4 de Setembro de 2017 - 17h24

Não há o que comemorar

Nunca é demais repetir a sabedoria popular que, muitas vezes, diz verdades no linguajar do futebol: quando o time vai mal, comemora até escanteio, diz o povo. Com razão.

Escanteio que o presidente golpista Michel Temer e seu parceiro no desmonte nacional, Henrique Meirelles, comemoram desde a divulgação pelo IBGE, na semana passada, da medíocre variação de 0,2% do PIB no último trimestre.

Número tacanho que apresentam como sinal de retomada da economia. Na qual só eles e seus apoiadores acreditam. Esse desempenho medíocre não resulta de nenhum erro do governo golpista, mas sim da opção alçada ao comando da Presidência da República em 2016 – a política econômica recessiva, o austericídio, dirigido por Temer e Meirelles, que paralisa a economia, afasta o crescimento e favorece apenas à especulação financeira e ao capital estrangeiro que tomam a República de assalto.

Os números confirmam a paralisia e desautorizam qualquer comemoração.

Ninguém em sã consciência pode considerar aquele 0,2% como sinal de retomada do crescimento. Nem o IBGE dá base para isso – segundo seus critérios técnicos só há crescimento de verdade se for maior que 0,5%. Números inferiores não passam de variações em torno de crescimento zero.

Realidade piorada quando se trata da primeira discretíssima variação positiva depois de 12 recuos sucessivos medidos pelo órgão oficial de estatísticas. Se comparado ao mesmo período de 2016, o crescimento do PIB é de mediocridade semelhante – 0,3%. E não há comparação que o salve e autorize qualquer otimismo. Quando visto o resultado dos últimos quatro trimestres, a realidade amarga se impõe e demonstra uma queda de 1,4% negativos no PIB. E a perspectiva para o futuro é muito ruim. A taxa de investimento no segundo trimestre de 2017 foi de 15,5% do PIB, abaixo da taxa de 2016 (16,7%) e muito menor do que o pico de 21,1% no mesmo período em 2013.

Os efeitos negativos de números tão ruins caem sobre os ombros dos trabalhadores e os empresários da produção. O desemprego atinge quase 14 milhões de trabalhadores, número ainda maior quando se leva em conta os subempregados; a soma, diz o IBGE, passa de 26 milhões. Uma multidão de trabalhadores sem emprego ou com empregos muito precários. São trabalhadores sem nada a comemorar.

E a indústria, deixada à míngua, retrocede, com enorme ociosidade da capacidade instalada (isto é, capital parado, que fica sem produzir e, assim, não pode se reproduzir), consequência do enfraquecimento do mercado interno, que se traduz em falta de investimentos. E retrocesso para a indústria cuja fatia no PIB, que já foi de 25% dele (na década de 1980), caiu a cerca de 10%, nível inferior ao de 1947.

É esta a recuperação comemorada por Temer e Meirelles? Os brasileiros não acreditam nisso, e seu pessimismo em relação ao futuro foi registrado pela pesquisa “Consumidor Brasileiro e a Crise - Perspectiva de Futuro”, divulgada na sexta-feira (1º) pelo Instituto Locomotiva – mais de dois terços das pessoas temem o futuro, e vão consumir menos. Disposição que não indica a chance de retomada da economia alardeada por Temer, Meirelles e a mídia chapa branca.


  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR