Quarenta
e dois anos depois do golpe militar de
1964, Aracaju se torna a primeira capital
a ter um prefeito comunista. A cerimônia
de posse do prefeito Edvaldo Nogueira
(PCdoB) aconteceu na tarde desta sexta-feira
(31), no Palácio Inácio
Barbosa, sede do Executivo municipal.
O ato de transmissão do cargo ao
vice-prefeito marca a saída do
prefeito Marcelo Déda (PT), que
disputará o governo de Sergipe,
e a formação de uma frente
política mais ampla, coligando
PT, PCdoB, PSB, PL, PTB e PCB.
O
ato assumiu a forma de uma manifestação
de massas. A multidão (veja a foto)
concentrou-se em frente à sede
da Prefeitura. E depois da posse acompanhou
o ex-prefeito Marcelo Déda até
a sua residência, no início
da noite, numa caminhada simbólica..
"Saio
porque tenho uma tarefa a cumprir, porque
ouço uma batida diferente no coração
do povo de Sergipe, que diz mudança,
mudança, mudança",
declarou Déda, ao se despedir da
administração aracajuana.
Para o presidente nacional do PCdoB, Renato
Rabelo, o ato é histórico
porque reveste-se de dois grandes significados.
"Significa primeiro que a posse de
Edvaldo marca um momento importante de
expansão do nosso Partido. Segundo,
que Aracaju se destaca no Brasil por ser
uma cidade bem administrada. E esse é
um argumento muito forte que vale mais
do que qualquer discurso para a candidatura
de Marcelo Déda", aponta Rabelo,
que viajou a Aracaju para participar do
ato de ontem.
Pesquisa
mostra Déda 17 pontos na frente
Na última pesquisa divulgada pelo
Dataform, instituto de pesquisa vinculado
ao jornal Cinform, que circula
em Sergipe, Déda apareceu com 17
pontos de dianteira sobre o atual governador
João Alves Filho (PFL) - 48% contra
31%. A eleição tende a ser
bipolarizada. "A experiência
bem-sucedida em Aracaju criou uma expectativa
de que ela também pode ser repetida
em Sergipe. O Estado está dividido
com a real possibilidade de se romper
com a política das oliguarquias
representada pelo governador João
Alves", situa a vereadora de Aracaju
pelo PCdoB, Tânia Soares.
Reeleito em 2004 com 71% dos votos dos
aracajuanos, Déda, que já
foi deputado federal por duas vezes, deixa
a Prefeitura de Aracaju depois de cinco
anos e três meses de gestão.
No seu discurso de posse na Câmara
de Vereadores, Edvaldo se comprometeu
a manter o perfil da administração
que transformou Aracaju, segundo uma pesquisa
divulgada pela Fundação
Getúlio Vargas em 2005, na melhor
capital do Norte-Nordeste em matéria
de qualidade de vida.
"Darei
continuidade a esta administração
que ousou mudar a face da cidade com participação
popular e com rigor com o dinheiro público.
Meu compromisso é tornar Aracaju
uma cidade de todos e ampliar ainda mais
as áreas sociais", afirmou
Edvaldo, que exerceu duas vezes o mandato
de vereador em Aracaju e entrou na militância
comunista através do movimento
estudantil, no início da década
de 80.
Direita
há 20 anos "não põe
os pés na prefeitura"
Edvaldo
também enalteceu as tradições
progressistas da cidade: “Desde a redemocratização
[em 1985] a direita não põe
os pés na prefeitura e certamente
levará muito tempo para assim fazê-lo”,
prognosticou.
Na avaliação do deputado
federal Jackson Barreto (PTB), o fato
simboliza um projeto maior de perspectivas
de mudança na vida política
do Estado. "É um momento histórico
para o PCdoB e abre caminho para um passo
mais largo para Sergipe e para o Brasil,
porque possibilita uma aliança
ampla de forças para a conquista
do governo de Sergipe, tendo a frente
a liderança de Marcelo Déda",
acredita o líder da bancada do
PCdoB na Câmara Federal, Inácio
Arruda (CE), também presente em
Aracaju.
Além do presidente nacional do
PCdoB e do líder da bancada do
Partido na Câmara Federal, a cerimônia
de posse do novo prefeito contou com a
presença do presidente da Agência
Nacional de Petróleo, Haroldo Lima,
do vice-prefeito de Recife, Luciano Siqueira,
da prefeita de Olinda, Luciana Santos,
do presidente da UNE, Gustavo Petta, e
de diversos parlamentares federais, estaduais
e municipais.
De
Aracaju,
Joana Côrtes
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