A reforma ministerial ocupou a agenda
do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva durante toda esta quinta-feira
(30). Hoje, último dia do prazo
de desincompatibilização
dos ministros que vão concorrer
nas eleições deste ano,
ele faz o anúncio oficial das mudanças.
A
reforma implicará na troca de oito
dos 33 ministros. A tendência do
presidente é permitir a ascensão
dos secretários ao cargo de ministro
onde houver desincompatibilização.
A proposta está sendo bem recebida.
A única resistência vem do
PMDB, que quer indicar um senador para
ocupar a vaga de Saraiva Felipe no Ministério
da Saúde.
Quem
vai sair hoje
Os
ministros que confirmaram que deixarão
o governo foram Jacques Wagner (Relações
Institucionais), Ciro Gomes (Integração
Nacional) Alfredo Nascimento (Transportes),
José Alencar (Defesa), José
Fristch, (Pesca), Agnelo Queiroz (Esportes),
Saraiva Felipe (Saúde) e Miguel
Rossetto (Desenvolvimento Agrário).
No
lugar de Agnelo Queiroz, que deixa a pasta
do Esporte para concorrer ao governo do
Distrito Federal pelo PCdoB, assume o
secretário executivo Orlando Silva,
que atua na mesma legenda, em São
Paulo. Em substituição a
José Fristch, que deixa a Secretaria
Especial da Pesca para disputar o governo
de Santa Catarina, fica o secretário
executivo Altemir Gregolin, do PT-SC.
E
no lugar de Miguel Rosseto, no Desenvolvimento
Agrário, será empossado
Guilherme Cassel, que é o atual
secretário executivo do ministério
e pertence ao PT do Rio Grande do Sul.
O
ex-ministro da Educação,
Tarso Genro, anunciou que assume a Coordenação
Política, no lugar de Jacques Wagner.
Na quarta-feira, depois da cerimônia
de posse do novo ministro da Fazenda,
Guido Mantega, Lula chamou Tarso Genro
para uma conversa com ele e José
Alencar, indicando que seu destino tenderia
a ser a Defesa. Nos noticiários
de quinta, porém, Tarso anunciou
que aceitou o pedido do presidente para
a "difícil tarefa" de
substituir Wagner.
Áreas
em disputa
Nos
ministérios dos Transportes, Integração
Nacional e Saúde, o presidente
está com dificuldades para apontar
os substitutos em função
das disputas políticas. Alfredo
Nascimento, titular dos Transportes, indicou
para o cargo o seu secretário executivo,
Paulo Sérgio de Oliveira Passos,
mas o PL quer um político à
frente da pasta.
O
substituto de Ciro Gomes na Integração
Nacional também não foi
definido. Ciro indicou seu secretário
executivo, Pedro Nascimento, para assumir
o cargo, mas há uma disputa entre
PT e PMDB pela vaga. Os petistas querem
que o presidente devolva a pasta da Saúde
para o partido e indique um nome do PMDB
para a Integração Nacional.
Com
isso, criou-se dificuldade também
na indicação do substituto
de Saraiva Felipe. O ministro da Saúde
indicou a Lula o nome do seu secretário
executivo, José Agenor, mas a ala
governista do PMDB, liderada pelos senadores
Renan Calheiros (PMDB-AL) e José
Sarney (PMDB-AP), defende a nomeação
de Paulo Lustosa.
Destino
político
Jacques Wagner e Ciro Gomes foram os primeiros
a pedir ao presidente para sair. Segundo
assessores do Palácio do Planalto,
Lula pediu a Wagner um tempo antes do
anúncio, pois ainda avalia um substituto
ou a possibilidade de extinguir o Ministério,
como chegou se cogitar na reforma de julho
do ano passado.
Wagner pretende disputar o governo da
Bahia. Já o presidente queria mantê-lo
no cargo e tinha pretensões de
que ele coordenasse a campanha pela reeleição.
"Há dois dias o presidente
me disse que não queria minha saída,
mas ele sabe que sou candidato na Bahia",
disse Jacques Wagner a jornalistas.
O
segundo ministro a ser recebido pelo presidente
foi Ciro Gomes, que manifestou o propósito
de se candidatar a uma vaga na Câmara
dos Deputados. Como um dos nomes fortes
da política cearense, ele poderá
puxar votos para o PSB no Estado e alavancar
a candidatura de seu irmão, Cid
Gomes, para o governo do Ceará.
Rosseto, foi o terceiro a manifestar o
desejo de deixar o cargo, para disputar
o Senado pelo Rio Grande do Sul. O
ministro da Saúde, Saraiva Felipe,
confirmou que vai disputar a reeleição
para a Câmara dos Deputados, mas
disse que não está participando
de articulações para que
o PMDB mantenha o controle da pasta. O
ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento,
do PL, vai disputar o Senado pelo Amazonas.
Os
que ficam
Já
o ministro das Comunicações,
Hélio Costa, do PMDB de Minas,
confirmou que permanece no cargo e disse
que o partido poderia indicar um deputado
para o Ministério dos Transportes,
compensando a perda da Saúde. Ele
havia manifestado o desejo de se candidatar
ao governo mineiro, mas refluiu por julgar
que são mínimas as chances
de enfrentar o atual governador, Aécio
Neves.
Marina
Silva já lançou o atual
vice-governador do Acre, Arnóbio
Marques (PT), para disputar o governo
do seu Estado. Lembrada como o nome para
a disputa do cargo majoritário,
ela deve permanecer no cargo até
o final do mandato.
Pelas
regras da desincompatibilização,
os políticos que ocupam cargos
executivos e pretendem disputar as eleições
de outubro têm até esta sexta-feira
(31) para deixá-los. A regra não
se aplica aos candidatos à reeleição
para o Executivo, como é o caso
de Lula.
De
Brasília
Márcia Xavier
Com agências
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