24 de Fevereiro de 2017 - 17h59

Botar o bloco na rua, contra Temer e o retrocesso

O grande sucesso do carnaval de 1973 – ano do auge sangrento da ditadura militar – foi a canção Eu quero é botar meu bloco na rua, do capixaba Sérgio Sampaio. Era perfeita para o carnaval daquele ano, com a sutileza do refrão que subentendia um chamado para a resistência contra a ditadura militar.

O carnaval brasileiro é assim. Combina irreverência e alegria, luta e compromisso. Da mesma maneira como os brasileiros fazem em seu dia a dia.

O povo, nos blocos, nas ruas, sempre deu o recado do descontentamento, das exigências e denúncias dos despotismos dos maus governos.

O carnaval deste ano não foge à regra. Nas músicas, ri sem piedade do governo postiço de Michel Temer e seus desmandos, havendo também o apelo à civilidade, como a campanha “Carnaval sem Assédio”, de respeito às mulheres e contra a violência antifeminina. Cujo alvo maior é esta chaga cujos resultados são cruéis. Em todo o Brasil ocorre um estupro a cada 11 minutos; há cinco espancamentos a cada dois minutos e uma mulher é assassinada a cada hora e meia.

Esta realidade violenta, cruel e vexatória para os brasileiros, piorou desde a tomada do poder, pelo golpe parlamentar de 2016, com o aumento do desemprego – que atinge principalmente mulheres e negros.

A música de 1973 garante que os brasileiros não dormem de touca, não fogem da briga, e sabem do que acontece no país. E vêm saída, garantia aquela canção.

Está na hora de botar o bloco na rua! No carnaval. E em seguida; em 8 de março (Dia Internacional da Mulher), na semana entre 7 e 14 de março, que antecede a grande manifestação de 15 de março convocada por todas as centrais sindicais em defesa da aposentadoria e contra a reforma da Previdência do ilegítimo Temer e dos golpistas.

Protestam também contra a entrega do pré-sal para as petroleiras estrangeiras e para o imperialismo, contra a liberação da venda de terras para estrangeiros, contra os ataques à soberania nacional. Manifestam-se também contra o congelamento, por 20 anos, dos gastos do governo em saúde, educação e investimentos, previstos pela Constituição de 1988 e que os golpistas querem eliminar. Protestam ainda contra a reforma trabalhista, que pretende colocar o negociado acima do legislado, eliminando direitos trabalhistas historicamente assegurados pela lei, e contra as terceirizações sem limites.

A agenda de luta contra o governo rejeitado de Michel Temer é extensa. Precisa ser conhecida e divulgada, para que todos tomem conhecimento do mal que o governo imposto pelo golpe de 2016 faz ao Brasil e aos brasileiros.


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