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Brasil, quinta-feira, 20 de novembro de 2008

30 DE MARÇO DE 2006

RELAÇÕES COMERCIAIS

Lula defende sua política de
comércio com a China e o mundo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva polemizou nesta quarta-feira (29) com os críticos da política de comércio exterior do seu governo, em pontos como o reconhecimento da China como economia de mercado. Lula
destacou que o país atua hoje com uma nova mentalidade, enfatizando a capacidade de exportar produtos beneficiados, como aviões, e não apenas primários, caso de soja, suco de laranja e minério de ferro.

As afirmações foram feitas no encerramento do Fórum Brasil-Itália, em São Paulo. Lula despertou risos e palmas ao encontrar semelhanças entre Brasil e Itália: "Eu acho que cada um de nós que vai à Itália, desce no aeroporto... até um pouco da bagunça é parecida com a nossa. A gente se sente mais próximo, mais feliz, e eu tenho certeza de que vocês também aqui, até no jeito de falar", observou.

"Tomei essa decisão porque tenho consciência"

Sobre a China, Lula foi direto: "Eu fui criticado porque tomei a decisão de reconhecer a China como economia de mercado. E tomei essa decisão porque tenho consciência de que, ou nós colocamos a China no âmbito da OMC e passamos a envolvê-la nas discussões que faz o resto do mundo, ou nós deixamos a China de lado e ela vai ocupando os espaços que ocupa sem pedir licença a quem quer que seja", argumentou.

O presidente chamou atenção para "duas grandes novidades que temos que levar a sério" no mundo dos negócios: a China e a Índia. "Juntos, são quase 2,4 bilhões de habitantes, mais de um terço da população mundial que, nos últimos 20 anos, deixaram de ser marginais da Humanidade e passaram a ocupar um espaço importante, a ponto de ser um presidente americano (George W. Bush) que reconheceu a China como parceiro preferencial e estratégico dos Estados Unidos."

Lula rebateu ainda as queixas feitas pelo empresariado brasileiro à administração dele pelo reconhecimento da China como economia de mercado, feito pelo governo no ano passado. "Ou colocamos a China no âmbito da Organização Mundial do Comércio, envolvendo-a nas discussões dos fóruns que ajudamos a instituir, ou deixamos a China de lado e eles vão ocupando espaço onde quer que seja. Precisamos comprometê-los, como o Brasil e todos os outros países estão comprometidos", argumentou.

"O presidente, viajando para a África?"

O presidente disse também que "as pessoas criticaram os US$ 500 mil, gastos pelo Brasil na Semana Brasileira nos Países Árabes, "sem saber quantos US$ 500 mil nós íamos ganhar por conta daquele evento". E ironizou ainda os críticos de suas viagens à África: "M
uita gente no Brasil fala: 'Mas o presidente, viajando para a África? O presidente teria que viajar para a Itália, para a Alemanha, mas para a África?'." E advogou um relacionamento comercial amplo, inclusive com a Itália.

Lula se referiu ainda à infra-estrutura exportadora: "Como é possível a Venezuela ficar comprando um carro produzido nos Estados Unidos se pode comprar um carro produzido aqui no Brasil? Até o Fiat italiano ela pode comprar aqui. Agora, se a gente não tiver a desgramada da estrada, o porto, o aeroporto, a telecomunicação, eles preferem ir comprar lá", observou.

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