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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

26 DE MARÇO DE 2006

OPINIÃO

Avançar é preciso: contra
o candidato do Opus Dei


Por Gilda Almeida*

Não poderia ter sido mais melancólica a novela tucana sobre quem seria o presidenciável do campo neoliberal. Muitos foram os jantares, almoços, cafés da manhã e da tarde, além de toda a sorte de convescotes, até que a cúpula do PSDB ungisse Geraldo Alckmin como seu preferido. Parênteses: nem tão preferido, já que ele ganhou na valentia e José Serra, este sim de início o preferido, acovardou-se.

De qualquer forma, o lançamento de Alckmin define ainda melhor os campos em disputa nas eleições presidenciais. Alckmin era, desde semrpe, o candidato preferido da banca financeira e do grande empresariado. Pudera, a agenda implementada pelos doze anos de Covas/Alckmin em São Paulo foi a neoliberal convicta. Tendo, aliás, o então vice-governador Geraldo Alckmin presidido o programa de privatizações estadual.

O perfil tecnocrata, mais de “gerente” que de político, também não esconde, antes reforça, o conservadorismo do tucano. Alckmin não tem muito apego a ideologias, não admite ser de direita, ao mesmo tempo em que é clarividente que nunca tangenciou nem a centro esquerda. Sustenta que os problemas políticos são resolvidos pela eficiência administrativa. Leia-se: em hipótese alguma atender demandas sociais. Basta dizer que uma das marcas da gestão Alckmin foi a truculência no trato das reivindicações do movimento social. O governador se esmerou em construir para si a imagem de avesso a negociações – ainda que aberto às negociatas -, como se comandar o maior estado da federação fosse como tocar uma empresa de médio porte.

Não bastasse tudo isso, o governador tem uma obscura e mal explicada ligação com um setor ultraconservador da igreja católica, conforme revelado em recente reportagem. É um adimirador do Opus Dei, prelazia que prega, entre outras coisas, a mortificação corporal como forma de aproximação com Deus. Com todo o respeito às crenças, algo, para dizer o mínimo, obscurantista e medieval. Uma das primeiras declarações do agora presidenciável foi “a pátria são as famílias, a religião, os costumes, a tradição”. Auto-explicativo.

O latente conservadorismo do candidato não pode deixar margem para confusão no campo progressista. Não que, fosse José Serra o candidato, teria identidade com o campo não neoliberal. No final das contas, seria o representante do programa tucano, ou seja, da volta das privatizações, da retomada da ALCA, da submissão aos interesses americanos. De todo modo, talvez pelo seu passado, José Serra poderia obter algum apoio em setores progressistas, como atestou o manifesto em apoio a sua candidatura, subscrito por intelectuais e economistas, quando essa possibilidade ainda estava dada.  

Já com Alckmin, não há espaço para equívocos. Ainda mais agora com a manutenção da verticalização, que deve diminuir o número de postulantes ao Planalto e favorecer a polarização da disputa entre PT e PSDB. O campo progressista tem de se posicionar decididamente contra o retrocesso e por um programa avançado, o que traz a necessidade da repactuação por um projeto de desenvolvimento com soberania e valorização do trabalho, desafio que as forças de sustentação de Lula estão aptas a cumprir.  
O momento não abre espaço para ultrapassagens à esquerda nem para pretensas “terceiras vias”. Exige unidade e clareza política para derrotar o inimigo comum: o programa neoliberal e seu candidato, que é patologicamente conservador.

* Secretária de Políticas SociaIS
da CUT; fonte: http://www.cut.org.br/

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