2011: Ofensiva imperialista, crise capitalista e lutas dos povos

O ano de 2011 termina com a situação internacional marcada por insanáveis contradições econômicas e políticas. Os aspectos mais salientes e indissociáveis são o aprofundamento da crise multidimensional do capitalismo e a intensificação da ofensiva militarista e belicista do imperialismo norte-americano e seus aliados da União Europeia. A guerra contra a Líbia foi, durante o ano que se encerra, a mais brutal manifestação dessa ofensiva.

Uma vez mais, o imperialismo estadunidense e seus aliados do velho continente fizeram valer a política de força, instrumentalizaram as Nações Unidas, transformaram em pó e cinza as normas do direito internacional e mostraram que o multilateralismo, quando referido pelos líderes dessas potências, não passa de uma palavra vazia, funcional a uma estratégia de dominação do mundo pelos grandes potentados. O que vale mesmo, para fazer valer os interesses de rapina dos donos do mundo é o belicismo e o militarismo, a profusão de bases militares, o aumento das despesas militares e a ação de seus braços armados, como a Otan, na plena vigência do novo conceito estratégico. As potências imperialistas não se detêm e levam adiante os seus planos hegemônicos, para o que prosseguem cometendo graves atentados contra as soberanias nacionais, a paz mundial, a segurança internacional, os direitos dos povos.

A ofensiva imperialista aumenta e agrava os focos de tensão, principalmente no Oriente Médio. Na sua alça de mira estão agora a Síria e o Irã e na perspectiva estratégica a China. A guerra contra a Líbia visava a ocupação militar da África e a instalação do chamado Comando Africano, o Africom. Mas a mirada estratégica imperialista volta-se também para o extremo oriente. A propaganda histérica feita contra a Coreia do Norte nas últimas semanas, que confunde mentes e espíritos incautos, combina-se com jogadas diplomáticas e pressões militares para manter sob controle uma região decisiva na disputa pelo domínio da Ásia. Tem o mesmo sentido o anúncio recente de instalação de mais bases militares estadunidenses na Oceania.

A par dessa ofensiva, caracterizou o ano de 2011 o aprofundamento da crise sistêmica do capitalismo, a partir principalmente dos Estados Unidos e Europa. A crise revela a intensificação das contradições insanáveis do capitalismo, cria um cenário que dissipa ilusões, atesta a falência das políticas neoliberais da direita e as falsetas oportunistas da social-democracia.

A crise econômica transbordou para a política e teve momentos dramáticos, quando os líderes da União Europeia foram obrigados a dar declarações catastrofistas, atestando o nervosismo que tomou conta dos círculos imperialistas. A própria existência desse bloco monopolista ficou ameaçada. Na esteira da crise, evidencia-se também o esgotamento dos arranjos políticos devido à falência tanto dos grupos conservadores como dos sociais-democratas.

2011 foi também um ano de grandes lutas. No Oriente Médio, os povos se alçaram em busca de democracia, soberania e direitos sociais, malgrado as tentativas das potências imperialistas para instrumentalizar e desvirtuar essas lutas a seu favor. Na Europa e nos Estados Unidos, com clareza meridiana manifestou-se a luta de classes. Os trabalhadores demonstraram com memoráveis greves gerais e combativas ações de rua o seu descontentamento com as políticas opressivas dos governos burgueses e se posicionaram frontalmente por novos rumos.

Cresceu e adquiriu uma dimensão política inaudita a luta do povo palestino por seu Estado nacional independente. Da heroica intifada e dos conflitos de rua contra as forças sionistas, essa luta galvanizou agora as atenções da própria ONU, só não sendo vitoriosa mercê da pressão política e chantagem econômica que os Estados Unidos e os sionistas israelenses exercem sobre não poucas chancelarias pelo mundo.

Na América Latina, avança a luta dos povos, que acumulam conquistas nos terrenos social, econômico e político. A Revolução Bolivariana caminha para mais um triunfo eleitoral na Venezuela, dirigida pelo líder anti-imperialista Hugo Chávez. Especial significado adquirem as vitórias políticas, econômicas, sociais e no terreno ideológico da Revolução Cubana, que promove vitoriosamente a atualização de seu modelo econômico, mantendo as conquistas e os princípios revolucionários do socialismo.

No quadro latino-americano, a constituição da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos - Celac, é uma vitória histórica das forças anti-imperialistas e patrióticas, uma elevada expressão do novo momento progressista que a região está vivendo.

Com o mesmo otimismo histórico observamos o desenvolvimento da situação no Brasil. Na vigência do terceiro governo das forças democráticas e progressistas, agora sob a liderança da presidente Dilma Rousseff, o Brasil vai reunindo condições políticas para deter a ofensiva neoliberal e avançar nas conquistas que pavimentarão o caminho para a construção de uma forte nação progressista, democrática e independente, um país capaz de desempenhar no mundo um papel contra-hegemônico e anti-imperialista.

O pior erro que nosso povo e as forças políticas progressistas com responsabilidades no poder nacional cometeriam no atual momento seria imaginar que o país está com seus problemas equacionados, já ocupa um lugar de destaque no mundo, está com a questão social encaminhada e a democracia consolidada. Não! Há ainda muito a fazer, muita luta a encaminhar para romper os entraves ao desenvolvimento nacional soberano e à emancipação do povo brasileiro.

As classes dominantes retrógradas e os agentes do imperialismo em nosso país pretendem impor a sua agenda. Querem continuar governando, apesar das derrotas políticas e eleitorais que sofreram na última década.

Mais do que nunca o Brasil precisa de pensamento estratégico e de sinergia entre os partidos progressistas, o governo e os movimentos sociais, que elabore e consubstancie um programa de luta capaz de despertar e mobilizar as energias criadoras do povo e fazer valer a sua vontade ainda encoberta.

É necessário promover a mais ampla unidade das forças democráticas, patrióticas e populares para forjar um projeto nacional, democrático e popular, levando a bom termo e às últimas consequências a plataforma de luta por um novo modelo político e econômico e pelas reformas estruturais democráticas, que efetivamente promovam mudanças de fundo no país.

Que em 2012 o povo brasileiro avance nessa direção. São os votos do Portal Vermelho.