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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

30 de MARÇo de 2006

lógica capitalista

Carrefour oferece R$ 5 mil a funcionário que perdeu a mão em acidente de trabalho

 
 
Diego: exposto ao moedor de carne sem
qualquer equipamento de proteção

Cinco mil reais, o preço de uma televisão de 36 polegadas à venda no Carrefour. Este é o valor oferecido pela multinacional francesa para indenizar seu funcionário Diego Nunes Marra, de apenas 22 anos, pela perda total da mão direita durante um acidente de trabalho.

A mutilação ocorreu no supermercado Carrefour de Uberlândia, quando Diego foi transferido do setor de frutas, legumes e verduras, onde trabalhava, para o setor de açougue. Exposto ao moedor de carne sem qualquer equipamento de proteção ou treinamento, o jovem foi lesionado no último dia 18 de janeiro.

Após deixar o trabalhador e sua família sem qualquer assistência, acumulando dívidas na farmácia, sobrevivendo de um salário mínimo pago pelo INSS e do apoio de familiares, a multinacional etiquetou o aviltante preço em um cheque enviado a Diego na última quinta-feira (23/3).

Abandono e revolta

“Estou revoltado pela assistência que tive. Ou melhor, pela falta de assistência. Sou casado, tenho um filho de dez meses e penso muito no que vai ser do futuro. Sempre passava aperto, mas nunca faltava comida na mesa, nem fruta ou fralda para o meu filho. Agora... Até para pentear o cabelo do jeito que eu gosto minha mulher tem de ajudar, para abotoar a camisa... É um absurdo pensar que, para o Carrefour, minha mão direita vale R$ 5 mil”, declarou Diego. Ele está participando em São Paulo do Seminário promovido pela Secretaria de Relações Internacionais da CUT, através do projeto Ação Frente às Multinacionais CUT/FNV e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs), organizando as redes de trabalhadores do Walllmart e Carrefour.

Diego conta que a única preocupação real demonstrada pela empresa aconteceu no dia do acidente. “Eu estava agonizando de dor, gritando, porque doía muito mesmo. Aí chegou uma enfermeira do Carrefour dizendo que era para falar baixo, pois estava assustando os clientes. Me deu um pano para cobrir a mão e só. Como comecei a perder muito sangue e não chegava ninguém da empresa para me socorrer, com a ajuda de dois colegas fui para o Hospital do Triângulo, onde fui operado. De lá para cá, nenhum telefonema nem do diretor. Nem para saber como eu fiquei. Me sinto rejeitado, como se fosse um zé mané”.

Bom funcionário

Bom funcionário, que atendia a todos sorrindo no setor de frutas, Diego lembra que era sempre o escolhido para pôr fogo nas promoções, alavancando as vendas. “Do setor de FLV (frutas, legumes e verduras) me colocaram no de merchandising e dali me jogaram no açougue, sem qualquer treinamento, mas eles sempre me falando em aumento, que nunca deram. Aí eu retornei de um outro acidente que tive, onde já havia perdido um pedaço do dedão da mão esquerda. Voltei a trabalhar no dia 16 de janeiro e me colocaram de volta no açougue. No dia 18, o cliente me pediu para moer uma carne: patinho, em três bandejas de meio quilo cada. Perguntei para o meu colega que carne era aquela e ele disse para eu moer a mais vermelha possível. Tudo bem. Aí travou a máquina e eu fui socar a carne. O soquete escapuliu, bateu na parede e caiu no chão, enquanto a minha mão entrava direto dentro do moedor. Agora não tenho previsão de retorno, estou aguardando a perícia e o resultado da ação na Justiça. Nos primeiros dias prometeram prótese, assistência e tudo mais... Estou participando para ajudar a que ninguém mais passe pelo que estou passando, para que o trabalhador seja respeitado nos seus direitos”.

Desde o acidente, o Sindicato dos Comerciários de Uberlândia está dando total assistência e orientação a Diego em sua luta por justiça e dignidade. A formação da rede sindical dos trabalhadores do Carrefour fortalecerá o nível de organização e mobilização da categoria no local de trabalho e contribuirá para que crimes desta natureza não continuem impunes.

Fonte: portal da CUT

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