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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

25 DE MARÇO DE 2006

ANIVERSÁRIO

Renato janta com Martinho da Vila,
"tempero" dos 84 anos do PCdoB

-
Martinho (c.) recebe os dirigentes do seu novo partido

Em clima de descontração e camaradagem, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, a presidente estadual, Ana Rocha e representantes da direção do PCdoB jantaram nesta quinta-feira (23) no apartamento do sambista Martinho da Vila, e sua esposa, Cléo Ferreira, na Barra da Tijuca, Rio. Na véspera, em Brasília, o compositor, que se filiou ao Partido no ano passado, fora a atração da festa de 84 anos do Partido Comunista do Brasil (clique aqui patra ver mais), que transcorre neste sábado (25).

O bate-papo, que começou às 19h30 e se prolongou até às 23 horas, abordou os mais diversos assuntos: política nacional e internacional (Martinho é uma referência na África, principalmente em Angola), música, política cultural, futebol, carnaval e socialismo.

“Foi uma sinalização”

Durante o encontro, Martinho reafirmou os motivos de sua filiação, ocorrida em pleno auge da crise política de 2005. “A decisão de me filiar ao Partido foi uma sinalização de que só é possível mudança através de uma atuação política consciente e organizada. O PCdoB me atraiu por sua história e coerência. Não é um Partido meramente eleitoreiro, tem objetivos maiores”, comentou.

Reforçando essa opinião, Renato lembrou que o PCdoB tem hoje mais de 200 mil filiados e 80 mil militantes organizados, o que faz dele a maior organização partidária militante do Brasil. “Muitos partidos funcionam como simples agências de candidaturas, o que só mostra a injustiça da cláusula de barreira de 5%, que preserva esses partidos e pode atingir partidos como o PCdoB, que tem militância e presença real entre o povo”, opinou.

"Martinho foi o tempero"

Renato também destacou a presença de Martinho na solenidade dos 84 anos do PCdoB, no salão nobre da Câmara do Deputados. Segundo Renato, “Martinho foi o tempero que transformou uma solenidade, normalmente formal, em um ambiente com mais vida e alegria”.

Falando em alegria, Ana Rocha destacou a felicidade dos comunistas de todo o Brasil com a filiação de um autêntico representante do que há de melhor na arte popular, e fez votos de que o novo filiado sinta-se cada vez mais em casa entre os comunistas. A resposta de Martinho foi imediata: “Já me sinto muito à vontade no PCdoB”.

O sambista prometeu organizar reuniões mais amplas, para apresentar o Partido e atrair novos filiados, principalmente entre antigos militantes que estão afastados de uma atuação organizada. Também participaram do encontro os deputados comunistas Jandira Feghali (federal) e Edmilson Valentim (estadual), o vereador Fernando Gusmão e os dirigentes estaduais Jorge Barreto, Carlos Henrique (Caíque), Fernando Nogueira, Herval Barros, Uirtz Sérvulo e Wevergton Brito.

"O encontro revelou um Martinho, não só como o grande artista popular que é, mas um homem culto, escritor, conhecedor do contexto político que vive o país, da cultura brasileira e mundial, em especial do continente africano. Um encontro descontraído e agradável, cheio de conteúdo e de novas possibilidades de engrandecimento do PCdoB", escreveu mais tarde Ana Rocha.

Como nasceu o Partido

O Congresso da Fundação do Partido começou no Rio de Janeiro, em 25 de março de 1922, e concluiu-se dois dias depois, após ser transferido por razões de segurança para a cidade vizinha de Niterói. Nove delegados representaram na reunião os grupos comunistas de Porto Alegre, Recife, S. Paulo, Cruzeiro (SP), Niterói e Rio. Santos e Juiz de Fora não conseguiram comparecer.

O Congresso aprovou as 21 condições de ingresso na Internacional Comunista, os seus Estatutos e uma Comissão Central Executiva. Iniciou uma campanha de solidariedade aos trabalhadores soviéticos. Terminou com todos cantando a Internacional, baixinho, por razões de segurança. O Partido nascia com 73 militantes. Era o primeiro passo da saga que hoje completa 84 anos.

O aniversário foi comemorado no Rio de Janeiro na manhã de sexta-feira (24), em frente à sede da Petrobras — numa homenagem à estatal petroleira, que deve anunciar a auto-suficiência em petróleo no próximo mês. O PCdoB/Rio preparou um bolo enfeitado com a bandeira do Partido entre as bandeiras brasileiras e barris de petróleo e levou bolas vermelhas para a festa.

Ao meio-dia os presentes cantaram parabéns. Mais de 200 pessoas comeram as fatias do bolo. Também foi distribuída a edição especial do jornal A Classe Operária comemorativo dos 84 anos. Com uma boa receptividade dos funcionários da Petrobras, os discursos exaltaram a luta dos trabalhadores pelo progresso do país e o sentido da auto-suficiência em petróleo.

Do Rio de Janeiro
Wevergton Brito Lima


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