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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

23 DE MARÇO DE 2006

DENÚNCIA

Querem que trabalhador pague
a conta da gripe do frango

João Felício (e.) e Silderlei na coletiva

Por Leonardo Severo*

Em concorrida coletiva à imprensa realizada na tarde desta quarta-feira (22), os presidentes da CUT, João Antonio Felício, e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação (Contac), defenderam medidas emergenciais em defesa da saúde, do emprego e dos salários dos cerca de 800 mil trabalhadores do setor.

“Diante da retração do mercado externo, ocasionada pelo avanço da gripe aviária, as indústrias avícolas estão deixando de alojar pintos e anunciando férias coletivas, com vistas a reduzir a produção interna e impedir a queda nos preços. Entre outros exemplos, temos a redução dos abates em Montenegro-RS, de 415 mil para 200 mil frangos/dia; a demissão de 200 trabalhadores em março - muitos deles lesionados - e o anúncio de mais 100 até o final de abril em Criciúma-SC. Durante a coletiva, outros exemplos serão apresentados”, alertou Siderlei, frisando que tal prática configura locaute.

Setor cresceu, trabalhador perdeu

O anúncio feito recentemente pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), de uma retração de 25% no mercado externo, aponta para o risco iminente de desemprego em massa no setor, com empresas já demitindo, anunciando férias individuais e coletivas, e deixando de alojar aves. “São dados concretos, que sinalizam para uma brusca interrupção da produção nos próximos 20 dias”, acrescentou o presidente da Contac.

Destacando o compromisso da CUT com os trabalhadores do setor, João Felício ressaltou que “se antes os trabalhadores da indústria avícola vinham pagando com sua saúde, lesões e invalidez pelo aumento exponencial da produção sem correspondência com o número de contratações, agora, o risco é o desemprego.

Crescente, a produção nacional de carne de frango saltou de 5 milhões e 976 mil toneladas em 2000 para 9 milhões e 348 mil toneladas em 2005, quando alcançou um recorde histórico, com faturamento de US$ 20 bilhões. Neste mesmo período, as exportações do produto (correspondentes a 30% do volume da produção nacional), aumentaram de US$ 870 milhões para mais de US$ 3,5 bilhões, totalizando 2.761 mil toneladas. A musculatura desses números foi anabolizada pela decomposição da saúde dos trabalhadores do setor, pelo abismo existente entre a magnitude do crescimento da produção e as contratações.

Retração projetada é de 25%

Conforme a Abef, o país exportou em fevereiro 198.887 toneladas do produto, “o que representa uma queda do 8% em comparação com o mesmo mês do ano passado e de 7% em relação a janeiro de 2006”. O faturamento com exportações chegou a US$ 244,2 milhões, 6% a mais que em fevereiro de 2005, mas 13% a menos que em janeiro deste ano. Diante dos números, os empresários projetam uma retração imediata de 25% na produção voltada ao mercado externo.

“Para o empresariado a opção é manter a margem de lucro, reduzindo custos e demitindo. Já para os trabalhadores os obstáculos erguidos no exterior devem fortalecer uma ação mais voltada ao mercado interno e a políticas públicas que estimulem o barateamento do preço do produto, ampliando o consumo anual dos atuais 35,48 kg por habitante, muito restritos às regiões mais desenvolvidas do país”, defendeu João Felicio.

Reivindicações da CUT-Contac

Em documento conjunto, CUT e Contac elencam as reivindicações que serão encaminhadas ao governo e ao empresariado, com vistas à defesa do setor:

1) Participação dos trabalhadores e do Ministério do Trabalho no grupo interministerial sobre a gripe aviária, contemplando a preocupação com a saúde, emprego e salário;

2) Garantia de seguro desemprego a todos os funcionários durante o período da crise, com retorno ao trabalho com o mesmo salário;

3) Criação de um fundo emergencial, formado com receitas da exportação, para alavancar o setor em épocas de crise;

4) Vacinação imediata e disposição de medicamentos aos trabalhadores do setor avícola, das granjas e das fábricas, bem como das comunidades limítrofes aos aviários;

5) Aquisição de equipamentos de proteção anticontaminação, com fiscalização rigorosa e análise periódica da saúde dos trabalhadores;

6) Formação de equipes de emergência ou plantão 24 horas com técnicos nas regiões produtoras, com equipamentos e helicópteros para transporte imediato dos materiais da amostra;

7) Contratação e credenciamento de laboratórios (de universidades e particulares) próximos às regiões produtoras, para o rastreamento da fauna hospedeira/transmissora;

8) Incrementar o consumo da carne de frango em instituições públicas como as Forças Armadas, restaurantes universitários e Febems, bem como utilizar o produto como reforço na merenda escolar;

9) Viabilizar a ampliação do consumo de frango à população beneficiada por projetos sociais como o Bolsa Família, incorporando novos consumidores.

* Fonte: http://www.cut.org.br/

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