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Brasil, segunda-feira, 8 de setembro de 2008

23 DE MARÇO DE 2006

ESTUDANTES NAS RUAS

Veja como foi o Dia Nacional
de Luta pelo Passe Livre



-
Cenas das passeatas em São Paulo, Curitiba e Montes Claros

O Brasil parou nesta quarta-feira, 22 de março, para ouvir a reivindicação dos estudantes pelo Passe Livre. Manifestações em mais de 40 cidades reuniram milhares de jovens secundaristas e universitários no Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre, organizado pela Ubes e pela UNE.

Para o presidente da Ubes, Thiago Franco, a questão do transporte e as lutas contra o aumento das passagens e pelo passe livre têm que ser encaradas como parte das discussões educacionais. "Este é um problema educacional, porque muitos jovens estão fora da sala de aula, e sem acesso à informação e formação, porque não têm dinheiro para ir à escola, que dirá para frequentar um museu ou biblioteca", explica Thiago.

Além de ser um instrumento para evitar a evasão escolar, o Passe Livre também democratiza o acesso dos estudantes aos bens culturais, como cinemas, teatros, shows, exposições que complementam a formação da juventude. "O passe livre aliado à garantia da meia-entrada é uma política de efetivamente democratizar o acesso ao conhecimento. Não é possível que apenas os filhos da elite tenham esse direito", argumenta o líder secundarista.

Veja como foi o Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre em diferentes cidades brasileiras:

São Paulo
Cerca de 5 mil estudantes de todas as regiões da cidade de São Paulo se reuniram no Vão Livre do Masp na manhã desta quarta-feira, 22/03, para reivindicar do poder público a implantação do Passe-Livre.

A manifestação, organizada pela Ubes em todo o Brasil, contou em São Paulo com o apoio da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), da União Estadual dos Estudantes (UEE) e da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Com faixas, cartazes e os rostos pintados, os estudantes concentrados no Masp distribuíam para a população panfletos explicando os motivos dessa bandeira. Foi na capital paulista que o presidente da Ubes participou do Dia do Passe Livre.

Do Masp, os estudantes seguiram em passeata pela Avenida Paulista, desceram a Rua da Consolação e fizeram um protesto em frente à Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República. Numa manifestação alegre e descontraída, os estudantes gritavam palavras de ordem como: "O dinheiro do meu pai não é capim eu quero passe livre sim" e "Boi-boi-boi, boi da cara preta, se não tem passe livre a gente pula a roleta".

Entre as escolas presentes estavam o Caetano de Campos da Consolação, o Caetano de Campos da Aclimação, Haroldo de Azevedo, Anhanguera, D. Pedro, e muitas outras.

Para o presidente da Upes, Tiago Andrade esta é uma luta que deve crescer em São Paulo. "Nosso estado não tem uma política para a juventude. Para o governador Geraldo Alckmin e os tucanos que o antecederam, vale mais investir na Febem do que em medidas que tirem a juventude das ruas e contribuam para estancar a violência. Dar uma perspectiva para a juventude é colocá-la na sala de aula, e para isso tem que ter passe-livre".

Guarulhos
A cidade da Região Metropolitana de São Paulo, com mais de um milhão de habitantes, preferiu fazer a sua própria passeata, com participação da Uges (União Guarulhense de Estudantes Secundaristas). Ocorreu uma grande paralisação dos estudantes da cidade e cerca de mil pessoas participaram do ato, segundo a Polícia Militar.

Segundo o Coordenador da Uges, e Fábio Pereira Garcia, os estudantes deram uma grande demonstração de força. “No ano passado conseguimos mobilizar quase mil estudantes que queriam melhorias no ensino público e melhor oportunidade de trabalho, agora estaremos juntos também pelo passe livre” frisou.

Curitiba
Cerca de 5 mil estudantes de Curitiba ocuparam as ruas nessa quarta-feira.
As reivindicações foram o não aumento da passagem e a ampliação do passe, que atualmente atende menos de 5% dos estudantes curitibanos.

A passeata partiu da Praça Santos Andrade e seguiu até a Prefeitura Municipal, onde uma comissão composta por dirigentes da UPE, UNE, Upes e Ubes, além do presidente da Paraná Esporte, Ricardo Gomyde e do Vereador Luizão Stellfeld, foi recebida pelo prefeito Beto Richa, o vice-prefeito pelo, Luciano Ducci, o Secretário de Governo Maurício Ferrante e o Diretor da URBS, Paulo Schmidt.

