Com a posse de Guido Mantega no Ministério
da Fazenda, o dia foi de intensa movimentação
em Brasília a respeito dos nomes
que vão compor a equipe do novo
ministro. Em meio a notícias confirmadas
da saída do secretário do
Tesouro, Joaquim Levy, e do secretário-executivo,
Murilo Portugal; e boatos alimentados
pela mídia, incluindo a substituição
do Presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, Mantega pediu aos demais membros
da equipe do Ministério que permaneçam
em seus cargos até que ele possa
ter uma conversa pessoal com cada um deles.
"As coisas acontecerão a seu
tempo", afirmou em entrevista após
a posse.
O
secretário do Tesouro, Joaquim
Levy, pediu exoneração de
seu cargo, logo nesta terça-feira
(28) e comunicou ao presidente do Banco
Interamericano de Desenvolvimento (Bid),
Luiz Alberto Moreno, que aceita o convite
para ocupar a vice-presidência de
Finanças e Administração
da instituição, com sede
em Washington, onde Levy já atuou.
O anúncio oficial deve ser feito
em breve.
Na cerimônia de posse de Guido Mantega,
o próprio presidente Lula anunciou
os nomes dos novos ocupantes dos cargos
vagos com a troca de ministros. Demian
Fiocca, que acompanha Mantega desde o
Ministério do Planejamento, deixa
de ser vice-presidente para assumir a
presidência do BNDES; e Maria Fernanda
Ramos Coelho, funcionária de carreira
com 22 anos na Caixa Econômica Federal
(CEF), assume a presidência do banco
no lugar de Jorge Mattoso.
Henrique
Meirelles fica
As
especulações da saída
de Henrique Meirelles da presidência
do Banco Central foram rechaçadas
por todas as fontes. O próprio
Meirelles reagiu com veemência à
pergunta dos jornalistas sobre a permanência
dele no cargo. "Essa questão
não se coloca", repetiu várias
vezes.
Ele
disse que, em conversa com o presidente,
Lula teria garantido que a autonomia do
Banco Central será mantida. Afirmou
que o Banco Central continuará
fazendo seu trabalho, com o objetivo de
atingir as metas de inflação
estabelecidas pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN).
O
novo ministro da Fazenda confirmou as
palavras de Meirelles. “A autonomia do
BC é decidida pelo presidente da
República e a equipe fica enquanto
Lula julgar necessário", declarou.
"Essa atribuição é
do presidente e não minha",
reforçou o ministro. Formalmente,
o Banco Central é uma entidade
vinculada ao Ministério da Fazenda.
Mantega
afastou os boatos de mal-estar entre ele
e o presidente do Banco Central. "Não
há nenhum mal-estar com o Meirelles",
afirmou, acrescentando que conversou,
por telefone, com Meirelles e já
acertaram um encontro. "A minha relação
com Meirelles tem sido aberta e tem-se
dado, sempre, em um clima cordial",
insistiu Mantega. "Posso até
ter tido alguma divergência com
ele, no CMN (Conselho Monetário
Nacional), mas nem lembro mais qual",
disse o ministro.
Nomes
de confiança
Mantega
afirmou à Agência Estado
que ainda não decidiu sobre a substituição
definitiva do secretário do Tesouro,
Joaquim Levy, e afirmou que o cargo será
ocupado interinamente pelo secretário-adjunto
do Ministério.
Também não foi acertado
ainda o nome do substituto de Murilo Portugal
como secretário-executivo da Fazenda,
o segundo cargo na hierarquia do ministério.
Mantega acrescentou que conversou com
o secretários de Política
Econômica, Bernard Appy, e da Receita,
Jorge Rachid, para permanecerem nos seus
respectivos cargos, e que pretende conversar
com eles nos próximos dias.
Nos
corredores do BNDES, o comentário
é de que Mantega precisará
de assessores de sua confiança
tanto na Secretaria Executiva quanto na
Secretaria do Tesouro Nacional. Essas
mudanças de nomes nestes cargos-chaves
já eram previstas e consideradas
“normais” pelos analistas econômicos.
Toda
a diretoria do BNDES estava em Brasília
para prestigiar a posse de Mantega e também
conversar com seu o ex-presidente.
Novos
conselheiros
O
Diário Oficial publica hoje decretos
do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva
reconduzindo o ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior,
Luiz Fernando Furlan, às funções
de membro e presidente do Conselho de
Administração do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), subordinado a seu ministério.
Em outros decretos, Lula reconduziu à
função de membros do BNDES
o ministro das Cidades, Márcio
Fortes de Almeida; o ex-ministro do Planejamento,
João Paulo dos Reis Velloso, e
João Pedro de Moura. Alessandro
Golombiewski Teixeira foi nomeado membro
titular do Conselho Fiscal do BNDES e
Maurício Teixeira da Costa, membro
suplente do Conselho.
Manutenção
do rumo
O
secretário do Tesouro Nacional,
Joaquim Levy, disse, em entrevista concedida
na portaria do Ministério da Fazenda,
que todos os indicadores são de
tranquilidade e de manutenção
de rumo. Na sua avaliação,
"não deve haver causa de preocupação.
O Tesouro tem condições
de caixa e opera no mercado com tranquilidade",
afirmou o secretário.
Segundo
ele, a tranquilidade se dá devido
à "situação
que o próprio mercado tem de confiança
fiscal no Brasil".
"O
nosso objetivo é ter uma transição
absolutamente tranquila, dentro de um
quadro que também já está
bem definido", disse, ressaltando
que o superávit do setor público
consolidado em fevereiro foi o maior desde
2003.
De
Brasília
Márcia Xavier
Com agências
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