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| Cenas
das passeatas em São Paulo,
Curitiba e Montes Claros |
O
Brasil parou nesta quarta-feira, 22 de
março, para ouvir a reivindicação
dos estudantes pelo Passe Livre. Manifestações
em mais de 40 cidades reuniram milhares
de jovens secundaristas e universitários
no Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre,
organizado pela Ubes e pela UNE.
Para
o presidente da Ubes, Thiago Franco, a
questão do transporte e as lutas
contra o aumento das passagens e pelo
passe livre têm que ser encaradas
como parte das discussões educacionais.
"Este é um problema educacional,
porque muitos jovens estão fora
da sala de aula, e sem acesso à
informação e formação,
porque não têm dinheiro para
ir à escola, que dirá para
frequentar um museu ou biblioteca",
explica Thiago.
Além
de ser um instrumento para evitar a evasão
escolar, o Passe Livre também democratiza
o acesso dos estudantes aos bens culturais,
como cinemas, teatros, shows, exposições
que complementam a formação
da juventude. "O passe livre aliado
à garantia da meia-entrada é
uma política de efetivamente democratizar
o acesso ao conhecimento. Não é
possível que apenas os filhos da
elite tenham esse direito", argumenta
o líder secundarista.
Veja
como foi o Dia Nacional de Luta pelo Passe
Livre em diferentes cidades brasileiras:
São
Paulo
Cerca de 5 mil estudantes de todas as
regiões da cidade de São
Paulo se reuniram no Vão Livre
do Masp na manhã desta quarta-feira,
22/03, para reivindicar do poder público
a implantação do Passe-Livre.
A
manifestação, organizada
pela Ubes em todo o Brasil, contou em
São Paulo com o apoio da União
Paulista dos Estudantes Secundaristas
(Upes), da União Estadual dos Estudantes
(UEE) e da União Nacional dos Estudantes
(UNE).
Com
faixas, cartazes e os rostos pintados,
os estudantes concentrados no Masp distribuíam
para a população panfletos
explicando os motivos dessa bandeira.
Foi na capital paulista que o presidente
da Ubes participou do Dia do Passe Livre.
Do
Masp, os estudantes seguiram em passeata
pela Avenida Paulista, desceram a Rua
da Consolação e fizeram
um protesto em frente à Secretaria
Estadual da Educação, na
Praça da República. Numa
manifestação alegre e descontraída,
os estudantes gritavam palavras de ordem
como: "O dinheiro do meu pai não
é capim eu quero passe livre sim"
e "Boi-boi-boi, boi da cara preta,
se não tem passe livre a gente
pula a roleta".
Entre
as escolas presentes estavam o Caetano
de Campos da Consolação,
o Caetano de Campos da Aclimação,
Haroldo de Azevedo, Anhanguera, D. Pedro,
e muitas outras.
Para
o presidente da Upes, Tiago Andrade esta
é uma luta que deve crescer em
São Paulo. "Nosso estado não
tem uma política para a juventude.
Para o governador Geraldo Alckmin e os
tucanos que o antecederam, vale mais investir
na Febem do que em medidas que tirem a
juventude das ruas e contribuam para estancar
a violência. Dar uma perspectiva
para a juventude é colocá-la
na sala de aula, e para isso tem que ter
passe-livre".
Guarulhos
A
cidade da Região Metropolitana
de São Paulo, com mais de um milhão
de habitantes, preferiu fazer a sua própria
passeata, com participação
da Uges (União Guarulhense de Estudantes
Secundaristas). Ocorreu uma grande paralisação
dos estudantes da cidade e cerca de mil
pessoas participaram do ato, segundo a
Polícia Militar.
Segundo o Coordenador da Uges, e Fábio
Pereira Garcia, os estudantes deram uma
grande demonstração de força.
“No ano passado conseguimos mobilizar
quase mil estudantes que queriam melhorias
no ensino público e melhor oportunidade
de trabalho, agora estaremos juntos também
pelo passe livre” frisou.
Curitiba
Cerca de 5 mil estudantes de Curitiba
ocuparam as ruas nessa quarta-feira. As
reivindicações foram o não
aumento da passagem e a ampliação
do passe, que atualmente atende menos
de 5% dos estudantes curitibanos.
A
passeata partiu da Praça Santos
Andrade e seguiu até a Prefeitura
Municipal, onde uma comissão composta
por dirigentes da UPE, UNE, Upes e Ubes,
além do presidente da Paraná
Esporte, Ricardo Gomyde e do Vereador
Luizão Stellfeld, foi recebida
pelo prefeito Beto Richa, o vice-prefeito
pelo, Luciano Ducci, o Secretário
de Governo Maurício Ferrante e
o Diretor da URBS, Paulo Schmidt.
