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| Palocci
teme 'uma eleição agressiva'
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Por
Bernardo Joffily
O
ministro Antonio Palocci (Fazenda) fez
nesta sexta-feira (24) o seu primeiro
pronunciamento público desde o
dia 14, quando a CPI dos Bingos ouviu
o caseiro Francenildo Costa. No improviso
de 40 minutos, defendeu a sua política
econômica, e a de seus antecessores.
Não entrou no mérito das
denúncias que povoam o noticiário
e o discurso oposicionista. Admitiu que
"certamente" cometeu erros.
Mas basicamente chamou a oposição
a ter "serenidade", "equilibrar"
o processo político, para não
criar "uma crise sem fim", "um
nível de exacerbação
além do razoável".
Palocci
iniciou afirmando que abandonaria o discurso
"longo e chato" que preparara,
junto com "uns gráficos chatérrimos".
Disse preferir "deixar de lado a
razão e ter um discurso franco,
com o coração".
Num
dos trechos mais citados no noticiário,
ele indagou "Como é possível
um país ter uma economia que começa
a voar em céu de brigadeiro e um
ministro que está mais para o inferno,
ali no terceiro e o quarto círculos
do inferno de Dante", referindo-se
ao poema fundador da literatira italiana,
de Dante Alighieri, que descreve os nove
supostos círculos infernais. E
respondeu que "isso é possível
porque a economia e as instituições
brasileiras começam a ganhar uma
maturidade que eu penso ser definitivas".
A
fala foi para 500 empresários e
banqueiros da Câmara Americana de
Comércio do Brasil (Amcham, na
sigla em inglês), em São
Paulo. E agradou seu público. Sergio
Haberfeld, ex-presidente da Amcham e dono
da Dixie Toga, empresa de embalagens com
vendas anuais na casa do bilhão,
fez talvez o comentário mais eloquente:
"Não é uma discussão
de caseiro que deveria derrubar o nosso
melhor ministro". Os próximos
dias dirão se os argumentos do
ministro e da platéia lograrão
conter os ímpetos paloccicidas
do bloco conservador oposicionista-midiático.
Veja
os trechos mais relevantes do discurso,
em uma tentativa de agrupamento por temas:
A
economia em "um céu de brigadeiro"
"O
governo construiu pilares fudamentais
no campo econômico. Esses alicerces
permitiram ao Brasil atingisse um grau
de profundidade nas suas políticas
que as tornam mais permanentes do que
as pessoas. Só assim é possível
haver essa dicotomia entre um céu
de brigadeiro da economia e um inferno
do ministro."
"Fala-se
muito que os bancos vão muito bem.
Que bom que eles vão bem! É
preferível um sistema financeiro
enxuto, robusto, do que termos de fazer
um sistema de socorro a eles. Eu penso
assim. Não sei se estou certo,
mas penso assim."
"Penso
que conseguimos realizar um trabalho muito
importante. Conseguimos trazer o país
para uma situação muito
melhor. [...] Temos
como desafio neste e nos próximos
anos continuar esse trabalho".
"Não
penso que isso (o recrudescimento político)
vá prejudicar a economia, vá
abalar os alicerces da economia brasileira.
Como assistimos nesse último ano,
mesmo nos momentos de maior tensão
política que ocorreram no ano passado
não tivemos um desarranjo no processo
econômico".
"Está
aí, agora, uma oportunidade única,
de que o Brasil, governado por esse ou
por aquele partido, cresça e seja
um país estável por dez,
quinze anos. Todos
precisam acreditar que a nossa economia
estará caminhando num caminho positivo,
convictos de que a economia brasileira
está com bases bastantes sólidas."
"Estamos
atentos para aquilo que está conquistado
nesses fundamentos, que apresentei aqui,
não sofram o impacto indesejado
do processo político."
"Ajuste
do Plano Real foi fundamental"
"Insisto,
sempre digo isso, desde a minha posse,
nunca atribuo essas conquistas à
minha pessoa ou à minha equipe.
Acho que é resultado de muito esforço
que foi realizado. Quando
foi feito há uma década
o ajuste do Plano Real, aquilo foi fundamental
para a estabilidade econômica."
"Nesta
eleição nós vamos
ter um processo de conservação
econômica e isso é consequência
do que foi feito pela nossa equipe e também
por outras equipes, pelo nosso governo
e durante muito anos de dedicação
ao equilíbrio das instituições
econômicas do Brasil."
