Eleição presidencial 2014: Dilma na frente


A primeira rodada de pesquisas de opinião de 2014, divulgada desde a semana passada, confirma o cenário de dificuldades que a oposição neoliberal enfrenta e, ao mesmo tempo, acena com a chance de vitória de Dilma Rousseff, na eleição presidencial de outubro, já no primeiro turno.

Ainda é cedo para comemorar, entretanto. A prudência indica que, numa disputa que se adivinha tão difícil como a deste ano, todo salto alto e todo espírito de “já ganhou!” deve ser posto de lado com vigor.

O arco de alianças democrático e popular que governa o país desde 2003 e vem promovendo fortes mudanças precisará arregaçar as mangas e dedicar-se ao duro, e meritório, trabalho de assegurar a quarta vitória do povo no pleito de 2014. As vitórias anteriores, só para lembrar, foram as de Lula em 2002 e 2006, e a de Dilma Rousseff em 2010; todas ocorreram em cenários de forte disputa que não excluíram as previsíveis baixarias políticas promovidas pela direita e pelos conservadores, e que este ano poderão comparecer novamente ao cenário.

Afinal, uma quarta vitória do povo vai assegurar o domínio da Presidência da República por 16 anos consecutivos para as forças democráticas, populares e mudancistas, fato inédito na história brasileira. E que enche a direita, os neoliberais, e suas lideranças, das piores comichões antidemocráticas.

São comichões cuja presença se reforça no noticiário da mídia conservadora hegemônica. Por um lado, comentaristas que são verdadeiros ventríloquos neoliberais espalham boatos de desentendimentos entre Lula e a presidenta Dilma Rousseff. Gurus da direita como os colunistas Ricardo Noblat, Reinaldo Azevedo e Dora Kramer se esmeram na tarefa de espalhar intrigas que, no desvario deles, poderiam opor a presidenta e seu antecessor. Mas eles se enganam; agradam a seus patrões na tarefa inglória de espalhar futricas, mas quem resolve mesmo a questão – o povo que irá às urnas decidir – não toma sequer conhecimento das aleivosias ditas através da mídia patronal.

Comichões semelhantes levaram o ex-presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso a dizer, em entrevista ao jornal El País, que “quatro anos de mais do mesmo é perigoso”. Batendo na mesma chave gasta das acusações de corrupção, o líder conservador reconhece, entretanto, as dificuldades da direita quando aponta a existência do que considera um mal-estar, embora, disse, não seja exatamente um sentimento antigoverno ou anti-PT.

Além da pesquisa eleitoral propriamente dita, outros dados examinados recentemente ajudam a desenhar o quadro de dificuldades da oposição, sobretudo quando desmontam aquele que parecia o cenário de sonhos que, acreditaram conservadores e neoliberais, teria surgido com as manifestações de junho de 2013. Pesquisa do Datafolha mostra um número crescente de brasileiros que deixam de apoiar manifestações como as ocorridas há meio ano. Hoje, 42% declaram-se contrários a elas (em junho eram apenas 15%); entre os que as apoiam a redução foi dramática: em junho eram 81%, reduzidos agora a meros 52%, número que pode cair ainda mais à medida em que a data da eleição se aproxima.

O pior, para a aposta da direita, que joga todas as fichas em atos impopulares como as ações contra a Copa do Mundo, é a opinião do povo sobre a festa que terá início em junho: dois terços (63%) apoiam a realização da Copa, contra apenas 32% contrários.

De fato, o cenário não é favorável para os conservadores. E o desenho mais claro dos obstáculos que enfrentarão foi revelado pelas pesquisas sobre a eleição presidencial. Dilma Rousseff venceria já no primeiro turno, mostram todas as pesquisas recentes. A do Datafolha (divulgada no dia 22) mostra que, se a eleição ocorresse hoje, ela venceria com 47% dos votos, índice superior à soma dos adversários prováveis (17% de Aécio Neves, do PSDB, e 12% de Eduardo Campos, do PSB). Se a Marina Silva ocupar o lugar de Campos, alcança uma melhora nas opções de voto insuficiente para levar a eleição ao segundo turno; ela teria 23% que, somados com os 15% de Aécio Neves, continuam abaixo dos 43% que reelegeriam Dilma.

A mesma tendência é sinalizada pela pesquisa Vox Populi/Carta Capital (divulgada no domingo, 23). Dilma teria 41%, enquanto Aécio Neves teria 17% e Eduardo Campos, 6%. Isto é, somados, teriam menos da metade dos votos da presidenta. A situação se repete com a pesquisa do Instituto MDA/Confederação do Transporte (divulgada no dia 18): Dilma teria 43,7%, Aécio teria 17% e Campos 9,9%. Isto é, passam longe das preferências pela reeleição da presidenta. Mesmo se Marina Silva ocupar o lugar de Eduardo Campos, ela teria 20,6% e Aécio ficaria com 15,1%, muito abaixo dos votos que a presidenta alcançaria, que seriam 47,7% do total.

Outubro ainda está longe, e a disputa até lá será encarniçada. Mas Dilma, para usar a linguagem do automobilismo, está numa confortável pole position. A frente democrática, popular e desenvolvimentista precisará de muito esforço para manter este favoritismo. É importante enfatizar a nocividade do “já ganhou!”, e da urgência de enfrentar o trabalho político de derrotar mais uma vez a direita e os conservadores, cujas opções se revelam precárias. Vão apostar contra a Copa do Mundo e enfrentar de peito aberto o sentimento popular? Tudo indica que sim e, mais uma vez, estarão na contramão do sentimento do povo.