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| Martinho
(c.) recebe os dirigentes do seu novo
partido |
Em
clima de descontração e
camaradagem, o presidente nacional do
PCdoB, Renato Rabelo, a presidente estadual,
Ana Rocha e representantes da direção
do PCdoB jantaram nesta quinta-feira (23)
no apartamento do sambista Martinho da
Vila, e sua esposa, Cléo Ferreira,
na Barra da Tijuca, Rio. Na véspera,
em Brasília, o compositor, que
se filiou ao Partido no ano passado, fora
a atração da festa de 84
anos do Partido Comunista do Brasil (clique
aqui patra ver mais), que transcorre
neste sábado (25).
O
bate-papo, que começou às
19h30 e se prolongou até às
23 horas, abordou os mais diversos assuntos:
política nacional e internacional
(Martinho é uma referência
na África, principalmente em Angola),
música, política cultural,
futebol, carnaval e socialismo.
“Foi
uma sinalização”
Durante
o encontro, Martinho reafirmou os motivos
de sua filiação, ocorrida
em pleno auge da crise política
de 2005. “A decisão de me filiar
ao Partido foi uma sinalização
de que só é possível
mudança através de uma atuação
política consciente e organizada.
O PCdoB me atraiu por sua história
e coerência. Não é
um Partido meramente eleitoreiro, tem
objetivos maiores”, comentou.
Reforçando essa opinião,
Renato lembrou que o PCdoB tem hoje mais
de 200 mil filiados e 80 mil militantes
organizados, o que faz dele a maior organização
partidária militante do Brasil.
“Muitos partidos funcionam como simples
agências de candidaturas, o que
só mostra a injustiça da
cláusula de barreira de 5%, que
preserva esses partidos e pode atingir
partidos como o PCdoB, que tem militância
e presença real entre o povo”,
opinou.
"Martinho
foi o tempero"
Renato
também destacou a presença
de Martinho na solenidade dos 84 anos
do PCdoB, no salão nobre da Câmara
do Deputados. Segundo Renato, “Martinho
foi o tempero que transformou uma solenidade,
normalmente formal, em um ambiente com
mais vida e alegria”.
Falando
em alegria, Ana Rocha destacou a felicidade
dos comunistas de todo o Brasil com a
filiação de um autêntico
representante do que há de melhor
na arte popular, e fez votos de que o
novo filiado sinta-se cada vez mais em
casa entre os comunistas. A resposta de
Martinho foi imediata: “Já me sinto
muito à vontade no PCdoB”.
O
sambista prometeu organizar reuniões
mais amplas, para apresentar o Partido
e atrair novos filiados, principalmente
entre antigos militantes que estão
afastados de uma atuação
organizada. Também
participaram do encontro os deputados
comunistas Jandira Feghali (federal) e
Edmilson Valentim (estadual), o vereador
Fernando Gusmão e os dirigentes
estaduais Jorge Barreto, Carlos Henrique
(Caíque), Fernando Nogueira, Herval
Barros, Uirtz Sérvulo e Wevergton
Brito.
"O
encontro revelou um Martinho, não
só como o grande artista popular
que é, mas um homem culto, escritor,
conhecedor do contexto político
que vive o país, da cultura brasileira
e mundial, em especial do continente africano.
Um encontro descontraído e agradável,
cheio de conteúdo e de novas possibilidades
de engrandecimento do PCdoB", escreveu
mais tarde Ana Rocha.
Como
nasceu o Partido
O
Congresso da Fundação do
Partido começou no Rio de Janeiro,
em 25 de março de 1922, e concluiu-se
dois dias depois, após ser transferido
por razões de segurança
para a cidade vizinha de Niterói.
Nove delegados representaram na reunião
os grupos comunistas de Porto Alegre,
Recife, S. Paulo, Cruzeiro (SP), Niterói
e Rio. Santos e Juiz de Fora não
conseguiram comparecer.
O
Congresso aprovou as 21 condições
de ingresso na Internacional Comunista,
os seus Estatutos e uma Comissão
Central Executiva. Iniciou uma campanha
de solidariedade aos trabalhadores soviéticos.
Terminou com todos cantando a Internacional,
baixinho, por razões de segurança.
O Partido nascia com 73 militantes. Era
o primeiro passo da saga que hoje completa
84 anos.
O
aniversário foi comemorado no Rio
de Janeiro na manhã de sexta-feira
(24), em frente à sede da Petrobras
— numa homenagem à estatal petroleira,
que deve anunciar a auto-suficiência
em petróleo no próximo mês.
O
PCdoB/Rio preparou um bolo enfeitado com
a bandeira do Partido entre as bandeiras
brasileiras e barris de petróleo
e levou bolas vermelhas para a festa.
Ao
meio-dia os presentes cantaram parabéns.
Mais de 200 pessoas comeram as fatias
do bolo. Também foi distribuída
a edição especial do jornal
A Classe Operária comemorativo
dos 84 anos. Com uma boa receptividade
dos funcionários da Petrobras,
os discursos exaltaram a luta dos trabalhadores
pelo progresso do país e o sentido
da auto-suficiência em petróleo.
Do
Rio de Janeiro
Wevergton Brito Lima
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