Sempre
um "bombeiro" do "recrudescimento
preocupante"
"A
política está cobrando seu
preço. Nesse momento há
um recrudescimento do quadro político
de maneira muito preocupante."
"Neste
momento, acho que as forças políticas
se encontram em um processo de conflito
extremamente negativo para o país.
"As
coisas que fazem parte de um ano político
às vezes chegam a uma exacerbação
além do razoável. Não
atribuo isso a partidos, a lideranças.
Acho que há dentro do jogo político
pessoas que não têm limites.
Pessoas
que não observam limites entre
investigar o que é justo e percebível.
Não vêem limites entre a
crítica e o respeito às
pessoas. Esta é uma questão
que está presente no atual momento
político do Brasil e que nós
temos que ter serenidade para atravessar.
Caso contrário nós corremos
o risco de termos uma eleição
muito agressiva. Uma eleição
que vai acabar agredindo o eleitor em
vez de oferecer à ele a oportunidade
de debater democraticamente os diferentes
programas para melhorar o Brasil."
"Neste
período de crise houve erros de
todos os lados. Eu não sou daqueles
que acha que só a oposição
está errada, não."
"Se
nós não conseguirmos equilibrar
este processo político, nós
poderemos ter problemas. Podemos comprometer
o próprio processo, e o ambiente
de uma eleição positiva
que nós podemos e devemos ter no
Brasil, na medida que os candidatos que
estão colocados são pessoas
de alto nível. São pessoas
respeitosas, competentes, e podem dar
ao Brasil um debate programático
de altíssima qualidade."
"Este
ano pode ser que a política caminhe
para um debate mais aguerrido, ou pode
ser que seja mais ameno. Eu vou trabalhar
sempre do lado dos bombeiros, mesmo quando
as coisas ficarem mais difíceis.
Não
podemos deixar o país abalado por
causa da uma crise política interminável.
Nós precisamos articular para saber
como agir para que se encontre o caminho
do diálogo, o caminho do equilíbrio."
Palocci
sobre Palocci, situação
e perspectivas
"Sou
político, não me recuso
a fazer debate político, não
me recuso a debater inclusive as coisas
que me envolvem. Fui ao Congresso três
vezes ano passado e uma vez esse ano com
toda a disposição para dar
qualquer esclarecimento."
"Nesta
semana muitos jornais, colegas da Imprensa,
me criticaram porque eu me afastei, não
quis falar com os jornalistas. Eu quero
que vocês compreendam que eu não
posso como Ministro da Fazenda debater
todo o tipo de acusação
baixa e ofensas que são alimentadas
em um jogo politiqueiro. Não posso.
Se fizesse isso, aí, sim, comprometeria
a condução da economia."
"Às
vezes eu me silencio, fico um pouco longe,
mas não deixo de cumprir meus compromissos.
Trabalhei a semana toda, vim cumprir meu
compromisso aqui com muita felicidade,
mas não posso fazer no Ministério
da Fazenda um debate destes temas que
estão sendo colocados."
"O governo cometeu erros, meu partido
cometeu erros, eu certamente cometi erros.
E todos nós temos que pagar pelos
erros que cometemos. Agora,
não se pode transformar o debate
político numa crítica sem
fim. Em uma crítica ligada a todas
as coisas. Em uma agressão às
vidas pessoais. Não se pode permitir.
Quando chega a este ponto eu me afasto.
Não sei se é certo ou errado."
"Quero
explicar aos colegas da Imprensa porque
eu fiquei um pouco retraído esta
semana. E vou fazer isto sempre que a
discussão resvalar para um plano
que desrespeita a instituição,
que desrespeita as pessoas, o trabalho
de cada um. Digo isto inclusive a alguns
colegas jornalistas. Alguns
colegas precisam prestar atenção
no que publicam. Porque fazem pré-julgamentos.
Ofendem pessoas, ofendem famílias."
"Por mais que nos próximos
períodos eu enfrente alguns problemas
de cunho pessoal, eu vou optar por manter
a serenidade necessária para poder
levar a diante o meu trabalho, por que
espero não envolver jamais o Ministério
da Fazenda nesse tipo de debate."
Eu
sei que eu sou um ser público e,
embora eu não esteja interessado
em candidatura, tudo isso faz parte do
ambiente político. É preciso
buscar num momento como este os melhores
instrumentos. Nós não podemos
nos perder. A minha parte eu vou fazer
com muita dedicação.”
Fonte:
Amcham
e agências
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aqui para ver a íntegra do discurso
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