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João
Felício (e.) e Silderlei
na coletiva |
Por
Leonardo Severo*
Em concorrida coletiva à imprensa
realizada na tarde desta quarta-feira
(22), os presidentes da CUT, João
Antonio Felício, e da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Alimentação
(Contac), defenderam medidas emergenciais
em defesa da saúde, do emprego
e dos salários dos cerca de 800
mil trabalhadores do setor.
“Diante
da retração do mercado externo,
ocasionada pelo avanço da gripe
aviária, as indústrias avícolas
estão deixando de alojar pintos
e anunciando férias coletivas,
com vistas a reduzir a produção
interna e impedir a queda nos preços.
Entre outros exemplos, temos a redução
dos abates em Montenegro-RS, de 415 mil
para 200 mil frangos/dia; a demissão
de 200 trabalhadores em março -
muitos deles lesionados - e o anúncio
de mais 100 até o final de abril
em Criciúma-SC. Durante a coletiva,
outros exemplos serão apresentados”,
alertou Siderlei, frisando que tal prática
configura locaute.
Setor
cresceu, trabalhador perdeu
O
anúncio feito recentemente pela
Associação Brasileira dos
Produtores e Exportadores de Frango (Abef),
de uma retração de 25% no
mercado externo, aponta para o risco iminente
de desemprego em massa no setor, com empresas
já demitindo, anunciando férias
individuais e coletivas, e deixando de
alojar aves. “São dados concretos,
que sinalizam para uma brusca interrupção
da produção nos próximos
20 dias”, acrescentou o presidente da
Contac.
Destacando
o compromisso da CUT com os trabalhadores
do setor, João Felício ressaltou
que “se antes os trabalhadores da indústria
avícola vinham pagando com sua
saúde, lesões e invalidez
pelo aumento exponencial da produção
sem correspondência com o número
de contratações, agora,
o risco é o desemprego.
Crescente,
a produção nacional de carne
de frango saltou de 5 milhões e
976 mil toneladas em 2000 para 9 milhões
e 348 mil toneladas em 2005, quando alcançou
um recorde histórico, com faturamento
de US$ 20 bilhões. Neste mesmo
período, as exportações
do produto (correspondentes a 30% do volume
da produção nacional), aumentaram
de US$ 870 milhões para mais de
US$ 3,5 bilhões, totalizando 2.761
mil toneladas. A musculatura desses números
foi anabolizada pela decomposição
da saúde dos trabalhadores do setor,
pelo abismo existente entre a magnitude
do crescimento da produção
e as contratações.
Retração
projetada é de 25%
Conforme
a Abef, o país exportou em fevereiro
198.887 toneladas do produto, “o que representa
uma queda do 8% em comparação
com o mesmo mês do ano passado e
de 7% em relação a janeiro
de 2006”. O faturamento com exportações
chegou a US$ 244,2 milhões, 6%
a mais que em fevereiro de 2005, mas 13%
a menos que em janeiro deste ano. Diante
dos números, os empresários
projetam uma retração imediata
de 25% na produção voltada
ao mercado externo.
“Para
o empresariado a opção é
manter a margem de lucro, reduzindo custos
e demitindo. Já para os trabalhadores
os obstáculos erguidos no exterior
devem fortalecer uma ação
mais voltada ao mercado interno e a políticas
públicas que estimulem o barateamento
do preço do produto, ampliando
o consumo anual dos atuais 35,48 kg por
habitante, muito restritos às regiões
mais desenvolvidas do país”, defendeu
João Felicio.
Reivindicações
da CUT-Contac
Em
documento conjunto, CUT e Contac elencam
as reivindicações que serão
encaminhadas ao governo e ao empresariado,
com vistas à defesa do setor:
1)
Participação dos trabalhadores
e do Ministério do Trabalho no
grupo interministerial sobre a gripe aviária,
contemplando a preocupação
com a saúde, emprego e salário;
2)
Garantia de seguro desemprego a todos
os funcionários durante o período
da crise, com retorno ao trabalho com
o mesmo salário;
3) Criação de um fundo emergencial,
formado com receitas da exportação,
para alavancar o setor em épocas
de crise;
4)
Vacinação imediata e disposição
de medicamentos aos trabalhadores do setor
avícola, das granjas e das fábricas,
bem como das comunidades limítrofes
aos aviários;
5)
Aquisição de equipamentos
de proteção anticontaminação,
com fiscalização rigorosa
e análise periódica da saúde
dos trabalhadores;
6)
Formação de equipes de emergência
ou plantão 24 horas com técnicos
nas regiões produtoras, com equipamentos
e helicópteros para transporte
imediato dos materiais da amostra;
7)
Contratação e credenciamento
de laboratórios (de universidades
e particulares) próximos às
regiões produtoras, para o rastreamento
da fauna hospedeira/transmissora;
8)
Incrementar o consumo da carne de frango
em instituições públicas
como as Forças Armadas, restaurantes
universitários e Febems, bem como
utilizar o produto como reforço
na merenda escolar;
9)
Viabilizar a ampliação do
consumo de frango à população
beneficiada por projetos sociais como
o Bolsa Família, incorporando novos
consumidores.
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Fonte: http://www.cut.org.br/
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