A Secretaria Nacional de Organização do PCdoB realizou, entre os dias 31 de
março e 2 de abril, curso e encontro voltados para os secretários de
organização estaduais e municipais de todo o Brasil. Ao todo, 50 pessoas
participaram do evento, em São Paulo. Na sexta-feira, os participantes tiveram
palestras ministradas por Renato Rabelo, presidente do PCdoB, Walter
Sorrentino, secretário nacional de Organização e Nádia Campeão, presidente
estadual do PCdoB/SP.
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| Rabelo durante curso em São Paulo |
A formação de quadros de direção e a atualidade da estruturação
organizativa do PCdoB foram os pontos que nortearam os trabalhos do Curso e
Encontro Nacional de Secretários de Organização do PCdoB. Iniciado na
sexta-feira e terminado no domingo, o evento foi do abstrato para o concreto,
de aulas teóricas para planos objetivos. Partindo de um curso introdutório,
ministrado por Renato Rabelo, presidente do PCdoB – que falou sobre a
singularidade do capitalismo contemporâneo e a luta pela superação do
neoliberalismo no Brasil –, Walter Sorrentino, secretário nacional de
Organização – que tratou da teoria de partido em ligação com as polêmicas
atuais – e Nádia Campeão, presidente do PCdoB/SP –abordando a linha política
de acumulação de forças e estruturação partidárias – o evento acabou com a
tomada de posições importantes dos secretários presentes. Ao todo, o encontro
teve 50 participantes de 21 estados.
O resultado final foi a aprovação de um plano da Comissão Nacional de
Organização, que, em sua introdução, salienta que "o crescimento do partido
será produto do desenvolvimento da política de organização, conforme os
objetivos, meios e projetos indicados abaixo. Do ponto de vista organizativo,
o foco do trabalho nos últimos anos teve como centro o diagnóstico da
defasagem entre as esferas políticas, ideológicas e organizativa". E completa:
"esse diagnóstico foi reposto para a nova realidade partidária no 11º
Congresso, sobretudo a partir do grande crescimento dos últimos anos. Além
disso, cumprimos um ciclo com a síntese do novo estatuto, com grande impacto
na esfera ideológica e organizativa". O documento reforça ainda a necessidade
de os comitês estaduais e municipais, através de suas secretarias de
organização, focarem sua artilharia no enfrentamento da cláusula de barreira
de 5%, que passa a vigorar a partir deste ano.
Em suas palavras, o plano da CNO destaca também a importância de se ter
solidez e disciplina no exercício organizativo e elenca quatro objetivos
fundamentais para a adequada realização do trabalho das secretarias. O
primeiro trata da mobilização política do partido para as eleições deste ano.
O seguinte discorre sobre o esforço que deve ser feito pelas direções no
sentido de se implementar a cultura político-organizativa emanada do novo
Estatuto do PCdoB, que traz um repertório variado que aprimora a convivência
partidária sadia e transparente. Este tema foi alvo de muita afirmação do
plenário no sentido de se espraiar pelo tecido partidário, em curto prazo e
organizada pelas direções. Para tal podendo-se utilizar até de cursos sobre o
novo Estatuto. Em terceiro, fortalece a idéia de se aprofundar a política de
organização nas linhas essenciais e por último sustenta a necessidade de se
sistematizar e implementar uma política de quadros nos níveis estaduais e
municipais.
O 6º Plano de Estruturação Partidária também foi discutido, tendo como vetor
central a articulação de todas as frentes de intervenção política,
institucional e de massas no sentido de conquistar um resultado eleitoral
expansivo buscando ainda constituir frentes amplas com base no núcleo PT,
PCdoB e PSB. Consolida-se a necessidade de maior visão política na elaboração
dos PEPs, que comprometa toda a direção no debate, deliberação e consecução do
mesmo. O plano deve ser entendido como instrumento cuja finalidade é a
estruturação partidária no seu conjunto. Assim, deve ser pauta dos
secretariados e comissões políticas para seu controle e planejamento. Outra
questão levantada foram os fóruns regionais, de cidades-pólo, com o apoio para
a consolidação do PCdoB nos municípios e a implementação da Carteira Nacional
Militante, entendidos como importantes instrumentos de estruturação na
atualidade partidária. Além disso, os comitês precisam ter metas de
incorporação dos quadros no SINCOM, nos termos do Estatuto.
Segundo Walter Sorrentino, "as secretarias de organização têm papel
fundamental neste momento para mobilizar politicamente o partido para as
eleições de 2006 e aprimorar a ação política de massas neste ano de congressos
da CSC, CUT e UJS. Essa é a base para o crescimento das fileiras partidárias.
Para isso, apontaremos também para a implementação da nova cultura
político-organizacional do Estatuto. O PCdoB está se preparando, com este
encontro, para ser de fato um partido forte, grande e de complexa atuação
política". O Partido tomou medidas para ajudar no processo de filiação entre a
juventude e o proletariado, com materiais de propaganda específicos para estas
áreas, aproveitando os congressos da UJS e o 1º de maio.
O saldo do encontro enfatiza a necessidade de organizar toda a atividade e o
crescimento do PCdoB neste ambiente de grande radicalização do embate político
no país. Assim, os comitês precisam estar atentos à realização das convenções
eleitorais, em todos os estados e municípios que, conforme a resolução
nacional (3ª reunião do CC), deverá se acontecer de 10 de maio a 10 de junho.
Por isso, é preciso planejamento desde já, de maneira a armar politicamente a
militância partidária, priorizando também a consolidação de candidaturas e
coligações.
O encontro foi finalizado com o compromisso dos secretários de enviar pelo
menos 80% das fichas de quadros para o CC até junho, para que, a partir desta
base, o partido possa dar início à discussão de uma política de quadros. Neste
ano, o foco é, basicamente, o conhecimento e o cadastramento no sistema Rede
Vermelha.
De São Paulo,
Priscila Lobregatte