federal, de bens que pertencem à nação, ao povo brasileiro. Política nefasta e malfazeja que é a marca principal do grupo que ocupou, ilegalmente e sem um único voto popular, a presidência da República em 2016.


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