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Bandeira
em alusão à dos EUA contra a assinatura do TLC cobrindo a marcha de
estudantes colombianos em Bogotá |
Quase dois meses antes das eleições para
a presidência, nas quais o presidente
ultradireitista Alvaro Uribe tem fortes
chances de se reeleger, mais de dois mil
estudantes de universidades públicas de toda
Colômbia marcharam contra a política
educacional do governo. A manifestação
começou na última terça-feira, dia 22, em
Cartagena, no território de Bolívar, de onde
os universitários marcharam até chegar
ontem, 24, em Barranquilla, no norte do
país, em Atlântico. O protesto foi convocado
pela Coordenadora Nacional de Estudantes
Universitários (CNEU), espaço de unidade do
qual pertence a Associação Colombiana de
Estudantes Universitários (Aceu).
A mobilização começou com uma caminhada
noturna pela avenida Pedro de Heredia com
mais de dois mil universitários de todo o
país. A chamada Grande Marcha Cartagena –
Barranquilla, depois de muitas horas de
viagem, reuniu os jovens em La Heróica para
denunciar a política de privatização das
universidades públicas que pretende o
governo Uribe.
Além de articular a luta universitária
com a luta popular, na defesa da educação
pública como "patrimônio cultural e político
do povo colombiano", os estudantes
denunciaram as conseqüências negativas do
modelo educativo do atual governo. Para os
estudantes, é uma política "nefasta para o
futuro da educação superior na Colômbia, que
coloca a educação como uma mercadoria a mais
nas negociações do TLC".
Da mesma forma, os jovens querem pôr em
evidência a privatização da Universidade do
Atlântico, que caminha para ser o modelo a
ser imposto no resto das universidades
públicas do país. A próxima etapa para o
movimento universitário é potencializar sua
ação como "processo de resistência ao modelo
educativo neoliberal e projetar uma reforma
alternativa e democrática da educação
superior".
Reivindicações
Segundo material divulgado pela Aceu, a
mobilização tem quatro principais bandeiras.
Contra a privatização da educação superior.
"A educação superior abandona o conceito
constitucional como um direito e se torna
uma mercadoria submetida às leis de mercado
nacional e internacional, nas negociações do
TLC; com uma eliminação gradual do
financiamento estatal", explica a
organização. Contra a deterioração da
qualidade acadêmica, já que, segundo a
associação, no conceito de qualidade do
governo, "as universidades se convertem em
simples geradoras de ferramentas, e portanto
seu produto corresponde às necessidades do
mercado".
Além disso, rechaçam a eliminação da
autonomia universitária. A associação afirma
que o governo "intervém
inconstitucionalmente nas universidades,
viola sua autonomia através de chantagens
financeiras", exercendo o controle
acadêmico, impondo reitores que executem as
reformas acadêmicas e administrativas que
deseja, destruindo "a democracia e negando a
participação de outros grupos no governo
universitário".
Os estudantes denunciam também a
criminalização do protesto estudantil.
Segundo eles, o impulso de reformas nos
estatutos estudantis restringem a
participação dos universitários, e há ainda
a infiltração de “forças obscuras” que
operam através da intimidação e ameaças
através da execução de "atos criminosos que
atentam contra a vida". "É uma política
sistemática de terror e extermínio das
expressões de inconformidade e oposição
aberta e democrática a política
governamental", diz a associação.
"O objetivo principal desta política é
gerar o imobilismo, a desarticulação e, nas
últimas, a aceitação da via da força de um
modelo de universidade que restringe a
participação e a decisão dos estudantes,
trabalhadores e professores", diz a Aceu,
que no ano passado, recebeu o Prêmio
Internacional Estudantil da Paz ISFIT (The
International Student Festival in Trondheim)
2005, por seu trabalho pela paz na Colômbia.
Reeleição
No último dia 19, foi divulgada pesquisa
que revelou que Uribe - considerado o
principal aliado do presidente dos Estados
Unidos George B. Bush no continente - pode
se reeleger em primeiro turno nas eleições
que acontecem em 28 de maio próximo. Ele
teria 56% dos votos no pleito, o que
significa uma percentagem de votos muito
próxima à que o levou ao poder em 2002.
A sondagem foi a primeira a ser realizada
no país após as eleições parlamentares do
último dia 12, nas quais os seis movimentos
que apóiam a manutenção de Uribe no governo
ficaram com mais da metade das 268 cadeiras
do Congresso colombiano. Segundo a pesquisa
ainda, 67% dos colombianos aprovam a gestão
do presidente, contra 23% que desaprovam
Uribe.
Da Redação
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