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No dia em que abandonou a
prefeitura de São Paulo, José Serra recebeu
mais um atestado de sua breve e retrógrada
gestão. Assembléia de professores da rede
municipal, em frente ao gabinete do prefeito,
decidiu ontem à tarde pela manutenção da
greve iniciada em 28 de março. A
manifestação contou com a presença de mais
10 mil profissionais de ensino, entre
docentes e funcionários.
Antes da assembléia, houve nova rodada de
negociações entre representantes do Sinpeem
(Sindicato dos Profissionais de Educação no
Ensino Municipal de São Paulo) e das
secretarias municipais de Governo e de
Educação. Uma vez mais, porém, não houve
contraproposta por parte da prefeitura, o
que motivou a continuação do movimento. A
próxima assembléia ocorre na terça-feira,
dia 4, às 14 horas, também em frente ao
gabinete — agora do prefeito Gilberto Kassab,
do PFL, que herdou o cargo ontem.
O sindicato acusa o governo Serra-Kassab
de promover o desmonte da educação e de
desprezar a pauta de reivindicações
elaboradas pela categoria. Embora a campanha
salarial tenha começado no começo de março,
a prefeitura segue sem apresentar
contraproposta. A principal reivindicação da
categoria é o aumento dos salários, que não
sofrem reajuste real há mais de dez anos.
Para uma jornada de 20 horas por semana,
professores em início de carreira recebem R$
509. Já novos funcionários ganham ao menos
R$ 457 por 40 horas semanais. O sindicato
luta por piso geral de R$ 960. Também
reivindica convocação de docentes aprovados
em concurso, a redução do número de alunos
por sala e mudanças no programa “São Paulo é
uma Escola”.
Depois de apresentar as propostas à
prefeitura, o sindicato esperou até 17 de
março por uma resposta oficial, que não
ocorreu. Diante disso, uma assembléia da
categoria deliberou pela greve. O movimento
dura cinco dias e conta com a adesão de 60%
das escolas municipais.
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