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Brasil, sábado, 11 de outubro de 2008

30 DE MARÇO DE 2006

SINDICATO DENUNCIA

Pontos bancários são 90 mil
mas pouco servem à bancarização


Em seminário realizado nesta quarta-feira (29) na Fecomércio, o Banco Central informou que já existem no país cerca de 90 mil pontos de correspondentes bancários. Oficialmente, o BC reconhece a existência de pouco mais de 46 mil pontos, mas admite que não tem verba suficiente para acompanhar o setor.

O serviço, autorizado pelo Banco Central desde 1979, surgiu efetivamente a partir de 1999, com o objetivo de levar a bancarização aos rincões do Brasil onde os cidadãos não contavam com serviços bancários. De lá para cá, a proposta inicial vem sendo descaracterizada: dos 90 mil pontos existentes, cerca de 60 mil estão na região Sudeste, 38 mil na cidade de São Paulo e muitos deles funcionam em regiões centrais onde existem muitas agências bancárias.

"Sistema expulsou população das agências"

"Os correspondentes bancários acabaram se transformando num meio encontrado pelos bancos para baratear seus custos: eles aumentam seus lucros e jogam a conta para a sociedade", afirma o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino. "Ao longo dos últimos anos, o sistema financeiro expulsou a população das agências, por meio da informatização, das enormes filas, da falta de pessoal para o atendimento. Foi gerado o ambiente propício para a criação de locais onde pagar contas e ter acesso ao crédito fosse mais fácil", avalia Marcolino.

Os números confirmam esse ponto de vista. Desde o ano 2000, o número de pontos de correspondentes bancários saltou de 63 mil para 90 mil. No mesmo período, o de agências evoluiu de 16.396 para 17.515. O setor, que em 2000 movimentava R$ 22 milhões em cerca de 63 mil operações, chegou a 2005 responsável por 1,4 bilhões de operações que somam mais de R$ 27,5 bilhões!

Correspondentes sim, mas com regras

"Os correspondentes têm hoje um papel fundamental na sociedade. Assumiram uma prestação de serviço que os bancos não querem fazer e que hoje, conforme o próprio setor avisa, já não podem absorver", diz o presidente do Sindicato. "O que nós reivindicamos é que se criem regras e limites que evitem a já crescente precarização na qualidade do atendimento à população e a flexibilização dos direitos trabalhistas desse exército de profissionais que atuam nos 90 mil pontos de atendimento e que nem o Banco Central sabe dizer quantos são", destaca Marcolino.

Para o presidente do Sindicato, há uma tendência de estagnação no número de agências e um crescimento acelerado no número de pontos de correspondentes bancários. "Para o comércio é bom, atrai clientela. Para a população também é mais fácil que ir ao banco, mas questões como segurança, direitos do consumidor e direitos trabalhistas estão sendo deixadas de lado."

O Sindicato já entregou dossiê sobre o tema para a Secretaria Geral da Presidência da República e ao Ministério do Trabalho, sugerindo a devida regulamentação para o setor. "Temos que estar atentos à criação de um sistema que pode representar grave risco para a sociedade e para esses trabalhadores correspondentes que estão ligados ao sistema financeiro, mas não têm qualquer representação efetiva", completa Marcolino.

Cláudia Motta,
Sindicato dos Bancários
de São Paulo, Osasco e Região

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