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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

31 DE MARÇO DE 2006

GOVERNO LULA

Na data-limite da desincompatibilização,
oito ministros vão mudar


A reforma ministerial ocupou a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante toda esta quinta-feira (30). Hoje, último dia do prazo de desincompatibilização dos ministros que vão concorrer nas eleições deste ano, ele faz o anúncio oficial das mudanças.

A reforma implicará na troca de oito dos 33 ministros. A tendência do presidente é permitir a ascensão dos secretários ao cargo de ministro onde houver desincompatibilização. A proposta está sendo bem recebida. A única resistência vem do PMDB, que quer indicar um senador para ocupar a vaga de Saraiva Felipe no Ministério da Saúde.

Quem vai sair hoje

Os ministros que confirmaram que deixarão o governo foram Jacques Wagner (Relações Institucionais), Ciro Gomes (Integração Nacional) Alfredo Nascimento (Transportes), José Alencar (Defesa), José Fristch, (Pesca), Agnelo Queiroz (Esportes), Saraiva Felipe (Saúde) e Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário).

No lugar de Agnelo Queiroz, que deixa a pasta do Esporte para concorrer ao governo do Distrito Federal pelo PCdoB, assume o secretário executivo Orlando Silva, que atua na mesma legenda, em São Paulo. Em substituição a José Fristch, que deixa a Secretaria Especial da Pesca para disputar o governo de Santa Catarina, fica o secretário executivo Altemir Gregolin, do PT-SC. E no lugar de Miguel Rosseto, no Desenvolvimento Agrário, será empossado Guilherme Cassel, que é o atual secretário executivo do ministério e pertence ao PT do Rio Grande do Sul.

O ex-ministro da Educação, Tarso Genro, anunciou que assume a Coordenação Política, no lugar de Jacques Wagner. Na quarta-feira, depois da cerimônia de posse do novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, Lula chamou Tarso Genro para uma conversa com ele e José Alencar, indicando que seu destino tenderia a ser a Defesa. Nos noticiários de quinta, porém, Tarso anunciou que aceitou o pedido do presidente para a "difícil tarefa" de substituir Wagner.

Áreas em disputa

Nos ministérios dos Transportes, Integração Nacional e Saúde, o presidente está com dificuldades para apontar os substitutos em função das disputas políticas. Alfredo Nascimento, titular dos Transportes, indicou para o cargo o seu secretário executivo, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, mas o PL quer um político à frente da pasta.

O substituto de Ciro Gomes na Integração Nacional também não foi definido. Ciro indicou seu secretário executivo, Pedro Nascimento, para assumir o cargo, mas há uma disputa entre PT e PMDB pela vaga. Os petistas querem que o presidente devolva a pasta da Saúde para o partido e indique um nome do PMDB para a Integração Nacional.

Com isso, criou-se dificuldade também na indicação do substituto de Saraiva Felipe. O ministro da Saúde indicou a Lula o nome do seu secretário executivo, José Agenor, mas a ala governista do PMDB, liderada pelos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP), defende a nomeação de Paulo Lustosa.

Destino político

Jacques Wagner e Ciro Gomes foram os primeiros a pedir ao presidente para sair. Segundo assessores do Palácio do Planalto, Lula pediu a Wagner um tempo antes do anúncio, pois ainda avalia um substituto ou a possibilidade de extinguir o Ministério, como chegou se cogitar na reforma de julho do ano passado.

Wagner pretende disputar o governo da Bahia. Já o presidente queria mantê-lo no cargo e tinha pretensões de que ele coordenasse a campanha pela reeleição. "Há dois dias o presidente me disse que não queria minha saída, mas ele sabe que sou candidato na Bahia", disse Jacques Wagner a jornalistas.

O segundo ministro a ser recebido pelo presidente foi Ciro Gomes, que manifestou o propósito de se candidatar a uma vaga na Câmara dos Deputados. Como um dos nomes fortes da política cearense, ele poderá puxar votos para o PSB no Estado e alavancar a candidatura de seu irmão, Cid Gomes, para o governo do Ceará.

Rosseto, foi o terceiro a manifestar o desejo de deixar o cargo, para disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul. O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, confirmou que vai disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados, mas disse que não está participando de articulações para que o PMDB mantenha o controle da pasta. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, do PL, vai disputar o Senado pelo Amazonas.

Os que ficam

Já o ministro das Comunicações, Hélio Costa, do PMDB de Minas, confirmou que permanece no cargo e disse que o partido poderia indicar um deputado para o Ministério dos Transportes, compensando a perda da Saúde. Ele havia manifestado o desejo de se candidatar ao governo mineiro, mas refluiu por julgar que são mínimas as chances de enfrentar o atual governador, Aécio Neves.

Marina Silva já lançou o atual vice-governador do Acre, Arnóbio Marques (PT), para disputar o governo do seu Estado. Lembrada como o nome para a disputa do cargo majoritário, ela deve permanecer no cargo até o final do mandato.

Pelas regras da desincompatibilização, os políticos que ocupam cargos executivos e pretendem disputar as eleições de outubro têm até esta sexta-feira (31) para deixá-los. A regra não se aplica aos candidatos à reeleição para o Executivo, como é o caso de Lula.

De Brasília
Márcia Xavier
Com agências

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