7 de Março de 2012 - 17h29

PIB de 2,7%: luz amarela na economia


A manutenção pelo governo do fatídico tripé conservador na economia – juros altos, superávit primário e câmbio flutuante – cobrou seu preço, como mostra o pífio crescimento de 2,7% do PIB brasileiro em 2011.

Era um resultado contra o qual as forças mais progressistas e patrióticas vinham alertando. Ao render-se ao alarde dos setores financeiros e neoliberais, no começo de seu governo, o governo praticamente “programou” a desaceleração econômica registrada pelo dado que o IBGE acaba de divulgar.

É necessário lembrar que naquele começo de governo foi anunciado o corte de R$ 50 bilhões nos gastos públicos, houve uma sequência de altas na taxa Selic e foi feito um esforço adicional para assegurar o superávit primário, que é a economia orçamentária para pagar os juros ao vampiresco capital financeiro.

O efeito dessa pisada no freio foi retratado agora. Enquanto a agricultura cresceu 3,9%, ajudando a puxar o PIB para cima (aqui vale a pena lembrar também que outra área do chamado setor primário da economia, a extração mineral, teve incremento de 3,2%), a indústria amargou a marca de 1,9% de crescimento em relação ao ano anterior.

O país tem pela frente o desafio de descolar seu crescimento da exportação de commodities (como soja ou minério de ferro) e fortalecer sua indústria, capacitando-se para exportar produtos de maior valor agregado e, nestas condições, alcançar um crescimento mais consistente.

Muitos analistas ressaltam o papel positivo do mercado interno na manutenção do crescimento brasileiro, mesmo a taxas tão preocupantemente baixas. Eles têm razão. Enquanto os gastos do governo cresceram apenas 1,9% em 2011, o consumo das famílias aumentou 4,1% e foi o colchão que evitou uma desaceleração ainda maior. As famílias ajudaram o crescimento mais do que o governo, e isto indica um problema que pode crescer se a tendência não for invertida. Afinal, o fraco desempenho industrial é também reflexo da diminuição dos gastos do governo e da queda das compras oficiais no mercado interno, que são uma importante alavanca para o crescimento industrial.

O baixo crescimento é uma luz amarela para o governo e indica a urgência da mudança da política macroeconômica. Afinal, no mesmo ano em que pisou no freio, o governo destinou R$ 236 bilhões ao pagamento de juros, 20% a mais do que em 2010.

Essa quantia representa, sozinha, 5,7% do PIB e isso significa que, em 2011, os juros pagos pelo governo consumiram mais de duas vezes o que o país ganhou com o crescimento da economia. Traduzido em reais, o PIB chegou a 4,143 trilhões em 2011. O  percentual de crescimento de 2,7% representa a soma de R$ 109 bilhões acrescentados no ano ao valor da produção nacional. O gasto de R$ 236 bilhões em juros é mais do que duas vezes esse valor, e se reflete no robusto crescimento, em 2011, de 3,9% alcançado pela “Intermediação financeira”, que é um setor improdutivo cuja atividade se resume à circulação de riqueza entre os vários setores da sociedade e beneficia, como se vê, os grandes especuladores que vivem de juros.

Isto é, os brasileiros trabalham para pagar juros ao capital financeiro, realidade que representa uma armadilha contra o crescimento, o fortalecimento da economia brasileira e o bem-estar do povo. E é o resultado daquele tripé que sustenta os privilégios da especulação financeira e impõe – para o governo, os trabalhadores e os empresários ligados à produção – a imperiosa necessidade de mudar a política econômica.

A presidente Dilma Rousseff tem razão quando culpa o “tsunami” monetário dos países ricos pelos problemas cambiais do país. A valorização artificial do real, decorrência da enorme liquidez internacional provocada pelos bancos centrais da Europa e dos EUA, encarece as exportações brasileiras e barateia a entrada de produtos estrangeiros em nosso mercado.

O crescimento econômico depende, lembra o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, “de como reagrupar setores geradores de renda. Em outras palavras, como reagrupar a indústria e seus interesses”  pois “um país com o patamar industrial alcançado em 50 anos de industrialização acelerada (1930-1980) não pode, em pleno século 21, ter um ‘crescimento’ puxado pelo campo e não pela cidade”.

A mudança, exigida pelos trabalhadores e pelos empresários da produção vai além da redução na taxa de juros. Para que o país possa beneficiar-se das oportunidades abertas pela situação mundial, a mudança precisa ser mais profunda. Além da redução acelerada da taxa de juros, exige a reversão da valorização do real. É um quadro que exige ousadia: já passou a hora de romper com a hegemonia da alta finança, brasileira e estrangeira, para favorecer o crescimento acelerado que o país precisa.
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