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Brasil, sábado, 11 de outubro de 2008

31 de MARÇo de 2006

juventude

UJS lidera campanha contra redução da maioridade penal


 

“O futuro do Brasil não merece cadeia” foi o mote do ato político contra a redução da maioridade penal que a União da Juventude Socialista (UJS) realizou nesta quinta-feira (30), na Câmara dos Deputados, em Brasília. O ato reuniu os jovens que participam do Seminário Nacional da Juventude, que está sendo realizado pela Câmara para discussão do Plano Nacional de Juventude.

Para o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Tiago Alves, “essa campanha tem relação direta com a luta pela educação, porque a garantia dos jovens na sala de aula é que vai tirá-los do mundo do tráfico, da droga, da violência”. O líder estudantil criticou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, “que não quer dar passe livre e anuncia que vai construir mini-cadeias nos bairros para a juventude”.

Regina Novais, presidente do Conselho Nacional de Juventude, que participou, junto com parlamentares e representantes dos movimentos estudantis e juvenis, disse que “a mensagem que trago aqui agora é de que não há motividade para retirar direitos dos jovens; nós temos que aumentar direitos, garantir acessos e criar oportunidades”. Segundo ela, o Conselho é uma trincheira de luta para defender adolescência e juventude brasileira.

Liberdade e democracia

Os parlamentares do PCdoB - o líder da bancada na Câmara, Inácio Arruda (CE) e Jamil Murad também participaram do ato, destacando o papel importante da juventude na luta pela liberdade e democracia. Para os deputados, a redução da maioria penal é uma manobra da elite conservadora para perseguir e cercear a liberdade da juventude.

“A direita brasileira, que usou de meios sanguinários para conter a juventude brasileira, que sempre cerceou a liberdade e democracia, quer golpear e amortecer a juventude’, denuncia Inácio Arruda, acrescentando que “a UJS reage, ao lado dos partidos – PCdoB, PT, PSB – e derrotamos o governo integrista e corrupto do Fernando Henrique”.

O líder comunista conclamou a juventude, que reagiu com aplausos e gritos de aprovação, para fazer passeata “para responder ao PSDB-PFL que para derrubar governo Lula vai ter que passar por cima do povo brasileiro”. Ele disse ainda que “a esquerda não tem medo da cara feia da direita”, lembrando que a cláusula de barreira é mais uma tentativa “de calar a nossa voz, mas nós vamos superar esse obstáculo”, garantiu o deputado.

Unidade popular

A jovem Manuela d´Ávila, vereadora do PCdoB em Porto Alegre, funcionou como chefe de cerimônia, e destacou a união de todos os partidos e movimentos sociais no ato político. O público reagiu aos gritos de “Vai avançar, a unidade popular”.

Também falaram os representantes da juventude, como Aliado G, rapper da Nação Hip-Hop Brasil; Rafael Pops, secretário nacional da Juventude do PT e Altamir Morais, da Juventude Socialista Brasileira.

Rafael Pops disse que a luta é para que “o futuro da juventude não seja a cadeia, mas um projeto de desenvolvimento para o Brasil”, cobrando políticas públicas que garantam aos jovens acesso à educação, cultura, lazer e esporte.

Rafael Pops também acusou “a elite conservadora que quer marginalizar a juventude, com campanha pública para desmoralizar esse governo, que mais se empenhou em atender a juventude”. Ele disse que “nenhum outro governo trouxe as políticas da juventude para o centro dos debates, como tem feito o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Altamir Morais disse que a juventude é também o presente, marcado pelo confinamento dos jovens na periferia, excluído dos debates políticos e hoje representam apenas números nas estatísticas sociais. Ele destacou a importância da juventude na vida política do país, responsável pela organização do movimento estudantil, que foi brutalmente reprimido na época da ditadura militar, e que continua resistindo, citando o exemplo da organização do movimento Hip-Hop.

De/para/com a juventude

O representante da UJS, Paulo Vinícius (PV), fez lançamento da Revista Juventude, a única publicação gratuita dirigida à juventude “com uma abordagem marxista”, destaca. A publicação vai dar visibilidade “a temática da juventude que ganhou espaço na agenda nacional desde a vitória das forças renovadoras que levaram Luis Inácio Lula da Silva ao governo central da República”, diz o editorial da revista.

A publicação do Centro de Estudos e Memória da Juventude destaca que “a juventude é hoje lócus privilegiado da acirrada batalha de idéias que se trava na sociedade brasileira. Através de múltiplos instrumentos de produção e reprodução de idéias, valores e opiniões, as instituições atuam cotidianamente juntos aos jovens, buscando canalizá-los para a esterilidade dos valores de absolutização do indivíduo e do consumo”.

A revista Juventude vem preencher “a lacuna hoje verificável ao observarmos o espectro de revistas comerciais e acadêmicas devotadas à temática da juventude”, diz adiante o editorial, que encerra, utilizando os termos dos jovens: “de/para/com a juventude”.

Sugestões dos jovens

Durante dois dias, nesta quinta e sexta-feiras, as políticas públicas destinadas aos jovens serão discutidas no Seminário Nacional da Juventude, que está sendo realizado na Câmara dos Deputados em Brasília. O encontro reúne cerca de 350 jovens de todo o país que apresentam e debatem sugestões para o aprimoramento do texto do Plano Nacional da Juventude.

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), relator da Projeto de Lei que trata do plano, afirmou que o texto a ser votado na comissão especial será fruto de um amplo consenso. "Todas as forças políticas representadas na Câmara estão apoiando o debate em torno do projeto", disse o deputado, ao participar de seminário sobre o tema.

O Plano Nacional da Juventude estabelece metas a serem cumpridas pelo poder público nos próximos dez anos em ações voltadas para a população de 15 a 29 anos de idade.

As delegações juvenis dos estados, que foram divididos em grupos temáticos, coordenados pelos deputados integrantes da comissão especial, debatem as sugestões apresentadas nos 26 seminários realizados nos estados.

De Brasília,
Márcia Xavier

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