Na reunião, as reivindicações dos estudantes foram apresentadas e foi formada uma comissão para discutir formas de estender o passe escolar a todos os estudantes que dele necessitem. O prefeito se comprometeu a não autorizar o reajuste da passagem, apesar das pressões exercidas pelos empresários do setor.

A comissão para discutir o passe estudantil será composta por dirigentes das entidades estudantis, o secretário de Governo, a direção da URBS, representantes da Câmara, Secretaria de Educação de Curitiba, e de outras prefeituras da Região Metropolitana. Também serão chamados representantes do Governo do Estado e do Governo Federal.

Brasília
A manifestação na capital federal reuniu cerca de 800 pessoas, de acordo com a Ubes. O
s estudantes saíram da Rodoviária do Plano Piloto, na região central de Brasília, e caminharam cerca de 4 quilômetros por uma das principais avenidas da cidade, o Eixo Monumental, até o Palácio do Buriti, sede do governo local. Ali, tentaram em vão ser recebidos pelo governador Joaquim Roriz.

De acordo com o diretor da Ubes no Distrito Federal, Leandro Nunes de Souza, o governador do DF vetou, no início do ano, um projeto aprovado pela Câmara Legislativa do DF que instituía o passe livre. "Queremos dialogar com o governador para que ele não vete a criação do passe livre", afirmou Souza.

Recife
O protesto nas ruas do centro do Recife aconteceu de tarde. Além da bandeira do Passe Livre, os estudantes pernambucanos exigiram o cancelamento do aumento de 9,55% das passagens de ônibus, que está em vigor desde novembro passado. O presidente da União dos Estudantes de Pernambuco, Geraldo Vilar, informou que as entidades realizaram um estudo apontando alternativas para redução dos valores cobrados. O documento foi entregue a representantes do governo no final da manifestação.

Montes Claros
O Dia do Passe Livre extrapolou para além das capitais. Em Montes Claros, 417 km ao norte da capital mineira, estudantes de diversas escolas secundaristas e da Unimontes, saíram às ruas. O movimento foi organizado na cidade pela UJS (União da Juventude Socialista), DCE/Unimontes, DEMC, UEE/MG (União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais) e pela UCMG (União Colegial de Minas Gerais).

A passeata começou às nove da manhã na Praça Doutor Carlos e, depois de percorrer todo o centro da cidade, dirigiu-se à Prefeitura, onde uma comissão de representantes foi recebida pelo prefeito Athos Avelino, numa audiência previamente agendada pelo vereador Lipa Xavier (PCdoB). A comissão de estudantes entregou ao prefeito um documento, expondo os objetivos do protesto.

Na avaliação das lideranças estudantis, tanto a passeata quanto a audiência com o prefeito foram positivas. O prefeito assumiu o compromisso de adotar o passe estudantil a partir de setembro, embora sem explicitar se o percentual será mesmo de 50%, como pretendem os estudantes.

O meio-passe é uma das mais antigas aspirações dos estudantes de Montes Claros. Projeto de lei nesse sentido foi proposto por quatro vezes pelo vereador Lipa Xavier, sem sucesso. Agora, com a iminência da realização da licitação do serviço de transporte coletivo na cidade, a intenção do movimento é que a medida seja incluída já no edital do processo de licitação, sem a necessidade de apresentação de um novo projeto de lei à Câmara.

Belo Horizonte
Estudantes de Belo Horizonte e Contagem também participaram do protesto. Na capital mineira, cerca de 200 estudantes se concentraram na Praça Afonso Arinos e seguiram em passeata até a Praça da Liberdade. Já foram promovidas duas passeatas neste ano em BH para tentar abrir negociação pela meia tarifa e em protesto contra o último reajuste, que provocou elevação média de 12,17% no preço das passagens. Já em Contagem, os jovens começaram o protesto na Praça da Glória, no bairro Eldorado, de onde seguiram pela Avenida João César de Oliveira.

Warley de Souza, 16 anos, cursando a 8ª série de um colégio público em Contagem, gasta R$ 3,70 por dia para chegar à escola. No caso de Warley, a passagem de ônibus se tornou um obstáculo para conseguir estudar. "Fica difícil ir todos os dias da semana. Às vezes consigo uma bicicleta emprestada ou vou a pé", conta.

Espírito Santo
Depois de saírem em passeata pelo centro de Vila Velha, os estudantes fizeram um apitaço no Terminal de ônibus Transcol, exigindo o Passe Livre.

* Com Renata Mielli, para o Estudantenet
(http://www2.uol.com.br/estudantenet/);
resenha complementada por agências e
correspondentes do Vermelho

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