De forma autoritária, o INSS usou a Polícia
Federal para tentar impedir atividade de sindicalistas, que no último sábado
tentavam aplicar um questionário em frente as agências da previdência, em
Salvador.
Os sindicalistas, representantes do Coletivo de Saúde da CUT-Bahia,
aproveitaram o mutirão de perícias do INSS para fazer uma pesquisa com os
segurados sobre o programa Data Certa, mas logo que começaram a aplicar os
questionários um carro da Polícia Federal parou em frente as unidades das
Mercês e do Comércio com a intenção de coagir o movimento.
De acordo com José Barberino, diretor do Departamento de Saúde do Sindicato
dos Bancários, o Coletivo de Saúde da CUT-Bahia enviou, antecipadamente, um
ofício ao INSS comunicando que seria aplicada uma pesquisa no dia do mutirão.
No ofício também constava que a intenção não era fazer protesto e nem
manifestação, apenas entrevistar os beneficiários.
Para cumprir com o que foi colocado no ofício, a CUT-Bahia organizou os
trabalhadores em pequenos grupos, de até quatro pessoas, para ficar em cada
agência, porém o pessoal não conseguiu nem ter acesso aos postos, pois a
segurança impediu a entrada. Mesmo com a ação da Polícia Federal e da
segurança do INSS, os trabalhadores recolheram 30 questionários em frente a
agência das Mercês e 20 na do Comércio. A análise está sendo concluída e até o
final da semana será divulgada.
O presidente da CUT-Bahia, Everaldo Augusto, considera um absurdo e um
desrespeito com os trabalhadores a ação do INSS, pois esse tipo de atitude não
casa com as propostas do governo Lula, que tem garantido maior espaço para a
organização e luta dos trabalhadores. O Coletivo de Saúde da CUT e os
lesionados vão continuar mobilizados contra os desmandos da previdência.
O ocorrido causou grande indignação aos sindicalistas, o presidente da
CUT-Bahia responsabiliza a gerência regional da previdência pela presença da
Polícia Federal na frente das agências e promete interpelar o ministro da
previdência, Nelson Machado, sobre a tentativa de repressão.
Alta imotivada
Desde agosto do ano passado que os
trabalhadores estão mobilizados contra o Programa de Cobertura Previdenciária
Estimada do INSS (COPES/Data Certa), que impõe regras que provocam grandes
insatisfações. Por conta do programa, os peritos vêm se comportando como
verdadeiros carrascos, cumprindo ordens superiores e desconsiderando
relatórios e exames médicos que comprovam o real estado de saúde dos
lesionados.
O programa impõe a alta imotivada, ou seja, obriga os trabalhadores afastados
a voltarem ao trabalho, mesmo incapacitados. O movimento sindical não aceita a
situação e vai continuar protestando contra a alta pré-datada. “Os
trabalhadores defendem que cada paciente seja avaliado separadamente, de
acordo com a doença e as necessidades de tratamento. Não dá para generalizar,
alta programada é crime”, afirma Everaldo Augusto.
Fonte: CUT Bahia