13 de Janeiro de 2017 - 9h01

Obama: por trás dos sorrisos o velho imperialismo

O discurso de despedida de Barack Obama parece ter despertado a simpatia até mesmo de muitas pessoas progressistas em todo o mundo. O sentimento é compreensível, se considerarmos os contrastes aparentes com o homem que vai substituí-lo: de um lado alguém que sustenta com grande competência uma imagem e uma retórica de verniz progressista, de outro uma personagem caricata, cuja eleição é a demonstração da profunda crise porque passam os Estados Unidos.

É preciso lembrar, entretanto, que o homem que deixa a Presidência dos Estados Unidos em nada alterou a política nefasta do governo daquele país. A eleição de um negro para o mais alto cargo do país, apesar da simbologia indiscutível, não reverteu a violência desenfreada daquela sociedade contra a população negra, que perfaz a maioria da população carcerária do país – a maior do mundo com 2,2 milhões de presos, além de 71 mil crianças mantidas em centros de detenção – e continua sendo caçada por polícias que aplicam políticas de extermínio.

O governo Obama continuou sendo o administrador da vez dos interesses do sistema financeiro internacional, conforme demonstrou a gestão da crise iniciada em 2008. Não à toa, a parte mais relevante da banca internacional esteve ao lado da candidatura democrata nas quais o atual presidente foi derrotado.

A pobreza no país só aumentou durante o governo de Obama. A população sem teto, tanto os que vivem nas ruas quanto os que estão em abrigos, segundo dados governamentais, ultrapassou o número de 500 mil pessoas e aproxima-se daquela da crise de 1929, devendo superá-la em alguns anos. Para além disso, é cada vez maior, dentre os que não têm residência, famílias inteiras, o que mostra que o fenômeno não pode ser explicado por questões como o uso de drogas, por exemplo. Trata-se da pobreza provocada por governos que estão ao serviço de Wall Street.

Do ponto de vista externo, Obama foi tão ou mais intervencionista que seus antecessores, levando a cabo as velhas políticas do imperialismo mais criminoso da história da humanidade.
A América Latina foi vítima dessa política, com a participação dos Estados Unidos em mais uma rodada de golpes de Estado contra as forças progressistas do continente. O caso do Brasil é paradigmático, como demonstram recentes revelações a partir de dados do Wikileaks. Os EUA apoiaram a derrubada da presidenta eleita Dilma Rousseff, com o objetivo de colocar em seu lugar um governo que estivesse ao serviço de seus interesses, papel que Temer tem cumprido com o sabugismo típico das elites brasileiras.

Para além disso, Obama, em seus últimos dias, assumiu uma postura crescente de ameaça militar contra a Rússia e a China, colocando em seríssimo risco a paz mundial. Para darmos um dos muitos exemplos que demonstram essa escalada de provocações, no dia 12 de janeiro, 3 mil soldados estadunidenses foram posicionados na fronteira da Rússia com a Polônia, em uma movimentação mais ampla dirigida pela Otan, que perfaz o maior deslocamento de tropas na Europa desde a 2ª Guerra Mundial.

Desse modo, por trás da habilíssima construção da imagem de Obama, vendido publicamente como um homem moderno, tolerante e progressista, está o velho imperialismo norte-americano, que continua sendo a mais grave ameaça à paz e ao futuro dos povos no mundo.
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