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| Agnelo,
sorridente, vê Lula provar camiseta
do Segundo Tempo |
O
presidente Luiz Inácio Lula da
Silva anunciou nesta sexta-feira (24),
em visita às obras do Rio Pan 2007,
que vai mandar ao Congresso Nacional o
projeto da Lei de Incentivo ao Esporte.
Lula prometeu enviar o projeto antes do
ministro Agnelo Queiroz deixar a pasta
do Esporte — o que acontece na semana
que vem, pois Agnelo é candidato
a governador do Distrito Federal.
A
Lei de Incentivo ao Esporte é uma
deivindicação de mais de
dez anos do Comitê Olímpico
Brasileiro (COB). As empresas privadas
que decidirem patrocinar atletas ou equipes
vão receber em troca um abatimento
no imposto de renda, mais ou menos nos
mesmos moldes do que já existe
para a cultura por meio da Lei Rouanet
Segundo o presidente da COB, Carlos Arthur
Nuzman, é o que falta para o Brasil
se tornar uma potência olímpica.
Três
anos de batalha de Agnelo
No
seu discurso, Lula fez suspense: deixou
o anúncio "de propósito"
para o fim, para a tortura de Agnelo.
O ministro lutou pelo projeto durante
os seus três anos de gestão,
mas encontrou obstáculos na equipe
econômica. Ele chegou a se emocionar
ao falar sobre a vitória da iniciativa.
O
encaminhamento na semana que vem é
também um gesto que prestigia Agnelo:
na semana que vem este deixa o ministério,
reassume seu mandato de deputado federal
(PCdoB) e entra em campanha para governador
do Distrito Federal, por uma frente de
centro-esquerda. Fará diferença
levar no balanço de sua gestão
uma conquista que os desportistas consideram
histórica.
Lula
explicou os motivos da Lei de Incentivo:
"Sabem o que acontece? Os times estão
todos falidos, quase todos devem à
Previdência Social. Agora vejam,
ninguém é louco de fechar
um Flamengo, um Botafogo, um Vasco, um
Fluminense. Ou fechar um Corinthians,
um Palmeiras, um São Paulo. Porque
já não são mais times
de futebol, isso já faz parte da
cultura do Brasil", argumentou o
presidente. Ele adiantou também
que o que chamou "parceria"
entre empresa e clube tenha um limite,
"para que não tenha picaretagem".
Sobre
Agnelo, "este companheiro" que
"tem brigado, tem pedido, tem insistido"
no projeto, Lula lamentou que ele deixe
o ministério. "Se dependesse
de mim não seria, mas ele quer,
desobediente, quer ser, paciência,
o PCdoB está impondo a ele, mas
eu sou contra, eu acho que ele deveria
ficar. E vou dizer o porquê: Bernard
já foi secretário de Esporte,
Pelé já foi, Zico já
foi. Agora, eu duvido que o Brasil tenha
tido, em algum momento da sua história,
alguém com a sensibilidade para
o esporte como o companheiro Agnelo tem,
e parceiro de todas as atividades",
disse Lula — que pode ainda jogar um papel
para convencer o PT-DF a reforçar
a frente que apóia Agnelo para
governador.
"Vão
dizer que a cachorrinha fez campanha"
O
anúncio do projeto de lei fez parte
de uma jornada presidencial que incluiu
visitas a obras de melhoria dos Portos
de Vitória (ES) e Rio de Janeiro.
A parte mais politizada foi em Vitória.
Lula advertiu que "estamos entrando
num ano delicado", e agregou: "É
um ano em que, se depender de alguns,
não de todos, o jogo vai ser muito
baixo. Agora, toda vez que vocês
estiverem com suas famílias, lembrem-se
do seguinte: o Lula assumiu um compromisso
de que, em nenhum momento, por mais que
seja leviana a denúncia, por mais
que seja grave o xingamento, vocês
tem que ter a certeza de que eu estarei
me comportando como um pai ou como uma
mãe se comporta com os filhos".
Segundo Lula, "a razão pela
qual eu ganhei (a Presidência",
não foi para governar para eles,
foi para governar para vocês".
Ainda
em Vitória, ao cumprimentar um
popular que carregava no colo uma cadela
pintcher com broches e adesivos do PT,
Lula fez ironia: "Vocês vão
ver amanhã na imprensa que alguns
partidos vão entrar com processo
contra mim por causa dessa cachorrinha.
É verdade, porque em todo lugar
que vou agora dizem que estou em campanha.
Anota aí porque eu vou ser processado
por causa da Princesinha (nome da cadela).
Vão dizer que a Princesinha fez
campanha", predisse o presidente.
50
mil a mais no Segundo Tempo
Além
do projeto da Lei de Incentivo, o esporte
obteve nesta sexta mais 50 mil vagas para
crianças e adolescentes do Rio
de Janeiro. A ampliação
será uma parceria do Ministério
do Esporte com a ONG Viva Rio e atuará
em comunidades populares como Cidade de
Deus, Maré, Vidigal, Rocinha, Pavão,
Pavãozinho, Chapéu Mangueira,
Jacarezinho.
O
Segundo Tempo conta com mais de 100 parceiros
em todo o Brasil, entre as três
esferas de governo, iniciativa privada,
entidades de classe e organizações
não-governamentais. Beneficia 1
milhão de estudantes em situação
de risco social, em 3 mil núcleos
de cerca de 800 municípios. No
Rio de Janeiro, 90 mil crianças
e adolescentes já participam.
Na
parte do dia em que o jovem não
está na escola, o Segundo Tempo
oferece -lhe equipamento esportivo e acompanhamento
técnico. O custo para os cofres
públicos é de R$ 11 mensais
por cada participante.
A
nova parceria no Rio de Janeiro vai criar
250 núcleos do Segundo Tempo, espalhados
por 35 municípios. Cada núcleo
deverá ter 200 alunos distribuídos
em turmas de 25 e, no máximo, 50
alunos, para as atividades coletivas e,
no mínimo 10 alunos e, no máximo
20, para as modalidades individuais.
Os
jovens poderão praticar basquete,
voleibol, futebol (com suas variações),
handebol, capoeira, mini-voleibol, mini-handebol,
xadrez e canoagem, remo e vela nas regiões
com mar, lagos e rios. Crianças
e adolescentes contarão ainda com
atividades extracurriculares (capoeira,
samba-mirim, hip-hop, oficina de percussão
e de artes plásticas).
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aqui para ver a íntegra do discurso
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