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Brasil, quinta-feira, 28 de agosto de 2008

25 de março de 2006

colômbia neoliberal
Estudantes marcham contra política educacional de Uribe
 
 
Bandeira em alusão à dos EUA contra a assinatura do TLC cobrindo a marcha de estudantes colombianos em Bogotá

Quase dois meses antes das eleições para a presidência, nas quais o presidente ultradireitista Alvaro Uribe tem fortes chances de se reeleger, mais de dois mil estudantes de universidades públicas de toda Colômbia marcharam contra a política educacional do governo. A manifestação começou na última terça-feira, dia 22, em Cartagena, no território de Bolívar, de onde os universitários marcharam até chegar ontem, 24, em Barranquilla, no norte do país, em Atlântico. O protesto foi convocado pela Coordenadora Nacional de Estudantes Universitários (CNEU), espaço de unidade do qual pertence a Associação Colombiana de Estudantes Universitários (Aceu).

A mobilização começou com uma caminhada noturna pela avenida Pedro de Heredia com mais de dois mil universitários de todo o país. A chamada Grande Marcha Cartagena – Barranquilla, depois de muitas horas de viagem, reuniu os jovens em La Heróica para denunciar a política de privatização das universidades públicas que pretende o governo Uribe.

Além de articular a luta universitária com a luta popular, na defesa da educação pública como "patrimônio cultural e político do povo colombiano", os estudantes denunciaram as conseqüências negativas do modelo educativo do atual governo. Para os estudantes, é uma política "nefasta para o futuro da educação superior na Colômbia, que coloca a educação como uma mercadoria a mais nas negociações do TLC".

Da mesma forma, os jovens querem pôr em evidência a privatização da Universidade do Atlântico, que caminha para ser o modelo a ser imposto no resto das  universidades públicas do país. A próxima etapa para o movimento universitário é potencializar sua ação como "processo de resistência ao modelo educativo neoliberal e projetar uma reforma alternativa e democrática da educação superior".

Reivindicações

Segundo material divulgado pela Aceu, a mobilização tem quatro principais bandeiras. Contra a privatização da educação superior. "A educação superior abandona o conceito constitucional como um direito e se torna uma mercadoria submetida às leis de mercado nacional e internacional, nas negociações do TLC; com uma eliminação gradual do financiamento estatal", explica a organização. Contra a deterioração da qualidade acadêmica, já que,  segundo a associação, no conceito de qualidade do governo, "as universidades se convertem em simples geradoras de ferramentas, e portanto seu produto corresponde às necessidades do mercado".

Além disso, rechaçam a eliminação da autonomia universitária. A associação afirma que o governo "intervém inconstitucionalmente nas universidades, viola sua autonomia através de chantagens financeiras", exercendo o controle acadêmico, impondo reitores que executem as reformas acadêmicas e administrativas que deseja, destruindo "a democracia e negando a participação de outros grupos no governo universitário".

Os estudantes denunciam também a criminalização do protesto estudantil. Segundo eles, o impulso de reformas nos estatutos estudantis restringem a participação dos universitários, e há ainda a infiltração de “forças obscuras” que operam através da intimidação e ameaças através da execução de "atos criminosos que atentam contra a vida". "É uma política sistemática de terror e extermínio das expressões de inconformidade e oposição aberta e democrática a política governamental", diz a associação.

"O objetivo principal desta política é gerar o imobilismo, a desarticulação e, nas últimas, a aceitação da via da força de um modelo de universidade que restringe a participação e a decisão dos estudantes, trabalhadores e professores", diz a Aceu, que no ano passado, recebeu o Prêmio Internacional Estudantil da Paz ISFIT (The International Student Festival in Trondheim) 2005, por seu trabalho pela paz na Colômbia.

Reeleição

No último dia 19, foi divulgada pesquisa que revelou que Uribe - considerado o principal aliado do presidente dos Estados Unidos George B. Bush no continente - pode se reeleger em primeiro turno nas eleições que acontecem em 28 de maio próximo. Ele teria 56% dos votos no pleito, o que significa uma percentagem de votos muito próxima à que o levou ao poder em 2002.

A sondagem foi a primeira a ser realizada no país após as eleições parlamentares do último dia 12, nas quais os seis movimentos que apóiam a manutenção de Uribe no governo ficaram com mais da metade das 268 cadeiras do Congresso colombiano. Segundo a pesquisa ainda, 67% dos colombianos aprovam a gestão do presidente, contra 23% que desaprovam Uribe.

Da Redação

 

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