Na
reunião, as reivindicações
dos estudantes foram apresentadas e foi
formada uma comissão para discutir
formas de estender o passe escolar a todos
os estudantes que dele necessitem. O prefeito
se comprometeu a não autorizar
o reajuste da passagem, apesar das pressões
exercidas pelos empresários do
setor.
A
comissão para discutir o passe
estudantil será composta por dirigentes
das entidades estudantis, o secretário
de Governo, a direção da
URBS, representantes da Câmara,
Secretaria de Educação de
Curitiba, e de outras prefeituras da Região
Metropolitana. Também serão
chamados representantes do Governo do
Estado e do Governo Federal.
Brasília
A manifestação na capital
federal reuniu cerca de 800 pessoas, de
acordo com a Ubes. Os
estudantes saíram da Rodoviária
do Plano Piloto, na região central
de Brasília, e caminharam cerca
de 4 quilômetros por uma das principais
avenidas da cidade, o Eixo Monumental,
até o Palácio do Buriti,
sede do governo local. Ali, tentaram em
vão ser recebidos pelo governador
Joaquim Roriz.
De
acordo com o diretor da Ubes no Distrito
Federal, Leandro Nunes de Souza, o governador
do DF vetou, no início do ano,
um projeto aprovado pela Câmara
Legislativa do DF que instituía
o passe livre. "Queremos dialogar
com o governador para que ele não
vete a criação do passe
livre", afirmou Souza.
Recife
O protesto nas ruas do centro do Recife
aconteceu de tarde. Além da bandeira
do Passe Livre, os estudantes pernambucanos
exigiram o cancelamento do aumento de
9,55% das passagens de ônibus, que
está em vigor desde novembro passado.
O presidente da União dos Estudantes
de Pernambuco, Geraldo Vilar, informou
que as entidades realizaram um estudo
apontando alternativas para redução
dos valores cobrados. O documento foi
entregue a representantes do governo no
final da manifestação.
Montes
Claros
O Dia do Passe Livre extrapolou para
além das capitais. Em Montes Claros,
417 km ao norte da capital mineira, estudantes
de diversas escolas secundaristas e da
Unimontes, saíram às ruas.
O movimento foi organizado na cidade pela
UJS (União da Juventude Socialista),
DCE/Unimontes, DEMC, UEE/MG (União
Estadual dos Estudantes de Minas Gerais)
e pela UCMG (União Colegial de
Minas Gerais).
A
passeata começou às nove
da manhã na Praça Doutor
Carlos e, depois de percorrer todo o centro
da cidade, dirigiu-se à Prefeitura,
onde uma comissão de representantes
foi recebida pelo prefeito Athos Avelino,
numa audiência previamente agendada
pelo vereador Lipa Xavier (PCdoB). A comissão
de estudantes entregou ao prefeito um
documento, expondo os objetivos do protesto.
Na avaliação das lideranças
estudantis, tanto a passeata quanto a
audiência com o prefeito foram positivas.
O prefeito assumiu o compromisso de adotar
o passe estudantil a partir de setembro,
embora sem explicitar se o percentual
será mesmo de 50%, como pretendem
os estudantes.
O meio-passe é uma das mais antigas
aspirações dos estudantes
de Montes Claros. Projeto de lei nesse
sentido foi proposto por quatro vezes
pelo vereador Lipa Xavier, sem sucesso.
Agora, com a iminência da realização
da licitação do serviço
de transporte coletivo na cidade, a intenção
do movimento é que a medida seja
incluída já no edital do
processo de licitação, sem
a necessidade de apresentação
de um novo projeto de lei à Câmara.
Belo
Horizonte
Estudantes de Belo Horizonte e Contagem
também participaram do protesto.
Na capital mineira, cerca de 200 estudantes
se concentraram na Praça Afonso
Arinos e seguiram em passeata até
a Praça da Liberdade. Já
foram promovidas duas passeatas neste
ano em BH para tentar abrir negociação
pela meia tarifa e em protesto contra
o último reajuste, que provocou
elevação média de
12,17% no preço das passagens.
Já em Contagem, os jovens começaram
o protesto na Praça da Glória,
no bairro Eldorado, de onde seguiram pela
Avenida João César de Oliveira.
Warley
de Souza, 16 anos, cursando a 8ª
série de um colégio público
em Contagem, gasta R$ 3,70 por dia para
chegar à escola. No caso de Warley,
a passagem de ônibus se tornou um
obstáculo para conseguir estudar.
"Fica difícil ir todos os
dias da semana. Às vezes consigo
uma bicicleta emprestada ou vou a pé",
conta.
Espírito
Santo
Depois de saírem em passeata pelo
centro de Vila Velha, os estudantes fizeram
um apitaço no Terminal de ônibus
Transcol, exigindo o Passe Livre.
*
Com Renata Mielli, para o Estudantenet
(http://www2.uol.com.br/estudantenet/);
resenha complementada por agências
e
correspondentes do Vermelho
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