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Brasil, sábado, 11 de outubro de 2008

22 DE MARÇO DE 2006

CARTA MAGNA

PCdoB mantém posição
contra revisão constitucional


O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, se posicionou contrário a proposta de revisão da constituição na audiência realizada nesta terça-feira (21) pela Comissão Especial da Revisão Constitucional da Câmara dos Deputados. Ele disse que “o Partido tem tido uma linha de coerência nessa questão. Sempre fomos contra essas tentativas de revisão da constituição de 1988. Até mesmo aquela que foi preceituada pela própria constituição, feita em cinco anos. Temos que garantir as conquistas e a revisão não garante avanços, pode até haver retrocesso”, observou.

A comissão reuniu os partidos para discutir a proposta de eleição de uma Assembléia Nacional Revisora para o ano que vem. Um dos pontos polêmicos da proposta, de autoria do deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP), é a redução do quorum necessário para a aprovação das alterações na Constituição – de três quintos dos parlamentares votantes para a maioria absoluta, ou seja, metade mais um dos votos.

Berzoini também é contra

Também participaram da reunião o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP) e os líderes do PL, deputado Inaldo Leitão (PB); e do PDT, deputado Miro Teixeira (RJ).

O presidente do PT também afirmou que seu partido é contra uma revisão constitucional mais ampla neste momento. Para ele, “o Poder Legislativo deve priorizar a luta pelo aperfeiçoamento da atual Constituição, através de emendas, no que for possível politicamente, e lutar para cumprir a atual Constituição, porque muitos dispositivos da área social e trabalhista exigem muita luta”.

Para Berzoini, “abrir uma revisão constitucional poderia inclusive gerar, para o futuro próximo, um certo grau de imprevisibilidade em questões econômicas importantes”. Ele acrescentou que “o país precisa ter segurança para poder crescer no patamar exigido pela nossa sociedade”.

Risco de retrocesso

Renato Rabelo utilizou os mesmos argumentos dos defensores da reforma constitucional para se opor à ela, destacando que o país não perdeu a governabilidade nem passa por uma mudança social que justifique a revisão da Constituição.

Ele apontou como fatos impeditivos a Constituição ter apenas 18 anos de vigência e a realidade político-partidária muito recente não permitir um pacto político, como requer uma Constituinte, sem comprometer as conquistas garantidas na Constituição de 1988.

“Sem o pacto, corremos o risco de retrocesso, sobretudo quando não temos quorum qualificado. A regra de revisão – estabelecida pela constituição de 1988, após cinco anos, já foi feita”, disse Renato. Ele avalia que “uma revisão constitucional ampla requer pacto político – eivado de opções políticas e ideológicas. Sem isso não podemos produzir Constituinte, e a realidade política é pouco madura para construção de um pacto para revisão ampla da Constituição”.

Miro Teixeira favorável em parte

O líder do PDT, deputado Miro Teixeira (RJ), defendeu a revisão constitucional, desde que restrita aos aspectos da ordem tributária e do pacto federativo. Em sua opinião, a proposta sobre a revisão deve definir, com antecedência, o que será tratado pelos parlamentares. "Se não for assim, não haverá a confiança da população", destacou.

Miro foi autor de proposta de revisão constitucional em 1997, que produziu mandato de segurança impetrado pela bancada do PCdoB. Renato Rabelo disse que o Partido pode adotar a mesma posição novamente.

O representante do PL, Inaldo Leitão, também se posicionou favorável à revisão constitucional.

Revisão negociada

Para o presidente da comissão, deputado Michel Temer (PMDB-SP), a proposta de revisão constitucional não vingará sem a concordância dos partidos. "Nós resolvemos ouvir todos os presidentes de partidos políticos porque esta matéria da revisão é uma matéria exclusivamente política. Se não houver uma concordância dos partidos políticos, não é possível fazer prosperar a tese da revisão", afirmou Temer.

Para o relator da comissão, Roberto Magalhães (PFL-PE), as diversas alterações à Constituição provam que o texto original já não atende mais às necessidades da sociedade brasileira. "Uma Constituição que está todo dia sendo emendada tem algo de errado", avalia.

O relator apresentou parecer que defende a convocação, em 2007, de uma assembléia para revisar a Constituição. Magalhães sugeriu a realização de um referendo popular, a ser realizado no primeiro domingo de junho de 2007, para assegurar a legitimidade da revisão.

O texto determina ainda maioria absoluta de cada Casa, em votações separadas, como quorum de aprovação do texto. Este deveria ainda passar por dois turnos de discussão e de votação. Apenas a discussão seria em sessão unicameral. A PEC autoriza ainda a realização de revisão constitucional a cada dez anos.

Argumentação jurídica

Os juristas, que participaram de outras audiências realizadas pela comissão, defendem que a Constituição só pode ser alterada com o quorum exigido atualmente, ou seja, 3/5 dos votos em cada Casa – e não por maioria absoluta – metade dos votos mais um.

Além disso, os juristas argumentam que a atual Constituição previa apenas uma revisão, que ocorreu em 1993.

O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que presidiu os trabalhos, convocou novas reuniões para a terça e quarta-feira (28 e 29). Na terça serão ouvidos os presidentes do PSB, deputado Eduardo Campos (PE); do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE); e do PV, José Luiz de França Penna.

Na quarta-feira, estão convidados os presidentes do PPS, deputado Roberto Freire (PE); do PP, Pedro Corrêa; do PTB, Flávio Martinez; e do Psol, senadora Heloisa Helena (AL).

De Brasília
Márcia Xavier
Com agências

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