O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva polemizou nesta quarta-feira (29)
com os críticos da política
de comércio exterior do seu governo,
em pontos como o reconhecimento da China
como economia de mercado. Lula
destacou que o país atua hoje com
uma nova mentalidade, enfatizando a capacidade
de exportar produtos beneficiados, como
aviões, e não apenas primários,
caso de soja, suco de laranja e minério
de ferro.
As
afirmações foram feitas
no encerramento do Fórum Brasil-Itália,
em São Paulo. Lula despertou risos
e palmas ao encontrar semelhanças
entre Brasil e Itália: "Eu
acho que cada um de nós que vai
à Itália, desce no aeroporto...
até um pouco da bagunça
é parecida com a nossa. A gente
se sente mais próximo, mais feliz,
e eu tenho certeza de que vocês
também aqui, até no jeito
de falar", observou.
"Tomei
essa decisão porque tenho consciência"
Sobre
a China, Lula foi direto: "Eu fui
criticado porque tomei a decisão
de reconhecer a China como economia de
mercado. E tomei essa decisão porque
tenho consciência de que, ou nós
colocamos a China no âmbito da OMC
e passamos a envolvê-la nas discussões
que faz o resto do mundo, ou nós
deixamos a China de lado e ela vai ocupando
os espaços que ocupa sem pedir
licença a quem quer que seja",
argumentou.
O presidente chamou atenção
para "duas grandes novidades que
temos que levar a sério" no
mundo dos negócios: a China e a
Índia. "Juntos, são
quase 2,4 bilhões de habitantes,
mais de um terço da população
mundial que, nos últimos 20 anos,
deixaram de ser marginais da Humanidade
e passaram a ocupar um espaço importante,
a ponto de ser um presidente americano
(George W. Bush) que reconheceu a China
como parceiro preferencial e estratégico
dos Estados Unidos."
Lula rebateu ainda as queixas feitas pelo
empresariado brasileiro à administração
dele pelo reconhecimento da China como
economia de mercado, feito pelo governo
no ano passado. "Ou colocamos a China
no âmbito da Organização
Mundial do Comércio, envolvendo-a
nas discussões dos fóruns
que ajudamos a instituir, ou deixamos
a China de lado e eles vão ocupando
espaço onde quer que seja. Precisamos
comprometê-los, como o Brasil e
todos os outros países estão
comprometidos", argumentou.
"O
presidente, viajando para a África?"
O presidente disse também que "as
pessoas criticaram os US$ 500 mil, gastos
pelo Brasil na Semana Brasileira nos Países
Árabes, "sem saber quantos
US$ 500 mil nós íamos ganhar
por conta daquele evento". E ironizou
ainda os críticos de suas viagens
à África: "Muita
gente no Brasil fala: 'Mas o presidente,
viajando para a África? O presidente
teria que viajar para a Itália,
para a Alemanha, mas para a África?'."
E advogou um relacionamento comercial
amplo, inclusive com a Itália.
Lula se referiu ainda à infra-estrutura
exportadora: "Como é possível
a Venezuela ficar comprando um carro produzido
nos Estados Unidos se pode comprar um
carro produzido aqui no Brasil? Até
o Fiat italiano ela pode comprar aqui.
Agora, se a gente não tiver a desgramada
da estrada, o porto, o aeroporto, a telecomunicação,
eles preferem ir comprar lá",
observou.
Com
Presidência
da República
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